Quando cheguei em Londres, aluguei aposentos na Jermyn Street, mas tomei a precaução de enviar minha pesada bagagem para Oxford. Mal engoli um prato de carne, num restaurante perto da igreja de St. James, e fui em direção à Poland Street. As janelas das acomodações de Bysshe estavam fechadas, portanto subi a escada e bati na porta com a bengala de marfim que trouxera da Suíça. Uma jovem a abriu, com um bebê no colo. Eu fiquei sem palavras por um instante, e apenas olhei para ela. — Pois não, senhor? — O Sr. Shelley? — Perdão? — O Sr. Shelley está? — Não há ninguém com esse nome. — Percy Bysshe Shelley? — Não, senhor. John Donaldson. E sua esposa, Amelia, que sou eu. E este é Arthur. — Ela deu um tapinha no bebê com a mão livre. Devo admitir que senti um momento de alívio. — Perdoe-me, Sra. Donaldson. Posso perguntar se faz tempo que a senhora mora aqui? — Chegamos no começo do verão, senhor. Somos de Devon. — Havia um jovem aqui antes de vocês, creio. Ele é um amigo meu... — Ah, o jovem. Eu ouvi falar dele, pelo Sr. Lawson do andar de cima. Um sujeito estranho. Muito volátil. É esse? — Confirmei. — Ele desapareceu. Partiu numa manhã e nunca mais foi visto. Já que o senhor está aqui... — Ela recuou para aposentos que eu conhecia tão bem, e logo voltou com um pequeno livro. — Se o senhor o encontrar, poderia lhe devolver isto? — Ela me entregou o livro que reconheci como um exemplar de Baladas líricas. Ele o lera com frequência, durante nossas conversas noturnas. — Encontrei-o atrás do sofá, deve ter caído ali. O Sr. Donaldson e eu não temos uso para ele, senhor.
Eu dei a ela um soberano, que foi aceito com muitas manifestações de agradecimento. Pensei em fazer uma visita a Daniel Westbrook para ter notícias de Bysshe. No entanto, a memória daquele bairro, sombria e deprimente, me dissuadiu. Em vez disso, decidi retornar a Oxford, onde Bysshe poderia encontrar-me se assim desejasse. Eu mantive meus aposentos na Jermyn Street, todavia, como um refúgio da vida tranquila na universidade.
***
Florence, minha criada na universidade, cumprimentou-me do alto das escadas com uma expressão de surpresa. — Ora, Sr. Frankenstreng, já estávamos perdendo as esperanças quanto ao senhor. — Nunca perca as esperanças, Florence. — Aí o porteiro nos disse que o senhor estava voltando. Então fiz uma boa faxina. — Ela indicou meus aposentos com um gesto. — O senhor verá que está tudo perfeito. — Fico contente em ouvir isso. — Passei por ela e, ao abrir a porta, fiquei aliviado de ver minha bagagem empilhada num canto. Assim, mais uma vez entrei na rotina diária de serviços religiosos, refeições universitárias e colegas de faculdade. Tal era a natureza do lugar que, assim que me instalara em meus aposentos, senti que minha velha vida retornava. Procurei a companhia de Horace Lang, que conhecia Bysshe antes de minha própria chegada em Oxford; juntos caminhávamos ao longo do Tâmisa em direção a Binsey, ou Godstow, e especulávamos sobre o poeta. Lang não ficara sabendo nada sobre ele desde a sua partida forçada da universidade, de modo que eu o informei acerca das reuniões radicais em Londres. Foi com considerável sensação de entusiasmo, então, que ficamos sabendo da iminente chegada do Sr. Coleridge como um palestrante no Welsh Hall na Cornmarket Street. A poesia dele eu já conhecia, é claro, em parte através das Baladas líricas e em parte através das minhas pesquisas dedicadas à ciência política e econômica mais atual. Desde que começara a ler seus ensaios no Friend, eu adquirira um vasto respeito por sua habilidade intelectual, e não menos pela agilidade mental que parecia vencer qualquer desafio. A série de palestras que ele daria fora intitulada “O caminho da poesia inglesa” e, na primeira noite, o Welsh Hall estava absolutamente lotado com os jovens da universidade. Quando o Sr. Coleridge subiu à plataforma, não parecia bem: tinha um rubor afogueado nas bochechas, mas de resto sua compleição era pálida. Parecia mais velho do que eu imaginara, a menos que seus cabelos fossem insolitamente brancos, e suas mãos tremiam quando ele se
aproximou da tribuna. Estava longe de ter má aparência, com o rosto franco de uma criança, mas havia uma languidez indefinível que sugeria preguiça ou falta de determinação. — Cavalheiros — começou, tirando alguns papéis do bolso do paletó —, precisam perdoar a minha fragilidade. Recentemente retornei de uma longa jornada, durante a qual minha saúde sofreu. Mas eu oro e espero que a mente esteja intocada pelas torturas do corpo. Ao ouvir isso a plateia aplaudiu-o e, dada a generosidade da recepção, Coleridge pareceu ficar à vontade. Ele começou falando a partir de suas notas sobre as raízes da poesia inglesa nos bardos anglo-saxões, mas era um assunto enfadonho, pelo qual ele não tinha um real entusiasmo. Sentindo a inquietude da plateia, acho, ele deixou de lado os papéis e começou a falar cálida e espontaneamente sobre o próprio gênio da linguagem. Tinha um olhar inspirado, se é que posso dizer assim, e parecia capaz de enxergar as frases e sentenças antes de exprimi-las. Disse que a linguagem possuía uma forma orgânica, em vez de mecânica; louvou sua operação ativa, como um instrumento da imaginação, e declarou que “o homem cria o mundo em que vive”. Tomei nota de um sentimento em particular que me interessou imensamente. — Newton — declarou — afirmava que suas teorias foram criadas através de experimento e da observação. Não exatamente. Elas foram criadas através da sua mente e imaginação. — Coleridge não mais parecia fatigado e, no fogo de seu discurso, sua compleição tinha se enobrecido; ele falava muito livremente, com uma sibilância que era estranhamente atraente, e usava os gestos com grande efeito. — Sob a estampa da imaginação — continuou —, a natureza é instinto com paixão e com transformação. Ela é alterada — é movida — pela percepção humana. Em que sentido ele usou movida? Simplesmente denotando transformação, ou implicando o sentimento de piedade ou alegria? Creio que essas expressões eram uma considerável novidade para a plateia reunida no Welsh Hall, e ela escutava com ávida expectativa. Coleridge parecia inflamado pela atenção dela, e eu percebi que o rubor em seu rosto tinha dado lugar a uma radiância de... não sei bem... de crença, de crença em si mesmo. — Todo conhecimento — prosseguiu ele — se baseia na coincidência de um sujeito com um objeto numa unidade viva. Nós precisamos descobrir a habitação e o lugar onde vivem todas as coisas. Nesse procedimento, poderemos fazer com que a mente seja intuitiva quanto ao espiritual. Fiquei muito encorajado com as palavras dele, já que procedia em minhas pesquisas com
a firme convicção de que toda a vida era uma só e que o mesmo espírito de existência respirava em todas as formas criadas. Essas eram quase as próprias palavras que Coleridge usou quando deu um passo à frente da tribuna e declarou que “tudo tem uma vida própria, e somos todos uma só vida”. Alguns poucos aplaudiram cá e lá, embora os sentimentos dele fossem tão fora do comum que muitos não conseguiam seguir seu percurso ou, melhor, sua ascensão. Eu nunca vira um homem tão transformado pelo poder da eloquência, de tal forma que não teria me parecido nem um pouco surpreendente caso ele se elevasse para o teto num ato de apoteose. Coleridge falou eloquentemente sobre Shakespeare e como as palavras do dramaturgo levavam a alma do homem à atividade, e então prosseguiu com uma celebração improvisada da imaginação propriamente dita. Eu quis que Bysshe estivesse comigo naquela hora. — A imaginação primária — afirmou —, creio ser a força viva e o agente primeiro de toda a percepção humana, uma representação na mente finita do ato eterno da criação. De modo que os homens passavam a ser como deuses. Era isso o que ele queria dizer? O que pode ser imaginado, pode ser formado à imagem da verdade. A visão podia ser criada. Eu voltei para os meus aposentos num estado de grande agitação, explicando para Long a importância da palestra de Coleridge. — Você está querendo dizer — perguntou ele — que está disposto a pôr à prova as suas fantasias mais ambiciosas? — A imaginação é o mais forte poder possível. Você não lembra que Adão sonhou, e que quando acordou descobriu que era a verdade? — Na mesma narrativa, Victor, há uma advertência contra o fruto da Árvore do Conhecimento. — Devemos ser impedidos de tentar alcançar o galho? Com certeza não. — Sou um mero estudante de teologia. — Onde nada mais há para aprender? — Os caminhos de Deus são infinitos. Mas eu não compartilho a sua... — ... Ambição? — Ânsia. Seu desejo ardente de explorar caminhos desconhecidos. Você me falou do conhecimento proibido dos adeptos. Dos magos antigos. — Não magos. Filósofos. Homens de ciência. — Dos secreta secretorum de suas artes. E eu devo dizer que fiquei alarmado. — Meu caro Lang, há gente alarmada com Faraday e com Mesmer. Todas as novas formas de pensamento e prática produzem inquietação. O que Coleridge acabou de dizer
para nós? Sob a força da imaginação, a própria natureza é transformada. Faraday despertou membros mortos com o fluido elétrico. Mesmer aliviou sofredores inválidos de toda a sua dor. Isso não é uma alteração das leis da natureza? — Não pode ser uma coisa boa. — A passagem da morte para a vida não é uma coisa boa? O alívio da dor não é uma boa coisa? Ora essa. Você precisa pensar como um homem, Horace, não como um teólogo. Ficamos em silêncio; meu companheiro despediu-se contidamente quando nos separamos no pátio, mas eu subi minha escada com o coração leve. As palavras de despedida de Coleridge, sobre o papel formador da imaginação, tinham alimentado o meu entusiasmo num grau tal que eu não conseguia pensar em nenhuma outra coisa. Preparei para mim mesmo uma bebida quente de rum e leite, uma herança de meus dias em Chamonix, e então fui para a cama com a determinação fixa de acordar cedo para me debruçar em meus estudos. Quando coloquei a cabeça no travesseiro, no entanto, eu não dormi; tampouco eu poderia dizer que pensasse em alguma coisa em particular. Minha mente era como uma tela onde uma sucessão de imagens passava. Uma vez, quando ficara doente com febre em Chamonix, a mesma sensação se apossara de mim; era como se minha imaginação tivesse se tornado o meu guia, levando-me adiante numa direção sobre a qual eu não tinha qualquer controle. Deitado em minha cama em Oxford, vi Elizabeth, como estaria se ainda fosse viva; imagens de meu pai subindo uma montanha, ao lado de uma vasta geleira que ameaçava desabar sobre ele; imagens de Bysshe, fugindo através de uma vasta planície com uma garota nos braços. E, então, o mais espantoso de tudo: vi a mim mesmo ajoelhado junto à cama de algum vulto gigantesco. Essa cama era a minha, e o vulto estava estendido nela. No entanto, eu não podia ter certeza de sua natureza. Eis que começou a dar sinais de vida, e a mover-se de uma maneira desconfortável, só meio viva. Devo ter caído no sono, pois só posso então lembrar de uma sequência de sons como um rufo de tambores no prelúdio de uma ópera. Ouvi um portão rangendo em suas dobradiças e então sendo fechado, alguns passos pesados, uma chave girando e, em seguida, uma porta se revelando. Abri os olhos com terror, só para dar com Florence entrando no quarto. — O senhor vai perder o serviço na capela, Sr. Frankensang — anunciou. — Precisa se levantar. Nunca me lavei e me vesti com tal alívio, ao descobrir os fantasmas da noite bem dissipados. Eu me apressei a descer para a capela, onde vi Lang piscando e bocejando como se não tivesse dormido nada. Estava para me juntar a ele no salão para o café da manhã
depois do serviço quando o porteiro me trouxe um bilhete. — Isto foi deixado para o senhor — avisou. — Hoje de manhã. Havia um recado escrito a lápis numa pequena tira de papel arrancada de um caderno: Posso encontrá-lo? Estarei perto da ponte no fim da rua. Estava assinado por Daniel Westbrook.
***
Eu me precipitei pela rua principal até a ponte Magdalene. Ele estava esperando por mim apoiado no parapeito, olhando o fluir verde do Cherwell. — Graças a Deus que o senhor está aqui — exclamou assim que me viu chegando. — Bom dia, Sr. Frankenstein. — Bom dia, Daniel. Dificilmente imaginaria vê-lo em Oxford. — Vim pela diligência noturna. O senhor é o único que conheço... — O que aconteceu? — Harriet desapareceu. — O quê? — Acreditamos que ela tenha fugido com o Sr. Shelley. Não há sinal de nenhum dos dois. Sr. Frankenstein, eles não são casados! — Espere um momento. Recapitule. Como você sabe que ela se foi? — Todos os pertences dela foram levados, incluindo os preciosos livros. É claro que eu fui imediatamente até as acomodações do Sr. Shelley. — Onde ficam essas acomodações? — Em Aldgate. Ele se mudou para ficar mais perto de nós. Mas tinha partido. A senhoria disse que ele entrara numa carruagem com uma jovem, e que ele levava sua valise consigo. A descrição dela correspondia a Harriet. Eles fugiram, Sr. Frankenstein. Meu pai está abalado. Minhas irmãs estão terrivelmente transtornadas. O que faremos? Meu primeiro pensamento foi procurá-lo. — Vamos ficar muito calmos. Não conseguiremos nada em tal estado de nervos. — Peguei o braço dele e caminhamos de volta para a faculdade. — Você vai tomar um chá comigo e se reavivar. Veja o quanto está gelado! — Eu vim sentado do lado de fora na viagem. O vento estava muito frio. — Venha para os meus aposentos, então. Lá faremos nossos planos.
***
Quando nos instalamos, com a chaleira esquentando no fogo, Daniel explicou a sucessão dos eventos desde a minha partida para a Suíça, quatro meses antes. Bysshe continuou a ser o tutor de Harriet, em seus aposentos na Poland Street, e foi questão de poucas semanas até uma amizade desenvolver-se entre eles. Foi quando ele se mudou para Aldgate, para que ela pudesse ter mais aulas com ele sem a inconveniência de ter de atravessar Londres. Harriet não tinha companhia feminina, é claro, já que suas irmãs eram obrigadas a trabalhar, mas não houve indício de qualquer intimidade. — Harriet me repetia o que aprendera a cada dia — disse Daniel. — O Sr. Shelley a apresentou aos poetas e filósofos gregos, mas ele também a familiarizou com o que chama de o novo espírito. Leu para ela os poetas do Lake District e, nas palavras dela, guiou-a através de paisagens mágicas. Eu realmente acredito, Sr. Frankenstein, que ela era uma pessoa mudada. Nunca a tinha visto tão animada, tão ousada. — E então? — Eu não tinha a menor suspeita, como disse, de qualquer outra conexão que não a de professor e aluna. Eu nem sequer teria sonhado com alguma outra coisa. A distância entre os dois era ampla demais. O Sr. Shelley é filho de um baronete, enquanto Harriet... ela é apenas a filha do Sr. Westbrook. — Deve ter havido alguma ocasião... — Não. Nunca. Não até ela fugir. Eu me levantei e fui até a janela. — Ele dificilmente teria vindo para Oxford. De todos os lugares na Terra, este é o que ele mais detesta. Ele não poderia ter voltado para o pai. Isso seria impensável. Você investigou nas principais agências de diligências? — Fui a Snow Hill e Aldersgate. Ninguém os viu. Até fui a Knightsbridge, para o caso de eles terem evitado serem seguidos, mas nem sinal deles. — Eles podem ter ido a alguma outra parte de Londres. — Nesse caso, estamos perdidos. — Eis o que vou fazer. Vou escrever para ele, endereçando a carta para a casa do pai dele. Ele não terá ido para lá, mas pode ter enviado alguma mensagem. É o único meio possível de alcançá-lo. Você precisa voltar para Londres, Daniel, para o caso de sua irmã tentar entrar em contato com você. Tente as outras diligências. — Há uma em Bishopsgate. E outra em Tottenham Court Road. O que ele estava
pensando? Harriet ainda é nova... — Anime-se. Não acredito que Bysshe seja culpado de qualquer ação desonrosa.
***
Eu mantive a minha fé em Bysshe e naquela noite, depois que Daniel voltara para Londres, comecei uma carta para ele na qual falava de modo geral de meus próprios assuntos. Era possível que ela fosse aberta e lida pelo pai dele, pelo qual ele professava a mais invencível antipatia, de modo que me contive em mencionar sua partida de Oxford e seu envolvimento com Harriet Westbrook. Em vez disso, contei de minha viagem a Genebra, das mortes de minha irmã e meu pai, e terminei com um apelo a ele por notícias de suas próprias viagens nos últimos meses. Contudo, não tive necessidade de enviá-la. Na tarde seguinte, uma carta foi entregue pelo correio de Londres. Era de Bysshe, anunciando da forma mais abrupta que ele levara Harriet embora de Whitechapel pela simples razão de que “o pai dela a estava perseguindo da maneira mais horrível” e desejava forçá-la a voltar para a fábrica de especiarias. Ela falara em suicídio e implorara pela “proteção” de Bysshe. Essas foram as suas palavras. Ele sentiu-se obrigado a salvá-la de seu infortúnio e levá-la para onde ficasse fora do alcance da raiva de seu pai. Num apressado pós-escrito, ele me pedia fundos. Aparentemente, seu detestado pai tinha cortado sua mesada, e ele mal tinha meios de sobreviver. Bysshe havia anotado seu endereço no fim da carta — uma casa em Queen’s Square —, e eu imediatamente escrevi de volta, oferecendo-lhe o uso de meus aposentos na Jermyn Street e incluindo uma nota para o pagamento de cinquenta guinéus ao portador no Coutts. Também insisti que ele se comunicasse com Daniel Westbrook e explicasse as circunstâncias da partida repentina da irmã. Eu não tinha dúvida de que as intenções de Bysshe eram honradas, como eu as descrevera. Ele era, em certo sentido, o meu mentor. De modo que tive a sensação de um dever bem cumprido, e secretamente me congratulei por não ter me apressado em julgar meu amigo. Imagine qual não foi a minha surpresa e horror, portanto, quando, três dias depois, recebi mais uma carta de Londres. Vinha de Daniel Westbrook, que recebera um bilhete de Bysshe. Ele estava escrevendo para me informar, nas palavras dele, que o Sr. Shelley e Harriet tinham fugido para Edimburgo com a ajuda do dinheiro que eu dera a eles, e lá pretendiam se casar. Minha perplexidade foi seguida pela raiva. Eu achava que Bysshe tinha traído a minha
confiança, não só por pedir dinheiro para tal propósito, mas ainda por inventar a história do desespero de Harriet. Ele mentira para mim nas mais vergonhosas circunstâncias. Peguei a carta que Bysshe me mandara e rasguei um pedacinho dela, que coloquei na boca e o engoli. Sistematicamente, picotei todo o papel e devorei cada pedaço.

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