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domingo, 1 de janeiro de 2017

SD 188 : ZUMBI - o guia de sobrevivência

A FORTALEZA

E m insurreições de T ipo 3, as casas particulares e até as estruturas
públicas são insuficientes para garantir vida humana. P or fim, as pessoas
reunidas no interior destas construções sofrerão tanto com a degradação
eventual de suas defesas como com a simples falta de suprimentos. O que é
necessário numa insurreição desta periculosidade é uma estrutura
praticamente impossível de ser penetrada, com todos os recursos de uma
biosfera auto-sustentável. O que é preciso é uma fortaleza. I sso não significa
que você deva procurar imediatamente por uma. Os primeiros dias, até
semanas, de uma infestação de T ipo 3 serão marcados pelo tumulto total,
uma orgia de violência movida pelo pânico que fará com que a viagem se
torne arriscada. Quando as coisas se "acalmarem", as pessoas da região terão
se organizado, evacuado a área ou sido completamente devoradas. Só então
você deve começar sua busca por uma fortaleza.


1. COMPLEXOS MILITARESO exército, a marinha, ou até a força aérea devem ser sua prioridade
máxima quando estiver em busca de uma fortaleza. M uitas estão localizadas
em áreas esparsamente povoadas e, portanto, menos contaminadas. Quase
todas têm elaboradas cercas de segurança. Algumas possuem posições
defensivas secundárias e até terciárias. A maioria é equipada com abrigos
nucleares completamente abastecidos e funcionais, alguns com as mesmas
capacidades de uma cidade pequena. C omo estas estruturas têm múltiplos
meios de comunicação, elas serão, sem sombra de dúvida, as últimas de
todas as instalações do globo a perderem contato umas com as outras. M ais
importante, entretanto, não são as fortificações físicas, mas os homens e
mulheres que estão dentro delas. C omo já foi mostrado, pessoas bem
treinadas, bem armadas e bem disciplinadas são sempre a melhor defesa.
M esmo com algumas deserções, um pequeno quadro de soldados pode ser
suficiente para cobrir o perímetro indefinidamente. Ao entrar numa base
militar num período de crise, você encontrará um universo auto-suficiente
de especialistas treinados, a maioria com seus dependentes (familiares) na
base, todos prontos para defenderem seu novo lar. O melhor exemplo deste

tipo de situação ocorreu no Forte L ouis P hilippe, no território francês do
N orte da África, onde, em 1893, uma unidade da L egião E strangeira
francesa sobreviveu a um cerco zumbi por espantosos três anos! Um
problema que pode ser esperado no que diz respeito às bases militares é o
fato de que as vantagens óbvias desse tipo de local os tornam propensa à
superlotação durante uma insurreição, o que cria riscos adicionais, do
consumo intenso de mantimentos e da degradação da segurança.
2. PRISÕESApesar de serem projetadas com o único intuito de manter os vivos
encarcerados em seu interior, as instituições correcionais podem ser mais do
que eficientes na missão de manter os mortos do lado de fora. Atrás de seus
formidáveis muros, cada bloco de celas, corredor e sala é uma fortaleza por si
só.
Obviamente, podem surgir problemas quando consideramos uma prisão
como refúgio. É irônico, mas as penitenciárias modernas oferecem menos
proteção do que os modelos antigos graças à maneira como foram
planejadas. Altos muros de concreto são a marca registrada das prisões
construídas antes de 1965. Suas plantas são produtos da era industrial,
quando a altura dos muros era valorizada como um meio de intimidação e
respeito. Apesar de este aspecto psicológico ter deixado de existir na
fisiologia dos mortos- vivos, qualquer pessoa que procure por refúgio não
poderia pedir por uma barreira melhor e mais consagrada pelos anos do que
aquelas que mantinham nossos ancestrais a salvo dos elementos criminosos
da sociedade. N uma época de verbas curtas e parcos orçamentos, a
tecnologia disponível substituiu esse pesado e dispendioso tipo de
construção. C âmeras de segurança e sensores de movimento deixam apenas
uma linha dupla de arame farpado como obstáculo para fugas. Uma dezena
de zumbis podem ser contidos durante o trajeto. C entenas poderiam talvez
causar algum dano. V ários milhares, entretanto, rastejando uns sobre os
outros, contorcendo-se até formar uma espécie de pirâmide cada vez mais
alta, que pode, por fim, alcançar uma altura suficiente para derrubar a
primeira cerca, depois a segunda, e então invadir o recinto como se fossem
um enxame de abelhas. Diante de um ataque tão violento, quem não

trocaria toda a maquinaria high-tech do mundo por sete metros do velho
concreto?
E quanto aos internos? C onsiderando que dentro dos muros de uma
prisão estão os mais perigosos membros de M ossa sociedade, não seria mais
sensato enfrentar os mortos- vivos? N a maioria das ocasiões, a resposta é
sim. Qualquer pessoa de bom senso sabe que é mais fácil enfrentar dez
zumbis do que um criminoso durão. E ntretanto, no caso de uma infestação
em larga escala e de longa duração, os prisioneiros serão, sem dúvida
alguma, libertados. M uitos podem decidir permanecer e lutar pela própria
segurança, enquanto outros se arriscarão do lado de fora em nome da
liberdade, ou até em busca de uma chance de fazer um ataque surpresa na
área rural que cerca a penitenciária. T ome cuidado ao se aproximar de uma
prisão. Assegure-se de que os internos não assumiram o comando. Utilize-se
de cautela se a liderança interna consistir numa coalizão entre prisioneiros e
guardas. E m outras palavras, a não ser que a penitenciária esteja
abandonada ou ocupada por civis e guardas, esteja sempre alerta.
Uma vez dentro dos portões, vários passos mais ousados devem ser
dados para transformar esse complexo correcional um vila auto-suficiente.
A seguir, uma L ista de Sobrevivência que deve ser utilizada caso você
encontre a penitenciária abandonada.
L ocalize e catalogue todos os suprimentos contidos dentro dos muros:
armas, comida, ferramentas, cobertores, remédios e outros itens úteis. As
prisões não costumam ser um dos alvos principais dos saqueadores, portanto
você deve encontrar tudo de que necessita.
E stabeleça uma fonte de água renovável. P oços exploratórios e uma
variedade de reservatórios de água da chuva podem ser utilizados quando o
encanamento secar. Antes que isso aconteça, assegure-se de que todos os
recipientes grandes estejam cheios e cobertos. A água não será importante
apenas para beber e para a limpeza — ela será vital para a agricultura.
P lante vegetais e, se possível, grãos como trigo ou centeio. Uma
emergência de longo prazo pode durar estações do ano inteiras, tempo
suficiente para colher e consumir diversas colheitas. V ocê provavelmente
não encontrará sementes no prédio, por isso, terá de contar com explorações
nas redondezas. I sso é perigoso, mas necessário, já que a agricultura será seu

único meio de sustento a longo prazo.
Utilize uma fonte de energia. Quando a eletricidade for cortada, você
deve ter combustível necessário para que os geradores de emergência
funcionem por dias, até mesmo semanas. Os dínamos operados por tração
humana podem ser facilmente modificados nos geradores já existentes. A
operação dessas máquinas também pode eliminar a necessidade de um
regime de exercícios. Seu gerador pode não produzir a mesma quantidade
de eletricidade de quando estava conectado à rede elétrica, mas deve
produzir energia mais do que suficiente para um grupo pequeno ou de
médio porte.
P laneje para o caso de algo dar errado. E se os portões forem derrubados
de repente? E se uma rachadura se abrir em alguma parte do muro? E se,
por algum motivo que passou desapercebido, os zumbis invadirem os
recintos aos montes? I ndependente do quão forte o seu perímetro, sempre
tenha uma defesa de emergência. P laneje qual bloco de celas será seu ponto
de fuga. Reforce-o, arme-o e faça uma manutenção regular do local. E sta
será também sua área de moradia primária, capaz de abrigar o seu grupo até
que o recinto possa ser retomado ou uma fuga seja executada.
P rocure se distrair! C omo aconselhamos na seção sobre a defesa da casa
particular, manter uma atitude mental positiva é fundamental. E ncontre
um produtor cultural natural em seu grupo e encoraje-o a desenvolver uma
rotina de shows. E stimule a realização de noites de talentos e competições
entre os membros. M úsica, dança, narração de histórias, comédia —
qualquer coisa que as pessoas sejam capazes de fazer, mesmo que façam mal.
E ste pode parecer um conselho idiota, até ridículo: quem irá planejar um
show de talentos enquanto centenas de zumbis estão arranhando os
portões? Alguém que reconheça a importância da moral em tempos de crise.
Alguém que reconheça o dano psicológico que um cerco pode causar.
Alguém que reconheça que um grupo composto por pessoas tagarelas,
raivosas e frustradas é tão perigoso quanto as centenas de zumbis que estão
arranhando os portões.
Aprenda! Quase todo presídio nos E stados Unidos possui sua própria
biblioteca. Use seu tempo livre (e você terá muito) para ler qualquer texto

útil. Temas como medicina, mecânica, construção, horticultura e psicanálise
— há muitas habilidades esperando para serem aprendidas. Faça com que
cada membro de seu grupo torne-se um expert em algo. Organize aulas para
que um ensine aos outros. N unca se sabe quando um especialista pode ser
perdido e outra pessoa precisará ser designada para ocupar seu lugar. Os
conhecimentos contidos na biblioteca da penitenciária irá ajudá-lo em todas
as tarefas incluídas nessa lista.
3. PLATAFORMAS DE PETRÓLEOQuando se escolhe uma fortaleza levando-se em conta apenas a
segurança, nada no mundo pode ser mais indicado do que essas ilhas
artificiais. C ompletamente isoladas da costa, com espaços de moradia e de
trabalho suspensos, bem distantes do nível do mar, mesmo um zumbi
inchado e que consiga flutuar nunca seria capaz de alcançar uma dessas
plataformas. I sto torna a segurança desses locais uma preocupação
desnecessária, permitindo que você e seu grupo concentrem-se por inteiro
na tarefa de sobreviver.
As plataformas de petróleo também se destacam por sua autosuficiência, especialmente a curto prazo. Assim como os navios, elas têm
seus próprios recursos médicos e todos os outros necessários para a
sobrevivência de seres humanos. Muitas são equipadas para manter todas as
necessidades da tripulação por mais de seis meses. Todas possuem suas pró-

prias destilarias, de forma que a falta de água fresca nunca será um
problema.
E já que todas elas são equipadas com carvão, óleo ou gás natural, a
energia será ilimitada.
A comida também é abundante, já que o oceano fornece uma nutritiva
(e, segundo alguns, superior) dieta de peixes, algas e, se possível, mamíferos
aquáticos. A não ser que a plataforma esteja extremamente próxima da
costa, não há perigo de poluição industrial. As pessoas podem, e devem,
viver de forma plena e por tempo indeterminado com as riquezas do
oceano.
E sse completo isolamento pode ser tão atraente quanto aparenta, mas
também tem sua própria gama de dificuldades.
Qualquer pessoa que viva próximo à praia lhe dirá como a maresia pode
ser mortal. A corrosão será seu inimigo número um, vencendo, por fim,
todas as medidas preventivas adotadas. M áquinas essenciais devem ser
consertadas. As destilarias menos sofisticadas, compostas por chaminés de
aço e barris de cobre, funcionam tão bem quanto dessalini- zadores de alta
tecnologia. Dínamos movidos a energia eólica e das marés podem fornecer
mais da metade da eletricidade consumida por geradores de combustível
fóssil. Os equipamentos elétricos sensíveis, como computadores, rádios e
aparelhos médicos, serão os primeiros a serem consumidos e os mais difíceis
de substituir. Por fim, todo o complexo irá se deteriorar, passando do topo de
linha das maravilhas industriais para a posição de casco tosco e enferrujado,
embora ainda útil.
Ao contrário das prisões e das bases militares, as plataformas de petróleo
marítimas serão os primeiros lugares a ser abandonados. L ogo nos primeiros
dias de insurreição, os trabalhadores exigirão, sem dúvida alguma, retornar
para suas famílias, deixando a plataforma sem nenhuma equipe treinada. Se
ninguém no seu grupo souber como operar o maquinário, pode ser difícil
aprender. Ao contrário das prisões, pode não haver uma biblioteca com
manuais em todas as estantes. E ssa tarefa requer um pouco de improviso
criativo. V ocê deve se concentrar no que você é capaz de operar em vez de
tentar utilizar toda a tecnologia que pode ser encontrada na maioria das
plataformas sofisticadas. P elo menos até que você domine as operações mais
simples.
Os acidentes industriais - explosões de gás ou óleo armazenados — já são

suficientemente ruins quando ocorrem em terra firme. N o meio do oceano,
transformam-se em alguns dos piores desastres da história. Até com a ação
do corpo de bombeiros e os recursos de resgate de um mundo vivente e em
perfeito funcionamento, tripulações inteiras foram mortas quando suas
plataformas foram tomadas pelas chamas. O que aconteceria se ocorresse
um incêndio e não houvesse ninguém a quem se pudesse gritar por socorro?
I sso não significa que as plataformas de petróleo são bombas plantadas no
mar esperando para serem detonadas; não significa que esse tipo de
construção deva ser evitado por todas as pessoas com um grau mínimo de
prudência. O que é recomendado, entretanto, é desligar o perfurador. I sso
pode privar você da obtenção de mais petróleo, mas fará maravilhas por sua
expectativa de vida. Utilize o combustível já armazenado para o gerador.
C omo afirmamos anteriormente, isso não lhe dará a mesma amperagem
como gerador primário, mas com o perfurador desligado e todas as outras
instalações industriais fora de uso, para que você precisará de tanta energia?
O oceano pode ser uma fonte de vida, mas também é um assassino
impiedoso. Tempestades que explodem com ferocidade raramente vista em
terra firme podem estraçalhar até as mais resistentes plataformas. As
gravações de noticiários que mostram plataformas no mar do N orte
literalmente capotando, desintegrando-se até se tornarem um amontoado
de lixo que posteriormente afundará sob as ondas, são suficientes para fazer
qualquer um pensar duas vezes antes de deixar a costa. Este é, infelizmente,
um problema que não pode ser remediado pela humanidade. N ada contido
neste, ou em qualquer outro livro, poderá salvá-lo da natureza quando ela
decide remover esses grandes amontoados de aço de seu oceano
 .

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