2. PADRÕES DE COMPORTAMENTOA. Inteligência
É repetidamente comprovado que nossa maior vantagem sobre os
mortos-vivos é nossa capacidade de pensar. A capacidade mental de um
zumbi mediano é um pouco menor do que a de um inseto. E m nenhuma
ocasião eles demonstraram qualquer capacidade de raciocínio ou de
emprego de lógica. Tentar completar uma tarefa, falhar e depois descobrir
uma nova solução por tentativa e erro é uma capacidade compartilhada por
muitos membros do reino animal, mas que não existe nos mortos que andam.
Os zumbis têm repetidamente falhado em testes de inteligência
laboratoriais, demonstrando estar no mesmo nível intelectual dos roedores.
Um caso de campo mostra um ser humano de pé em uma das extremidades
de uma ponte ruída com várias dezenas de zumbis do outro lado. Um por
um, os mortos que andam se jogaram do parapeito numa tentativa inútil de
alcançar a presa. E m nenhuma ocasião nem um único zumbi percebeu o
que estava acontecendo e mudou sua tática de alguma maneira.
C ontrariando mitos e especulações, os zumbis nunca foram observados
utilizando ferramentas de qualquer tipo. Até mesmo pegar uma pedra para
usar como arma está além do alcance destas criaturas. E sse simples ato
provaria o processo de pensamento básico envolvido em perceber que a
pedra é uma arma mais eficiente do que a mão nua. I ronicamente, a era da
inteligência artificial nos permite que nos identifiquemos mais facilmente
com a mente de um zumbi do que nossos ancestrais mais "primitivos". C om
raras exceções, mesmo os computadores mais avançados não possuem a
capacidade de pensar por si mesmos. E les fazem o que estão programados
para fazer, nada mais. I magine um computador programado para executar
uma função. E sta função não pode ser interrompida, modificada ou
apagada. N enhum novo dado pode ser arquivado. N enhum novo comando
pode ser instalado. E sse computador irá desempenhar apenas essa única
função, repetidamente, até que sua fonte de energia seja finalmente
desligada. E ste é o cérebro de um zumbi. Uma máquina guiada pelo instinto
com uma só tarefa, imprevisível demais para ser programada e que pode
apenas ser destruída.
B. Emoções
Sentimentos de qualquer tipo não são conhecidos pelos mortos que
andam. T odas as formas de artilharia psicológica, das tentativas de
enfurecer os mortos-vivos a provocar pena, acabaram em desastre. Alegria,
tristeza, ansiedade, amor, ódio, medo — todos estes sentimentos e milhares
de outros que constituem o "coração" humano são tão inúteis para os
mortos-vivos quanto o próprio órgão em si. Quem sabe se essa é a maior
fraqueza ou a grande força da humanidade? O debate continua e,
provavelmente, perdurará para sempre.
C. Memória
Um conceito moderno é o de que o zumbi retém o conhecimento de sua
antiga vida. Ouvimos histórias de mortos retornando aos locais onde
moravam ou trabalhavam, operando máquinas que lhes eram familiares ou
até demonstrando misericórdia para com seus entes queridos. N a verdade,
não existe nenhum fragmento que comprove esta esperançosa idéia. Os
zumbis possivelmente não podem reter lembranças da vida anterior nem
em seu consciente nem no subconsciente, até porque estes estados mentais
nem existem na fisiologia desses seres! Um necrófilo não será distraído pelo
animal de estimação da família, parentes vivos, ambientes familiares etc.
Independente do que uma pessoa foi na vida anterior, aquele ser não existe
mais, sendo substituído pelo autômato irracional sem nenhum instinto além
daquele responsável pela alimentação. I sto suscita outra pergunta: por que
os zumbis preferem áreas urbanas ao campo? P rimeiro, os mortos-vivos não
preferem as cidades, mas simplesmente permanecem onde são reanimados.
Segundo, a principal razão de os zumbis tenderem a ficar nas cidades em
vez de aventurarem-se pelo campo é porque as zonas urbanas têm uma
concentração maior de presas.
D. Necessidades físicas
Além da fome (que será discutida posteriormente), os mortos não
demonstram nenhum desejo ou necessidades físicas expressas na vida
mortal. Nunca se observou um zumbi dormindo ou descansando sob
nenhuma circunstância. E les não reagem ao calor ou ao frio excessivos. E m
climas agressivos, eles nunca procuram por abrigo. Até mesmo algo simples
como a sede é desconhecido para os mortos-vivos. Desafiando todas as leis
da ciência, o Solanum cria o que pode ser descrito como um organismo 100%
auto-suficiente.
E. Comunicação
Os zumbis não possuem habilidades lingüísticas. Apesar de suas cordas
vocais terem a capacidade de falar, seus cérebros não a possuem. Sua única
habilidade vocal parece ser um grunhido vindo do fundo da garganta. E ste
grunhido é liberado quando o zumbi identifica uma presa. O som
permanecerá baixo e regular até que o contato físico seja realizado. O tom e o
volume se alteram quando o zumbi inicia seu ataque. E sse som sinistro, tão
tipicamente associado aos mortos-vivos, serve como um grito para
arregimentar os outros zumbis e, como foi recentemente descoberto, uma
poderosa arma psicológica.
F. Dinâmica social
As teorias a respeito da função dos mortos-vivos como força coletiva
sempre proliferaram, indo de um exército controlado por Satã, passando por
um enxame semelhante a insetos controlados por feromônios até a mais
recente idéia segundo a qual eles chegam a um consenso coletivo por
telepatia. A verdade é que os zumbis não possuem organização social para
ser relatada. N ão há hierarquia, rede de comando, nem nenhuma medida
que conduza a qualquer tipo de coletivização. Uma horda de mortos-vivos,
independente do tamanho ou da aparência, é simplesmente uma massa de
indivíduos. Se várias centenas de necrófilos convergirem para o local onde
está a vítima, isso acontecerá porque cada um deles é guiado pelo próprio
instinto. Os zumbis parecem não perceber uns aos outros. N unca foram
observados indivíduos reagindo diante da visão de seus semelhantes a
qualquer distância. Isso faz com que voltemos à questão dos sentidos: como o
zumbi distingue um de seus semelhantes de um ser humano ou outra presa
a uma mesma distância? A resposta ainda precisa ser encontrada. Os zumbis
evitam uns aos outros da mesma forma que evitam objetos inanimados.
Quando se esbarram, não fazem nenhuma tentativa de relacionamento
nem de estabelecer comunicação. Zumbis que se alimentam do mesmo
cadáver irão repetidamente puxar a carne em vez de empurrar um
concorrente para fora do caminho. A única sugestão de esforço comunitário
é vista nos famosos ataques em bando: o grunhido dos necrófilos chamando
os outros que estão no mesmo alcance auditivo. Uma vez que tenham
escutado o grito, outros mortos-vivos quase sempre convergem para sua
fonte. Um estudo recente teorizou que a ação de um explorador grunhindo
para sinalizar o ataque para os outros seria um ato deliberado.
Entretanto, sabemos que isso ocorre apenas por acidente. O necrófilo que
grunhe quando detecta uma presa faz isso graças a uma reação instintiva, e
não como um alerta.
G. Caçada
Os zumbis são organismos migratórios, sem nenhuma consideração por
território ou o conceito de lar. E les podem viajar por quilômetros e, talvez, se
tiverem tempo suficiente, cruzar continentes em busca de comida. Seus
padrões de caça são variados. Os necrófilos podem se alimentar tanto à noite
quanto durante o dia. E les mais cambaleiam por uma determinada área do
que realizam uma busca deliberada. C ertas zonas ou estruturas não são
destacadas como um abrigo mais provável de presas. P or exemplo, alguns
sabem procurar por casas de fazenda e outras estruturas rurais, enquanto
outros do mesmo grupo passam por esses locais sem lhes lançar nem um
único olhar de relance. As zonas urbanas levam mais tempo para serem
exploradas, o que explica por que os mortos-vivos permanecem por mais
tempo nestas áreas, mas nenhum edifício possui precedência sobre os
outros. Os zumbis parecem ser totalmente desatentos com relação ao que os
cerca. P or exemplo, eles não movimentam os olhos de forma que possam
captar as informações de um novo ambiente. Arrastando os pés
silenciosamente, com quase 900 metros de campo de visão, eles vagam a
esmo, independente da localização, até que uma presa seja detectada.
Como foi discutido anteriormente, os mortos-vivos possuem a capacidade
excepcional de detectar a localização exata de uma vítima. Uma vez que o
contato é feito, o antes silencioso e distraído autômato transforma-se em algo
mais semelhante a um míssil teleguiado. A cabeça vira-se imediatamente na
direção da vítima. O maxilar cai, os lábios se retraem e, das profundezas do
diafragma, vem o grunhido. Uma vez que o contato é realizado, os zumbis
não podem ser distraídos de maneira alguma. E les continuarão a perseguir
sua presa, parando apenas quando perdem o contato, realizam um
assassinato bem-sucedido ou são destruídos.
H. Motivação
Por que os mortos-vivos caçam os vivos? J á que foi comprovado que
carne humana não lhes serve de fonte nutricional, por que o instinto dessas
criaturas as conduz ao assassinato? A verdade nos escapa. A ciência
moderna, combinada com dados históricos, demonstra que os seres humanos
vivos não são as únicas delícias do menu dos mortos-vivos. E quipes de
resgate que entraram em áreas infestadas relataram continuamente que eles
estripam toda a vida. Qualquer criatura, independente de tamanho ou
espécie, é consumida num ataque zumbi. E ntretanto, a carne humana é
sempre preferível a qualquer outra forma de vida. Um experimento
apresentou a um espécime capturado dois cubos de carne idênticos: um
composto por material humano e outro animal. O zumbi repetidamente
escolheu o cubo de carne humana. As razões que explicam este fenômeno
ainda são desconhecidas. O que pode ser confirmado, sem qualquer sombra
de dúvida, é que o instinto revelado pelo Solanum leva o morto-vivo a
matar e devorar qualquer criatura viva que for descoberta. E parece não
haver nenhuma exceção.
I. Matando os mortos
Apesar de ser um ato simples, destruir um zumbi pode
estar longe de ser fácil. C omo já vimos, os zumbis não
necessitam de nenhuma das funções psicológicas de que os
seres humanos precisam para sobreviver. A destruição ou danos severos
causados nos sistemas circulatório, digestivo ou respiratório não trarão
nenhum problema para um membro das hordas dos mortos que andam, já
que essas funções não sustentam mais o cérebro. C olocando a coisa de
maneira fácil, há milhares de maneiras de matar um ser humano — e
apenas uma de matar um zumbi. O cérebro deve ser destruído, por qualquer
meio possível.
J. DescarteOs estudos têm mostrado que o Sola- num ainda pode habitar o corpo de
um zumbi exterminado por mais de 48 horas. Tenha extremo cuidado
quando descartar cadáveres de mortos-vivos. A cabeça, em particular,
representa o risco mais grave, dada sua concentração do vírus. N unca lide
com um cadáver de morto-vivo sem roupas de proteção. T rate-o da mesma
forma que qualquer material tóxico altamente letal. A cremação é a forma
mais segura e eficaz de descarte. Apesar dos boatos de que uma pilha de
corpos em chamas espalharia o Solanum, levando a uma verdadeira
epidemia pela nuvem de fumaça, segundo o senso comum, é impossível um
vírus sobreviver ao calor intenso, principalmente quando exposto a chamas.
K. Domesticação?
Para reiterar, até os dias de hoje, o cérebro dos zumbis mostrou-se à
prova de qualquer tipo de corrupção. Experiências que vão do uso de
produtos químicos, a cirurgia e ação de ondas eletromagnéticas deram
resultados negativos A terapia de modificação comportamental e outras
tentativas semelhantes de condicionar os mortos-vivos como um tipo de
animal de carga foram similarmente fracassadas. M ais uma vez, a máquina
não pode ser substituída. E la existirá como é, ou não existirá de forma
alguma.

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