OS MORTOS-VIVOS: MITOS E REALIDADES
“Ele vem da sepultura. Seu corpo é o lar de vermes e imundícies. Não há
vida em seus olhos, nem calor em sua pele ou batimentos em seu peito. Sua
alma é vazia e negra como o céu noturno. E le ri diante da lâmina, cospe na
flecha, para que estes não firam suas entranhas. P ela eternidade ele irá
caminhar pela terra, sentindo o aroma do doce sangue dos vivos, banqueteando-se sobre os ossos dos condenados. Tenha cuidado, pois ele é o mortovivo.”
- TEXTO HINDU OBSCURO, CERCA DE 1000 a.C.
ZUM -B I : Corpo animado que se alimenta da carne de seres humanos
vivos. 2. Um feitiço de vodu que faz com que os mortos se levantem de suas
sepulturas. 3. O deus — cobra vodu. 4. P essoa que se movimenta ou age
atordoadamente "como um zumbi". [palavra originária do oeste da África]
O Que é um Zumbi? C omo eles são criados? Quais são seus pontos fortes
e quais são os fracos? Quais suas necessidades e desejos? P or que são hostis
com a humanidade? Antes de discutir qualquer técnica de sobrevivência,
você deve primeiro aprender sobre aquilo a que você está tentando
sobreviver.
Devemos começar separando a realidade da ficção. Os mortos que
andam não são nenhum trabalho de "magia negra", tampouco outra força
sobrenatural qualquer. Suas origens estão num vírus conhecido como
Solanum, uma palavra latina utilizada por J an Vanderhaven, que foi o
primeiro a "descobrir" a doença.
SOLANUM: O VÍRUS
O Solanum age na corrente sanguínea, a partir do ponto de entrada
inicial do cérebro. P or meios que ainda não foram compreendidos em sua
totalidade, o vírus usa as células do lobo frontal para multiplicação,
destruindo-as durante o processo. Durante esse período, todas as funções
corporais cessam. Quando o coração para de bater, o indivíduo infectado é
dado como "morto". O cérebro, entretanto, permanece vivo, ainda que em
estado latente, enquanto os vírus realizam uma mutação nas células,
transformando-as num órgão completamente novo. A característica mais
crítica deste novo órgão é sua independência do oxigênio. Assim, já que esse
importantíssimo recurso não é mais necessário, o cérebro morto-vivo pode
ser utilizado, embora não dependa de maneira alguma do complexo
mecanismo de manutenção do corpo humano. Uma vez que a mutação é
concluída, esse novo organismo reanima o corpo numa forma que mantém
pouca semelhança (psicologicamente falando) com o cadáver original.
Algumas funções corporais permanecem constantes, outras operam com a
capacidade modificada, e o restante é completamente paralisado. O novo
organismo é um zumbi, um membro da horda dos mortos-vivos.
1. FONTES
I nfelizmente, pesquisas extensas ainda não conseguiram isolar um
exemplar do Solanum na natureza. A água, o ar e o solo em todos os
ecossistemas, em todas as partes do mundo, mostraram-se negativos, assim
como a fauna e a flora. N o momento em que este livro é escrito, a pesquisa
ainda continua.
2. SINTOMAS
A escala a seguir esquematiza o processo de um ser humano infectado (o
que pode levar mais ou menos horas, dependendo do indivíduo).
H ora 1: Dor e descoloração (marrom-arroxeada) da área infectada.
I mediata coagulação da ferida (já que a infecção é proveniente de uma
escoriação).
H ora 5: Febre (37-39,5 graus C elsius), tremores, demência leve, vômito,
dor aguda nas articulações.
H ora 8: E ntorpecimento das extremidades e da área infectada, aumento
da febre (39,5-41 graus C elsius), aumento da demência, perda da
coordenação muscular.
H ora 11: P aralisia da parte inferior do corpo, dormência global,
diminuição da frequência cardíaca.
Hora 16: Coma.
Hora 20: Parada cardíaca. Atividade cerebral nula.
Hora 23: Reanimação.
3. TRANSFERÊNCIA
O Solanum é totalmente contagioso e totalmente fatal. Felizmente para a
raça humana, o vírus não é inoculado pela água nem por ar. N unca houve
relatos de seres humanos que entraram em contato com o vírus através de
elementos da natureza. A infecção pode ocorrer apenas por contato direto
com os fluidos. A mordida do zumbi, apesar de ser de longe a mais
reconhecida forma de transferência, não é, de modo algum, a única. Seres
humanos têm sido infectados ao esfregar feridas abertas contra escoriações
de zumbis ou ao receberem respingos dos restos dessas criaturas após uma
explosão. A ingestão de carne infectada (uma vez que a pessoa não tenha
feridas na boca), entretanto, resulta em morte permanente, e não em
contágio. É provado que a carne infectada é altamente tóxica.
N enhuma informação — histórica, experimental ou de qualquer outro
tipo — trouxe à tona os resultados de relações sexuais com um espécime
morto-vivo, entretanto, como já foi citado anteriormente, a natureza do
Solanum sugere um alto poder infeccioso. As recomendações contra tal ato
seriam inúteis, já que a única pessoa insana o suficiente para tentar deveria
ser ignorada pelos zumbis para a própria segurança deles. M uitos
argumentam que, dada à natureza coagulada dos fluidos corporais dos
mortos-vivos, a probabilidade de contaminação deveria ser baixa.
E ntretanto, deve-se lembrar que até mesmo um único organismo é
suficiente para iniciar o ciclo.4. CONTÁGIO ENTRE ESPÉCIESO Solanum é fatal para todas as criaturas vivas, independente de
tamanho, espécie ou ecossistema. A reanimação, entretanto, ocorre apenas
nos seres humanos. E studos mostram que ao infectar um cérebro nãohumano, o Solanum expirará algumas horas após a morte de seu hospedeiro,
fazendo com que a carcaça torne-se segura para ser manuseada. Animais
infectados falecem antes que o vírus possa se multiplicar em seus corpos. A
contaminação através de picadas de insetos, como as de mosquito, por
exemplo, podem também ser descartadas. E xperiências provaram que todos
os insetos parasitas reconhecem e rejeitam hospedeiros infectados em 100%
das ocasiões.
5. TRATAMENTO
Quando um ser humano é infectado, pouco pode ser feito para salvá-lo.
Devido ao fato de o Solanum ser um vírus, e não uma bactéria, os
antibióticos não surtem efeito. A imunização, a única maneira de combater
um vírus, é igualmente inútil, já que até mesmo a mais minúscula dosagem
pode levar a uma infecção totalmente desenvolvida. A pesquisa genética
está em marcha. Os objetivos variam de anticorpos humanos mais fortes a
estruturas celulares resistentes a contravírus criados para identificar e
destruir o Solanum. As pesquisas para estes e outros tratamentos mais
radicais estão ainda nos primeiros estágios, sem nenhum sucesso previsível
num futuro próximo. E xperiências em campos de batalha levaram à
amputação imediata do membro infectado (dependendo da localização da
mordida), mas estes tratamentos são, na melhor das hipóteses, dúbios, com
uma taxa de menos de 10% de sucesso. E mais provável que o ser humano
infectado esteja condenado desde o momento em que o vírus entra em seu
organismo. C aso o ser humano infectado escolha o suicídio, deve lembrar-se
de que o cérebro deve ser eliminado primeiro. Foram registrados casos nos
quais indivíduos recentemente infectados, que morreram por diferentes
meios de contágio pelo vírus, foram no entanto reanimados. E stes casos
normalmente ocorrem quando o indivíduo falece após a quinta hora de
contágio. De qualquer maneira, qualquer pessoa morta após ser mordida ou
infectada de alguma outra forma pelos mortos-vivos deve ser descartada.6. REANIMANDO OS QUE JÁ ESTÃO MORTOSTem-se sugerido que corpos humanos recém-falecidos podem ser
reanimados se o Solanum for introduzido após seu falecimento. I sto é uma
falácia. Os zumbis ignoram carne necrosada e, por conseqüência, não
conseguem transferir o vírus. E xperimentos realizados durante a Segunda
Guerra M undial (ver "Ataques registrados", na página 243) provaram que a
injeção de Solanum num cadáver seria ineficaz, pois a corrente sanguínea
estagnada não seria capaz de transportar o vírus até o cérebro. I njeções
administradas diretamente no cérebro morto seriam igualmente inúteis, já
que as células mortas não poderiam reagir ao vírus. O Solanum não cria vida
— ele a altera.
CARACTERÍSTICAS DOS ZUMBIS
1. HABILIDADES FÍSICAS
E m geral, acrcdita-se que os mortos-vivos possuem poderes sobrehumanos: força extraordinária, velocidade que beira a da luz, telepatia etc.
As histórias variam de zumbis voando pelos ares ou escalando superfícies
verticais como se fossem aranhas. E mbora essas peculiaridades devam ter
sido criadas para tornar mais fascinantes as encenações sobre essas criaturas,
o necrófilo isolado está longe de ser um demônio mágico e onipotente.
N unca se esqueça de que o corpo de um morto-vivo é, para todos os
propósitos práticos, humano. As mudanças que podem ocorrer estão na
maneira como esse novo corpo reanimado é utilizado pelo cérebro agora
infectado. N ão há como um zumbi voar, a não ser que o humano que ele
costumava ser pudesse fazê-lo. O mesmo serve para a projeção de campos
de força, teletransporte, movimentos através de objetos sólidos,
transformação em lobo, cuspir fogo e uma variedade de outros talentos
místicos atribuídos aos mortos que andam. I magine o corpo humano como
um kit de ferramentas. O cérebro sonâmbulo possui estas ferramentas, e
apenas estas, à sua disposição. E também não pode criar novos espécimes a
partir do nada. M as eles podem, como você verá, usar essas ferramentas em
combinações muito poucos convencionais, ou levar sua durabilidade para
além dos limites humanos a que estamos acostumados.
A. Visão
Os olhos de um zumbi não são diferentes dos de um ser humano normal.
O que muda é a forma como o cérebro interpreta os sinais enviados pelos
olhos enquanto estes ainda são capazes (dadas sua taxa de decomposição)
de transmitir sinais visuais. Os estudos são inconclusivos no que diz respeito
às habilidades visuais dos mortos-vivos. E les são capazes de avistar a presa a
distâncias comparáveis com as capacidades dos seres humanos, mas se
conseguem distinguir um humano de um ser de sua própria espécie ainda é
controverso. Uma teoria sugere que o movimento realizado pelos homens,
que são mais rápidos e suaves do que os mortos- vivos, é o que faz com que
sejam notados pelos olhos dos zumbis. Têm sido realizadas experiências nas
quais seres humanos tentam confundir os necrófilos que se aproximam ao
imitar seus movimentos e adotando um andar trôpego, desajeitado e
claudicante. Até a presente data, nenhuma dessas tentativas foi bemsucedida. Sugere-se que os zumbis possuem visão noturna, um fato que
explica sua capacidade de caçar durante a noite. E sta teoria foi
desmascarada pelo fato de todos os zumbis serem experientes predadores
noturnos, mesmo aqueles que não possuem olhos.
B. Audição
N ão há dúvida de que os zumbis possuem uma excelente audição. E les
não apenas conseguem detectar sons, como também determinam a direção
de onde vem o ruído. A amplitude básica parece ser a mesma dos seres
humanos. E xperiências com frequências extremamente altas e baixas
apresentaram resultados negativos. Os testes também revelaram que os
zumbis são atraídos por qualquer ruído, não apenas por aqueles produzidos
por seres vivos. Registrou-se que os necrófilos são capazes de notar sons
ignorados pelos humanos vivos. A explicação mais provável, embora não
comprovada, é a de que os zumbis dependem de todos os sentidos
igualmente. Os seres humanos são orientados para privilegiar a visão desde
que nascem, dependendo dos outros sentidos apenas se o sentido primário
for perdido.
C. Olfato
Ao contrário do que acontece com a audição, o morto-vivo possui um
olfato mais apurado. Tanto nas situações de combate quanto nos testes de
laboratório, eles foram capazes de distinguir o odor de presas vivas sobre
todos os outros. Em muitos casos, dadas as condições eólicas ideais, os zumbis
reconhecem o cheiro de cadáveres frescos a uma distância de mais de um
quilômetro e meio.
Novamente, isso não significa que os necrófilos possuem um olfato mais
desenvolvido do que o dos seres humanos, mas simplesmente acreditam
mais nesse sentido. N ão se sabe exatamente que tipo de secreção sinaliza a
presença da presa: suor, feromônios, sangue etc. N o passado, as pessoas que
procuravam se movimentar sem serem descobertas tentavam "mascarar"
seu odor humano com perfumes, desodorantes ou outros produtos químicos
de cheiro forte.
Nenhuma dessas tentativas foi bem-sucedida. E stão em andamento
experiências que sintetizam os cheiros de criaturas vivas no intuito de atrair
ou até mesmo repelir os mortos que andam. Um produto eficaz ainda está
longe de ser criado.
D. Paladar
Sabe-se muito pouco sobre as origens do paladar alterado dos mortos que
andam. Os zumbis possuem a capacidade de distinguir a carne humana da
de outros animais, e eles preferem a primeira. Os necrófilos também
possuem uma notável capacidade de rejeitar carniça, preferindo carne
recém- morta. Um corpo humano que está morto há mais de 12 ou 18 horas
será rejeitado como comida. O mesmo serve para cadáveres que foram
embalsamados ou preservados de outra forma. Se este fenômeno tem algo a
ver com o "gosto", ainda não foi comprovado. Pode ter alguma relação com o
cheiro ou, talvez, outro instinto ainda não descoberto.
Já no que diz respeito à razão pela qual os zumbis preferem exatamente a
carne humana, a ciência ainda não encontrou nenhuma resposta para essa
desorientadora, infeliz e aterrorizante pergunta.
E. Tato
Os zumbis literalmente não possuem sensações físicas. T odos os
receptores nervosos espalhados ao longo do corpo permanecem mortos após
a reanimação. E ssa é verdadeiramente a maior e mais apavorante vantagem
dos mortos- vivos sobre os seres humanos. N ós, como humanos, temos a
capacidade de experimentar a dor física como um sinal de lesão corporal.
N osso cérebro classifica estas sensações, combina-as com experiências que as
instigaram e, em seguida, arquiva a informação para utilizá-la como uma
advertência contra lesões futuras. E sta é uma dádiva da psicologia e do
instinto que permite a sobrevivência da espécie. É por isso que damos valor
a virtudes como a coragem, que inspira as pessoas a realizarem ações apesar
dos avisos de perigo. A incapacidade de reconhecer e evitar a dor é o que
torna os mortos que andam tão formidáveis. Os ferimentos não serão
percebidos e, por conseqüência, não deterão o ataque. M esmo que o corpo
de um zumbi esteja seriamente avariado, ele continuará a atacar até que
nada mais reste.
F. Sexto sentido
As pesquisas históricas, combinadas com observação laboratorial e de
campo, mostram que os mortos que andam são conhecidos por atacar até
mesmo quando seus órgãos dos sentidos estão danificados ou
completamente decompostos. Será que isso significa que os zumbis possuem
um sexto sentido? Talvez. Os seres humanos vivos usam menos de 5% da
capacidade cerebral. É possível que o vírus possa estimular outra habilidade
sensorial que foi esquecida pela evolução. E sta teoria é uma das mais
calorosamente debatidas na guerra contra os mortos-vivos. Até agora,
nenhuma evidência científica foi encontrada para abalizar nenhum dos
dois lados.
G. Regeneração
Apesar das lendas e do folclore ancestral, provou-se que a Fisiologia dos
mortos-vivos não tem poderes de regeneração. As células que sofrem lesões
permanecem danificadas. Qualquer escoriação, independente de tamanho
e natureza, permanecerá durante todo o restante da reanimação do
cadáver. Diversos tratamentos médicos têm sido testados no intuito de
simular o processo de cura em necrófilos que foram capturados. N enhum
deles foi bem-sucedido. E ssa incapacidade de auto-regeneração, algo que os
seres vivos têm como certo, é uma imensa desvantagem para os mortosvivos. P or exemplo, todas às vezes em que fazemos algum tipo de esforço
físico, rompemos nossos músculos. C om o tempo, eles são reconstruídos,
tornando-se mais fortes do que antes. A massa muscular de um necrófilo
permanecerá danificada, reduzindo sua eficiência.
H. Decomposição
E stima-se que a duração média do "ciclo vital" zumbi - ou seja, quanto
tempo ele é capaz de funcionar antes de ficar completamente podre - é de
três a quatro anos. Apesar de este dado parecer fantástico — um cadáver
humano capaz de evitar os efeitos naturais da decomposição — suas causas
podem ser encontradas na biologia básica. Quando um corpo humano
morre, suas entranhas são imediatamente atacadas por bilhões de
organismos microscópicos. E stes organismos estão sempre presentes, no
ambiente externo e dentro do próprio corpo. Em vida, o sistema imunológico
coloca-se como uma barreira entre esses organismos e seu alvo. Quando
morremos, a barreira é removida. Os organismos começam a multiplicar-se
exponencialmente enquanto se alimentam e, deste modo, decompõem o
cadáver até o nível celular. O cheiro e a descoloração associados com
qualquer carne em decomposição são processos biológicos relacionados com a
ação desses micróbios. Quando você pede um bife maturado num
restaurante, está pedindo um pedaço de carne que já começou a apodrecer;
a carne originalmente dura é amaciada por microorganismos que
decompuseram suas fibras rígidas. N um curto espaço de tempo, esse bife,
assim como o cadáver humano, será dissolvido até desaparecer, deixando
para trás apenas materiais muito duros ou que não servem de nutriente
para nenhum micróbio, como ossos, dentes, unhas e cabelos. Este é o ciclo da
vida normal, a maneira encontrada pela natureza de reciclar nutrientes na
cadeia alimentar. P ara deter o processo e preservar o tecido morto, é
necessário colocar a carne num ambiente impróprio para bactérias, como em
temperaturas extremamente altas ou baixas, banhadas em substâncias
tóxicas como formol, ou, neste caso, saturadas de Solanum.
Quase todas as espécies de micróbios envolvidos no processo normal de
decomposição humana têm repetidamente rejeitado carne contaminada
com o vírus, efetivamente embalsamando o zumbi. Se não fosse por isso,
combater os mortos-vivos seria fácil, bastaria evitá-los por algumas semanas
ou até mesmo dias até que eles se deteriorassem, sobrando apenas os ossos.
As pesquisas ainda não conseguiram determinar a causa desse fenômeno.
Determinou-se que pelo menos algumas espécies de micróbios ignoram os
efeitos repelentes do Solanum — caso contrário, os mortos-vivos iriam
permanecer perfeitamente conservados para sempre. Também foi
observado que condições naturais como a umidade e a temperatura
possuem um papel igualmente importante. Os mortos-vivos que rondam as
margens dos rios da L ouisiana dificilmente durarão tanto quanto aqueles
que habitam o seco e gélido deserto de Gobi. Situações extremas, como
congelamento profundo ou imersão em fluido de preservativo, poderiam,
de forma hipotética, permitir que uma espécie morta-viva existisse
indefinidamente. Estas técnicas se tornaram conhecidas por permitirem que
os zumbis ajam por décadas, até anos. A decomposição não indica que um
membro da horda dos mortos-vivos simplesmente irá cair. A deterioração
pode afetar diversas partes dos corpos em horas diferentes. E spécimes
foram encontrados com os cérebros intactos, mas com corpos praticamente
desintegrados. Outros com o cérebro parcialmente apodrecido são capazes
de controlar algumas funções corporais, entretanto, ficam completamente
paralisados no que diz respeito a outras. Uma teoria popular que circulou
recentemente tenta explicar a história de uma múmia do E gito antigo como
um dos primeiros exemplares de um zumbi embalsamado. As técnicas de
preservação permitiam que o corpo continuasse funcionando muitas
centenas de anos depois de ser sepultado. Qualquer pessoa com um
conhecimento rudimentar do antigo Egito acharia esta história risível: o mais
importante e complicado passo na preparação fúnebre de um faraó era a
retirada do cérebro!
I. Digestão
E vidências recentes desmentiram de uma vez por todas a teoria
segundo a qual a carne humana serve como combustível para os mortosvivos. O sistema digestivo dos zumbis é completamente adormecido. O
complexo procedimento de processar a comida, extrair os nutrientes e
excretar os resíduos não é necessário à fisiologia dos zumbis. Autópsias
realizadas em mortos-vivos neutralizados demonstraram que a "comida"
dessas criaturas permanece em seu estado original, sem ser digerida,
durante todas as fases da digestão. E sse material parcialmente mastigado e
em lento processo de apodrecimento continuará a ser acumulado enquanto
o zumbi devorar mais vítimas, até que seja forçado pelo ânus, ou que
literalmente provoque a explosão do estômago ou dos tubos intestinais.
Embora este exemplo mais drástico de não- digestão seja raro, centenas de
relatos de testemunhas oculares confirmam que os mortos-vivos possuem
barrigas dilatadas. Foi descoberto no sistema digestivo de um espécime
capturado, que passou por uma dissecação, mais de 95 quilos de carne
humana! Relatos ainda mais raros confirmam que os zumbis continuam a se
alimentar por muito tempo depois que seus sistemas digestivos sofrem a
explosão interna.
J. Respiração
Os pulmões dos mortos-vivos continuam a funcionar no sentido de que
inspiram o ar e o expiram do corpo. Esta função é responsável pelo grunhido
típico dos zumbis. E ntretanto, o que os pulmões c a química corporal não
conseguem realizar é a extração de oxigênio e a remoção de dióxido de
carbono. Dado que o Solanum elimina a necessidade das duas funções, todo
o sistema respiratório torna-se obsoleto no corpo de um necrófilo. Isso explica
como os mortos que andam conseguem "andar debaixo d'água" ou
sobreviver cm ambientes letais para os humanos. O cérebro dessas criaturas,
como já foi mencionado anteriormente, é independente da presença de
oxigênio.
K. Circulação
Seria um pouco inexato dizer que os zumbis não têm coração.
E ntretanto, não seria inexato dizer que eles não encontraram nenhuma
serventia para este órgão. O sistema circulatório dos mortos-vivos é pouco
mais do que uma teia de tubos inúteis preenchidos com sangue paralisado.
O mesmo se aplica ao sistema linfático, assim como a todos os outros fluidos
corporais. Apesar de esta mutação possivelmente ter ocorrido para dar aos
mortos-vivos mais uma vantagem sobre a humanidade, ela se mostrou uma
dádiva. A ausência de massa fluida evita que o vírus seja transmitido com
facilidade. Se isso não fosse verdade, os combates corpo-a-corpo poderiam
ser impossíveis, já que o ser humano na defesa seria quase certamente
salpicado por sangue e/ou outros fluidos.
L. Reprodução
Os zumbis são criaturas estéreis. Seus órgãos sexuais são necrosados e
impotentes. Foram realizadas tentativas de fertilizar óvulos de zumbis com
espermatozóides humanos e vice-versa. N enhuma delas foi bem-sucedida.
Os mortos-vivos também não demonstram nenhum sinal de desejo sexual,
nem pela própria espécie ou por seres humanos. Até que as pesquisas
provem o contrário, o maior medo da humanidade — de que os mortos
reproduzam os mortos — é uma reconfortante impossibilidade.
M. Força
Os necrófilos possuem a mesma força bruta que os vivos. A força que
pode ser aplicada depende enormemente do tipo de indivíduo que o zumbi
é. A massa muscular que uma pessoa tem em vida poderá ser tudo que ela
terá na morte. Ao contrário de um corpo vivo, não há nenhuma
comprovação de que as glândulas supra-renais funcionem nos mortos,
negando aos zumbis as explosões de energia das quais os seres humanos
desfrutam. A única vantagem palpável que os mortos-vivos possuem é um
vigor espantoso. I magine fazer ginástica ou qualquer outro ato que requeira
esforço físico. É provável que a dor e a exaustão ditem os seus limites. E stes
fatores não se aplicam aos mortos. E les continuarão a agir, com a mesma
energia dinâmica, até que os músculos que viabilizam os movimentos
literalmente se desintegrem. E mbora este fato contribua para o
enfraquecimento progressivo dos necrófilos, também permitem um primeiro
ataque poderoso. M uitas barricadas que teriam exaurido três ou até mesmo
quatro seres humanos de corpo bem treinado, caíram graças à ação de um
único zumbi determinado.
N. Velocidade
Os mortos que "andam" tendem a se mover de forma encurvada e
manquejante. M esmo sem ferimentos ou sem sofrer de um estado avançado
de decomposição, a falta de coordenação contribui para seus passos
vacilantes. A velocidade é determinada principalmente pelo tamanho da
perna. Os necrófilos mais altos dão passos mais longos do que suas
contrapartes mais baixas. Os zumbis aparentemente são incapazes de correr.
O necrófilo mais rápido já observado movia-se a uma média de um passo a
cada 1,5 segundo. M ais uma vez, como acontece com a força, a vantagem
dos mortos sobre os vivos é a ausência de cansaço. Os seres humanos que
acreditam poder deixar os perseguidores mortos-vivos para trás, fariam bem
em lembrar da história da lebre e da tartaruga, acrescentando, é claro, que
neste exemplo a lebre tem uma forte probabilidade de ser devorada viva.
O. Agilidade
O ser humano vivo mediano possui um nível de destreza 90% maior do
que o do mais forte necrófilo. Muito desse fato se deve à rigidez geral do
tecido muscular necrosado (dai seus passos desajeitados). O resto deve-se às
funções cerebrais primitivas. Os zumbis têm pouca coordenação motora,
uma de suas maiores fraquezas. Ninguém nunca observou um zumbi
pulando, nem de um ponto para outro ou para cima e para baixo. Equilibrarse numa superfície estreita também está além de suas capacidades. Nadar também é uma habilidade reservada aos seres humanos. A teoria propõe
que, se um cadáver estivesse inchado o suficiente para emergir até a
superfície, poderia apresentar o risco de boiar. I sto é raro, entretanto, já que
a baixa taxa de decomposição não permitiria a acumulação de subprodutos
gasosos. Zumbis que caem ou caminham por corpos aquáticos mais
provavelmente irão encontrar-se vagando, desnorteados, pelo fundo, até
que finalmente sejam dissolvidos. E les podem ser bons escaladores, mas
apenas sob certas circunstâncias. Se os zumbis perceberem uma presa acima
deles, como, por exemplo no segundo andar de uma casa, sempre tentarão
escalar a construção. Os zumbis sempre tentam escalar qualquer superfície,
não importando o quão impraticável ou até mesmo impossível seja a tarefa.
E m praticamente todas as situações, exceto as mais fáceis, essas tentativas
encontram o fracasso. M esmo no caso de escadas, quando é necessária
somente a simples coordenação de colocar uma mão acima da outra, apenas
um em quatro zumbis é bem-sucedido.


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