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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

SD 108 A CADERNETA DE VICTOR FRANKENSTEIN 2

Eu prossegui então meus estudos com um fervor enorme e, creio, sem precedentes; nenhum zelote ou essênio teria perseguido a verdade com maior ardor. Ainda assim, minhas discussões noturnas com Bysshe continuaram, e não menos animadas. Ele ansiava apaixonadamente pela dissolução do cristianismo e havia jurado vingança contra aquele que chamava de “o Galileu pálido”, mas sua fúria estava reservada para o Deus onisciente dos profetas. Eu fora educado na Igreja Reformada de Genebra, mas a religião de meu pai e de minha família pouco tinha influenciado minha mente. Eu afirmara a qualidade divina da natureza em si mesma, mas minha fé anterior em algum criador do universo estava agora abalada pela negação de Bysshe de um ser eterno e onipotente. Essa deidade era venerada como o criador da vida, mas e se outros de uma natureza menos elevada fossem capazes de realizar esse milagre? E então? Bysshe argumentava, a partir dos preceitos da razão, que Deus não existia. Ele afirmava que a verdade era o único meio de promover os melhores interesses da humanidade. Quando se descobria uma verdade, era obrigatório proclamá-la o mais vigorosamente possível. Ele também declarava que, como a crença é uma paixão da mente, nenhum grau de criminalidade poderia ser atribuído à descrença. Quanto a isso, como não tardou a perceber, ele não levou em conta os preconceitos comuns da sociedade inglesa. Escreveu um breve ensaio, intitulado “Sobre a necessidade do ateísmo”, que foi então impresso e posto à venda no livreiro do outro lado da rua principal onde ficava a universidade. Não estava nas prateleiras há mais de vinte minutos quando um dos professores da universidade, o Sr. Gibson, o leu e repreendeu o proprietário da loja por colocar à venda literatura tão incendiária. Os exemplares foram imediatamente retirados e, creio, queimados num fogão nos fundos da loja. A autoria do panfleto anônimo foi logo descoberta graças a informações dadas pelo próprio livreiro. Bysshe foi convocado para uma reunião com o diretor e os professores. Um
exemplar de “Sobre a necessidade do ateísmo” estava na frente deles, conforme me contou depois. Mas ele se recusou a responder as perguntas deles, sob a justificativa de que o panfleto fora publicado anonimamente. Seria um ato de tirania e injustiça, ele disse, acusá-lo sem uma base legal. Era de sua natureza inflamar-se contra qualquer indício de opressão. Claro que foi julgado culpado. Ele veio bater furiosamente à minha porta logo depois de sair dessa reunião. — Mandaram-me embora — disse ele, assim que entrou em meus aposentos. — Não meramente suspenso, Victor. Expulso! Dá para acreditar? — Expulso? A partir de quando? — De agora. Deste exato momento. Não sou mais membro da universidade. — Ele sentou-se, tremendo. — Não quero nem pensar no que o meu pai irá dizer. — Ele sempre falava de seu pai com grande inquietação. — Para onde você irá, Bysshe? — Não posso ir para casa. Seria duro demais para aguentar. — Ele olhou para mim. — E eu não gostaria de ficar privado da sua companhia por muito tempo, Victor. — Só há um lugar para você ir. — Eu sei. Londres. — Ele pulou da cadeira e foi até a janela. — Tenho me correspondido com Leigh Hunt faz algumas semanas. Ele conhece todos os revolucionários da cidade. Vou viver em companhia deles. — Ele já parecia estar recobrando o ânimo. — Irei crescer em direção ao sol da liberdade! Encontrarei acomodações. E você precisa me acompanhar, Victor. Virá comigo?

***
Eu esperei até o final do período letivo antes de ir encontrar Bysshe em Londres. Ele tinha alugado acomodações na Poland Street, no bairro de Soho, e eu encontrei aposentos perto, na Berners Street. Eu estivera em Londres uma vez antes, ao chegar de minha terra natal, mas é claro que eu ainda estava maravilhado por sua imensidão. Nenhuma tempestade alpina, nenhuma torrente em meio às geleiras, nenhuma avalanche entre os picos dava uma ideia sequer aproximada do rugido da cidade. Eu nunca tinha visto tanta gente, e ficava perambulando pelas ruas num constante estado de empolgação. Que poder as vidas humanas têm quando agregadas! Para mim, a cidade parecia uma ampla máquina elétrica, galvanizando tanto os pobres quanto os ricos, enviando sua corrente por todas as vias, vielas e avenidas no curso de sua vida pulsante. Londres parecia ingovernável, obedecendo a leis
misteriosas até para si mesma, como um turvo fantasma assombrando o mundo. Bysshe enquanto isso procurara e encontrara os homens da liberdade. Juntos fomos a uma reunião da Liga da Reforma Popular nos aposentos acima de uma loja de perfumes na Store Street onde, para o nosso deleite, ouvimos epítetos contra membros da administração que os teriam atingido e queimado como que os marcando com um ferro em brasa! Eu fiquei embriagado com a linguagem da liberdade, convencido como estava de que a velha ordem da opressão e corrupção iria com certeza se extinguir. Era a hora de romper as fundações da tirania e revogar as leis pelas quais a humanidade tinha sido escravizada. Havia um mundo novo esperando para ser trazido à luz e à vida! Fomos cordialmente recebidos pelos membros da Liga, que logo se mostraram satisfeitos em aceitar que não éramos espiões do governo, mas amigos da liberdade ou Cidadãos, como eles nos chamaram. Quando eu confessei que vinha de Genebra, houve um “hurra” para “o lar da liberdade”. Pão e cerveja foram servidos, e todos ficaram muito animados. A isso seguiu-se um debate geral em que as demandas por parlamentos anuais e pelo voto universal foram vigorosamente proclamadas. Um jovem chamado Pearce se pôs de pé e proclamou que “a Verdade e a Liberdade, numa época tão esclarecida como a atual, precisam ser invencíveis e onipotentes”. Eu não pude deixar de interpretar as palavras dele sob a luz de minhas próprias pesquisas em que a verdade, se buscada de uma maneira científica, também poderia se provar invencível. Não havia limite possível para o poder da mente humana se ele fosse dominado de forma adequada e justa. As palavras de Pearce foram recebidas com aclamação, à qual Bysshe e eu nos juntamos, e não pude deixar de comparar esses Cidadãos entusiastas com a juventude apática da universidade. Eu ia sussurrar isso para Bysshe quando, com os olhos brilhando, ele se pôs de pé e declarou à reunião que “não temos necessidade de reis”. Isso foi sonoramente aclamado, e vários homens se levantaram e apertaram sua mão. — O que temos a temer? — perguntou ele. — Se nos mantivermos firmes em nossos princípios de verdade e liberdade, então tudo ficará bem. Sigam a luz do relâmpago! — Os membros da Liga, exaltados pela retórica dele, começaram então uma canção de grande fervor:
“Venham filhos da verdadeira liberdade, vamos Formar uma aliança firme, honesta e livre Vamos nos dar as mãos enquanto a razão empunha Sua luminosa tocha de amizade. Ousados sejamos!”
Eu não sei se Bysshe admirou a poesia, mas as emoções nela expressas ele aprovou inteiramente. Ao fim da reunião, um dos Cidadãos foi até ele e se apresentou. — Como vai o senhor? Imagino que a sua residência em Oxford lhe caiu bem. Bysshe ficou perplexo. — Como sabe disso? — Sou um amigo próximo do Sr. Hunt. Ele vem se correspondendo com o senhor, não? — Eu o conheci em Londres. — É mesmo? Assim que vi o senhor e seu companheiro — ele fez uma mesura para mim —, soube que eram os expulsos da universidade. — Este é o Sr. Frankenstein. Ele não foi expulso. Mas compartilha os meus princípios. — Meu nome é Westbrook. Sou sapateiro. — Ele olhou em volta o salão por um momento. — Raramente damos nossos nomes aqui, por medo de espiões. Mas o senhor é uma exceção, Sr. Shelley. É filho de um baronete, não? — Sou. Mas usarei cada partícula do que é meu por nascença a serviço da causa. — Bem dito, senhor. Agora precisamos sair para a rua, antes que os magistrados nos interrompam. Aprendemos a evitar o que chamamos do grito de guerra da Igreja e do rei. Seguimos pela Store Street e paramos na esquina da Tottenham Court Road. Westbrook me pareceu ter uma mente nobre. Sua fisionomia era firme e de testa proeminente, inclinada ao idealismo; de forma alguma estava malvestido, apesar de seu ofício, e usava o cabelo curto e sem pó, no estilo “liberdade”. — Será que poderia levá-los para conhecer — perguntou ele — o lugar onde a minha irmã está empregada? Não é longe daqui. O sofrimento nunca está longe nesta cidade. E lá os senhores verão o inimigo. Ele nos conduziu pelo bairro de St. Giles, como ele o chamou, que ficava a poucas ruas de onde estávamos. Pareceu-me o mais miserável e depravado bairro imaginável nesta terra. Nenhum bairro pobre de Genebra, por mais nefasto que fosse, chegava perto de parecer com aquele pedaço fedorento e degradante de Londres. As ruas eram não mais que caminhos de lama, ou imundície, onde o esgoto afluía em riachos dos pátios e becos depauperados. O fedor era indescritível. — É seguro estarmos aqui? — sussurrei para Westbrook. — Sou conhecido. Mas caso contrário... — ele tirou do bolso interno do paletó uma faca grande com um cabo de osso e uma lâmina longa. — Isto é o que os franceses chamam de couteau secret — disse. — Não se pode abri-lo sem conhecer a mola secreta.
— Alguma vez já o usou? — Não ainda. Eu a trago para aqueles que perseguem a mim e meus companheiros. Houve um grito estridente numa das janelas nos andares de cima, fechada com trapos, seguido pelo som confuso de golpes e imprecações sendo trocadas. Nós nos apressamos. Eu não sabia que tamanha monstruosidade, tamanho horror abjeto, podia existir em um país cristão. Como aquela podridão crescera na maior cidade do planeta, sem ninguém nem sequer notar a sua existência? Estávamos a apenas alguns minutos do brilho da Oxford Road, ao que me constava, mas essas vielas eram como uma sombra negra eternamente seguindo os passos dela. Desviamos do corpo caído de uma mulher, nos últimos estágios da embriaguez: suas pernas estavam cobertas com as próprias excreções. Se a vida podia se tornar algo tão terrível, como poderia ser obra de Deus? Eu realmente acredito que essa entrada nos subterrâneos de Londres eliminou em mim os últimos vestígios de fé cristã. O homem não era uma criatura feita por Deus. Foi o que pensei então, e algo que agora sei.

***
Chegamos a um pátio aberto, ofegando por um ar mais limpo. — Só mais um pouco, cavalheiros — disse Westbrook. Bysshe mal conseguia se manter de pé, curvando-se sobre si mesmo na rua. — Você está passando mal? — perguntei a ele. — Não eu — respondeu. — O mundo. O mundo está passando mal. Eu sou a parte menos importante dele. — Então ele vomitou num canto. Chegamos a uma rua estreita, cujo nome não vi. Havia um prédio circular de tijolos vermelhos, muito parecido com um tabernáculo das seitas, e Westbrook foi até uma pequena porta num de seus lados. Ele bateu com força e então a abriu. O ar no interior estava repleto da bem-vinda fragrância de especiarias, como as que em minha imaginação teriam embalsamado o corpo de um faraó. O salão propriamente dito era de forma circular, como o prédio, e parecia estar inteiramente tomado por meninas e mulheres jovens. Estavam sentadas em bancos ao longo dos lados de duas mesas compridas, despejando pós em pequenos frascos de cerâmica. Eu as observei atentamente por um ou dois momentos, o tempo necessário para ver o procedimento completo delas. Elas cortavam um pedaço de papel oleado de uma folha atrás delas, colocavam-no sobre a abertura do frasco, e então seguravam um pedaço de papel azul sobre ele; em seguida amarravam um barbante em volta do gargalo do frasco. A velocidade e destreza delas eram extraordinárias; pareciam estar imitando algum mecanismo com sua agilidade e eficiência. — Aqui está a minha irmã — disse Westbrook. — Harriet. Ele foi até uma das meninas e a tocou no ombro. Ela sorriu, mas não ergueu os olhos para ele; estava muito ocupada com suas tarefas. Seu cabelo estava preso dentro de um gorro de pano, e era evidente que tinha grande beleza e traços delicados. Ela não poderia ter mais de 14 ou 15 anos. Bysshe citou algumas palavras de Dante, ou disso me informou mais tarde, e devo dizer que também me senti como se golpeado em meu âmago. Percebi a estranha palidez dela, sem dúvida pela inalação das especiarias, e vi que seus dedos estavam machucados e cortados por suas operações contínuas. — Ela prepara especiarias para as casas dos ricos — continuou Westbrook. — Doze horas por dia. Seis dias por semana. Trabalha para sustentar nossa família. Os xelins dela põem comida na mesa. Não especiarias. — Falava com tanta amargura que sua irmã olhou de relance para ele, preocupada, antes de retomar seu trabalho. — Não vamos interrompê-la mais, Harriet. Sua supervisora está vindo para nos advertir. Uma mulher mais velha se aproximou, as mãos estendidas. — Ora, Sr. Westbrook, não deve distrair sua irmã do trabalho dela. Ela fica prestando atenção em você e não em seus deveres. — Parecia ser uma mulher afável, agradável e nem um pouco rígida com suas subordinadas. — Vá agora com seus amigos e deixe a nós, pobres mulheres, em paz. Saímos do prédio. — Estão com sede agora, cavalheiros? As especiarias grudam na garganta. A pobre Harriet frequentemente está com tosse. — Passamos ao longo de uma fileira de casas, e ele parou para olhar em volta. — Há uma taverna respeitável do outro lado desta rua — disse ele. Ele nos fez atravessar o calçamento. — Ela é pouco mais do que uma escrava. — Quem a pôs lá? — perguntou Bysshe a ele. — Meu pai. Aqui estamos. Entramos na taverna, baixa e escura à maneira londrina, e pedimos três doses de cerveja forte. Então sentamos a uma mesa no canto. — Meu pai acredita que o dever da humanidade, as mulheres incluídas, é trabalhar. Ele é um seguidor radical do presbiterianismo escocês. — A pior das seitas cristãs — comentou Bysshe. — Ele acredita que a mulher é muito inferior ao homem. De modo que ele nunca pensou no bem-estar futuro de Harriet. Decretou que ela tem de trabalhar. — Isso é abominável. — Bysshe apertou seu caneco, batendo-o impaciente na mesa. Seu rosto ficou bastante vermelho e, pela primeira vez, vi o vestígio de uma cicatriz branca em sua testa. — Como pôde ela ser domada e escravizada como um animal? — Eu argumentei com o meu pai. Apontei os benefícios para Harriet de frequentar até mesmo uma escola para moças. Mas seu coração está endurecido. — Monstruoso. Terrível. O senhor não pode sustentá-la? — Eu? Eu mal consigo sustentar a mim mesmo. — Então eu a libertarei! — Meu amigo agora irradiava energia e ardor. — O que vai fazer? — perguntei. — Irei ver o pai dela e lhe oferecerei a mesma quantia... a mesma quantia que ela ganha, se ele permitir que ela estude numa escola ou academia. Eu não vou descansar enquanto não estiver resolvido. — Precisa esperar que ela termine o trabalho — observou Westbrook. — Cada instante é uma agonia. Perdoem-me. Preciso ir lá para fora. — Eu o acompanhei até a porta da taverna e entreguei a ele um lenço com o qual enxugou a umidade em seu rosto. — Obrigado, Victor. Fiquei bastante abalado. — Aonde você vai? — Aonde vou? Não vou a parte alguma. — Então, para a minha surpresa, ele começou a andar de um lado para outro nas pedras do calçamento em frente à taverna. Quando voltei com Westbrook, descobri que ele já tinha pedido mais duas doses de cerveja. — Bysshe está dissipando a sua fúria — eu disse a ele. — É uma alma fervente, a dele. — O Sr. Shelley tem um temperamento incandescente. Isso é bom. Precisamos de naturezas forjadas no fogo. — Percebi que aqui, na Inglaterra, as emoções estão correndo soltas. — Desde a Revolução em Paris. O Sr. Shelley está certo. Lá vai ele. Vi a bengala dele balançando perto da janela. Nós, também, fomos libertados. Os eventos ajudaram a criar um novo tipo de homem. — Um novo tipo de homem? — Você está rindo de mim. — Não. Acredite em mim. Não estou. — Choramos mais livremente hoje em dia, não? — Não tenho padrão de comparação. Ah, eis Bysshe. — Creio — disse Bysshe, rindo ao se juntar a nós — que estava me tornando um objeto de atenção. Houve comentários.
— O senhor é uma figura incomum nesta vizinhança. — Westbrook foi até o balcão e trouxe outra caneca para Bysshe. — Eu sou? — Ele pareceu genuinamente surpreso, e me ocorreu que ele não tinha consciência de sua própria singularidade. — Um jovem ficou olhando minha bengala. — Eles são todos pobres, senhor. Mas não têm más intenções. A maioria deles é bastante honesta. Bysshe pareceu embaraçado. — Perdoe-me. Eu não quis impugnar a honestidade deles... — Ele bebeu rapidamente de seu caneco. — Fico surpreso — comentei — que eles não fiquem urrando de raiva. — Como assim, Victor? — Se eu fosse forçado a viver em horror abjeto, enquanto aqueles à minha volta estivessem transbordando de riquezas, eu iria desejar derrubar esta cidade pedra por pedra. Eu iria querer destruir o mundo que me aprisionou. Que me criou. — Disse bem. — Westbrook ergueu o seu caneco para mim. — Eu com frequência me pergunto o que mantém esses pobres homens em sua servidão. — A religião — sugeriu Bysshe. — Não. Não isso. Eles não se deixam impressionar por nada desse tipo. São tão pagãos quanto os homens da África. — Fico contente em ouvir isso — replicou Bysshe. — Vamos beber à morte do cristianismo. — Não — prosseguiu Westbrook. — É o medo da punição. O medo das galés. — O que eles ganham da vida? — perguntei. Estava ficando bêbado com a cerveja forte. — A própria vida — respondeu Westbrook. — Isso é o bastante, acho. — Bysshe tinha ido até o balcão e trazido mais três canecas. — A vida é o seu próprio valor. Não há nada mais precioso. — Ainda assim — Westbrook acrescentou — poderia ser levada com dignidade. E sem sofrimento. — Gostaria que isso fosse possível nesta vida. — Bysshe ergueu sua caneca. — Saúde a todos. — O que quis dizer com isso? — perguntou Westbrook a ele. — O sofrimento é intrínseco à existência humana. Não há alegria sem a sua correspondente dor. — Não precisa ser assim — eu disse. — Precisamos criar um nova qualidade de valor. Só
isso. — Ah, você vai transformar a natureza, é, Victor? — Se necessário, sim. — Bravo. Victor Frankenstein vai criar um novo tipo de homem! — Você sempre me diz, Bysshe, que devemos descobrir o indescobrível. Obter o inatingível. — Eu realmente acredito nisso. Todos concordamos com isso, acho. No entanto, remover o próprio sofrimento... — E se houvesse uma nova raça de seres — perguntou Westbrook — que não conseguisse sentir nem dor nem pesar? Seriam terríveis. Eu peguei o braço dele. — E St. Giles, aquele lugar onde estivemos, não é ainda mais terrível? O que me diz? Continuamos bebendo e, acredito, suscitamos alguns comentários dos balconistas e dos comerciantes que estavam sentados nos outros bancos. Era uma vizinhança mais respeitável que a adjacente St. Giles, mas a presença de cavalheiros não era necessariamente bem-vinda. — Devemos ir agora — disse Westbrook. Ele segurou Bysshe pelo braço e o ajudou a levantar. — Eu acho, Sr. Shelley, que deveria visitar o meu pai outra hora. Ele não é amigo da bebida. — E quanto à sua irmã? E quanto a Harriet? — Bysshe ficou de pé cambaleante. — Dois ou três dias não farão diferença alguma, posso lhe garantir. Vamos, agora. E o senhor também, Sr. Frankenstein. Vou conseguir um coche para os dois na St. Martin’s Lane.

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