O ATAQUE
E m julho de 1887, a ilha sul da N ova Zelândia foi o cenário de uma
pequena invasão em uma fazenda perto de Omarama. E mbora os estágios
iniciais do ataque sejam desconhecidos, os registros descrevem que, ao
anoitecer, um grupo de 14 homens armados assassinou três zumbis na área
do interior da cidade, dirigindo-se em seguida para a casa, para o que
deveria ser uma "limpeza" rápida. Um dos homens foi enviado para dentro
da casa, para fazer um reconhecimento do local. E le entrou; gritos, gemidos
e tiros foram ouvidos; depois, silêncio. Outro homem foi mandado para
dentro. A princípio, tudo se manteve em silêncio. E le foi visto se
debruçando sobre uma janela no segundo andar da casa, gritando ter
encontrado um corpo pela metade, mas foi só. De repente, um braço em
decomposição apareceu por trás dele, agarrou seus cabelos e o puxou para
dentro. O restante dos homens correu para dentro para ajudá-lo. M al
colocaram seus pés na casa, cinco zumbis atacaram por todos os lados.
Longas armas de mão, como machados e foices, mostraram-se inúteis à curta
distância. O mesmo aconteceu com longos rifles. V iolentos tiros de pistola
acidentalmente mataram três homens imediatamente e feriram outros dois.
Quando a distância trouxe a necessidade da luta corpo-a-corpo, um dos
sobreviventes entrou em pânico, correu para fora da casa, pegou uma
lanterna e a atirou através de uma janela. As buscas subseqüentes nada
encontraram além de corpos queimados.
E ste capítulo tem por objetivo ajudá-lo a planejar uma missão civil de
busca e destruição. C omo já foi dito antes, vários órgãos governamentais
terão (se tudo der certo) seu próprio equipamento e doutrina para lidar com
uma guerra tão pouco convencional como esta. Se o governo se manifestar,
ótimo. Sente-se, relaxe e observe seus impostos sendo bem empregados.
P orém, como também já foi dito antes, o que acontecerá se aqueles a quem
pagamos impostos e esperamos que nos protejam desaparecerem
completamente de nosso campo de visão? N este caso, a responsabilidade de
erradicar a ameaça dos mortos-vivos é sua e daqueles que você conseguir
convencer a participar. T odas as regras, todas as táticas, todas as
ferramentas e armas contidas nesta seção foram cuidadosamente talhadas
para este tipo de contingência. T odas foram conseguidas em situações reais
de combate. T odas foram testadas e comprovadas como prontas para uma
guerra, para o momento em que a hora da retirada terminou e é chegada a
hora de caçar os caçadores.REGRAS GERAIS:
1. R E AÇÃO C O L E TIVA C:omo em qualquer outro tipo de combate,
uma guerra contra mortos-vivos nunca deve ser uma missão solo. C omo já
foi observado anteriormente, na cultura ocidental — em especial a
americana, existe o mito do superindivíduo. Um homem ou mulher, armado
até os dentes e altamente habilidoso, com nervos de aço, acha que pode
conquistar o mundo. N a verdade, quem quer que acredite nisso deveria
simplesmente tirar a roupa, chamar pelos mortos-vivos e se deitar em uma
bandeja de prata. E le não somente o matará — ele pode também criar outro
zumbi. T rabalhar em grupos, sempre juntos, tem se mostrado a única
estratégia bem-sucedida para aniquilar o exército de mortos-vivos.2. MAN TE N H A A D IS C IP L I : N SeA você não aprender nada com este
capítulo, se possuir o armamento correto, o equipamento, a comunicação e a
tática parecem uma perda de tempo para você, se apenas uma ferramenta
o acompanha nesta batalha contra os mortos- vivos, deixe que ela seja a
rígida, resoluta e inquestionável disciplina. Um grupo que mantém o
autocontrole, independente do número de membros, pode causar danos
infinitamente maiores em um inimigo morto- vivo do que qualquer multidão
bem armada. C omo este livro foi escrito para civis e não para uma guarnição
militar, é difícil adquirir um nível alto de disciplina como este. Ao selecionar
a sua equipe, certifique-se de que os homens e mulheres sob seu comando
compreendam perfeitamente suas instruções. Faça uso de uma linguagem
clara e concisa. N ão recorra a nenhum tipo de jargão militar ou outros
códigos, a não ser que sua equipe esteja familiarizada com seus significados.
C ertifique-se de que haja apenas um líder, e que este líder seja reconhecido
e respeitado por todo o grupo. C ertifique- se de que não haja nenhum tipo
de diferença pessoal ou que, ao menos, elas sejam deixadas para trás. Se
estas exigências significarem ter que diminuir a sua tropa, que assim seja.
Sua equipe não só deve como precisa funcionar como equipe. C aso
contrário, uma variedade de potenciais pesadelos o aguardará. Grupos
grandes e bem equipados já foram completamente destruídos quando seus
membros entraram em pânico, dispersaram-se ou voltaram-se uns contra os
outros. E squeça o que você já viu em filmes a respeito de bandos de
habitantes locais embriagados, cervejas e armas de fogo nas mãos
protegendo a humanidade da ameaça dos zumbis. N a vida real, um bando
barulhento como aquele seria nada mais do que um bufê para zumbis — um
bufê carregando armas.3. E S TE JA AL E R TA Ta : lvez você esteja comemorando uma luta bemsucedida; talvez esteja cansado após várias noites sem dormir; talvez horas e
horas de buscas infrutíferas tenham deixado sua mente entorpecida e
entediada. Qualquer que seja a razão, nunca baixe a sua guarda. Os mortosvivos podem estar em qualquer lugar, seus ruídos muito bem abafados, seus
sinais completamente ignorados. N ão importa o quão segura uma área
pareça ser, fique alerta, fique alerta, fique alerta!4. US E G UIASN : em toda batalha acontece em terreno conhecido.
Antes de entrar em uma área com a qual você e sua equipe não estejam
familiarizados, tente recrutar alguém que conheça o local. E le poderá
indicar todos os bons esconderijos, todos os obstáculos, todas as rotas de fuga,
entre outras coisas. Sabe-se que os grupos que não têm um guia em geral
causam desastres acidentalmente, por não saberem que um duto de gás
estava em sua linha de tiro, ou que componentes químicos tóxicos estavam
armazenados no edifício incendiado por eles. Os exércitos mais bemsucedidos da história sempre contrataram habitantes locais do território que
desejavam conquistar. Os exércitos que invadiram às escuras quase sempre
encontraram a derrota.5. TE N H A UMA BAS E , TE N H A S UP O R UT mE a :equipe nunca deve
entrar em uma batalha sem que antes tenha determinado uma zona de
segurança. E sta área deve se localizar bem distante da área-alvo. E la deve
conter uma equipe de suporte, com todas as instalações necessárias para
mantê-los sempre prontos para a luta. Deve ser extremamente sustentável,
caso aconteçam mudanças no rumo da batalha. Uma fortaleza, um hospital,
um depósito de provisões, um centro de informações de combate - todas
essas imagens devem vir à cabeça quando você ordenar que seu grupo
"retorne à base".6. AP R O VE ITE A L UZ D O DN IA ão : é por acaso que a maior parte dos
filmes de terror acontece à noite. A escuridão inspira e sempre inspirou
horror, por uma razão muito simples: O homo sapiens não foi feito para
participar de atividades noturnas. A falta da visão noturna, da audição e do
olfato aguçados faz de nós criaturas do dia. Anda que os zumbis não sejam
mais capazes do que nós no que diz respeito a lutar durante a noite, sabe- se
que nossa margem de segurança cai consideravelmente quando os
confrontos acontecem à noite. A luz do dia não apenas nos permite ter
maior visibilidade como também confere uma maior confiança psicológica
em nossa raça.7. P L AN E JE S UA FUGC Ao :ntra quantos zumbis você pretende lutar?
A não ser que você saiba exatamente este número, certifique-se de que uma
rota de fuga já esteja escolhida, reconhecida e sob guarda. C om freqüência
vemos caçadores cheios de autoconfiança saracoteando em áreas infestadas,
para depois serem completamente dominados por números com os quais
nunca sonharam enfrentar. Tenha certeza de que seu caminho de fuga
esteja limpo, próximo e livre de quaisquer obstáculos. Se for possível, deixe
alguns membros de seu grupo responsáveis por manter aberta esta via de
fuga. Grupos em retirada já foram encurralados quando sua fuga foi
bloqueada por um grande número dos mortos que andam.8. D E IXE Q UE E L E S VE N H AM ATÉ VO M CaÊ is : do que qualquer
outra, esta tática dá aos vivos a possibilidade de explorar completamente a
vantagem da inteligência. Um exército humano, sabendo da iminência de
um ataque, irá aguardar na defensiva, pacientemente e em segurança. E
esta a razão pela qual, nas guerras convencionais entre homens, um
atacante precisa ter sempre uma vantagem numérica de no mínimo três
para um para que seu sucesso seja garantido. O mesmo não acontece com os
mortos-vivos. P elo fato de que os zumbis são guiados somente por seus
instintos, eles atacarão independentemente da situação. I sto lhe dá a
vantagem de simplesmente aguardar na área infestada e deixar que eles
venham até você. Faça o máximo de barulho que puder, acenda fogueiras
ao ar livre, se possível mande dois ou três de seus observadores mais rápidos
até lá para servirem de isca. Quando os mortos se aproximarem, vocês
estarão em uma posição de "defesa agressiva", prontos para acabar com a
maioria antes de entrar para fazer a varredura. P or esta tática ser
considerada a mais eficiente, os diferentes exemplos de como executá-la
serão discutidos mais tarde neste capítulo.9. TO C , TO C !A : ntes de entrar em uma área, trancada ou não, procure
sempre escutar para verificar se há alguma atividade lá dentro. Um zumbi
pode estar do outro lado da porta — dócil, silencioso, pronto para atacar ao
primeiro sinal de uma presa. C omo isto é possível? Talvez seres humanos
mordidos tenham sucumbido atrás de suas portas trancadas. Talvez tenham
sido colocados lá por outros seres humanos, desinformados, que acreditavam
estar protegendo seus entes queridos. Quaisquer que sejam as razões, a
probabilidade de que esta cena aconteça é de pelo menos uma em sete. Se a
princípio você não ouvir nada, experimente fazer algum barulho. Das duas
uma: ou isto incitará quaisquer necrófilos silenciosos ou confirmará que a
área está vazia. Não importa qual seja o resultado, esteja sempre a postos.10. S E JA ME TIC UL O S O N :os primeiros estágios de uma invasão, as
pessoas tendem a capturar, e não matar, os zumbis cujos corpos
pertenceram a pessoas que elas conheciam em suas vidas mortais. Quando
quem os capturou tiver fugido ou sido devorado, os zumbis por eles
controlados podem permanecer por anos, capazes de repetir o ciclo, se
forem soltos. Depois que uma área for "varrida" em busca de necrófilos,
varra novamente. E mais uma vez. Os zumbis podem estar em qualquer
lugar — na tubulação de esgoto, em porões altos e baixos, em sótãos, em
carros, dutos de ar, até mesmo dentro de paredes ou embaixo de montes de
entulhos. P reste bastante atenção em corpos na água. Sabe-se que os zumbis
que perambulam na beira dos lagos, rios e até represas vêm à tona logo após
uma área ter sido considerada segura. M ais adiante neste capítulo, siga as
instruções para executar a busca e destruição aquática apropriadas.11. MAN TE N H A A C O MUN IC AÇÃ M Oa :nter-se unido a cada
membro do seu grupo é um dos fatores mais essenciais para que uma missão
seja bem-sucedida. Sem a comunicação adequada, os caçadores podem se
separar, se atropelar, ou até ser feridos por sua própria equipe (assim como
nas guerras convencionais, este fato acontece mais do que supõe nosso vão
conhecimento). P equenos rádios de comunicação - mesmo as marcas mais
baratas, à venda em lojas de produto eletrônicos — são a melhor maneira de
permanecer em contato. É preferível utilizar walkie-talkies em vez de
aparelhos de telefone celular, porque em walkie-talkies os sinais não
dependem de satélites, retransmissora ou qualquer outro tipo de ajuda
externa.12. M ATE P R IME IR O , O UÇA D E P OA IS pó : s um conflito, esteja
sempre alerta para o caso de um grupo secundário de zumbis aparecer. N o
momento em que um necrófilo for destruído, interrompa quaisquer
atividades que estejam sendo executadas e ouça o mundo ao seu redor. É
provável que, caso algum zumbi esteja ao alcance da voz, ele tenha ouvido
por acaso a batalha e está, no momento, vindo em sua direção.13. D E S C AR TE TO D O S O S C O R PU Om Sa : vez que uma área seja
considerada verdadeiramente segura, queime não apenas os corpos dos
mortos-vivos, mas também os dos que foram mortos em sua equipe. P rimeiro
porque isto exclui a possibilidade de que corpos humanos infectados se
reanimem como zumbis. Segundo, isto evitará quaisquer riscos de saúde
associados com a carne em decomposição. Seres humanos recémassassinados podem ser um grande atrativo para pássaros, animais
carniceiros e, é claro, outros zumbis.14. CONTROLE DE INCÊNDIO: Ao utilizar o fogo, certifique-se de ter
consciência das maiores implicações. V ocê tem controle sobre as chamas? Se
não, o fogo pode ser um perigo para seu grupo. A ameaça zumbi é tão
grande a ponto de você arriscar destruir grande parte de uma propriedade
privada? A resposta pode parecer óbvia, mas por que queimar meia cidade
para matar três zumbis que poderiam ter sido destruídos com os tiros de um
rifle? C omo já foi observado previamente, o fogo pode ser tão poderoso
como inimigo quanto como aliado. Use-o apenas quando for realmente
necessário. C ertifique-se de que seu grupo consiga escapar facilmente de
chamas violentas. Tenha certeza de que você sabe exatamente onde todos
os explosivos e compostos químicos venenosos estão armazenados e se a
destruição dos mesmos poderia causar perigo a sua equipe. C ertifique-se de
praticar com suas ferramentas incendiárias (maçaricos de mão, M olotovs,
foguetes luminosos etc.) antes de entrar em uma zona de combate, para
saber do que elas são capazes. E steja atento a emanações inflamáveis, como
um cano com vazamento de gás. M esmo sem recorrer diretamente ao fogo
como arma, o perigo dessas emanações, substâncias químicas derramadas,
vazamentos em tanques de combustível de carros e infinitos outros riscos
são o suficiente para que seja proibido fumar durante qualquer missão de
busca e destruição.15. N UN C A D E IXE A BAS E S O ZIN !: H Às Ovezes pode parecer uma
idiotice mandar uma equipe inteira para fazer o trabalho de uma única
pessoa. C inco indivíduos não cobririam mais terreno do que um grupo
amontoado? E m termos de eficiência, a resposta é sim. E m termos de
segurança, prioridade de qualquer varredura em busca de zumbis, é
obrigatório que todos fiquem e se mantenham juntos. Um indivíduo isolado
pode facilmente ser encurralado e consumido. Ou pior, os caçadores terão
que ir atrás de mortos-vivos que horas antes faziam parte de sua própria
equipe!ARMAS E ACESSÓRIOSO processo de armar e equipar um grupo de civis antizum- bis deverá
seguir o mesmo padrão de uma unidade militar. C ada pessoa deve ter um
kit padrão, além de certos itens necessários a toda a equipe.
Todos os membros devem ter:
• Arma de fogo primária (rifle ou carabina semi-automática)
• Cinqüenta cartuchos de munição
• Kit de limpeza
• Arma secundária (de preferência, uma pistola)
• Vinte e cinco cartuchos de munição
• Arma (grande ou pequena) para lutas corpo-a-corpo
• Faca
• Lanterna
• Dois foguetes luminosos
• Espelho sinalizador
• Rádio de comunicação
• Dois tipos de acessório para produzir fogo (fósforos, isqueiro etc.)
• Cantil de um litro
• Rações diárias
• Kit individual para refeições
• Botas de caminhada ou de combate
• Dois pares de meias
• Saco de dormir ou colchonete
Cada grupo (de dez pessoas ou menos) deverá ter:
• Duas armas com silenciador (podem ser usadas como arma secundária)
• Três dispositivos explosivos
• Dois ganchos de escalada
• Quinze metros de corda (corpo de nylon, 0,5 cm de
diâmetro, 3 ton. de tensão, absorção de carga de
aproximadamente 900 m/kg)
• Dois pares de binóculos (com lentes de no mínimo 50
mm/alcance de 10x) Dois pés-de-cabra (podem ser usados como
armas para lutas corpo-a-corpo)
• Alicate de corte
• K it de ferramentas (deve incluir: martelo e martelo-bola de
100 g, alicate de corte diagonal de 4", alicate de bico longo de 4"
ou 6", chave P hillips de 3", 4" e toco, chave de fenda de ponta
chata de 4" ou 5", conjunto de chaves de fenda de joalheiro, arco de serra
fixo de 12" x 1/2", fita isolante 3M , chave inglesa ajustável e conjunto com
furadeira manual e brocas de 2 a 5 mm)
• M achado ou machadinha (pode ser usado como arma em lutas corpoa-corpo)
• K it de primeiros socorros (deve incluir: ataduras, dois tipos de algodão,
duas tipóias de braço, tesouras, esparadrapos, frascos de mertiolate,
cotonetes anti-sépticos, lenços umedecidos anti-sépticos e de limpeza,
sabonete bactericida, gaze/tampões estéreis, petrolato, lancetas estéreis)
• Três galões (aproximadamente 12 l) de água potável extra
• Duas bússolas
• Pilhas/baterias extras para todos os tipos de dispositivos eletrônicos
• Dez foguetes luminosos de emergência extras
• Quatro pás de trincheira compactas (podem ser carregadas como
armas em lutas corpo-a-corpo)TRANSPORTEAo contrário do cenário descrito no capítulo "A fuga", o objetivo desta
seção é ajudá-lo não a escapar, mas a "limpar" a área. Os mortos-vivos não
devem ser evitados, mas atraídos. Além disso, ao contrário do capítulo
anterior, você não estará sozinho, e a área de assistência deverá tornar mais
fáceis os serviços e o abastecimento de um veículo. C om isto em mente, o
ronco do motor de um carro pode ser utilizado como isca (consulte a seção
"E stratégias", na página 191). N esta ocasião, remover a câmara de borracha
dos pneus de uma bicicleta pode causar o mesmo efeito. E m todo caso, não
dependa demais de seus meios de transporte. E xceto quando aplicados a
uma estratégia específica (ver a seguir), utilize-os mais como uma forma de
chegar e deixar uma área de batalha. Uma vez que estiver em uma áreaalvo, saia do veículo e faça as buscas a pé. I sto permitirá maior flexibilidade,
especialmente em áreas urbanas.
TIPOS DE TERRENOA princípio, esta seção pode parecer redundante. N o entanto, ao
contrário do capítulo "A fuga", que ensina como utilizar um terreno para
fugir, esta seção ensinará a utilizá-lo para caçar. Desta vez você não está
apenas atravessando seu ambiente da forma mais rápida, silenciosa e
simples possível. C omo um caçador, você está aqui para recuperar esta terra
— mantê-la sob controle, limpá-la, purificá-la até que quaisquer sinais de
mortos-vivos desapareçam. E sta seção inclui somente as informações
necessárias para que isto seja realizado.1. FLORESTASAo caçar, procure por carcaças recém-devoradas. Tente determinar se o
predador era um animal ou um zumbi. Além disso, utilize as árvores para
ampliar sua visibilidade: cada uma pode servir como torre de observação ou
plataforma para um franco-atirador. Atire somente em último caso, em uma
tentativa desesperada.2. PLANÍCIESAs áreas vastas e abertas trazem maior visibilidade, possibilitando uma
melhor utilização de armas de longo alcance com grande precisão. Uma
equipe de cinco pessoas, com rifles de visibilidade adequada e uma grande
quantidade de munição, pode "limpar" uma área de muitos quilômetros
quadrados ao longo de um único dia. É claro que o fato de ter boa
visibilidade faz com que os mortos-vivos possam vê-lo tão bem quanto você
os vê. Os registros indicam que grupos de caçadores operando em planícies
ou pradarias foram avistados e perseguidos por necrófilos a uma distância
de 16 km. Outro risco pequeno, porém potencial, é o do zumbi desgarrado
que pode estar deitado sobre a relva alta. M ortos- vivos que perderam as
pernas ou que tiveram a espinha dorsal quebrada podem permanecer em
suas posições sem serem detectados até que seja tarde demais. Se a sua
equipe estiver atravessando uma área coberta por mato alto, viaje devagar,
observe bem o chão e fique atento a quaisquer sussurros ou gemidos.
3. PLANTAÇÕESC açadores desavisados perseguem zumbis através de plantações
somente para serem agarrados por outro que estará à sua espreita
centímetros à frente! A não ser que tenha recebido ordens de proteger a
colheita, ou a não ser que a comida propriamente dita seja de vital
importância, esta é uma das situações onde o fogo deve ser usado primeiro.
E mbora quase todas as outras seções deste livro enfatize a importância do
controle incendiário em situações de guerra, o bom senso indica que
nenhuma vida humana vale um ou dois hectares de milho.4. TUNDRASUm perigo em potencial que não pode ser vivido
em nenhum outro tipo de ambiente é o da
insurreição multigeracional. Devido à capacidade de
preservação dos climas frios, os zumbis podem
permanecer congelados por décadas. Quando
descongelados, eles se juntarão à fila de reanimados
e, em alguns casos, podem reinfectar áreas inteiras. As tundras
congeladas, mais do que qualquer outro tipo de ambiente, exigem não
apenas uma busca incessante, mas um estado de alerta elevado durante a
primavera seguinte de descongelamento.5. MONTANHASTerrenos desnivelados podem ser tão traiçoeiros e ameaçadores para
zumbis como para qualquer inimigo humano. Se for possível, fique sempre
com a área mais alta, e mantenha- se nela. E la proporcionará maior
visibilidade. P or mais absurdo que possa parecer, lembre-se de que os
necrófilos têm uma destreza limitada. I sto vale para suas habilidades de
escalada, e você terá um bando de zumbis lutando em vão para subir uma
pequena ladeira enquanto você abate um a um.
6. DESERTOSO problema discutido no capítulo "A fuga" é duplicado quando a
operação é realizada em um deserto. Ao contrário dos fugitivos, sua equipe
de caçadores enfrentará o inimigo durante a parte mais brilhante, quente e
torturante do dia. C ertifique-se de que todos os caçadores estejam
equipados com água e acessórios bloqueadores de sol suficientes. O combate,
ao contrário da viagem, exigirá uma quantidade maior de energia e,
portanto, aumentará os riscos de desidratação. N ão ignore os sinais. Um
membro incapacitado pode enfraquecer uma equipe inteira, deixando que
os mortos-vivos virem a mesa rapidamente. P erder contato com a sua base
de abastecimento, ou mesmo isolar-se por um dia ou menos tem um
significado completamente novo neste ambiente de grande ameaça à vida.7. ÁREAS URBANASSe o objetivo fosse apenas o de matar zumbis, uma área urbana poderia
simplesmente ser bombardeada ou queimada até que não restasse nada. I sto
tornaria a área "segura",
mas onde os sobreviventes iriam morar quando suas casas fossem
transformadas em uma pilha de entulho? O combate urbano é o mais difícil
de todos, por uma série de razões. P ara começar, é o tipo de combate que
mais consome tempo, porque cada prédio, cada quarto, cada túnel
subterrâneo, cada carro, cada tubo de esgoto, cada canto e cada fissura
deste enorme labirinto deve ser percorrido. É provável que, dada a
importância de uma cidade, seu grupo de civis vá trabalhar lado a lado com
forças governamentais. N o entanto, se este não for o caso, seja
extremamente cuidadoso. P ense sempre de forma conservadora quando se
tratar dos membros da sua equipe, do tempo e de recursos (comida, água,
munição). As cidades sempre consomem tudo.8. SELVASE ste é o pesadelo do combate de curta distância. Rifles de francoatiradores e outras armas de longa distância, como arcos, serão quase que
completamente inúteis. E quipe seu grupo com carabinas e/ou escopetas.
C ada caçador deve carregar seu próprio facão, tanto para abrir caminho
entre as folhas como para combates corpo-a-corpo. O uso do fogo não será
uma opção viável, pois o excesso de umidade impedirá quase todas as
tentativas de se criar fogo. M antenha sua equipe unida todo o tempo, esteja
extremamente alerta e ouça com especial cuidado os sons da vida selvagem
ao seu redor. C omo acontece com as florestas e pântanos, os animais serão
seu único sistema de alerta.
9. PÂNTANOSM uitos aspectos da guerra na selva também podem ser aplicados aos
brejos. N em sempre eles são tão quentes ou tão densos, mas isto não significa
de forma alguma que sejam
mais seguros. Preste muita atenção à água. Todo e qualquer equipamento
ou tática aplicados à guerra subaquática (e discutidos mais adiante)
provavelmente serão empregados neste cenário.ESTRATÉGIAS
1. ATRAIA E DESTRUAUse um ou mais meios de transporte, grandes picapes ou utilitários
esportivos com bastante espaço para entrar em uma área infestada. Uma
vez dentro da área, faça o máximo de barulho possível para atrair os mortosvivos. Saia da área devagar, numa velocidade equivalente à de seus
perseguidores. C omo o flautista de H amelin, em pouco tempo haverá uma
fila de zumbis atrás de você. N este momento, atiradores de precisão
posicionados atrás dos veículos podem começar a destruí-los. Os necrófilos
na fila não entenderão o que estará acontecendo, pois seus cérebros
primitivos não perceberão que os camaradas estão caindo ao seu redor.
C ontinue a guiá-los pela área, diminuindo seu exército até que não reste
nenhum. Utilize esta tática em áreas urbanas (onde as estradas costumam
ser mais vazias), ou em áreas onde o ambiente natural permite longas
viagens de carro.2. A BARRICADAE sta tática funciona de maneira similar à anterior, só que, em vez de
guiar os mortos-vivos por quilômetros, a isca será atraída para uma posição
fixa. E sta posição pode ser construída com escombros, arame farpado, carros
de ferros- velhos ou seus próprios veículos. A partir deste ponto fixo, sua
equipe irá demarcar seu território, matando todos os zumbis antes que eles
atravessem a barricada. C aso isto aconteça, o ideal é ter sempre à mão
dispositivos incendiá- rios. É provável que os zumbis que se aproximarem
sejam empacotados antes de atingirem a sua posição. C oquetéis M olotov ou
(apenas nestes casos) um lança-chamas poderão destruir completamente os
exércitos de zumbis. O arame farpado ou outros obstáculos similares servirão
para tornar o avanço mais lento, além de ajudar a concentrar o alvo. Se a
incineração não for possível, a perícia no tiro ao alvo pode obter o mesmo
efeito. C ertifique-se de que suas distâncias estejam bem medidas e que a
munição utilizada com sensatez. P reste muita atenção nas laterais (flancos).
Se for possível, certifique-se de que a área de aproximação é estreita e
contida. Tenha sempre uma rota de fuga pronta para ser usada, mas
mantenha sua equipe sob controle para evitar uma retirada prematura ou
desnecessária. Utilize a tática das barricadas em áreas urbanas ou naquelas
que derem melhor visibilidade. M ais especificamente, exclua as selvas, os
pântanos ou as florestas mais densas.3. A TORREE ncontre uma área alta, acima do nível do chão (árvores, prédios, torres
de caixas d'água etc.). Faça um estoque de munição e necessidades básicas
para uma batalha prolongada (mais longa que um dia) nesta posição. Uma
vez que todas estas tarefas tenham sido cumpridas, faça tudo o que for
possível para atrair os mortos-vivos. E nquanto eles se reúnem ao redor da
sua posição, dê início à matança. Tenha cuidado ao utilizar materiais
incendiários, pois o fogo pode se espalhar até a torre ou a fumaça pode se
transformar em um risco para a sua saúde.
4. A TORRE MÓVELC oloque um caminhão de lixo, caminhonete, ou qualquer outro veículo
alto no centro de uma área infestada. E stabeleça uma zona de extermínio
com boa visibilidade, estacione e comece a atacar. As vantagens desta tática
incluem o fato de você nunca ficar preso a uma torre já existente, atrair os
mortos com o som do motor do seu veículo, além de (considerando que a
cabine do veículo esteja sempre vazia) servir como uma forma garantida de
fuga.5. A GAIOLASe você não aceita a crueldade com animais, não tente fazer isso em uma
varredura. B asicamente, esta estratégia consiste em colocar um animal em
uma gaiola, posicionando sua equipe a uma distância ao alcance das armas
e, por fim, abatendo um a um os zumbis que se aproximarem para devorar o
animal. É claro que diversos fatores devem ser considerados para que esta
tática funcione. A isca viva precisa ser barulhenta o suficiente para atrair os
necrófilos que estejam nas proximidades. A gaiola precisa ser
suficientemente forte para resistir a um ataque e suficientemente bem
apoiada para resistir a empurrões. Sua equipe precisa estar bem escondida
para não atrair zumbis para a sua posição. Também é preciso tomar cuidado
para não atingir e matar o animal engaiolado. Uma isca morta e silenciosa
frustrará rapidamente a estratégia da gaiola. Os ambientes menos adequados
para a abordagem da gaiola são aqueles em que há pouca ou nenhuma
cobertura para sua equipe. E vite usar esta estratégia em planícies, tundras
ou desertos abertos.
Obviamente, um grupo de civis não terá acesso a um tanque de verdade
ou a qualquer tipo de transporte blindado que comporte muitas pessoas. O
que pode estar disponível é um carro blindado do tipo utilizado no
transporte de valores. N esse caso, o bem valioso será a sua equipe. O uso de
um "tanque" é bastante parecido com o uso da tática da gaiola, no sentido
de que seu objetivo é atrair os zumbis até um local específico e depois
liquidá-los com tiros de rifle. P orém, ao contrário da gaiola, os membros de
sua equipe dentro da cabine do tanque não são meras iscas vivas. As
aberturas para as armas permitem aumentar o poder de fogo, somado ao dos
atiradores externos. T ome cuidado, entretanto, com a possibilidade de os
mortos-vivos tombarem o carro blindado.7. O ESTOURO DE MANADA
De todos os métodos de caça utilizados contra os mortos- vivos, este
talvez seja o mais teatral. B asicamente, o "processo" envolve dividir seu
grupo em equipes a bordo de veículos motorizados, dirigir pela área
infestada e atropelar todos os zumbis encontrados. Apesar da imagem de
um estouro de manada em tempos modernos, de onde essa tática tira seu
nome, ela foi praticamente abandonada por todos os grupos de caça
suficientemente instruídos. Atingir um necrófilo com um veículo raramente
resulta em sua morte. Mais provavelmente, o cadáver animado fica aleijado,
engatinhando, com a coluna vertebral quebrada e as pernas inúteis. Sempre
planeje dar seqüência à sua "caçada em alta velocidade" com o trabalho de
limpeza feito por uma equipe de caçadores a pé. Se você decidir fazer uso
da tática de estouro de manada, use-a em planícies, desertos, tundras e
outras áreas abertas. As áreas urbanas têm obstáculos demais, como carros
quebrados ou barricadas abandonadas. C om freqüência, muitos caçadores já
encontraram os caminhos bloqueados e a situação radicalmente revertida.
De forma alguma utilize essa tática em pântanos ou brejos.8. VARREDURA MOTORIZADAQuase que o oposto polar de um estouro de manada, a varredura
motorizada é uma abordagem calma, lenta e metódica. Seus caçadores,
viajando em veículos grandes, poderosos e bem protegidos, numa
velocidade máxima de 20 quilômetros por hora, patrulham a área infestada.
Atiradores de precisão abatem os mortos-vivos, um tiro por vez, até que não
reste nenhum em pé. Os caminhões funcionam melhor porque o teto
proporciona uma posição favorável para os atiradores. E mbora essa tática
reduza o tempo posterior de limpeza necessário, em contraste com o tempo
dispensado em um estouro de manada, cada corpo ainda deverá ser
inspecionado e descartado. As áreas abertas são ideais para varreduras
motorizadas, ainda que uma menor velocidade permita uma utilização
limitada desta tática em áreas urbanas. C omo acontece com qualquer
veículo motorizado, é recomendável evitar as áreas densas e/ou tropicais.
N ovamente, assim como o estouro de manada, você precisará planejar um
longo período de limpeza da área. Dar tiros fáceis do teto do seu C hevrolet
Suburban não fará com que sejam apanhados aqueles últimos zumbis do
fundo de um tanque, em um quartinho trancado, perambulando pelos
esgotos ou espreitando sorrateiramente em um porão.9. VARREDURA AÉREAO que poderia ser mais seguro do que atacar do ar o seu inimigo? Seu
grupo não poderia cobrir uma área maior em menos tempo, sem correr
nenhum risco, se tivesse diversos helicópteros? E m teoria, sim; na prática,
não. Quem quer que estude as guerras tradicionais admitirá a necessidade
de tropas terrestres, independente do grau de superioridade de uma força
aérea. I sto é dez vezes mais verdadeiro na caça aos mortos-vivos. N ão tente
usar ataques aéreos em terrenos urbanos, florestas, pântanos ou qualquer
outro local coberto. É bem provável que o seu índice de mortes caia para
menos de 10%. E squeça também a idéia de uma varredura indolor e sem
restos, mesmo em uma zona de grande visibilidade. Sua equipe terá que
fazer uma limpeza posterior em terra, mesmo que a área pareça segura. O
apoio aéreo é útil, especialmente para reconhecimento e transporte. Aviões
e helicópteros, fazendo reconhecimento em áreas abertas, podem fornecer
informações sobre a localização de zumbis para múltiplas equipes de
caçadores simultaneamente. Os dirigíveis têm a vantagem de poderem
permanecer sobre a área infestada por dias inteiros, fornecendo um fluxo
constante de informações e enviando alertas sobre possíveis emboscadas. Os
helicópteros podem dar ajuda imediata a equipes em perigo, levando uma
equipe para ajudar outra. É necessário cautela, entretanto, ao utilizar seu
"olho no céu" muito à frente do grupo. Falhas mecânicas podem causar
aterrissagens forçadas em áreas infestadas. I sto representava um perigo não
apenas para a equipe do helicóptero como também para qualquer equipe
envolvida em uma tentativa de resgate.
Que tal fazer caçadores descerem de pára-quedas em uma zona
infestada? E sta teoria foi sugerida diversas vezes, embora nunca tenha sido
posta em prática. É ousada, corajosa, heróica e, portanto, absolutamente
insípida! I gnore a possibilidade de se machucar no impacto, ficar preso em
galhos de árvores, sair do curso por causa do vento, se perder na
aterrissagem — esqueça todas as possibilidades associadas com descidas de
pára-quedas sob condições normais, de tempos de paz. Se você quiser
descobrir o verdadeiro perigo de um ataque aéreo contra zumbis,
experimente largar um pequeno pedaço de carne em um formigueiro
fervilhante. P rovavelmente, a carne nem chegará ao chão. E m resumo, o
apoio aéreo não passa de uma coisa: "apoio". Quem acredita que ele seja um
fator decisivo para vitória não tem o direito de planejar, orquestrar ou
participar de qualquer conflito com os mortos-vivos.10. A TEMPESTADE DE FOGODesde que a chama possa ser controlada, que a área em questão seja
suficientemente inflamável e que não haja problemas para proteger a
propriedade privada, nada funciona melhor do que uma chama artificial.
Os limites da zona de fogo devem ser claramente delineados. Ateie fogo
simultaneamente em todo o perímetro, para que a chama caminhe de
maneira uniforme até o centro do círculo. N ão permita que haja uma rota
de fuga, mesmo a mais estreita. Fique atento para zumbis que possam ter
atravessado o fogo. E m teoria, a tempestade de fogo vai agrupar os mortos
em um pequeno perímetro, incinerando-os em questão de minutos. Um
trabalho de limpeza da área ainda será necessário, entretanto,
especialmente em áreas urbanas, onde porões e outros quartos podem ter
protegido os zumbis das chamas. C omo sempre, seja cauteloso e esteja
preparado para lidar com o fogo como um segundo inimigo.11. BATALHAS SUBAQUÁTICAS
N unca se esqueça da possibilidade de os necrófilos
acabarem caindo em águas próximas, antes que possa
declarar que uma área é segura. C om freqüência, seres
humanos repovoam áreas "seguras" e acabam sendo
atacados dias, semanas, até meses depois, por zumbis
que acabaram de reencontrar o caminho até a terra
firme. P elo fato de os mortos-vivos poderem existir,
movimentar-se, e até matar em um ambiente aquático,
ocasionalmente a caça pode exigir uma batalha
subaquática. I sto pode ser extremamente perigoso, já
que a água não é um ambiente natural dos seres
humanos. Os problemas óbvios de respiração e falta de
comunicação, mobilidade e visibilidade fazem com que
uma zona subaquática seja a área mais difícil para a
caça dos mortos-vivos. Ao contrário de escapadas aquáticas, onde você se
encontra em vantagem, procurar e caçar neste ambiente estranho vira a
balança em favor dos zumbis. I sto não quer dizer que uma caçada
subaquática seja impossível. L onge disso. I ronicamente, sua dificuldade faz
com que os caçadores fiquem mais atentos e concentrados do que em
ambientes mais conhecidos. As regras a seguir se aplicam a qualquer caçada
subaquática bem-sucedida.
A. Conheça sua áreaQual é a profundidade do local em questão? Qual a sua largura? E
cercado por terras (tanque, lago, reservatório)? Se não, onde se localizam as
saídas de água? C omo é a visibilidade debaixo d'água? E xiste algum
obstáculo submerso? Responda a todas essas questões antes de iniciar a
caçada.B. Examine a área a partir da superfícieC olocar o equipamento de mergulho e mergulhar às cegas em águas
infestadas por zumbis é uma excelente maneira de unir os dois maiores
medos de infância: o de ser devorado e o de se afogar. N unca afunde na
água antes de fazer uma busca completa na área a partir da costa, da
margem, de uma doca ou de um barco. Se estiver muito escuro ou se as
águas forem muito profundas, impedindo a busca a olho nu, é
recomendável utilizar os meios artificiais. Dispositivos de sonar, ou sensores
de ruídos comuns, destes encontrados em barcos civis de pesca, podem
facilmente detectar algo do tamanho de um corpo humano. As buscas a
partir da superfície nem sempre confirmam se uma área está limpa ou
infestada. Os obstáculos que se encontram sob a água, como árvores,
formações rochosas ou lixo submerso, podem esconder a silhueta de um
zumbi. N o entanto, se por acaso surgir um único deles, é importante
observar a próxima regra.
C. Considere a possibilidade de uma drenagemP or que colocar sua equipe em um ambiente hostil se aquele ambiente
pode ser retirado? Faça a si mesmo essa pergunta: é possível simplesmente
esvaziar o local em questão? Se a resposta for sim, mesmo que isto demande
mais tempo e esforço do que uma simples caça submarina, sem dúvida
alguma o faça. N a maior parte do tempo, no entanto, esta não será uma
opção viável. P ara eliminar a ameaça submersa, sua equipe terá que segui-la
água abaixo.D. Encontre um especialistaAlgum integrante de sua equipe é mergulhador profissional? Algum
deles já usou uma máscara de mergulho alguma vez na vida? Talvez um
simples tubo de respiração nas últimas férias? M andar homens e mulheres
inexperientes para dentro d'água pode fazer com que eles morram antes
mesmo de avistarem algum zumbi. Afogamento, asfixia, narcose por
nitrogênio ou hipotermia são apenas algumas das muitas maneiras pelas
quais animais que respiram, como nós,
podem ir de encontro à morte abaixo das ondas. Se o tempo permitir -
por exemplo, se os zumbis forem encurralados em uma área sem litoral —
encontre alguém que possa treinar ou liderar sua equipe, ou mesmo
incumbir-se da missão. Agora, se você acha possível que os zumbis tenham
caído em um rio e que podem estar a caminho de outra cidade, levados
pelas águas, não aguarde pelo especialista. P repare-se para mergulhar, mas
esteja preparado também para as conseqüências.E. Prepare seu equipamentoC omo nas guerras em terra firme, o equipamento e as armas corretas
serão um ponto crucial para garantir sua sobrevivência. O recurso
respiratório mais comum de todos é o Aparelho Respiratório Subaquático
Auto-suficiente, ou SC UB A (Self-C ontained Underwater B reathing
Apparatus). Se não houver nenhum disponível, compressores e mangueiras
de borracha improvisados podem ser uma substituição bastante útil, se não
perfeita. As lanternas de mão são essencialmente necessárias. M esmo nas
águas mais claras pode haver zumbis à espreita em algum canto escuro ou
coberto. Os arpões devem ser sempre considerados como uma arma
primária. N enhuma outra arma aquática eqüivale ao arpão na capacidade
de penetrar um crânio a uma distância segura. Outro dispositivo bastante
poderoso é o "bang stick", que consiste essencialmente em um bastão de
alumínio de aproximadamente 90 cm equipado com balas de escopeta
calibre .12, disparadas quando o dispositivo é "empurrado" contra uma
superfície. N o entanto, estas duas armas são raras e difíceis de se encontrar
em áreas não-costeiras. N a falta delas, apele para redes, ganchos ou arpões
artesanais.
F. Ataque integradoN ada pode ser mais assustador do que voltar à superfície após uma
varredura subaquática e encontrar zumbis dentro do seu barco! Sempre
trabalhe em conjunto com a equipe que ficar na superfície. Se sua equipe é
composta por dez pessoas, leve cinco para baixo e deixe o resto "no telhado".
I sto permitirá um resgate rápido caso a maré da batalha não esteja boa para
o seu lado. Uma equipe de superfície sempre será útil para observar, matar e
pedir reforços por terra. C omo regra geral para qualquer estratégia de
combate, quanto mais perigoso for o ambiente, maior será o reforço
necessário.G. Observe a vida selvagemJ á dissemos anteriormente que os pássaros e outros animais podem
alertar para a aproximação de zumbis. O mesmo é válido para os peixes. Foi
comprovado que a vida selvagem aquática é capaz de detectar até os
menores vestígios de carne infectada pelo vírus Solanum que se
desprendem do corpo de um zumbi e bóiam para longe. Uma vez que estes
vestígios são detectados, a área é imediatamente evacuada. Registros
deixados por caçadores subaquáticos descrevem áreas sem peixe nenhum
pouco antes do encontro com um zumbi submerso.H. Métodos utilizados para matarN ão diminua nenhuma destas táticas, considerando-as fantásticas ou
não-confiáveis. P or mais ridículas que algumas possam parecer, todas foram
testadas repetidamente em combates subaquáticos antizumbi. E todas
mostraram excelentes resultados.
1. Atirando de um local seguro: Substitua o arpão por um rifle; substitua
a água por ar. B asicamente, a tática é a mesma. C omo um arpão exige uma
distância do alvo bem menor do que um rifle, o mergulhador estará numa
situação
de extremo perigo. C aso erre o primeiro tiro, nunca recarregue o arpão
na mesma posição. N ade até uma distância segura, trave um novo arpão na
arma e só então volte para o alvo.
2. P escando com o arpão: E ste procedimento deve ser usado nos casos
em que for muito complicado atirar na cabeça do zumbi. Amarre uma linha
de metal na ponta do arpão e mire na caixa torácica. Quando o necrófilo
estiver preso na lança, dê o sinal para que a equipe de superfície possa
puxá-lo para cima, para o descarte. N ão se esqueça de que, mesmo com um
arpão atravessado em seu corpo, estes zumbis ainda podem atacar. Se for
possível, tente dar um tiro na cabeça
com um rifle assim que o corpo atingir a superfície. E sta tarefa exigirá
muita coordenação entre o mergulhador e a equipe de superfície. Uma
desordem causada por ineficiência já resultou em uma equipe desatenta
puxando o que imaginava ser um zumbi completamente destruído para a
superfície. Seus gritos não foram ouvidos pelo incompetente mergulhador
submerso.
3. Anzol e linha: Amarre um arpão a um pedaço de corda. Use-o para
atingir o zumbi-alvo, e em seguida peça para a sua equipe puxá-lo para
cima. O uso de ganchos de pesca ou de carne (como os usados em açougues)
presos à ponta do arpão reduz a possibilidade de perder o corpo durante a
ascensão. Se a água estiver limpa e for pouca profunda, o processo pode ser
controlado inteiramente de dentro do barco. É importante lembrar
novamente que, assim como na pesca com arpão, o zumbi "fisgado" deve ser
descartado antes de se aproximar o suficiente para atacar.
4. Usando a rede. As equipes de superfície comporão a principal origem
dos ataques, enquanto os mergulhadores terão como função apenas
patrulhar a área. Redes de peixe ou de carga podem ser atiradas sobre o
necrófilo-alvo, e em seguida utilizadas para puxá-los até a superfície. A
maior vantagem do uso das redes é que os zumbis puxados para cima
estarão enrolados e será praticamente impossível partir para o ataque. É
claro que "praticamente" é uma palavra extrema mente perigosa. M uitos
caçadores já foram feridos e mortos por zumbis que já estavam
"praticamente" liquidados.
I. Regras específicasP ense nos locais aquáticos como se fossem diferentes tipos de terreno.
C ada um terá seu próprio conjunto de condições e poderá ser tão diferente
do outro como um deserto é de um pântano. A única coisa que locais com
água têm em comum é o H 2O que os cobre. V ocê já terá de lidar com um
inimigo mortal. Não arrume outro.
1. Rios: As correntezas constantes podem ser ao mesmo tempo uma
bênção e uma maldição. Dependendo da força de sua correnteza, um rio
pode arrastar um ou todos os zumbis para muito longe da área infestada
inicial. Os necrófilos que caem no rio M ississipi, perto de Winona, no estado
de M innesota, podem facilmente aparecer uma semana depois às margens
do centro de N ova Orleans. I sto cria uma urgência que não se têm em locais
de água parada. Se for possível, prepare armadilhas com redes nos trechos
mais estreitos. M onitore-as cuidadosamente, dando especial atenção ao
enviar mergulhadores para investigá-las. Uma correnteza forte pode
carregar mergulhadores direto para os braços e bocas de seus "alvos".
2. L agos e lagoas: P or serem (em geral) cercados de terra por todos os
lados, há pouca possibilidade de que os zumbis escapem de um lago ou
lagoa. Qualquer morto-vivo que tentar perambular por terra deve ser
perseguido e morto. O restante que permanecer submerso será por fim
"pescado" e destruído. A falta de correnteza torna estes locais ideais para os
mergulhadores. Os lagos e lagoas que congelam, no entanto, podem
representar um problema. Se congelarem por inteiro, os zumbis submersos
estarão sepultados durante o inverno, o que torna praticamente impossível
sua busca. Se apenas a superfície congelar, os zumbis ainda poderão
perambular pelas águas profundas.
3. P ântanos: Os pântanos são, sem sombra de dúvida, os lugares mais
frustrantes quando se trata de caçadas subaquáticas. Suas águas escuras
tornam as buscas quase impossíveis. Suas profundezas cheias de raízes
confundem os aparelhos que medem sons e vibrações. N a maior parte dos
casos, suas áreas rasas permitem que um zumbi possa alcançar ou mesmo
agarrar um caçador, ou ainda afundar seu barco. A caçada feita com uma
equipe numerosa e com o auxílio de muitas lanternas e varas ainda é o único
método comprovado para varreduras neste tipo de ambiente. Após uma
noite fazendo isto, você entenderá por que tantas histórias de terror
acontecem em pântanos.
4. Oceanos: A não ser que a área em questão seja um porto ou outro tipo
de área semifechada, esqueça qualquer coisa que já tenha ouvido sobre
caçadas bem-sucedidas em mar aberto. Simplesmente há espaço demais
para que uma varredura seja bem-feita, com uma profundidade além do
alcance de todo e qualquer submersível, mesmo os mais caros e raros. P or
mais problemático que isto seja para uma caçada mais agressiva, a ameaça
causada por estes mortos-vivos submarinos será provavelmente
insignificante. A maior parte deles irá simplesmente ficar vagando pelo
fundo do oceano, sem jamais ver terra firme até decair ao nada,
desaparecer. M as isto não significa que esta ameaça deva ser ignorada. Uma
vez confirmado que os zumbis foram puxados pelo mar, procure determinar
as correntes mais profundas daquela área e se — e onde — elas podem levar
os mortos-vivos até a terra firme. T odo e qualquer habitante costeiro deverá
ser comunicado, e logo em seguida um sistema de vigilância deverá ser
mantido. P or mais estranho que possa parecer, zumbis já foram vistos
cambaleando para fora do mar meses depois de uma insurreição, em praias a
milhares de quilômetros de distância.
Vamos então supor que você seguiu todas estas instruções corretamente.
A batalha acabou, a área está segura, as mortes das vítimas já foram
lamentadas, os zumbis já foram queimados. Com sorte, esta será a última vez
que você terá que erguer as mãos para um pedaço de carne morta. M as e se
não for? E se a sua luta serviu apenas como uma pequena exibição do que
será uma guerra maior e mais declarada entre os vivos e os mortos? E se —
que os céus não permitam — for uma guerra em que a humanidade seja a
parte perdedora?
VIVENDO EM UM MUNDO DE MORTOS-VIVOSE se o impensável acontecer? Se as hordas de zumbis se multiplicarem
de tal forma que consigam dominar o planeta? E sta seria uma insurreição de
T ipo 4 ou como é melhor conhecida, a insurreição do juízo final, em que
toda a humanidade chega à beira da extinção. I mprovável? Sim.
I mpossível? N ão. Os governos de todo o mundo não passam de grupos de
seres humanos - seres humanos tão covardes, limitados, arrogantes, com
pouca visão de mundo e geralmente tão incompetentes quanto o resto de
nós. P or que eles seriam capazes de reconhecer e lidar com um ataque de
cadáveres ambulantes, sedentos por sangue, se a maior parte da
humanidade não o é? É claro que podemos argumentar que uma lógica
como esta deveria ser considerada frente a insurreições de T ipo 1 ou até de
T ipo 2, mas mesmo a ameaça imposta por um grupinho de 100 zumbis seria
suficiente para levar nossos líderes à ação. C omo não poderiam? C omo
poderiam aqueles que estão no poder, em especial vivendo em uma época
tão moderna e esclarecida como a nossa, ignorar a epidemia de uma doença
mortal até que esta atinja as proporções de uma praga? P ense na atitude do
governo frente à epidemia da Aids e você terá sua resposta. M as o que
acontecerá se as autoridades de fato reconhecessem a ameaça com a
dimensão que realmente tem — e não pudessem fazer nada para controlá-
la? Recessões econômicas imensas, guerras mundiais, distúrbios civis ou
desastres naturais poderiam facilmente desviar as atenções das fontes do
governo em relação a uma insurreição rápida e crescente. M esmo em
condições perfeitas, é extremamente difícil conter qualquer revolta maior do
que uma insurreição de T ipo 2. I magine tentar colocar em quarentena uma
cidade como C hicago, ou L os Angeles. Dos milhões que tentariam escapar,
quantos já teriam sido mordidos, espalhando a infecção para muito além da
área de quarentena?
P or outro lado, será que os vastos oceanos, que embelezam a maior parte
do nosso planeta, não iriam nos salvar? Será que os habitantes da E uropa,
África, Ásia e Austrália não estariam seguros, longe de uma insurreição
apodrecida na América do N orte? Talvez. E sta é uma suposição baseada na
possibilidade de que todas as fronteiras estariam fechadas e vigiadas, todo o
tráfego aéreo interrompido e que todos os governos do mundo estivessem
conscientes e trabalhando para conter a insurreição. Ainda assim,
considerando que o número de mortos-vivos já teria chegado a dezenas de
milhões, será possível parar cada avião que contenha um passageiro
infectado, cada barco com um marujo infectado? Será possível patrulhar
cada centímetro da costa para vigiar cada necrófilo que inocular através da
água? A esta altura, infelizmente, a resposta é não. O tempo está do lado dos
mortos-vivos. A cada dia eles aumentarão em número, fazendo com que a
contenção e o extermínio se tornem mais e mais difíceis. Ao contrário de
seus colegas humanos, um exército de zumbis não depende de nenhum tipo
de apoio. E les não precisam de comida, munição nem cuidados médicos.
E les não sofrem de baixa auto-estima, cansaço de batalha ou liderança
inadequada. E les não sucumbem ao pânico, não passam por deserções ou
motins. Assim como acontece com o vírus que lhe deu vida, a força dos
mortos-vivos continuará a crescer, espalhando-se por todo o planeta até que
nada mais reste a ser devorado. Para onde você iria? O que você faria?
Quando os mortos-vivos triunfam, o mundo se degenera no caos
completo. T odas as ordens sociais desaparecem. Aqueles que estão no poder,
junto com suas famílias e amigos, abrigam-se em subterrâneos e outras áreas
seguras pelo país. Protegidos nestes abrigos, originalmente construídos para a
Guerra Fria, eles sobrevivem. Talvez mantenham a fachada de estrutura de
comando governamental. Talvez haja tecnologia disponível para
comunicarem-se com outros organismos ou até com outros líderes mundiais
que também estejam protegidos. P ara todos os efeitos, porém, eles não são e
não devem ser vistos como nada além de um governo em exílio. C om o
colapso total das leis e da ordem, pequenos grupos de indivíduos surgem
para impor sua autoridade. B andidos, saqueadores e assassinos comuns
fazem dos sobreviventes suas presas, levando o que interessa e satisfazendo
quaisquer prazeres que desejem ter. É bastante comum, no fim de qualquer
civilização, que haja uma grande e sólida festa. P or mais inconveniente que
isto possa parecer, orgias de pessoas que acreditam estar vivendo o último
dia de suas vidas começam a brotar por todos os cantos do país.
O que resta à polícia e às forças militares é esconder e proteger o governo,
abandonar seus postos numa tentativa de salvar suas famílias ou acabarem
eles próprios como bandidos. Um colapso total na área das comunicações e
do transportes assolará o globo. C idades isoladas se transformarão em
campos abertos de batalha, com grupos dispersos de cidadãos lutando para
defender as áreas com barricadas construídas para se protegerem de
necrófilos e de outros seres humanos renegados. M áquinas negligenciadas
até então acabarão por parar de funcionar ou, em alguns casos piores,
explodirão. O superaquecimento e derretimento do interior de reatores e
outros acidentes industriais são comuns nestas ocasiões, poluindo o
ambiente com produtos químicos tóxicos. Os zumbis começarão a encher as
cidades do interior. C om as capitais sem seres humanos, os mortos- vivos se
espalharão em busca de mais presas. L ares do interior e bairros suburbanos
ficam aos trapos enquanto seus habitantes fogem, tentam ficar e lutar ou
aguardam sem esperança pela chegada das multidões cambaleantes que os
engolirão. A carnificina não é limitada às pessoas: o ar fica mais denso com o
som dos gritos dos animais selvagens encurralados em suas cercas, ou mesmo
animais domésticos lutando bravamente para proteger seus donos.
C om o tempo, apagam-se os incêndios, cessam as explosões,
desaparecem os gritos. Os recursos das áreas fortificadas tornam-se escassos,
obrigando seus ocupantes a enfrentarem os inimigos mortos-vivos em
missões de pilhagem, evacuações ou batalhas geradas por pura insanidade
desesperada. O número de mortes continuará a aumentar enquanto as
pessoas bem protegidas e com recursos suficientes, porém sem nenhuma
força de vontade, continuarem a tirar suas próprias vidas por puro
desespero.
Os saqueadores mencionados não têm mais sorte do que os demais. E stes
bárbaros do mundo moderno assim se tornaram devido ao desrespeito às leis,
ao ódio pela organização, à preferência por destruir em vez de construir.
Sua existência niilista e parasita tira a riqueza dos outros em lugar de
produzir a própria riqueza. E sta mentalidade impede que se fixem em um
lugar e construam uma nova vida. E les estão sempre com pressa, atacando
os zumbis onde quer que parem. M esmo quando obtêm êxito ao rechaçar tal
ameaça externa, sua necessidade de anarquia por fim os levará a lutarem
entre si. M uitas destas sociedades se manterão unidas devido à
personalidade forte de seus líderes. Uma vez que o líder os abandone, não
haverá nada que mantenha o grupo unido. Uma gangue dispersa de
assassinos, vagando sem rumo por ambientes hostis, não pode sobreviver
para sempre. Após vários anos, pouco restará destes predadores humanos
inescrupulosos.
É difícil prever o que acontecerá com o que restar do governo.
Dependerá, em grande parte, do país do qual estamos falando, que tipo de
recursos possuía antes da crise e qual era o tipo de governo adotado. Uma
sociedade que vive sob ideais como a democracia ou o fundamentalismo
cristão tem maior chance de sobreviver. E stes sobreviventes não precisarão
depender do magnetismo (ou da intimidação) pessoal de um único
indivíduo. Um ditador de um país subdesenvolvido pode manter seus
subordinados unidos enquanto viver. C omo acontece nas gangues de
bárbaros, a sua morte ou uma simples demonstração de fraqueza pode
significar o fim de um "governo" inteiro.
M as não importa o que aconteça com os seres humanos sobreviventes, os
mortos-vivos sempre existirão. C om os olhos vidrados e suas bocas
desajeitadas, suas formas pútridas cobrirão a Terra, caçando todos os tipos
de seres vivos que estejam a seu alcance. Algumas espécies de animais, sem
dúvida nenhuma, serão extintas. Outras, capazes de escapar deste destino,
encontrarão formas de adaptação ou, ainda, obterão sucesso em um
ecossistema radicalmente alterado.
E ste mundo pós-apocalíptico terá uma paisagem devastadora: cidades
completamente queimadas, estradas silenciosas, casas degradadas, navios
abandonados enferrujando próximos à costa, ossos esbranquiçados e
corroídos espalhados por um mundo então regido por máquinas de carne
morta-viva. Felizmente, você não terá que ver estas cenas, porque antes que
isto aconteça você já não estará presente!O RECOMEÇON o capítulo "A defesa", aprendemos a preparar uma área para o que
poderia ser um longo esforço até o resgate. N o capítulo "A fuga",
aprendemos a percorrer grandes distâncias até atingir a segurança. Agora é
o momento de imaginar e se preparar para um cenário pior. N este cenário,
você, seus amigos e parentes mais próximos devem arrumar uma maneira
de fugir da civilização, encontrar um canto remoto do planeta que esteja
desabitado e reconstruir a vida a partir do zero. I magine um grupo de
sobreviventes de um naufrágio em uma ilha, ou uma colônia de seres
humanos em um planeta novo. É assim que você deve pensar para
sobreviver. N inguém virá buscá-lo, não há planos de resgate. N ão há tropas
aliadas a quem recorrer, não há linhas de batalha atrás das quais se esconder.
Sua antiga vida se foi, para sempre. Sua nova vida, em termos de qualidade
e duração, estará inteiramente em suas mãos. P or mais horrível que esta
perspectiva possa parecer, lembre-se de que as pessoas têm se adaptado e se
reconstruído desde o início da história. M esmo hoje, quando a sociedade
parece nos ter amolecido de tal maneira que inviabiliza qualquer
possibilidade de redenção, a vontade de sobreviver está incrustada em
nossos genes. Ironicamente, na pior das hipóteses, seu maior desafio não será
lidar com os mortos-vivos, mas com o seu dia-a-dia. N a verdade, caso sua
estratégia de sobrevivência funcione perfeitamente, é possível que você
jamais veja um zumbi. Seu objetivo é criar um microcosmo pequeno e seguro
do mundo, equipado com tudo de que você precisa não apenas para
sobreviver, mas para ter um mínimo de civilidade.
E qual é o melhor momento para começar? I mediatamente. P ode ser que
nunca aconteça uma guerra aberta. P ode estar a anos de distância. M as e se
estiver próxima? E se uma insurreição de T ipo 1 já começou, sem encontrar
resistência? E se uma insurreição de T ipo 2 ou até 3 tiver começado em um
país totalitarista onde a imprensa é extremamente censurada? Se isto
acontecer, uma guerra aberta pode estar a meses de distância. De qualquer
forma, não é este o caso. M as seria este um motivo para não estar
preparado? Ao contrário de se abastecer para um possível estado de sítio, a
preparação para recriar um cantinho do mundo requer uma quantidade
enorme de tempo. Quanto mais tempo você tiver, melhor. I sto significa que
você deve deixar de viver sua vida para se preparar para o fim do mundo?
É claro que não. E ste texto foi escrito para estar em conformidade com o
estilo de vida convencional do cidadão comum. O tempo mínimo de
preparação, no entanto, não pode levar menos que 1.500 horas. M esmo que
estas horas sejam gastas ao longo de vários anos, ainda assim é uma
quantidade de tempo formidável. Se você acredita que pode deixar tudo
para a última hora, tudo bem, não mova um dedo sequer agora. M as pense
duas vezes antes de começar a construir sua arca depois que a chuva já
estiver caindo.REGRAS GERAIS:
1. MONTE UM GRUPO: C omo já detalhamos em capítulos anteriores, a
reação coletiva é sempre preferível a uma tentativa individual. Um grupo
aumentará seus recursos financeiros, permitindo a compra de uma
quantidade maior de terras e equipamentos. C omo no caso do estado de
sítio, uma variedade maior de habilidades também estará disponível. Ao
contrário do estado de sítio, em que você tem sorte com quaisquer talentos
que encontrar, a preparação para o pior dos casos permite que se tenha
tempo para treinar membros do seu grupo em quaisquer habilidades
necessárias. P or exemplo, quantos ferreiros você conhece? Quantos médicos
que podem criar remédios a partir de elementos da natureza? Quantos
cidadãos urbanos reais que entendem alguma coisa de agricultura? A
especialização também permite uma preparação mais rápida (uma equipe
procura por terras em potencial enquanto outra fica responsável por
adquirir equipamentos etc.). Durante a crise, um ou muitos membros do
grupo podem ser enviados à área segura designada, a fim de prepará-la,
caso a situação piore. É claro que existem perigos em potencial. Ao contrário
dos cercos relativamente pequenos em áreas protegidas, este tipo de
sobrevivência a longo prazo pode levar a problemas sociais desconhecidos
da sociedade moderna. As pessoas que acreditam que o resgate virá têm
uma propensão maior a se manterem leais do que aqueles que sabem que o
futuro é feito por eles próprios. Descontentamento, motins e até
derramamento de sangue são possibilidades sempre presentes. C omo diz o
mantra deste manual, esteja preparado! Faça cursos de liderança e dinâmica
de grupo. Os livros e cursos de introdução à psicologia humana são sempre
bem-vindos. E ste tipo de conhecimento será fundamental para escolher os
membros de seu grupo e governá-los depois. Reiterando afirmações
anteriores, fazer com que um grupo de indivíduos coopere durante um
longo período de tempo é a tarefa mais árdua do planeta. E m caso de
sucesso, no entanto, este grupo será capaz de qualquer coisa.2. E S TUD E , E S TUD E , E S TUDÉ E !:incorreto dizer que se está
começando do zero. N ossos ancestrais encontravam-se nesta situação
porque para eles o conhecimento demorava muito a ser descoberto,
acumulado e compartilhado. Suas maiores vantagens sobre os primatas
dotados de consciência serão os milhares de anos de experiência ao alcance
de seus dedos. M esmo que você se visse em algum ambiente desolado e
hostil sem nenhum tipo de ferramenta, o conhecimento armazenado em
seu cérebro ainda o colocaria anos-luz à frente do mais bem equipado
neandertal. C omo complemento aos manuais de sobrevivência em geral, é
recomendável acrescentar também estudos sobre outros casos extremos.
M uitos livros que tratam da sobrevivência em locais desabitados durante
uma guerra nuclear já foram publicados. C ertifique-se de que eles sejam os
mais atualizados possível. As histórias reais de sobrevivência também serão
de grande ajuda. Relatos de naufrágios, acidentes de avião, até os primeiros
colonizadores europeus serão uma riquíssima fonte de informações a
respeito do que fazer ou não. Aprenda sobre nossos ancestrais, sobre como se
adaptaram aos seus ambientes. Os relatos ficcionais, contanto que sejam
baseados em fatos, também podem ser de grande ajuda, como por exemplo,
Robinson C rusoé. A absorção destas histórias, sejam elas verdadeiras ou
ficcionais, irá ajudá-lo a perceber que você não é o primeiro a fazer tal
esforço. Saber que "isto já foi feito antes" será uma boa influência ao
embarcar em sua nova vida.3. D E S P R E N D A-S E D O S S UP ÉR FL U TO od So :s nós sonhamos com
uma dieta mais simples e mais nutritiva. "E stou cortando o café", "preciso
diminuir o açúcar" ou "estou tentando comer mais vegetais folhosos" são
frases que dizemos ou ouvimos com freqüência em nossa rotina diária. V iver
durante uma insurreição de Tipo 4 o deixaria sem muitas opções. Mesmo sob
condições ideais, seria impossível cultivar ou produzir qualquer tipo de
comida e alimentos refinados que você aprecia hoje. P artir de tanta coisa
para zero da noite para o dia já seria um choque significativo. E m lugar
disso, comece já a reduzir os alimentos e supérfluos que você não terá em
seu novo lar. Obviamente, você precisará saber que tipo de novo ambiente é
este e o que será possível produzir lá. M esmo sem enumerar muitos itens
agora, o bom senso indicará exatamente do que você precisa e não precisa
para viver. P or exemplo, por mais que você os adore, o tabaco e o álcool não
fazem parte da fisiologia humana. A necessidade de vitaminas, sais minerais
e açúcar pode ser satisfeita com alimentos naturais. Até determinados tipos
de medicamentos, como por exemplo os analgésicos leves, podem ser
complementados por habilidades como a acupuntura, diversas técnicas de
massagem ou simplesmente a meditação. T odas estas sugestões podem
parecer por demais orientais ou "granola demais" para nossa sociedade
ocidental pragmática. L embre-se, entretanto, que muitas destas dietas e
técnicas de cura não se originaram do estresse do norte da C alifórnia, mas
em sociedades de países subdesenvolvidos onde os recursos eram e são
escassos. Tenha sempre em mente como os americanos são mimados em
comparação com o resto do mundo. P esquisar sobre os chamados "menos
afortunados" pode ajudá-lo a entender como lidar com os problemas de
forma mais simples e mais agradável.4. M AN TE N H A A VIG IL ÂN CA IAi:mplementação de planos para
uma insurreição de T ipo 4 deve começar nas primeiras fases de uma
insurreição de T ipo 1. Ao primeiro sinal de insurreição (homicídios
estranhos, pessoas desaparecidas, doenças insólitas, imprensa contraditória,
envolvimento do governo), entre em contato com todos os membros do seu
grupo. C omece a discutir seus planos de evacuação. C ertifique-se de que
nenhuma lei relacionada a viagens, autorizações, licenças de equipamentos
etc. tenha sido alterada. Se a insurreição avançar para o T ipo 2, prepare-se
para agir. Organize e embale todo o equipamento. Antes, envie uma equipe
de reconhecimento para preparar a área. P onha em prática o estágio inicial
do seu álibi. (N o caso do funeral de um ente querido, divulgue que ele está
doente.) E steja pronto para sair a qualquer momento. Assim que a
insurreição atingir o Tipo 3, fuja!5. PAR A O S C O N FIN S D A TE R R VA oc:ê pode se sentir tentado a
permanecer em sua casa ou na sua recém-construída fortaleza contra
zumbis, em vez de rumar para locais desabitados. I sto não é aconselhável.
M esmo que você more em um condomínio cercado, bem protegido e bem
equipado, capaz de produzir comida e água por décadas, a probabilidade de
sobrevivência seria mínima. As áreas urbanas se tornarão, no futuro
próximo, centros de violentos combates entre os vivos e os mortos. M esmo
que sua fortaleza resista a essas batalhas de rua, fatalmente será vítima de
medidas militares extremas, como bombas nucleares. C omo foi discutido em
"A defesa", os centros urbanos são os locais mais propensos a acidentes
industriais, grandes queimadas e assim por diante. E m poucas palavras:
fique na cidade e você não terá nenhuma chance de sobreviver. As áreas
suburbanas ou áreas urbanizadas do campo terão destino semelhante. O
aumento do número de mortos-vivos fará com que eles, invariavelmente
encontrem a sua habitação. Um cerco que começa com dezenas de zumbis
passa a ter centenas, milhares e depois centenas de milhares em um curto
período de tempo. Uma vez que eles encontram você, nunca irão deixá-lo.
N o mínimo, seus gemidos, o guincho coletivo de muitos milhares de zumbis,
alertarão outros a centenas de quilômetros de distância. E claro que pode ser
que isto não aconteça. Se sua fortaleza estiver no Meio-Oeste americano, nas
grandes planícies ou mesmo nas M ontanhas Rochosas, são poucas (mas não
impossíveis!) as chances de um cerco feito por milhares de zumbis. N estes
locais, no entanto, existe uma possibilidade maior de bandidos. N ão é
possível saber com exatidão como serão estes salteadores do futuro — se vão
viajar em motocicletas ou a cavalo, carregando espadas ou armas de fogo. A
única coisa da qual temos certeza é que eles sempre estarão em busca de
ganhos ilícitos. C om o tempo, talvez passem a seqüestrar mulheres. M ais
tarde, crianças para trabalho escravo ou novos guerreiros. E como se a
ameaça dos zumbis já não fosse bastante ruim, um dia esses desordeiros
poderão ver seus companheiros humanos como sua última fonte de comida.
Se eles encontrarem seu grupo, irão atacá-los. M esmo que um ataque seja
repelido, só a presença de um sobrevivente será suficiente para colocar sua
fortaleza no mapa para sempre. Até que estas gangues acabem se
autodestruindo, você será sempre o alvo. Então, quando você fugir, terá que
ser para longe de toda a civilização. N ão apenas longe o bastante para que a
única coisa em seu campo de visão seja uma estrada. N ão devem haver
estradas, energia ou linhas telefônicas — nada! Deve ser um lugar no fim do
mundo, um lugar inabitado. Deve ser longe o suficiente para dificultar a
migração de zumbis, tornar impraticável uma invasão de bandidos e reduzir
ao mínimo o risco de acidentes industriais ou ataques militares. E xceto pela
possibilidade de voar para outro planeta ou colonizar o fundo do oceano,
este lugar deve se localizar à maior distância possível de vestígios da
civilização.6. C O N H E ÇA S UA P O S IÇÃQ Ou : ando é hora de fugir, não apenas
prepare seu jipe, viaje para o norte e procure por algum recanto sossegado
em Yukon. Ao planejar como fugir de mortos-vivos, especialmente em uma
parte desabitada do mundo, você precisa saber exatamente para onde está
indo. P asse um tempo estudando os mapas mais atualizados que encontrar.
Os mapas mais antigos podem não conter todos os postos, estradas,
passagens de água ou outras estruturas. Ao escolher sua posição, certifiquese de que as perguntas a seguir sejam respondidas:
A. O local é remoto — localiza-se a pelo menos algumas centenas de
quilômetros da civilização?
B . E xiste no lugar uma fonte de água potável não apenas para você, mas
para quaisquer animais que decidir levar? L embre-se, você precisará de
água para inúmeros propósitos, inclusive beber, lavar, cozinhar ou cultivar
alimentos.
C . O lugar pode produzir comida? Seu solo é bom o suficiente para o
cultivo? E para a criação de gado ou a pesca? O cultivo será capaz de
produzir sustento contínuo suficiente sem que o solo se esgote?
D. O lugar tem algum tipo de defesa natural? E le se localiza no alto de
uma montanha ou é cercado de falésias e rios? Durante um ataque de
mortos-vivos ou de bandidos humanos, o terreno favorecerá a você ou a seu
inimigo?
E . Quais são os recursos naturais do local? É possível encontrar material
de construção como madeira, pedra ou metal? E combustíveis, como carvão,
óleo, turfa ou, mais uma vez, madeira? Quanto material de construção seria
necessário levar para que fosse possível a construção de um cercado?
Quanto da flora local tem propriedades medicinais?
T odas estas perguntas devem ser respondidas antes mesmo de
considerar um refúgio permanente. M ateriais de construção e defesas
naturais são negociáveis. C omida, água e distância extrema não são\ Sem
um destes três elementos essenciais, você estará comprometendo
seriamente sua sobrevivência a longo prazo. Ao escolher seu novo lar, faça
uma lista de pelo menos cinco possíveis locais. V isite todos, se possível na
época do ano de clima mais rigoroso. Acampe por pelo menos uma semana
com equipamentos primitivos e nenhum contato externo. Somente depois
você deverá decidir que local será melhor para as suas necessidades.
7. TO R N E -S E UM P E R ITP O e:squise a fundo sobre seu novo lar em
potencial. L eia todos os livros, todos os artigos, todas as frases escritas a
respeito. E xamine cada mapa ou fotografia. C ada tipo de terreno que você
escolher terá seus próprios manuais de sobrevivência. C ompre e estude
todos eles. Além disso, pesquise sobre a população antiga, indígena, que
vivia em locais semelhantes. N ovamente visite os locais várias vezes, em
diferentes estações do ano. P asse no mínimo algumas semanas no local,
explorando e acampando em cada área. Familiarize-se com cada árvore ou
pedra; cada duna de areia ou camada de gelo. C alcule a forma mais
eficiente de produção de alimentos (gado, pesca, caça, coleta) e quantas
pessoas o local pode manter com este método. A resposta será essencial para
que se decida o tamanho do seu grupo. Se for legalmente possível, compre o
local. I sto permitirá (se os recursos forem suficientes) que você comece a
construção das habitações propriamente ditas. N ão precisa ser sua
residência permanente, mas é importante que ao menos sirva de abrigo
durante a construção de sua futura área cercada. Se for pequena e
funcional, pode servir de depósito de suprimentos. Se for grande e
confortável, pode funcionar como uma segunda casa ou um refúgio de
férias. M uitas pessoas construíram casas de férias durante a Guerra Fria que
também serviriam como possíveis locais para fugir do holocausto nuclear.
Familiarize-se com a população local mais próxima. C aso falem uma língua
diferente, aprenda-a, bem como os costumes locais e sua história pessoal. Os
conhecimentos e a perícia que eles podem proporcionar deverão
complementar sua educação sobre o ambiente. N unca diga aos habitantes
locais porque você está ali (voltaremos a este assunto mais adiante).8. PLANEJE SUA ROTA: Siga as regras relativas a esta seção no capítulo
"A fuga". E m seguida, multiplique-as por cem. V ocê não apenas enfrentará
os perigos de estradas fechadas e barreiras naturais, mas atravessará uma
paisagem cheia de zumbis, bandidos e todos os elementos caóticos de uma
sociedade prestes a implodir. E tudo isso antes que seja declarado estado de
emergência! Uma vez que aconteça, todos os seus problemas anteriores nada
serão se comparados à ameaça de seu próprio exército. Ao contrário de
simplesmente fugir de uma área infestada de zumbis, você não terá o luxo
de escolher um entre vários possíveis destinos. H averá apenas um, e você
deverá alcançá-lo para sobreviver. C omo já dissemos muitas vezes: O
planejamento feito com antecedência nunca deve ser subestimado! E le
deve inclusive ser um fator importante na escolha da sua posição. P or
exemplo, um oásis remoto no meio do deserto do Saara parece uma
excelente idéia, mas como chegar até lá se os aviões pararem de voar? Até
uma ilha a quilômetros de distância da costa pode parecer tão longe quanto
o Saara se você não tem um barco. T odas as lições do capítulo "A fuga" são
válidas para este cenário. O que o capítulo não menciona é a perspectiva
internacional. E se, digamos, você comprar um pedaço de terra nos confins
da Sibéria e as linhas aéreas ainda estiverem ativas — mas que a Rússia
tenha fechado suas fronteiras? Isto não significa que você não deve escolher
um lugar na Sibéria, mas certifique-se de garantir seus meios (legais ou não)
de entrar no país.9. P L AN O S B-C -D -EE !: se o seu principal meio de locomoção não
funcionar? E se a estrada ou o rio estiverem bloqueados? E se você descobrir
que o seu refúgio seguro tiver sido tomado por zumbis, bandidos, militares
ou outros refugiados? E se outras tantas coisas derem errado? Tenha planos
reserva. M apeie perigos em potencial em seu caminho e desenvolva
maneiras individuais e exclusivas de contê-los. Alterne veículos, rotas, e até
tenha uma área segura de reserva, que mesmo que não seja tão ideal ou
preparada quanto a primeira, irá ao menos mantê-lo vivo por tempo
suficiente para pensar em uma nova estratégia.10. L IS TE S E U E Q UIPAM E N TO E VÁ ÀS C O MPQ Ru A aS lq:uer
manual competente de desastre ou sobrevivência deve enumerar tudo o
que você precisará para começar uma nova vida. M antenha sempre três
listas detalhadas e atualizadas: 1. O que você realmente precisa para
sobreviver; 2. E quipamentos que ajudam a construir e expandir sua moradia
e adjacências; e 3. Se não tiver todos os confortos de uma casa, que ao menos
se aproxime disso. Se as finanças permitirem, compre todos os itens
imediatamente. C aso contrário, saiba onde encontrá-los. C onfira preços e
locais sempre que possível. M antenha o controle dos fornecedores que se
mudaram, e localize substitutos para os que fecharam seus negócios. Tenha
sempre ao menos duas opções de reserva para o caso de seu fornecedor
principal estar sem
estoque. C ertifique-se de que os fornecedores estejam a uma distância
máxima de algumas horas de carro. N ão dependa de catálogos ou compras
pela internet. O chamado frete "expresso" não é confiável o suficiente sob
circunstâncias normais. C omo seria no caso de uma emergência? M antenha
todas estas informações em sua lista. Ajuste-as como for melhor. Tenha
sempre uma reserva monetária para os itens indispensáveis (a quantidade
total dependerá do preço dos equipamentos escolhidos). M esmo antes que a
situação fique fora de controle, não haverá cheques ou cartões de crédito
que se comparem ao conforto do dinheiro em espécie.11. C O N S TR UA D E FE S AN S :ada é mais importante do que as
estruturas para a sua proteção. Uma vez que você tenha estabelecido seu
grupo em um canto silencioso de um local desabitado, comece a fortificá-lo
imediatamente. N unca se sabe quando um zumbi desgarrado aparecerá
cambaleando pelo seu acampamento, atraindo outros com seus gemidos.
Formule planos detalhados para sua defesa. O esboço deve ser observado e o
material de construção comprado ou escolhido a partir do tipo de terreno.
Tudo, inclusive o material de construção, ferramentas e suprimentos, já
deve estar no local quando você chegar, para que não haja nada a fazer
exceto construir. L embre-se: suas defesas devem protegê-lo não apenas de
zumbis, mas também de bandidos. L embre-se ainda de que aqueles vilões,
pelo menos no início, terão armas de fogo e talvez explosivos. C aso consigam
invadir suas defesas, sempre tenha um plano de retirada preparado. E sta
defesa secundária pode ser uma casa fortificada, uma caverna ou mesmo
outro muro. M antenha-o sempre pronto para a ação. Uma retirada bem
planejada pode ser o momento de virada em uma batalha considerada
perdida.12. PLANEJE UMA ROTA DE FUGA: E se suas defesas forem invadidas
durante um ataque? C ertifique-se de que todos conheçam a rota de fuga e
possam chegar sozinhos até lá. Garanta que os suprimentos de emergência e
as armas estejam embalados e prontos o tempo todo. Designe um ponto de
reagrupamento para o seu grupo em fuga, um lugar de reunião, caso vocês
se separem durante um ataque. Abandonar sua nova "casa" não será
psicológica ou emocionalmente simples, em especial depois de gastar tanto
tempo e energia em sua construção. Pessoas de vários lugares do mundo que
vivem em situações precárias poderão lhe dizer como isto pode ser difícil.
P or mais apegado que você fique a este local chamado casa, sempre será
melhor deixá-lo e fugir do que morrer tentando defendê-lo. Um local
alternativo também deve ser bem escolhido antes de mudar-se para seu
novo lar. Deve ficar longe o suficiente para que zumbis ou invasores não
consigam rastreá-lo de um lugar a outro. Também deve ficar perto o
bastante para que seja possível viajar entre eles mesmo sob as piores
condições (nunca se sabe quando será preciso abandonar a primeira base).
L embramos que ele precisa ser escolhido antes da insurreição. B uscar por
uma nova área após uma insurreição não será fácil (ver a seção a seguir).13. E S TE JA E M G UAR D A U:ma vez estabelecido em um local,
construídas as defesas, erguidas as habitações, plantados os alimentos,
divididas as tarefas, não se deve nunca, de maneira alguma, relaxar. Devese usar senti- nela o tempo todo. M antenha-os vigilantes, camuflados e
equipados com meios confiáveis de alertar o resto do grupo. C ertifique-se de
que os meios de alerta não chamem a atenção também dos atacantes.
Designe um perímetro seguro fora de suas defesas estabelecidas. M antenha
este perímetro patrulhado dia e noite. As pessoas nunca devem se
aventurar sozinhas ou desarmadas para fora do complexo. Aqueles que
ficarem no acampamento devem sempre estar a segundos de distância do
depósito de armas, prontos para a batalha em caso de ataque.
14. P E R M AN E ÇA E S C O N D ID EO m:bora a topografia de sua posição
deva diminuir a probabilidade de que você seja descoberto, nunca se sabe
quando um zumbi ou invasor irá se aventurar para perto de seu
acampamento. C ertifique-se de que nenhuma luz possa ser vista durante a
noite. C uide para que a fumaça de suas fogueiras desapareça antes do pôrdo-sol. Se os elementos naturais da área não camuflarem seu complexo,
faça-o artificialmente. P ratique "a disciplina do silêncio" todas as horas do
dia e da noite. Grite somente quando for estritamente necessário. I sole suas
instalações comunais para que a música, as conversas e outros sons não
escapem. Durante a nova construção e sua manutenção diária, posicione
outros patrulheiros nos limites externos da faixa de ruído. L embre-se de que
o mais ínfimo som pode ser carregado pelo vento e delatar sua posição.
Verifique sempre a direção do vento, tanto na direção de possíveis
habitantes (de onde você veio) quanto por uma área conhecida (uma
grande massa de água, desertos extensos etc.). Se sua fonte de energia for
barulhenta (por exemplo, um gerador de combustível fóssil), certifique- se
de que ela esteja isolada e que seja usada de forma econômica. N o início,
será difícil manter um estado constante de vigilância. C om o tempo, passará
a ser natural. A vida tem sido vivida desta forma por séculos, da E uropa
medieval às estepes da Ásia central. Grande parte da história da
humanidade tem sido a história de pequenas ilhas de ordem em um oceano
de caos, pessoas que lutam para sobreviver sob a ameaça constante da
invasão. Se eles puderam sobreviver desta forma por inúmeras gerações,
então, com um pouco de prática, você também conseguirá.15. P E R M AN E ÇA IS O L ADN Oã :o ceda à curiosidade sob nenhuma
circunstância. M esmo um patrulheiro experiente, altamente treinado na
arte da espreita, pode acidentalmente guiar exércitos de mortos-vivos até o
complexo. Se seu patrulheiro for capturado e torturado por salteadores, os
bandidos podem tomar conhecimento de sua localização. P or trás das mais
dramáticas ameaças de zumbis ou bandidos, há sempre um risco de que seu
patrulheiro contraia alguma doença convencional e infecte o resto dapopulação (com poucos remédios a sua disposição, qualquer tipo de
epidemia pode ser arra- sadora). Ficar parado não significa se manter
ignorante a respeito do mundo exterior. Rádios operados por dínamos ou
energia solar são maneiras perfeitamente seguras de coletar informações.
M as apenas ouça! A transmissão poderá revelar sua posição para qualquer
um que possua o mais simples equipamento de localização. P or mais que
você confie no seu grupo, não seria uma má idéia manter todos os
transmissores, foguetes luminosos e outros dispositivos sinalizadores
trancados a chave. Um momento de fraqueza pode dar fim a toda uma
existência. Seu treinamento de liderança será sua maior ajuda sobre como
lidar com uma questão de tamanha delicadeza.


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