TIPOS DE TERRENO
Examine um mapa do mundo e procure pela melhor terra com o clima
mais ameno. P reencha-a com uma densa população e você terá o
casamento perfeito. Os primeiros humanos sabiam o que procurar quando
começaram a construir suas comunidades: clima moderado, solo fértil, água
potável c recursos naturais abundantes. E stes primeiros locais se
transformaram nos primeiros centros de humanidade, expandindo-se para
os centros populacionais modernos que conhecemos hoje. É esta forma de
pensar, este processo perfeito de pensamento lógico, que você deve
abandonar completamente ao escolher um novo lar. De volta ao mapa.
Digamos que você encontre um novo local que pareça imediatamente
atraente. É provável que milhões de pessoas pensem o mesmo que você
quando chegar a hora de fugir. C ombata este pensamento com o lema
"quanto mais severo, mais seguro", e para ter a maior segurança possível
você precisa encontrar os locais mais severos, mais extremos da Terra. V ocê
terá que encontrar uma área que seja tão pouco atraente, tão inóspita, que a
última coisa que você poderia querer seria chamá-la de casa. A lista de
ambientes que se segue tem por objetivo ajudá-lo a fazer uma escolha
consciente. Textos suplementares lhe darão informações mais detalhadas a
respeito de seus exatos padrões climáticos, alimentos disponíveis, água,
recursos naturais e assim por diante. E sta seção demonstra como estes
terrenos se relacionam com todos os fatores associados ao mundo dos
mortos-vivos.
1. DESERTOS
P erdendo apenas para as regiões polares, este é um dos ambientes mais
severos e, portanto, mais seguros do mundo. Ao contrário do que se vê nos
filmes, os desertos raramente são oceanos de areia. P edras podem ser
quebradas facilmente e modeladas para a construção de casas confortáveis
e, mais importante, muros de defesa. Quanto mais remoto for o seu
acampamento, maiores serão as chances de proteção contra os salteadores.
E stes escamoteadores renegados não estarão interessados em atravessar
desertos profundos se acharem que ali não existem grandes bases. Qual seria
o propósito? M esmo se alguns tentassem, o calor intenso e a falta de água os
matariam antes mesmo que alcançassem seu acampamento. Os zumbis, por
outro lado, não sofreriam com este problema. O calor e a sede não fazem
parte de suas preocupações. O ar seco poderia retardar sua decomposição já
lenta. Se o deserto escolhido se localizar entre áreas habitadas, como as do
sudoeste dos E stados Unidos, haverá uma grande probabilidade de alguns
encontrarem o seu complexo. A não ser que você construa seu forte no alto
de uma montanha ou em uma ampla formação rochosa, o terreno plano
aumentará a necessidade de defesas artificiais.
2. MONTANHAS
Dependendo da localização e da altitude, este ambiente proporciona
excelentes condições de defesa contra os mortos- vivos. Quanto mais
ín
greme for a subida, mais difícil será a escalada. Se a montanha em questão
não tiver estradas ou trilhas, os bandidos humanos também serão
dissuadidos. Ainda que a elevação permita uma melhor visão das terras ao
redor, ela também torna mais difícil a camuflagem. As medidas de proteção
visual devem ser sua principal prioridade, especialmente ao se tratar de
luzes e fumaça. Outra desvantagem da estratégia de terrenos altos é sua
distância dos recursos utilizáveis. As viagens para conseguir comida, água e
material de construção poderão comprometer sua segurança.
C onseqüentemente, a montanha que você escolher pode não ser a mais alta
nem tão fácil de defender, mas deve conter tudo o que você precisa para
sobreviver.
3. SELVAS
O oposto dos desertos, as selvas ou florestas tropicais fornecerão toda a
água, alimento e material de construção necessários, bem como uma grande
quantidade de plantas medicinais, combustíveis inflamáveis e camuflagem
instantânea. A densa folhagem age como isolamento acústico, isolando
ruídos que poderiam viajar por quilômetros. Ao contrário do que vimos no
capítulo "O ataque", onde o terreno pode atrapalhar uma equipe de
caçadores, a ausência de visibilidade e a terra enlameada são perfeitas para
uma atitude defensiva. Grupos de bandidos podem ser facilmente postos
em uma emboscada e destruídos. Zumbis desgarrados podem ser
despachados sem que os outros sejam alertados. E xistem, é claro,
desvantagens associadas a este ecossistema equatorial. A umidade traz vida,
o que significa milhões de espécies de organismos biológicos. As doenças
serão uma ameaça constante. Qualquer corte ou arranhão pode
rapidamente gangrenar. Os alimentos irão se decompor com mais rapidez do
que em ambientes mais secos. E quipamentos de metal devem ser
armazenados com extremo cuidado, para evitar a ferrugem. Qualquer roupa
que não seja emborrachada ou tenha recebido algum tipo de tratamento
antimofo irá literalmente apodrecer. Vai haver bolor por todos os lugares. A
população local de insetos será seu inimigo mais constante. Alguns não
passarão de um mero aborrecimento; outros podem ter ferrões dolorosos e
até fatalmente venenosos. Alguns poderão causar doenças horríveis como a
febre amarela, a malária ou a dengue. Um aspecto natural positivo da
sobrevivência na selva é que o excesso de umidade, somado à
multiplicidade de vidas orgânicas microscópicas, pode acelerar o processo
de decomposição dos mortos-vivos. Testes de campo mostram uma taxa de
deterioração 10% mais alta em zumbis que andam pelas selvas. E m alguns
casos, esta percentagem pode subir até 25%! O que estes fatores têm em
comum é um ambiente com muitas privações naturais, mas com
oportunidades de sobrevivência muito maiores em casos piores.
4. FLORESTAS TEMPERADAS
E sta zona comum em todo o mundo é, sem sombra de dúvida, a mais
confortável para a sobrevivência a longo prazo. N o entanto, um terreno tão
atraente pode trazer muitos problemas. As áreas selvagens do norte do
C anadá certamente estarão lotadas de refugiados. P or serem pegos
despreparados, estes grupos apavorados fugirão para o norte. P elo menos
durante o primeiro ano, ficarão vagando pelas terras inabitadas, esgotando
os alimentos, usando a violência para obter equipamentos, talvez até
recorrendo ao canibalismo nos meses mais frios do inverno. E ntre eles
certamente haverá salteadores, ou estes surgirão com o passar do tempo.
Além disso, há sempre a ameaça dos zumbis. As florestas temperadas são
ainda relativamente próximas à civilização, bem como marcadas com várias
bases de seres humanos. Os encontros com necrófilos seriam dez vezes mais
prováveis do que em circunstâncias normais. C om o influxo de refugiados, é
praticamente certo que os mortos-vivos os sigam até o norte. L embre-se
também da questão dos zumbis que congelam no inverno e que
descongelarão no verão seguinte. Somente escolha uma área se esta for
isolada por fronteiras naturais: montanhas, rios etc. Qualquer outro tipo de
local — mesmo que seja suficientemente longe da civilização — é arriscado
demais. N ão pense que a vasta extensão da Sibéria será de forma alguma
mais segura do que o norte do C anadá. N ão se esqueça, logo abaixo desta
terra praticamente inabitada estão a C hina e a índia, as duas nações mais
populosas do planeta.
5. TUNDRAS
Os refugiados sequer considerarão estas terras aparentemente
infecundas, incapazes de sustentar a vida. Aqueles que tentarem perecerão
com a falta de grandes lojas de suprimentos, equipamentos elaborados ou
um amplo conhecimento do ambiente. Os bandidos também encontrarão
dificuldades para sobreviver. N a melhor das hipóteses, nenhum deles irá se
aventurar tão longe ao norte. Os mortos-vivos, no entanto, podem alcançar
seu acampamento. Aqueles que migraram para o norte seguindo refugiados,
ou que foram refugiados mas que reanimaram como zumbis, podem
detectar sua presença e avisar aos outros. E les não serão muitos e seu grupo
pode dar conta de todos. Ainda assim, construa defesas fortes e mantenha
constante vigilância. C omo nas florestas temperadas, esteja preparado para
a aproximação de zumbis com o passar das estações.
6. REGIÕES POLARES
E ste ambiente é, sem dúvida alguma, o mais severo do planeta. As
temperaturas extremamente baixas, agravadas pelo vento, podem matar
um ser humano exposto em segundos. Os materiais de construção
consistirão basicamente em gelo e neve. Os combustíveis serão escassos. Será
impossível encontrar plantas medicinais ou de outro tipo. H á alimentos de
sobra, mas é necessário habilidade e experiência para consegui-los. M esmo
no verão, há sempre o perigo da hipotermia. T odos os dias serão vividos nos
limites da existência. C ometer um erro em relação a comida, vestimenta,
abrigo ou mesmo higiene pode significar morte certa. M uitas pessoas já
ouviram falar do Allariallak, o nativo cuja vida na região congelada de
H udson B ay foi documentada no filme N anook, o esquimó. P oucos sabem
que "N anook" morreu de fome um ano depois de o documentário ser feito.
I sso não quer dizer que seja impossível viver nas regiões polares. As pessoas
têm feito isso por milhares de anos. M as é necessário ter dez vezes o
conhecimento e a determinação dessas pessoas para começar a tentar uma
vida no topo ou na base do mundo. Se você não está preparado para passar
pelo menos um inverno praticando sob estas condições, não tente fazê-lo na
hora da fuga. E ntão, por que ir? P or que se arriscar a morrer em um
ambiente tão hostil quando o objetivo é exatamente sobreviver? A verdade
é que o ambiente deverá ser a sua única preocupação. Refugiados e
bandidos nunca chegarão tão longe. A probabilidade de zumbis
perambulando aleatoriamente tão ao norte é de 1 em 35 milhões (uma
estatística calculadamente comprovada). C omo nas florestas temperadas e
nas tundras, existe o risco de um necrófilo desgarrado congelar e
descongelar em suas viagens. Se você acampar próximo à costa, fique atento
à possibilidade de que um deles seja trazido pela maré ou em um navio
fantasma infestado. As costas marítimas também o tornam vulnerável, no
início, aos piratas (retomaremos este assunto ao discutir as ilhas). M antenha
algumas formas de defesa estática e esteja sempre alerta, embora esta
necessidade seja relativamente menor do que em qualquer outro ambiente.
7. ILHAS
O que pode ser mais seguro que um pedaço de terra cercado de água por
todos os lados? Os zumbis não sabem nadar. I sso não deveria significar que
viver numa ilha é a opção óbvia para um caso extremo? De certa forma, sim.
Seu isolamento geográfico impossibilita a migração em massa de zumbis, algo
que deve ser levado em consideração quando bilhões deles estarão
espreitando cada continente no planeta. M esmo as ilhas a poucos
quilômetros de distância da costa irão salvá-lo das hordas cambaleantes e
ruidosas. P or esta razão somente, as ilhas sempre são uma boa escolha. N o
entanto, sua sobrevivência não está garantida só porque você decidiu viver
em uma pedra cercada de água. I lhas próximas à costa serão sempre a
escolha óbvia dos refugiados. Qualquer pessoa com um barco ou um bote
chegará até lá. Rufiões as utilizarão como bases de partida para ataques em
terra firme. As ilhas próximas à costa podem também ser destruídas por
acidentes industriais, como por exemplo algum poço no continente que
derrame poluição nos rios mais próximos. P ara evitar estes perigos imediatos,
escolha uma ilha que seja apenas acessível por embarcações fortes e
navegação experiente. P rocure por uma que não possua porto natural ou
muitas praias acessíveis. I sto a tornará menos atraente a outros refugiados
oriundos do mar que tentem usar a mesma estratégia que você. (L embre-se
de que comprar uma ilha irá manter as pessoas afastadas somente antes da
crise! N enhum navio de refugiados famintos e desesperados respeitará uma
placa de "mantenha distância".) P rocure por ilhas com altos picos e, se
possível, rochedos extensos e perigosos.
M esmo com estas fronteiras naturais, construa defesas e mantenha
esconderijos. Os perigos ainda estão lá fora! Os piratas, nos primeiros estágios
da crise, podem navegar de uma ilha a outra, na esperança de saquear o que
puderem dos sobreviventes. Tenha sempre um observador atento a esses
navios no horizonte. Os zumbis também podem vir de várias formas. C om
um mundo completamente infestado, muitos certamente serão vistos
vagando pelo fundo do oceano. E xiste também a possibilidade, embora
pequena, de algum morto-vivo subir a rampa submarina que leva até a sua
pequena costa. Outros, ainda com coletes salva-vidas, remanescentes de sua
existência anterior, podem ser carregados até a sua ilha pela correnteza. E
existe a possibilidade de um navio infestado de zumbis, ou, em caso
extremo, um navio que irá encalhar na costa e cuspir seu conteúdo morto.
N ão importa o que aconteça, não destrua seus meios de fuga. Arraste seu
barco até a praia e mantenha-o camuflado próximo à costa. P erdê-lo
significará transformar a sua fortaleza em uma prisão.
8. VIVENDO NO MAR
J á se sugeriu que, com um navio e a tripulação corretos, um grupo pode
sobreviver unicamente no mar. Teoricamente isto é possível, mas a
probabilidade de sucesso é ínfima. A curto prazo, muitas pessoas levarão
para o mar embarcações que vão de veleiros para duas pessoas a cargueiros
de 80 mil toneladas. E las sobreviverão com aquilo que tiverem trazido a
bordo, saqueando portos, pescando e destilando água, se possível. Piratas em
barcos rápidos e armados rondarão os mares. E stes bucaneiros modernos já
existem atualmente, roubando cargueiros e iates ao longo da costa de muitos
países subdesenvolvidos e também em certos pontos estratégicos. E m um
caso extremo, seu número atingirá a casa dos milhares, e seus alvos deixarão
de ser selecionados. A medida que os portos militares forem infestados, os
navios de guerra que não tiverem como função dar apoio a operações em
terra irão em busca de águas mais calmas. Será nestes lugares remotos que as
marinhas do mundo vão esperar que a crise passe. E esperar
indefinidamente.
Após muitos anos, o tempo e outros elementos começarão a afetar estas
populações específicas trazidas pelo mar. Os navios que dependerem de
combustíveis fósseis acabarão sem recursos, fadados a vagar pelos mares,
desesperançosos. Os que tentarem revirar portos abandonados e depósitos
de combustíveis poderão acabar como comida de zumbi. Quando se
esgotarem os medicamentos e as vitaminas, as doenças, como o escorbuto,
começarão a atacar. M ares mais revoltos destruirão muitas embarcações. Os
piratas por fim se matarão em meio a brigas internas, conflitos com vítimas
inocentes e encontros com os mortos-vivos. E sta última contingência
também levará à infecção de salteadores, aumentando o risco de mortosvivos trazidos pelo mar. Abandonados, os navios fantasmas de zumbis
flutuarão sem rumo pelas águas do mundo, seus gemidos levados pelos
ventos salgados. E stes ventos acabarão por corroer máquinas importantes,
como as que purificam água ou geram energia. E m alguns anos,
pouquíssimas embarcações terão sobrevivido às ondas. T odas as outras terão
afundado, batido, sua tripulação reanimada ou simplesmente ancorada em
alguma praia distante, determinadas a tentar sobreviver em terra.
Qualquer pessoa que pensar na idéia de viver no mar deve ter as
seguintes qualificações:
A. Um mínimo de dez anos de experiência no mar, em serviços
comerciais ou militares. O simples fato de possuir um iate há dez anos não o
qualifica.
B . Uma embarcação robusta, movida a vela com pelo menos três metros,
feita de equipamento construído com materiais inorgânicos e não-corrosivos.
C . A capacidade de destilar água potável regularmente sem depender
da chuva. Seu sistema e dispositivo não apenas precisam ser simples, de
fácil manutenção e resistente à ferrugem, mas você também precisa ter a
bordo um sistema de reserva.
D. A capacidade de conseguir comida e prepará-la sem o uso de
combustível não-renovável. Ou seja, sem o uso de um fogão de propano.
E . C onhecimento profundo sobre todos os tipos de plantas ou animais
aquáticos. T odas as vitaminas e sais minerais obtidos em terra podem ser
substituídos por um equivalente do mar.
F. E quipamento completo de emergência para todos em seu grupo, caso
seja necessário abandonar o navio.
G. C onhecimento preciso da localização de um abrigo seguro. T odos os
barcos precisam de um porto, mesmo o mais primitivo. P ode ser um grupo
de pedras no C anadá ou um atol infrutífero no meio do P acífico. N ão
importa o que seja, a não ser que você possa encontrar seu porto em meio a
uma tempestade, você está, literal e figurativamente, perdido.
Após todas estas considerações, ficará mais fácil ajustar suas condições
de sobrevivência. Utilize seu barco como uma casa móvel enquanto se
deslocar de uma ilha a outra, de uma costa a outra. E sta será uma existência
mais confortável, mais segura do que a existência em uma área aberta.
Ainda assim, mantenha suas atenções voltadas para zumbis em águas rasas,
e sempre, sempre, preste atenção na corda da âncora! Teoricamente, este
tipo de vida é possível, mas não é recomendável.
DURAÇÃO
P or quanto tempo será preciso agüentar essa existência primitiva?
Quanto tempo você terá até que os mortos-vivos se desintegrem em pó?
Quanto tempo até que a vida volte a, pelo menos, se assemelhar à
normalidade? I nfelizmente, não existe uma previsão exata. O primeiro
zumbi a se levantar, a não ser que seja congelado, embalsamado ou
preservado de alguma outra forma, terá se decomposto completamente
após cinco anos. N o entanto, quando os mortos-vivos dominarem o planeta,
dez anos já terão se passado (lembre- se, você estará fugindo quando a
guerra começar, não quando estiver terminando). Quando os zumbis
realmente dominarem o planeta, e não houver mais carne humana para
infectar, então após cinco anos eles realmente irão apodrecer. Os climas
secos e gelados preservarão muitos deles, mantendo-os funcionais
potencialmente por décadas. Os bandidos, refugiados e outros sobreviventes
como você poderão se tornar futuras presas, criando uma nova geração
menor da horda antiga e decadente. Quando estes se tornarem pó, os únicos
mortos-vivos que restarem serão aqueles preservados artificialmente ou
constantemente recongelados a cada inverno. E les terão que ser vigiados
por décadas. Seus filhos e até mesmo seus netos terão que ter cuidado com
eles. Mas quando será seguro voltar?
Ano 1: É declarado estado de emergência. V ocê foge. Suas defesas são
construídas; sua base é estabelecida. O trabalho é dividido. Uma nova vida
se inicia. Durante todo este tempo, você monitora as transmissões de rádio e
televisão, observando de perto os conflitos subseqüentes.
Anos 5-10: E m algum lugar neste período de tempo, a guerra termina. Os
mortos venceram. Os sinais acabam. V ocê supõe que o mundo todo foi
destruído. E continua sua vida, vigiando de perto suas defesas, pois
bandidos e refugiados podem começar a invadir sua área.
Ano 20: Após duas décadas de isolamento, você considera a possibilidade
de enviar uma equipe de observação. P ara isto é necessário ter
conhecimento dos riscos. Se a equipe nãovoltar na data combinada, você
conclui que se perderam, que talvez até tenham entregado sua posição.
V ocê se mantém escondido. V ocê não envia outra equipe, e se prepara para
a batalha. N enhum outro grupo será enviado por no mínimo cinco anos. Se
os observadores da primeira equipe retornarem, suas descobertas
determinarão seu próximo curso de ação.
Sua equipe descobrirá um novo mundo, onde um dos três cenários a
seguir terá prevalecido:
1. Os zumbis ainda vagam pela terra. E ntre os preservados
artificialmente e os que foram congelados a cada inverno, milhões deles
ainda existirão. E mbora não sejam freqüentes, um para cada 3 km2, eles
ainda serão os predadores dominantes do planeta. Quase toda a
humanidade terá desaparecido. Os que sobreviveram permanecerão
escondidos.
2. P oucos mortos-vivos ainda restam. A decomposição e as guerras
constantes venceram. Talvez seja possível encontrar um zumbi a cada 150
km ou mais. A humanidade começa a retornar. Grupos de sobreviventes se
deslocam juntos e lutam para reconstruir a sociedade. I sto pode assumir
várias formas, de um coletivo harmonioso de cidadãos que seguem a lei à
sociedade caótica e feudal de bárbaros e guerreiros. E sta última seria razão
suficiente para manter-se escondido. E xiste a possibilidade, mesmo
pequena, de que todos ou alguns governos exilados por fim mostrem a cara.
Armados com o que restou das forças militares e policiais, equipados com
tecnologia armazenada e conhecimentos arquivados, eles tentarão, com
sucesso, colocar a humanidade em um curso lento, porém eficiente, para
que a dominação do globo se reestabilize.
3. N ada sobreviveu. Antes de efetivamente se decomporem, os mortosvivos limparão todos os vestígios da humanidade. Os refugiados terão sido
devorados. Os bandidos terão matado uns aos outros ou sucumbido a
ataques de necrófilos. Os campos de sobreviventes terão se reduzido por
ataques, doenças, violência interna ou por simples tédio. É um mundo
silencioso, sem sinais de atividade humana ou de zumbis. Salvo as árvores
balançadas pelo vento, as ondas quebrando na costa e os sons que restaram
da vida selvagem, a Terra encontrou uma paz misteriosa, desconhecida há
milhões de anos.
N ão importa qual seja a situação do ser humano (ou do morto-vivo), o
reino animal passará por sua própria metamorfose. Qualquer criatura
incapaz de fugir será devorada por mortos-vivos. I sto levará à quase
extinção de diversas espécies de animais herbívoros — a dieta principal dos
grandes predadores. As aves de rapina também enfrentarão a fome, assim
como os pássaros carniceiros (lembre-se de que mesmo após a morte de um
zumbi, sua carne permanece contaminada). Até insetos, dependendo de
seu tamanho e velocidade, podem acabar virando alvo de zumbis errantes.
E difícil saber que formas de vida selvagem herdarão a Terra. O que
podemos dizer é que um mundo de mortos-vivos terá tanto impacto no
ecossistema global quanto a última Era Glacial, se o impacto não for maior.E DEPOIS?As histórias de ficção pós-apocalíptica geralmente mostram os
sobreviventes de uma nova era reconstruindo seu mundo num ritmo
exagerado, como a retomada de uma cidade inteira. E mbora o imaginário
seja emocionante, especialmente nos cinemas, ele não representa, de forma
alguma,
uma maneira segura ou eficiente de recolonização. E m vez de marchar
sobre a ponte George Washington para repovoar a ilha de M anhaĴan, uma
atitude mais segura, mais inteligente e mais cautelosa seria expandir o local
em que se vive, ou migrar para um lugar melhor, contanto que seja também
uma área isolada. Se, por exemplo, você construiu sua casa em uma
pequena ilha, a melhor opção seria mudar para outra ilha, maior e
previamente desabitada, limpar a área de zumbis que ainda possam restar e
reivindicar as estruturas abandonadas como sua nova casa. E m terra, o
equivalente seria migrar de, por exemplo, amplos desertos ou tundras
congeladas para a cidade abandonada mais próxima. Os manuais que tratam
de situações extremas, bem como diversos textos históricos, serão seu melhor
guia para uma reconstrução total. O que estas leituras não poderão lhe dizer,
e que deve ser feito, é que é preciso ter certeza de que sua casa, nova e mais
civilizada, é segura. L embre-se: o único governo, a única força policial e o
único exército por perto serão os seus. A segurança será sua responsabilidade
e, embora o perigo imediato possa ter passado, ele jamais deve ser
subestimado. N ão importa o que você poderá encontrar, e não importa que
desafios irá enfrentar, tenha sempre em mente que você sobreviveu a uma
catástrofe nunca vista desde a era dos dinossauros: um mundo dominado
pelos mortos-vivos.
ATAQUES REGISTRADOS
E sta não é uma lista de todos os ataques de zumbis na história. E sta seção
é apenas uma narrativa de todos os ataques cujas informações foram
registradas, sobreviveram e foram divulgadas para o autor deste livro. Os
relatos de sociedades com tradição histórica oral foram de aquisição mais
difícil. C om muita freqüência essas histórias foram perdidas quando as
sociedades fragmentaram-se como resultado de guerras, escravidão,
desastres naturais ou simplesmente a corrupção resultante da modernização
internacional. Quem sabe quantas histórias, quanta informação vital —
talvez até uma cura — foi perdida com o passar dos séculos. M esmo em
uma sociedade tão preocupada com a informação quanto a nossa, apenas
uma fração do número total de insurreições é registrada. I sto se deve, em
parte, a várias organizações políticas e religiosas que juraram manter segredo
de todo conhecimento sobre os mortos-vivos. I sto se deve também à falta de
conhecimento sobre a insurreição dos zumbis. Aqueles que suspeitam da
verdade, mas temem que sua credibilidade seja abalada, guardarão essa
informação para si. I sto nos deixa com uma lista curta, porém detalhada.
Observação: estes eventos estão listados em ordem cronológica de
acontecimento, não de descoberta.
60.000 a.C., KATANDA, ÁFRICA CENTRAL
Recentes expedições arqueológicas descobriram uma caverna na margem
superior do rio Semliki que continha 13 esqueletos. T odos tinham sido
esmagados. P róximo a eles havia uma grande pilha de cinzas fossilizadas.
Análises de laboratório determinaram que as cinzas eram os restos mortais de
13 homo sapiens. N a parede da caverna está a pintura de uma figura
humana, as mãos erguidas de forma ameaçadora, os olhos fixos com
maldade. Dentro de sua boca aberta está o corpo de outro ser humano. E ste
achado não foi aceito como um ataque genuíno de zumbis. Uma das escolas
de pensamento afirma que os esqueletos esmagados e os corpos queimados
eram a maneira de descartar os cadáveres, e que os desenhos serviriam
como aviso. Outros acadêmicos exigem algum tipo de prova física, como
algum traço de Solanum fossilizado, mas os resultados ainda estão
pendentes. Se a autenticidade deste episódio em K atanda for confirmada,
ela levanta a questão de por que existe um espaço de tempo tão grande
entre esta primeira insurreição e a seguinte.
3000 a.C., HIERACONPOLIS, EGITO
Uma escavação britânica em 1892 desenterrou uma tumba sem
descrição. N enhuma pista foi encontrada que revelasse quem seria a pessoa
que a ocupava ou a que posição na sociedade ela pertencia. O corpo foi
encontrado do lado de fora da cripta aberta, encolhido em um dos cantos e
só parcialmente decomposto. C entenas de marcas de arranhões adornavam
todas as superfícies internas da tumba, como se o cadáver tivesse tentado
encontrar uma maneira de sair. P eritos forenses revelaram que os arranhões
foram feitos ao longo de um período de vários anos! O próprio corpo
apresentava diversas marcas de mordidas no rádio direito. As marcas de
dentes correspondem ao tipo humano. Uma autópsia completa revelou que
este cérebro seco e parcialmente decomposto não apenas tinha as mesmas
características de um cérebro infectado pelo Solanum (o lobo frontal estava
completamente derretido), mas também continha elementos do vírus.
Surgiu um debate acalorado sobre a relação entre este caso e o motivo pelo
qual os antigos egípcios retiravam o cérebro de suas múmias.
500 a.C., ÁFRICA
Durante sua viagem para explorar e colonizar a costa oeste do
continente, H anno o N avegador, um dos mais famosos navegadores da
antigüidade ocidental, escreveu em seu diário de bordo:
N a costa de uma grandiosa selva, onde montes verdes escondem suas
coroas entre as nuvens, enviei uma expedição à terra firme em busca de
água potável. (...) N ossos adivinhos foram contra esta idéia. Aos olhos deles
aquela era uma terra amaldiçoada, um lugar de demônios, abandonado
pelos deuses. I gnorei estes avisos e paguei o mais alto preço. (...) Dos trinta e
cinco homens que enviei, sete retornaram.
(...) Os sobreviventes contaram em meio a choros e soluços uma história
de monstros das selvas. H omens com presas de cobras, garras de leopardo e
olhos que ardiam como o fogo do inferno. E spadas de bronze cortavam suas
carnes, sem causar efeito. E les banquetearam-se com nossos marinheiros,
cujos gritos nos foram trazidos pelos ventos (...) nossos adivinhos nos
avisaram sobre os sobreviventes que estavam feridos, alegando que eles
trariam sofrimento a tudo que tocassem. (...) Fugimos para nossos navios,
abandonando aquelas pobres almas naquela terra de homens-monstros. Que
os deuses me perdoem.
C omo a maioria dos leitores tem conhecimento, grande parte dos escritos
de H anno é controversa e muito debatida entre acadêmicos da área de
história. J á que H anno também descreve um confronto com grandes
criaturas símias que ele chamou de "gorilas" (quando os gorilas de verdade
nunca habitaram aquela parte do continente africano), é possível dizer que
ambos os incidentes podem ser fruto da imaginação do navegador ou de
historiadores contemporâneos. L evando isso em consideração, e ignorando
exageros óbvios como presas de cobras, garras de leopardos e olhos
flamejantes, as descrições de H anno são muito parecidas com as de um
morto-vivo.
329 a.C., AFEGANISTÃO
Uma coluna macedônia construída pelo lendário conquistador
Alexandre o Grande foi visitada diversas vezes por forças especiais
soviéticas durante ocupações de guerra. A oito quilômetros do monumento,
uma unidade descobriu restos antigos do que parecia ser uma tenda do
exército helênico. E ntre outros artefatos, havia um pequeno vaso de bronze.
As gravuras ao seu redor mostravam: (1) um homem mordendo outro homem; (2) a vítima deitada em seu leito de morte; (3) a vítima
levantando-se novamente; e depois de volta a (1) mordendo outro homem.
A natureza circular deste vaso, assim como as figuras, poderiam ser
evidência de uma insurreição de zumbis testemunhada por Alexandre ou
relatada a ele por uma das tribos locais.
212 a.C., CHINA
Durante a dinastia Qin, todos os livros não relacionados a questões
práticas como agricultura ou construção foram queimados por ordem do
imperador, para proteção contra pensamentos perigosos. N unca saberemos
se relatos de ataques de zumbis viraram cinza nessa época. E ste fragmento
de um obscuro manuscrito médico, preservado na parede de um estudioso
chinês, pode, entretanto, ser prova de tais ataques:
O único tratamento para vítimas do eterno pesadelo acordado é o
completo desmembramento seguido por fogo. O paciente deve ter seu corpo
imobilizado, a boca enchida de palha e amarrada. Todos os membros e órgãos
devem ser removidos, evitando-se o contato com qualquer fluido. Tudo isto
deve ser queimado até as cinzas e depois espalhado aos quatro ventos.
N enhum outro remédio terá efeito, já que esta doença não tem cura (...) o
desejo por carne humana, insaciável. (...) Se as vítimas forem encontradas
em grande número, sem esperança de serem contidas, a decapi- tação
imediata é o curso de ação a ser tomado (...) sendo a espada Shaolin a mais
indicada para esta tarefa.
N ão há nenhuma menção sobre as vítimas do "eterno pesadelo
acordado" estarem mortas. Apenas a parte em que é mencionado o desejo
pela carne humana e o "tratamento" aconselhado sugerem a presença de
zumbis na China antiga.
121 d.C., FANUM COCIDI, CALEDÔNIA (ESCÓCIA)
E mbora a origem da insurreição seja desconhecida, seus eventos estão
bem documentados. O chefe local dos bárbaros, acreditando que os mortosvivos fossem apenas insanos, enviou mais de 3.000 guerreiros para "dar fim
àquela revolta de loucos". Resultado: mais de 600 guerreiros foram
devorados, e o resto ferido e por fim transformado em mortos-vivos. Um
mercador romano chamado Sextos Semprônio Tubero, que viajava por esta
província na época, testemunhou a batalha. Apesar de não ter percebido
que eram mortos-vivos, Tubero observou o suficiente para perceber que
apenas zumbis decapitados deixavam de ser uma ameaça. M al conseguindo
escapar com vida, Tubero relatou suas descobertas para M arcos L úcio
Terêncio, comandante da guarnição de Roma na B retanha. Os 9.000 zumbis
encontravam-se a menos de um dia de distância. Seguindo o fluxo dos
refugiados, esses necrófilos continuaram a rumar para o sul, movendo-se na
direção do território romano. Terêncio tinha apenas uma coorte (480
homens) a sua disposição. Os reforços encontravam-se a três semanas de
distância. Terêncio ordenou, inicialmente, que fossem cavadas duas valas
de dois metros de profundidade. A largura das valas afinava à medida que a
profundidade aumentava, de modo que quando terminadas elas pareciam
grandes funis, com um quilômetro e meio de extensão. O fundo das
trincheiras foi, posteriormente, preenchido com óleo de lampião, muito
comum naquela parte do império. Quando os zumbis se aproximaram, o óleo
foi colocado em combustão. T odos os zumbis que caíram nas trincheiras
ficaram presos e foram incinerados. Os zumbis remanescentes foram
empurrados para dentro do funil, onde não mais do que 300 deles podiam
ficar lado a lado. Terêncio ordenou que seus homens desembainhassem as
espadas, levantassem os escudos e avançassem para o inimigo. Após uma
batalha de nove horas, todos os zumbis haviam sido decapitados, suas
cabeças sendo atiradas na vala em chamas para serem cremadas. As baixas
do lado romano chegaram a 150, sem feridos (os legionários mataram os
camaradas que foram feridos).
As conseqüências desta insurreição foram imediatas e historicamente
importantes. O imperador Adriano ordenou que todas as informações
relacionadas com a insurreição fossem compiladas em um único volume.
E ste manual não só detalhava o padrão comportamental dos zumbis e
instruções eficientes para descartar os corpos. O "guia" recomendava uma
força numérica esmagadora "para lidar com o inevitável pânico geral da
população". Uma cópia deste documento, conhecido apenas como "Ordem
do Exército XXXVII", foi distribuída para cada legionário do império. Por esta
razão, insurreições em áreas comandadas pelo império romano nunca mais
atingiram números críticos, não tendo sido, portanto, novamente registradas
detalhadamente. Acredita-se também que esta primeira insurreição tenha
levado à construção da M uralha de Adriano, uma estrutura que
efetivamente isolava o norte da C aledônia do resto da ilha. E ste é exemplo
claro de uma insurreição do Tipo 3, e é a maior insurreição já registrada.
140-41 d.C., THAMUGADI, NUMIDIA (ARGÉLIA)Seis pequenas insurreições entre nômades do deserto foram registradas
por L úcio Valério Strabo, governador romano da província. T odas as
insurreições foram esmagadas por duas coortes da I I I Augusta B ase
L egionária. T otal de zumbis assassinados: 134. B aixas romanas: 5. Além do
registro oficial, uma anotação de diário de um engenheiro do exército mostra
uma descoberta importante:
Uma família local foi mantida prisioneira em casa por pelo menos doze
dias, enquanto as selvagens criaturas arranhavam e batiam nas portas e
janelas trancadas. Depois que nós assassinamos as criaturas da imundície e
salvamos a família, eles estavam muito perto da insanidade. P elo que
pudemos perceber, a lamúria destas bestas, dia após dia, noite após noite,
mostrou-se uma cruel forma de tortura.
E sta é a primeira vez que se reconhece o dano psicológico causado por
um ataque de zumbis. Os seis incidentes, dada a proximidade temporal, dão
a impressão de que um ou mais necrófilos dos primeiros ataques
"sobreviverem" por tempo suficiente para infectar novamente a população.156 d.C., CASTRA REGINA, GERMÂNIA (SUL DA ALEMANHA)Um ataque de 17 zumbis causou a infecção de um proeminente clérigo.
O comandante romano, reconhecendo os sinais de um ser humano
infectado, ordenou que suas tropas matassem o homem de Deus. C idadãos
locais ficaram enfurecidos e seguiu-se uma revolta. T otal de zumbis
assassinados: 10, incluindo o clérigo. B aixas romanas: 17, todas fruto da
revolta. Civis mortos pela repressão romana: 198.177 d.C., ACAMPAMENTO SEM NOME PERTO DE TOLOSA,
AQUITÂNIA (SUDOESTE DA FRANÇA)Uma carta pessoal, escrita por um mercador viajante ao seu irmão em
Capua, descreve o assaltante:
E le veio das árvores, um homem que fedia a podridão. Sua pele cinzenta
exibia muitas feridas, mas delas não saía sangue. Ao ver a criança chorando,
seu corpo pareceu tremer de excitação. Sua cabeça virou na direção do
choro; sua boca aberta num gemido uivante. (...) Dário, o velho veterano
legionário, aproximou-se (...) afastando a mãe aterrorizada, ele agarrou a
criança com um dos braços e, usando o braço livre, golpeou a criatura com
seu gládio. A cabeça da criatura caiu no chão e rolou morro abaixo, assim
como o resto do corpo. (...) Dário insistiu que todos usassem roupas de couro
na hora de jogar o corpo em uma fogueira (...) a cabeça, ainda mostrando
uma expressão de desgosto, foi consumida pelas chamas.
E sta passagem deve ser considerada um exemplo da atitude romana em
relação aos mortos-vivos: sem medo, sem superstição, só outro problema que
requeria uma solução prática. E ste foi o último registro encontrado de um
ataque durante o I mpério Romano. I nsurreições subseqüentes não foram
combatidas com a mesma eficiência ou não foram registradas com a mesma
clareza.700 d.C., FRÍSIA (NORTE DA HOIANDA)E mbora este evento dê a impressão de ter acontecido por volta de 700
d.C., suas evidências físicas são uma pintura recém-descoberta nos cofres do
museu Rijks, em Amsterdã. Foi a análise química do material da pintura que
fixou esta data. A pintura mostra uma série de cavaleiros de armadura
completa, atacando uma turba de homens de pele cinza, estes últimos
vestindo trapos, os corpos cobertos por feridas e flechas, sangue saindo de
suas bocas. Quando as duas forças se enfrentam no centro da figura, os
cavaleiros brandem suas espadas para decapitar seus inimigos. Três "zumbis"
podem ser vistos no canto direito inferior, agachados sobre o corpo de um
cavaleiro caído. P arte de sua armadura havia sido retirada e um de seus
braços fora arrancado. Os zumbis alimentavam-se do corpo exposto. A
pintura não tem assinatura e ainda não foi possível determinar de onde veio
ou como foi parar no museu.850 d.C., PROVÍNCIA DESCONHECIDA
DA SAXÔNIA (NORTE DA ALEMANHA)B earnt K unĵel, um frade em meio a uma peregrinação a Roma,
registrou este incidente em seu diário pessoal. Um zumbi arrastou-se para
fora da floresta negra para morder e infectar um fazendeiro local. A vítima
se reanimou algumas horas após a morte e acabou por infectar sua própria
família. A partir daí a insurreição espalhou-se por todo o vilarejo. Os poucos
sobreviventes fugiram para o castelo do lorde, sem perceber que um entre os
seus havia sido mordido. C om a insurreição estendendo-se cada vez mais,
pessoas de vilarejos próximos rumaram para a área infestada. Os clérigos
locais acreditavam que os mortos-vivos tinham sido infectados pelo espírito
do diabo e que água benta e preces baniriam esses espíritos do mal. E sta
"jornada sagrada" terminou em um massacre, sendo toda a congregação
devorada ou transformada em zumbi.
Desesperados, lordes e cavaleiros vizinhos uniram-se para "purificar com
fogo as crias do inferno". E sta força queimou todos os vilarejos e zumbis
numa área de 80 km de raio. N em mesmo as pessoas que não estavam
infectadas conseguiram sobreviver à matança. O castelo do lorde, habitado
por pessoas que haviam se trancado com os mortos- vivos, transformou-se
em uma prisão para mais de 200 necrófilos. P elo fato de que seus habitantes
recolheram a ponte levadiça e trancaram os portões antes de sucumbir, os
cavaleiros não conseguiam entrar no castelo para purificá-lo. C omo
resultado, a fortaleza foi declarada "mal-assombra- da". P or mais de uma
década, camponeses que passavam nas redondezas podiam ouvir os
gemidos dos zumbis que ainda sobreviviam ali. De acordo com as contas de
K unĵel, 573 zumbis foram mortos e mais de 900 seres humanos devorados.
E m suas notas, K unĵel também conta que um vilarejo judaico, próximo ao
foco da infecção, sofreu grandes represálias, por causa da "falta de fé" de
seus moradores, culpada pela insurreição. A obra de K unĵel permaneceu
nos arquivos do Vaticano até ser acidentalmente encontrada em 1973.1073 d.C., JERUSALÉMA história do dr. I brahim Obeidallah, um dos mais importantes pioneiros
no campo da psicologia dos zumbis, simboliza os grandes avanços e trágicos
retrocessos acontecidos na tentativa da ciência de entender os mortosvivos. Uma fonte desconhecida causou uma insurreição de 15 zumbis em
J affa, cidade da costa da P alestina. A milícia local, fazendo uso de uma
cópia traduzida da Ordem do E xército Romano XXXV I I , exterminou as
ameaças com um mínimo de baixas. Uma mulher recém-mordida foi levada
até Obeidallah, um físico e biólogo proeminente. E mbora a Ordem do
E xército XXXV I I apele para a imediata decapitação e queima de todos os
humanos infectados, Obeidallah convenceu (ou talvez tenha subornado) a
milícia para que esta permitisse o estudo da mulher. C hegou-se a um acordo
e Obeidallah foi com o corpo e todo o seu equipamento até a cadeia local. Lá,
em uma cela, sob o olhar atento da lei, ele observou a vítima até o seu último
suspiro — e continuou a estudar o cadáver até que fosse reanimado. E le
realizou inúmeros experimentos no necrófilo preso. Descobrindo que todas
as funções corporais necessárias para a vida não mais funcionavam,
Obeidallah provou cientificamente que o seu objeto de estudo estava
fisicamente morto, embora estivesse ativo. E le viajou por todo o Oriente
Médio, recolhendo informações sobre outras possíveis insurreições.
As pesquisas de Obeidallah documentaram toda a fisiologia dos mortosvivos. Suas anotações incluem relatórios sobre o sistema nervoso, digestão, e
até o grau de decomposição em relação ao ambiente. E ste trabalho também
inclui um estudo completo de padrões de comportamento dos mortos-vivos,
uma façanha considerável, se provada verdadeira. Ironicamente, quando os
cavaleiros cristãos tomaram J erusalém em 1099, este homem surpreendente
foi considerado um adorador do Satã e quase todo o seu estudo foi
destruído. Algumas partes deste trabalho sobreviveram em B agdá pelos
séculos seguintes, mas eram apenas uma fração do original. A história de
vida de Obeidallah, entretanto, roubada dos detalhes de seus experimentos,
sobreviveu aos massacres dos cruzados, assim como seu biógrafo (um colega
e historiador judeu). E ste homem escapou para a P érsia, onde o trabalho foi
copiado, publicado e alcançou modesto sucesso em vários lugares do Oriente
Médio. Uma cópia permanece no arquivo nacional de Tel Aviv.1253 d.C., FISKURHOFN, GROENLÂNDIASeguindo a grande tradição nórdica de exploração, Gunnbjorn
L undergaart, um chefe tribal islandês, fundou uma colônia à beira de um
fiorde isolado. H á notícia de que o grupo era formado por 153 colonos.
L undergaart voltou para a I slândia após um inverno, em busca de
mantimentos e mais colonos. C inco anos mais tarde finalmente retornou à
colônia e encontrou o complexo de ilhas em ruínas. Dos colonos, ele
encontrou apenas três dúzias de esqueletos, com a carne totalmente
removida dos ossos. Diz-se também que ele encontrou três seres, duas
mulheres e uma criança. Os ossos eram visíveis e os corpos eram marcados
por um tom de cinza. As feridas eram evidentes, mas não havia nenhum
sinal de sangue. Quando avistadas, as figuras viraram-se para se aproximar
do grupo de L undergaart. Sem responder a nenhuma forma de
comunicação verbal, eles atacaram os vikings e foram imediatamente
mutilados. Os homens nór- dicos, acreditando que sua expedição estava
amaldiçoada, ordenaram que todos os corpos e estruturas fossem queimados.
C omo sua própria família se encontrava entre os esqueletos, L undergaart
ordenou a seus homens que o matassem, desmembrassem seu corpo e o
jogasse às chamas. O "C onto de Fiskurhofn", transmitido pelo grupo de
L undergaart a um grupo de monges irlandeses, sobreviveu nos arquivos de
Reykjavik, I slândia. E ste não somente é o relato mais detalhado de um
ataque de zumbis na história da civilização nórdica, como também pode
explicar o motivo pelo qual acampamentos vikings desapareceram do norte
da Groenlândia no início do século XIV.1281 d.C., CHINAO explorador veneziano Marco Polo escreveu em seu diário que, durante
uma visita ao palácio de verão do imperador em Xanadu, K ublai K han
exibiu uma cabeça cortada de zumbi, preservada em um jarro com um
fluido alcoólico transparente (P olo descreveu o fluido como tendo "a
essência do vinho, mas cujo cheiro incomodava o olfato"). E sta cabeça,
K han disse, era herança de seu avô, Genghis, trazida quando este retornou
de suas conquistas no Ocidente. P olo escreveu que a cabeça tinha
consciência da sua presença. E la chegava a observá-lo com seus olhos em
decomposição. Quando ele tentou tocar o jarro, a cabeça moveu-se
bruscamente. O K han o recriminou pelo ato desnecessário e contou a
história de um oficial de baixa patente que havia tentado a mesma coisa e
foi mordido pela cabeça. E ste oficial, dias mais tarde, "pareceu morrer, mas
logo reergueu-se para atacar seus servos". P olo escreveu que a cabeça
permaneceu "viva" durante a sua estada na C hina. N ão há, entretanto,
informações sobre o destino desta relíquia. Quando P olo retornou da Ásia,
esta história foi censurada pela I greja C atólica e, portanto, não apareceu em
nenhuma das publicações oficiais de suas aventuras. H istoriadores
apresentaram a teoria de que, já que os mongóis chegaram a B agdá, esta
cabeça pode ter sido um dos objetos de estudo originais de I brahim
Obeidallah, o que daria a ela o recorde de relíquia mais antiga e melhor
preservada dos zumbis.
1523 d.C., OAXACA, MÉXICOOs nativos contam de uma doença que escurece a alma, causando uma
sede pelo sangue dos irmãos. E les contam de homens, mulheres e mesmo
crianças cuja carne tornara-se cinza e podre e que tinha um cheiro profano.
Uma vez que a alma tivesse sido escurecida, não havia cura, salvo a morte, e
esta podia ser atingida somente pelo uso do fogo, já que os corpos tornavamse resistentes a todas as armas dos homens. E u acredito que esta é uma
tragédia vinda dos homens pagãos, já que, sem o conhecimento do nosso
senhor fesus C risto, não há cura para esta doença. Agora que nós
abençoamos as massas com a luz e a verdade do Seu amor, precisamos
buscar estas almas escurecidas para purificá-las com toda a força do Céu.
E ste texto supostamente foi retirado dos relatos do padre E steban
N egron, um sacerdote espanhol e pupilo de B artolomeu de I as C asas,
previamente editado de seus escritos originais e recentemente descoberto
em Santo Domingo. As opiniões quanto a autenticidade deste manuscrito
variam. Alguns acreditam que fosse ordem do Vaticano censurar todas as
informações sobre este assunto. Outros acreditam que este seja uma fraude
nas mesmas proporções que os diários de Hitler.
1554 d.C., AMÉRICA DO SULUm explorador espanhol, sob o comando de Dom Rafael C ordoza,
penetrou na floresta amazônica na busca pela famosa E l Dorado, a cidade
de ouro. Guias tupis o alertaram para o perigo de entrar na área conhecida
como "O vale do sono sem fim". L á, segundo disseram, ele encontraria uma
raça de criaturas que gemiam como o vento e que tinham sede de sangue.
M uitos homens já haviam adentrado o vale, disseram os tupis. N enhum
jamais retornou. A maioria dos conquistadores ficava apavorado com este
aviso e pedia para voltar para a costa. C ordoza, acreditando que os tupis
tinham inventado esta história com o objetivo de esconder a cidade
dourada, foi em frente com sua expedição. Após o escurecer, o
acampamento foi atacado por dezenas de mortos-vivos. O que se passou
naquela noite ainda é um mistério. O registro de passageiros do San
Verônica, o navio que levou C ordoza da América do Sul a Santo Domingo,
mostra que ele foi o único sobrevivente a alcançar a costa. N inguém sabe se
ele lutou até o fim ou abandonou seus homens. Um ano mais tarde, C ordoza
chegou à E spanha, onde fez um relato completo deste ataque tanto à corte
real, em M adri, quanto ao Santo Ofício em Roma. Acusado pela corte de
fazer mal uso dos recursos da coroa e de blasfêmia, pelo Vaticano, o
conquistador perdeu seu título e morreu na pobreza. Sua história é uma
compilação de fragmentos de muitos textos existentes referentes a este
período da história espanhola. Nenhum relato original foi encontrado.1579 d.C., PACÍFICO CENTRALDurante a circunavegação do globo, Francis Drake, o pirata que mais
tarde se tornaria um herói nacional, aportou em uma ilha sem nome para
abastecer-se de suprimentos e água. Os nativos o alertaram para que ele não
fosse até uma pequena ilhota próxima, habitada pelos "deuses dos mortos".
De acordo com os costumes locais, os mortos e doentes terminais eram
levados até a ilha, onde os deuses fariam com que eles, de corpo e alma,
vivessem para sempre. Drake, fascinado com esta história, decidiu
investigar. Observando de dentro de seu navio, ele assistiu a um grupo de
nativos deixar o corpo de um morto nas praias desta ilha. Após soprar
instrumentos feitos com conchas, os nativos voltaram para sua própria ilha.
M omentos mais tarde, diversas figuras surgiram, arrastando-se em direção
ao corpo. Drake observou essas criaturas alimentando-se do corpo, antes de
voltarem para a selva. P ara seu espanto, o corpo semi- devorado levantouse e foi, cambaleando, atrás dos outros seres. Drake nunca mencionou o
incidente em sua vida. E stes fatos foram descobertos em um diário secreto
que ele manteve escondido até o momento de sua morte. E ste diário,
passando de colecionador para colecionador, chegou até a biblioteca do
almirante J ackie Fischer, o pai da marinha moderna. E m 1907 Fischer fez
cópias e enviou-as a diversos amigos como presente de N atal. C om
coordenadas exatas, Drake proclamou este pedaço de terra de "a ilha dos
condenados".1583 d.C., SIBÉRIAUm grupo de reconhecimento do infame cossaco Yermak, perdido e
enfraquecido pela fome no meio do deserto congelado, recebeu abrigo de
uma tribo asiática nativa. Quando recuperaram suas forças, os europeus
retribuíram a generosidade se autoproclamando reis do vilarejo,
preparando-se para o inverno até que as tropas principais de Yermak
chegassem. Após festejarem por várias semanas, com a comida armazenada
no vilarejo, os cossacos voltaram sua fome para os próprios homens do
vilarejo. N um ato selvagem de canibalismo, treze pessoas foram devoradas,
enquanto as outras fugiram para todos os lados. Os cossacos acabaram com
esta nova fonte de comida em poucos dias. Desesperados, foram até o local
onde eram enterrados os corpos. Ali, segundo esperavam, a temperatura
congelante teria conservado os corpos dos mortos. O primeiro corpo
exumado foi o de uma mulher jovem, que fora enterrada amordaçada e com
mãos e pés atados. Uma vez descongelada, a mulher morta reviveu. Os
cossacos, sem reação e na esperança de entender como tinha conseguido tal
feito, retiraram a mordaça. A mulher mordeu a mão de um dos cossacos.
M ostrando sua contínua ignorância, brutalidade e falta de percepção, os
cossacos desmembraram, assaram e comeram a carne da mulher. Apenas
dois homens não o fizeram: o guerreiro ferido (já que seus camaradas
acharam que não valia a pena gastar comida com os "mortos") e um homem
muito supersticioso que acreditou que a carne estivesse amaldiçoada. De
certa maneira ele estava certo. T odos aqueles que comeram a carne
morreram durante a noite. O homem ferido também faleceu na manhã
seguinte.
O único sobrevivente tentou queimar os corpos. E nquanto preparava
uma pira funerária, o cadáver do homem mordido reviveu. C om o novo
zumbi ameaçando-o, o último sobrevivente partiu em fuga pelas estepes.
Após uma hora de perseguição, o zumbi congelou, enquanto o cossaco
continuou vagando por vários dias até ser resgatado por outro grupo de
Yermak. Seu relato foi documentado por um historiador russo, o padre
P ietro Georgiavich Vatutin. O relato permaneceu obscuro por muitas
gerações, dentro de um remoto monastério na ilha de Vaiam, no lago
L adoga. Só agora foi traduzido para o inglês. N ada se sabe sobre o destino
dos homens daquele vilarejo asiático ou mesmo qual seria sua verdadeira
identidade. O subseqüente genocídio destas pessoas pelas mãos de Yermak
deixou poucos sobreviventes. Do ponto de vista científico, este relato é o
primeiro registro de congelamento de um zumbi.1587 d.C., ILHA DE ROANOKE, CAROLINA DO NORTEC olonos ingleses, sem qualquer apoio da E uropa, enviaram grupos de
caça à terra firme em busca de comida. Um destes grupos desapareceu
durante três semanas. Ao voltar, o único sobrevivente descreveu um ataque
vindo de "um grupo de selvagens (...) que tinham uma pele podre e cheia
de vermes e que era resistente à pólvora!". Ainda que apenas uma pessoa de
um grupo de onze tivesse morrido, quatro outros foram espancados de
maneira selvagem. E stes homens morreram no dia seguinte, foram
enterrados e ergueram-se de suas covas poucas horas depois. O
sobrevivente jurou que o restante do grupo foi devorado vivo por seus ex-
companhei- ros e que apenas ele tinha conseguido escapar. O conselho da
colônia declarou o homem um mentiroso e assassino e o sentenciou à morte
por enforcamento. A sentença foi cumprida na manha seguinte.
Uma segunda expedição foi enviada para recuperar os corpos "para que
seus restos não fossem profanados pelos pagãos". O grupo de cinco homens
retornou exausto, o corpo coberto de mordidas e arranhões. Foram atacados
em terra, tanto pelos "selvagens" descritos pelo sobrevivente (vingado após
a sua morte) quanto pelos membros perdidos do grupo inicial. E stes novos
sobreviventes, após um período de exames, faleceram um após o outro. O
enterro foi marcado para a alvorada seguinte. N aquela noite, eles
reviveram. A partir deste ponto, os detalhes são confusos. Uma versão
descreve a posterior infecção e destruição da cidade inteira. Outra
menciona os nativos reconhecendo o perigo e queimando todos os colonos
da cidade. N um terceiro relato, esses mesmos nativos salvam os colonos
sobreviventes e exterminam os zumbis e os feridos. T odas as três histórias
apareceram em relatos ficcionais e textos históricos durante os últimos dois
séculos. Nenhum deles, entretanto, mostra porque o primeiro acampamento
inglês na América do Norte desapareceu sem deixar vestígios.1611 d.C„ EDO, JAPÃOE nrique De Silva, um mercador português que fazia negócios nas ilhas,
escreveu esta passagem em uma carta para seu irmão:
Padre Mendoza, novamente podendo tomar um vinho casteliano, faloume de um homem que recentemente converteu-se a nossa fé. E ste
selvagem era membro de uma das mais secretas ordens nesta terra exótica e
bárbara, "a irmandade da vida". De acordo com este velho homem do clero,
esta sociedade secreta treina assassinos com o propósito de, e ele disse isso
com toda sinceridade, matar demônios. (...) E stas criaturas, de acordo com a
explicação dada, haviam sido outrora humanos. Após a sua morte, um mal
sem explicação fez com que eles retornassem (...) alimentando-se da carne
dos vivos. P ara combater este terror, "a irmandade da vida"foi formada, de
acordo com M endoza, pelo próprio Shogun. (...) E les são escolhidos ainda
jovens (...) treinados na arte da destruição. (...) Sua estranha maneira de
combate desarmado dedica muito tempo a evitar o contato com os
demônios, com movimentos sinuosos, como faz uma cobra para escapar da
captura. (...) Suas armas, cimitarras de formas orientais, são feitas com o
objetivo de decepar cabeças. (...) Acredita-se que em seus templos, ainda
que suas localizações permaneçam secretas, exista uma sala onde as cabeças
destruídas destes monstros, ainda vivas e lamuriantes, adornam as paredes.
Os recrutas de maior nível, para que possam ascender dentro da irmandade,
precisam passar uma noite inteira dentro desta sala, sozinhos com os objetos
profanos. (...) Se a história do padre M endoza for verdadeira, esta é uma
terra, como sempre suspeitamos, do mal e sem Deus. (...) Não fosse pela seda
e pelas especiarias, nós deveríamos evitá-la a qualquer custo. (...) E u
perguntei ao velho padre onde se localizava tal converso, para poder ouvir
a história de sua própria boca. M endoza me informou que ele tinha sido
encontrado morto duas semanas atrás. "A irmandade" não permite que seus
segredos sejam passados à frente, nem que seus membros renunciem a sua
lealdade.
M uitas sociedades secretas existiram no J apão feudal. "A I rmandade da
V ida" não aparece em texto algum, no passado ou presente. De silva comete
alguns erros históricos em sua carta, como por exemplo chamar a espada
japonesa de "cimitarra" (a maioria dos europeus não se incomodava em
aprender nenhum aspecto da cultura japonesa). Sua descrição das cabeças
lamuriantes também não é precisa, já que a cabeça decepada de um zumbi
não seria capaz de produzir nenhum som sem um diafragma, pulmões ou
cordas vocais. C aso esta história seja verdade, entretanto, ela explicaria por
que há tão poucos registros de insurreições no J apão, em comparação com o
resto do mundo. Ou a cultura japonesa
criou uma barreira de silêncio em relação às insurreições lá ocorridas, ou a
I rmandade da V ida atingiu seus objetivos. De qualquer forma, não houve
mais nenhum relato de insurreições no Japão até a metade do século XX.1690 d.C., SUL DO ATLÂNTICOO navio cargueiro português M arialva partiu de B issau, no oeste da
África, com uma carga de escravos em direção ao B rasil. M as ele nunca
alcançou seu destino. T rês anos mais tarde, no meio do Atlântico Sul, o
navio holandês Zeebrug avistou o M arialva à deriva. Um grupo foi
mandado até o navio português com o propósito de pilhar sua carga. E les
encontraram, para sua surpresa, uma carga de zumbis africanos, ainda
acorrentados, debatendo-se e gemendo. N ão havia nenhum sinal da
tripulação, e cada um dos zumbis tinha sofrido pelo menos uma mordida
que lhe arrancara uma parte do corpo. Os holandeses, acreditando estar o
navio amaldiçoado, remaram apressadamente de volta ao seu navio e
relataram a descoberta ao capitão. E ste imediatamente afundou o M arialva
com seus canhões. C omo não há maneira segura de saber como a infestação
subiu a bordo, só o que podemos fazer é especular. N enhum bote salvavidas foi encontrado. Apenas o corpo do capitão foi encontrado, trancado
em sua cabine, morto com um tiro suicida de pistola na cabeça. M uitos
acreditam que, já que os escravos ainda estavam acorrentados, quem iniciou
a infecção deve ter sido um membro da tripulação portuguesa. Se isto for
verdade, os escravos infelizes tiveram que agüentar seus captores
infectando ou devorando uns aos outros após a sua lenta transformação em
mortos-vivos, com o vírus infectando seus corpos. P ior do que isso é a forte
probabilidade de que um desses membros da tripulação atacou e infectou
um dos escravos acorrentados. E ste novo necrófilo, depois, atacou e
infectou o escravo indefeso acorrentado mais perto de si, e assim por diante
até que finalmente os gritos foram silenciados e todos os escravos tivessem
sido transformados em zumbis. I maginar os zumbis no fundo, vendo seu
futuro terrível aproximando-se é suficiente para invocar os piores pesadelos.1762 d.C, CASTRIES, STA. LÚCIA, CARIBEA história desta insurreição ainda é contada atualmente, tanto por
caribenhos nativos quanto por imigrantes caribe- nhos no Reino Unido. E la
serve como um poderoso aviso, não só do poder dos mortos-vivos como
também da incapacidade da humanidade de unir forças contra eles. Uma
insurreição de fonte indeterminada teve início em uma parte pobre da
pequena e populosa cidade de C astries, na ilha de Sta. L úcia. Diversos
negros e mulatos livres entenderam qual era a fonte da "doença" e tentaram
alertar as autoridades. Foram ignorados. A insurreição foi diagnosticada
como uma epidemia de raiva. O primeiro grupo de pessoas infectadas foi
trancafiada na cadeia da cidade. As pessoas que foram mordidas nesse
processo foram mandadas de volta para casa, sem tratamento. E m 48 horas,
a cidade inteira de C astries mergulhou no caos. A milícia local, sem saber
como dar fim a esta violenta investida, foi rapidamente devastada. Os
homens brancos remanescentes fugiram para as plantações que rodeavam a
cidade. Porque muitos deles já tinham sido mordidos, acabaram por espalhar
a infecção por toda a ilha. N o décimo dia, metade da população branca
estava morta. Quarenta por cento, muitas centenas de pessoas, vagavam
pela ilha como zumbis reanimados. O restante escapara em qualquer
embarcação disponível ou estava encurralado em duas fortalezas
remanescentes em V ieux Fort e Rodney B ay. I sso deixou uma grande
quantidade de escravos negros, agora "livres", à mercê dos mortos-vivos.
Ao contrário dos habitantes brancos, os ex-escravos possuíam um
profundo entendimento cultural do inimigo, um fator que fez com que
lutassem com determinação em vez de medo. E scravos em todas as
plantações organizaram-se em equipes de caça muito determinadas.
Armados com tochas e facas para cortar cana (todas as armas de fogo foram
levadas pelos brancos em fuga) e aliados aos negros e mulatos livres que
permaneciam na ilha (Sta. L úcia tinha comunidades proeminentes e
pequenas dos dois grupos), eles varreram a ilha de norte a sul.
C omunicando-se por tambores, as equipes trocavam informações e táticas
de batalha. E m uma onda lenta e deliberada, eles limparam Sta. L úcia em
um período de sete dias. Os brancos que ainda se encontravam nos fortes
recusaram-se a participar dos combates, com sua intolerância racial sendo
apenas comparável a sua covardia. Dez dias após o último dos zumbis ter
sido cremado, as tropas coloniais francesas e inglesas chegaram.
I nstantaneamente todos os ex-escravos foram novamente acorrentados e
todos os que resistiram foram enforcados. O incidente foi registrado como
uma revolta de escravos e todos os negros e mulatos livres foram enforcados
por terem ajudado na suposta rebelião. Ainda que nenhum registro escrito
tenha sido mantido, um relato oral foi transmitido até os dias atuais.
Acredita-se que exista um monumento em algum lugar da ilha, embora
nenhum residente possa afirmar a sua localização. Se podemos aprender
alguma coisa com a lição de C astries, é que um grupo de civis, motivados e
disciplinados, apenas com os métodos mais primitivos de comunicação e as
armas mais simples, é um adversário formidável para qualquer ataque de
zumbis.1807 d.C., PARIS, FRANÇAUm homem foi acolhido no C hâteau Robinet, um "hospital" para pessoas
com problemas mentais. O relatório oficial, preenchido pelo dr. Reynard
B oise, administrador- chefe, diz: "O paciente está incoerente, quase
selvagem, com um desejo insaciável por violência. (...) C om mandíbulas que
estalam como um cão raivoso, ele conseguiu morder um dos nossos
pacientes antes de ser contido." A história que se segue baseia-se no interno
ferido recebendo tratamento padrão (ataduras nos ferimentos e uma dose
de rum), depois sendo levado de volta à cela comunal com mais de
cinqüenta outros homens e mulheres. N os dias seguintes, uma orgia de
violência aconteceu. Guardas e médicos, com medo por causa dos gritos
vindos da cela, recusaram-se a entrar até que estes tivessem parado. N este
momento, só o que restou foram 5 zumbis infectados e parcialmente
devorados, e partes espalhadas de várias dezenas de corpos. B oise
prontamente pediu afastamento de seu posto e retirou-se da vida pública.
P ouco se sabe sobre o que aconteceu com os mortos-vivos, ou sobre o zumbi
original que foi levado ao hospital. O próprio N apoleão B onaparte ordenou
que o hospital fosse fechado, "purificado" e transformado em uma
instituição para veteranos de guerra. Além disso, nada se sabe sobre o
paradeiro anterior do zumbi original, como ele contraiu a doença ou se ele
infectou mais alguém antes de chegar ao Château Robinet.1824 d.C„ SUL DA ÁFRICAO trecho a seguir foi extraído do diário de H . F. Fynn, membro da
expedição britânica original, que tinha como objetivo visitar, viajar e
negociar com o grande rei zulu, Shaka.
[A aldeia] kraal zunia de tanta vida. (...) O nobre rapaz zulu deu um
passo à frente em direção ao centro do curral. (...) Quatro dos maiores
guerreiros do rei trouxeram para fora uma figura, carregada e sendo puxada
por seus pés e mãos (...) uma bolsa feita com pele de vaca real cobria sua
cabeça. E sta mesma pele cobria as mãos e os antebraços de seus guardas,
para que suas carnes não tocassem a do condenado. (...) O rapaz nobre
pegou a lança assegai e correu para dentro do curral (...) o rei gritou, então,
sua ordem, comandando seus guerreiros a arremessarem sua carga para
dentro do kraal. O condenado bateu no solo duro, seu corpo caindo ao chão
como o de um bêbado. A bolsa de couro escorregou de sua cabeça (...) seu
rosto, para o meu horror, estava assustadoramente desfigurado, um grande
pedaço de carne fora retirado de seu pescoço, como que arrancado por uma
besta demoníaca. Seus olhos tinham sido arrancados e os restos que sobraram
nas cavidades pareciam olhar para o inferno. De nenhuma ferida fluía a
mais ínfima gota de sangue. O rei ergueu uma das mãos, acalmando a
multidão em frenesi. Um silêncio estanque se deu sobre o kraal; um silêncio
tão absoluto que até os pássaros pareciam obedecer às ordens do poderoso
rei. (...) O rapaz nobre ergueu seu assegai na altura do peito e murmurou
uma palavra. Sua voz era demasiado fraca e macia para atingir meus
ouvidos. O homem, o pobre-diabo, no entanto, deve ter ouvido a voz
solitária. Sua cabeça se virou para o jovem, a boca escancarada. De seus
lábios feridos e rachados saiu um uivo tão assustador que fez tremer meus
ossos. O monstro, porque agora eu já havia me convencido de que se tratava
de um monstro, arrastou-se devagar em direção ao rapaz nobre. O jovem
zulu exibiu ostensivamente seu assegai. E le deu um golpe para a frente,
mergulhando a lâmina negra no peito do monstro. O demônio não caiu, não
morreu, não demonstrou o menor sinal de que seu coração acabara de ser
perfurado. E le simplesmente continuou com sua aproximação lenta e
constante. O jovem nobre recuou, tremendo como folha ao vento. E le
tropeçou e caiu, a terra se agarrando a seu corpo coberto de suor. A
multidão se manteve em silêncio, mil estátuas de ébano observando a
trágica cena. (...) E , então, Shaka correu para dentro do curral e gritou:
"Sondela! Sondela!" O monstro imediatamente virou-se do nobre rapaz para
o rei. C om a velocidade de uma bala de mosquete, Shaka agarrou o assegai,
que se encontrava ainda no peito do monstro, e mirou em uma das
cavidades vazias dos olhos. Depois, girou a arma como faria um campeão de
esgrima, rodando a ponta da lâmina dentro do crânio do monstro. A
abominação caiu de joelhos, depois tombou para a frente, enterrando seu
rosto horrendo no solo vermelho da África.
A narrativa termina aqui, de forma abrupta. Fynn nunca explicou o que
aconteceu ao nobre jovem amaldiçoado ou ao zumbi assassinado.
Naturalmente, esta cerimônia de rito de passagem apresenta várias questões
essenciais: Qual é a origem deste tipo de uso de zumbi? Será que os zulus
tinham mais de um necrófílo guardado para este propósito? E , em caso
afirmativo, como conseguiam atraí-los?1839 d.C., LESTE DA ÁFRICAO diário de viagem de Sir J ames Ashton-H ayes, um dos muitos europeus
que buscam em vão a nascente do rio N ilo, revela a probabilidade de um
ataque zumbi no leste da África e uma reação organizada e culturalmente
aceita a este ataque:
E le veio até a aldeia bem cedo naquela manhã, um jovem negro com
ferimentos no braço. Obviamente, o pequeno selvagem havia errado o alvo
com sua lança, e seu pretenso jantar lhe dera um "beijo" antes de fugir. P or
mais engraçado que isto possa parecer, os acontecimentos que se seguiram
me pareceram de extrema barbárie. (...) Tanto o médico/bruxo da aldeia
quanto o chefe tribal examinaram o ferimento, ouviram a história do rapaz e
confirmaram entre si alguma decisão não dita em voz alta. O homem ferido,
em meio a lágrimas, despediu-se da esposa e da família (...) obviamente, em
sua cultura o contato físico não era permitido, e ele então se ajoelhou aos pés
do chefe. (...) O velho pegou um porrete com ponta de ferro e esmagou a
cabeça do pobre condenado, quebrando-a como se fosse um ovo negro
gigante. Quase que imediatamente, dez dos guerreiros da tribo atiraram suas
lanças ao chão, desembainharam as cutelas primitivas e murmuraram um
cântico um tanto bizarro, "N agamba ekwaga nah eereeah enge". I sto dito,
simplesmente saíram da aldeia, rumo à savana. E m seguida, para o meu
horror, o corpo do infeliz selvagem fora desmembrado e queimado,
enquanto as mulheres da tribo lamentavam ao redor da coluna de fumaça.
Quando pedi ao nosso guia por algum tipo de explicação, ele simplesmente
encolheu seus diminutos ombros e respondeu: "V ocê quer que ele se levante
novamente esta noite?" Que povo esquisito, esses selvagens.
H ayes não diz exatamente que tribo é esta, e estudos posteriores
revelaram que todos os dados geográficos por ele fornecidos são
angustiosamente inexatos (alguns acreditam que ele, de fato, nunca
encontrou o N ilo). Felizmente o grito de guerra mais tarde foi identificado
como "N jamba egoaga na era enge", uma frase gikuyu que significa "Unidos
lutamos, e unidos vencemos ou morremos". E sta informação deu aos
historiadores uma pista de que ele estava, pelo menos, nos arredores de
onde hoje se localiza o Quênia.1848 d.C., MONTANHAS OWL CREEK, WYOMINGE mbora este provavelmente não seja o primeiro ataque de zumbis nos
E stados Unidos, foi o primeiro a ser registrado. Um grupo de 56 pioneiros,
conhecidos como os ''K nudhansen", desapareceu nas regiões rochosas a
caminho da C alifórnia. Um ano depois, uma segunda expedição encontrou
os restos de um acampamento, que se acreditava ser seu último local de
descanso.
Os sinais de batalha eram óbvios. T odos os tipos de equipamentos
quebrados encontravam-se espalhados em vagões chamuscados.
E ncontramos também os restos de quarenta e cinco almas. E m meio aos seus
inúmeros ferimentos, todos compartilhavam da maneira como seus crânios
foram quebrados. Alguns desses buracos pareciam ter sido feitos por balas,
outros por instrumentos de concussão, como martelos, marretas ou mesmo
pedras. (...) N osso guia, um homem experiente com muitos anos de
selvageria, acreditava que aquilo não era trabalho de índios selvagens. Até
porque, argumentou ele, por que eles matariam nossos homens sem levar os
cavalos e bois? N ós contamos os esqueletos de todos os animais e vimos que
ele estava certo. (...) Outro fato que achamos impressionante foi o número
de ferimentos de mordidas encontrado em cada um dos mortos. C omo
nenhum animal, do lobo uivante das neves à minúscula formiga, tocou as
carcaças, descartamos sua possível cumplicidade neste caso. As histórias de
canibalismo sempre estiveram presentes na fronteira, mas nós ficamos
horrorizados ao pensar que tais contos de selvageria pagã poderiam ser
verdadeiros, especialmente depois de histórias tão horríveis como as dos
Donner. (...) O que nós não conseguíamos entender, no entanto, era por que
eles se voltaram uns contra os outros tão rapidamente se as reservas de
comida estavam longe de acabar.
E sta passagem vem de Arne Svenson, professor primário, fazendeiro e
pioneiro da segunda expedição. E sta história, por si só, não necessariamente
prova que houve uma insurreição do vírus Solanum. E vidências sólidas
viriam a aparecer, mas não nos quarenta anos que se seguiram.1852 d.C., CHIAPAS, MÉXICOUm grupo de caçadores de tesouro norte-americanos de B oston, J ames
M iller, L uke M acN amara e W illard Douglass, viajou até esta província
selvagem remota com o objetivo de saquear o que os rumores indicavam ser
ruínas maias. E nquanto estavam na cidade de T zinteel, testemunharam o
enterro de um homem que acreditavam ser "um apreciador do sangue de
Satã". E les viram que o homem estava amordaçado e que tinha seus pés e
mãos amarrados, mas que ainda estava vivo. Acreditando ser este algum
tipo de execução bárbara, os norte-americanos conseguiram sucesso em
resgatar o homem condenado. Uma vez retiradas as correntes e a mordaça,
o prisioneiro imediatamente atacou seus libertadores. Os tiros não surtiram
efeito. M acN amara foi morto; os outros dois ficaram levemente feridos. Um
mês depois, suas famílias receberam uma carta, com data de um dia após o
ataque. E m suas páginas, os dois homens relatavam os detalhes de sua
aventura, incluindo uma declaração seguida de um juramento, dizendo que
seu amigo assassinado havia "voltado à vida" logo após o ataque. E les
também escreveram que seus ferimentos superficiais inflamaram e
começavam a apodrecer, e que se instaurava sobre eles uma febre terrível.
P rometeram repousar por algumas semanas na C idade do M éxico para
receber tratamento médico e retornariam depois para os E stados Unidos o
mais rápido possível. Nunca se teve notícia destes homens novamente.
1867 d.C., OCEANO ÍNDICOUm navio a vapor inglês, o RM S Rona, transportando 137 condenados
para a Austrália, ancorou próximo a ilha de B ijourtier para ajudar um navio
não identificado que parecia estar preso a um banco de areia. O grupo que
foi enviado à costa encontrou um zumbi, com a espinha quebrada,
arrastando-se pelo deque deserto da embarcação. Quando tentaram
oferecer ajuda, o zumbi lançou seu corpo para a frente e mordeu o dedo de
um dos marinheiros. E nquanto um destes homens do mar decepava a
cabeça do zumbi com o cutelo, os outros levaram o companheiro ferido de
volta ao navio. N aquela noite, o marinheiro ferido foi colocado em seu
beliche e recebeu, além de uma dose de rum, a promessa do cirurgião do
navio de que ele seria examinado ao amanhecer. Antes disso, entretanto, o
zumbi reanimou e atacou seus companheiros. O capitão, em pânico,
ordenou que o compartimento de carga fosse trancado, selando os
condenados juntos com o necrófilo, e continuou a viagem para a Austrália.
P elo resto da viagem, o compartimento de carga ecoou com gritos que
acabaram por se tornar gemidos. M uitos dos membros da tripulação juraram
ter conseguido ouvir os gritos dos ratos sendo comidos vivos.
Após seis semanas no mar, o navio ancorou em P erth. Os oficiais e a
tripulação correram para terra para informar as autoridades do que havia
acontecido. Aparentemente ninguém acreditou nestes marinheiros. Uma
tropa foi chamada, para o serviço de rotina de escoltar os prisioneiros para
fora do navio. O RMS Rona permaneceu ancorado por cinco dias, esperando
a chegada destas tropas. N o sexto dia, uma tempestade quebrou a corrente
da âncora do navio, carregou o navio por vários quilômetros pela costa, onde
acabou batendo em um recife. Os moradores e os tripulantes do navio não
encontraram nenhum vestígio dos mortos-vivos. Tudo o que restou foram
ossos humanos e trilhas na direção do interior. A história do Rona era
comum entre marinheiros no final do século XI X e início do século XX. Os
registros da marinha consideram o navio perdido no mar.
1882 d.C., PIEDMONT, OREGONAs evidências deste ataque vêm de um grupo de resgate, enviado para
investigar uma pequena cidade de mineração, após dois meses de
isolamento. E ste grupo encontrou P iedmont destruída. M uitas casas tinham
sido queimadas e as que ainda se encontravam em pé estavam cheias de
buracos de balas. E stranhamente, estes indícios mostravam que os tiros
tinham sido disparados de dentro das casas, como se as batalhas tivessem
acontecido entre as paredes. Ainda mais chocante foi a descoberta de 27
esqueletos, contorcidos e devorados. A teoria inicial que considerou um ato
de canibalismo foi descartada quando os depósitos da cidade foram
encontrados ainda cheios de comida. Ao investigar a mina, o grupo de
resgate fez a sua descoberta mais terrível. O poço de entrada tinha sido
dinamitado por dentro, selando o acesso. C inqüenta e oito homens,
mulheres e crianças foram encontrados mortos de fome. O grupo conseguiu
determinar que foram estocados alimentos suficientes para durar várias
semanas, sugerindo que aquelas pessoas tinham permanecido enterradas
por muito mais tempo do que isso. Após uma minuciosa contagem de
corpos, restos e carcaças, pelo menos 32 pessoas continuavam
desaparecidas.
A teoria mais aceita é a de que, por alguma razão, um necrófilo, ou um
grupo deles, surgiu das florestas próximas e atacou P iedmont. Após uma
curta e violenta batalha, os sobreviventes carregaram toda a comida que
podiam para dentro da mina. Depois de fechar permanentemente a
entrada, estas pessoas esperaram por uma ajuda que acabou por nunca
chegar. Suspeita-se de que antes da decisão final de fugir para dentro da
mina, um ou mais sobreviventes tenham tentado alcançar o posto militar
mais próximo em busca de ajuda. J á que não existe nenhum registro desta
tentativa e que nenhum corpo foi encontrado, é bastante provável que
estes mensageiros tenham perecido na jornada ou tenham sido combatidos
pelos mortos-vivos. Se os zumbis realmente fizeram parte desta história, seus
restos nunca foram encontrados. N enhuma tentativa oficial de encobrir
este incidente se seguiu a estas descobertas. Os boatos iam de doenças,
avalanches e revoltas internas a ataques de "índios selvagens" (embora
nenhum grupo indígena vivesse naquela região). A mina em questão nunca
mais foi reaberta. A C ompanhia P aĴerson de M ineração (dona tanto da
mina quanto da cidade) pagou uma compensação de vinte dólares para
cada parente das vítimas de P iedmont, em troca de seu silêncio sobre o
acontecido. E vidências destas transações aparecem nos livros-caixa da
companhia, descobertos quando esta declarou falência em 1931. N ão houve
nenhuma investigação posterior, à luz destas novas descobertas.1888 d.C., HAYWARD, WASHINGTONE sta passagem descreve a aparição do primeiro caçador profissional de
zumbis na América do N orte. O incidente tem início quando um caçador de
peles de animais, chamado Gabriel Allens, chegou até a cidade com uma
ferida profunda em um dos braços. "Allens falava de uma alma que vagava
tal qual um homem possuído, com a pele cinza como pedra e os olhos
perdidos e sem vida. Quando Allens se aproximou do miserável, ele deu um
gemido hediondo e mordeu o caçador no antebraço direito." E stas passagens
foram retiradas do diário de J onathan Wilkes, o médico local que cuidou de
Allens após o ataque. P ouco se sabe sobre como a infecção se espalhou do
primeiro hospedeiro para o resto da cidade. Fragmentos de informação
sugerem que a segunda vítima tenha sido o próprio Dr. Wilkes, seguido por
três homens que tentaram prendê-lo. Seis dias após o primeiro ataque,
H ayward era uma cidade sitiada. M uitas pessoas se esconderam nas casas
ou na igreja da cidade, enquanto os zumbis atacavam suas defesas
incessantemente. E mbora não faltassem armas de fogo no local, ninguém
percebeu a necessidade de mirar nas cabeças. M unição, água e comida
acabaram poucos dias depois e ninguém tinha esperanças de agüentar mais
do que a próxima semana.
N o alvorecer do sétimo dia, um índio lakota chamado E lija B lack chegou
à cidade. M ontado em um cavalo e com um sabre do exército dos E UA, ele
decapitou uma dezena de necrófilos em menos de meia hora. E m seguida,
B lack usou um bastão em brasa para desenhar um círculo em volta da torre
de água da cidade, antes de subir até o topo. E m meio aos seus gritos, o som
de um velho clarim do exército e o seu cavalo como isca, ele conseguiu atrair
a atenção de todos os mortos-vivos da cidade para a sua localização. C ada
um deles que entrou no círculo desenhado por B lack recebeu um tiro na
cabeça, cortesia de sua espingarda W inchester. Desta maneira calma e
disciplinada, B lack eliminou todo o contingente de zumbis, 59 deles, em seis
horas. Quando finalmente os sobreviventes perceberam o que tinha
acontecido, seu salvador já havia partido. Os relatos posteriores conseguiram
reunir partes do passado de E lija B lack. Aos quinze anos, ele e seu avô
estavam caçando quando eles encontraram o massacre do grupo de
Knudhansen. Pelo menos um membro tinha sido infectado anteriormente e,
uma vez zumbificado, acabou por atacar o resto do grupo. B lack e seu avô
destruíram os zumbis com golpes de machadinha na cabeça, decapitação e
fogo. Uma das "sobreviventes", uma mulher de trinta anos, explicou como a
infestação havia se espalhado e como metade do grupo de zumbis recémtransformados tinha rumado para dentro da floresta. E m seguida ela
confessou que seus ferimentos e o das outras pessoas eram uma maldição
incurável e, unanimemente, pediram por sua morte.
Após essa matança misericordiosa, o velho lakota revelou ao neto que ele
próprio tinha escondido um ferimento sofrido durante a batalha. A última
morte do dia seria a do avô de B lack. A partir deste dia ele dedicou a sua
vida à caça dos zumbis remanescentes do grupo de K nudhansen. A cada
encontro, seu conhecimento e experiência aumentavam. E mbora nunca
tenha chegado até P iedmont, B lack matou nove dos zumbis da cidade que
se aventuraram pela natureza. N a época do evento de H ayward, B lack
havia se tornado, muito provavelmente, o maior estudioso e caçador de
mortos-vivos do mundo. P ouco se sabe sobre o resto da sua vida ou de como
terminou. E m 1939, sua biografia foi publicada em forma de livro e em uma
série de artigos que apareceram em jornais ingleses. C omo, a princípio,
nenhuma das duas versões sobreviveu até os dias de hoje, é impossível
determinar em quantas batalhas B lack lutou, mas uma busca minuciosa está
sendo realizada para localizar exemplares perdidos do livro.1893 d.C., FORTE LOUIS PHILIPPE, NORTE DA
ÁFRICA FRANCESA
O diário de um oficial de baixa patente na L egião Francesa relata uma
das maiores insurreições da história:
E le chegou três horas depois do alvorecer, um único árabe, a pé, à beira
da morte pelo sol e pela sede. (...) Após um dia de descanso, com tratamento
e água, ele relatou a história de uma praga que transforma suas vítimas em
monstros canibais. (...) Antes que a nossa expedição até o vilarejo pudesse
ser organizada, nossos postos avançados na muralha sul avistaram o que
parecia ser uma manada de animais. (...) C om minha luneta, pude ver que
eles não eram bestas, mas homens, cuja carne não tinha cor e cujas roupas
estavam em trapos. O vento virou e trouxe consigo, primeiro um uivo de
lamentos, e depois um fedor de decomposição humana. (...) N ós
imaginamos que estes pobres miseráveis estivessem atrás do nosso
sobrevivente. C omo eles conseguiram atravessar tamanha distância sem
água ou comida, não sabemos dizer. (...) Avisos e alertas de nossa parte não
produziram respostas. (...) E xplosões de nossos canhões não conseguiram
fazer com que eles se dispersassem. (...) T iros de rifle de longo alcance
pareciam não ter nenhum efeito! (...) O cabo Strom foi enviado a cavalo a
B ir-E l-K saib enquanto nós trancamos os portões e nos preparamos para um
ataque.
O ataque transformou-se no maior cerco de mortos-vivos já registrado.
Os legionários pareciam incapazes de perceber que seus adversários estavam
mortos, gastando munição em tiros no tronco. Os tiros acidentais na cabeça
não foram capazes de convencê-los da eficácia desta tática. O cabo Strom,
enviado para conseguir ajuda, nunca mais foi encontrado. P resume-se que
tenha encontrado seu fim nas mãos de árabes hostis no deserto. Seus
camaradas permaneceram sitiados no forte durante três anos! Felizmente
uma caravana de suprimentos finalmente chegou. A água não era um
problema por causa do poço, em volta do qual o forte fora construído. Os
animais e cavalos que se encontravam no forte foram sacrificados e tiveram
sua carne racionada num último esforço para sobreviver. Durante todo este
tempo, o exército de mortos-vivos, mais de quinhentos zumbis, continuava
a cercar as muralhas do forte. O diário relata que, com o passar do tempo,
muitos foram mortos com explosivos caseiros, coquetéis M olotovs
improvisados e até grandes pedras arremessadas de cima das muralhas. N ão
foi suficiente, entretanto, para quebrar o cerco. Os gemidos incessantes
enlouqueceram vários homens e fizeram com que dois deles cometessem
suicídio. Diversos tentaram pular da muralha, numa tentativa de escapar.
T odos os que tentaram foram cercados e massacrados. Uma tentativa de
motim enfraqueceu ainda mais as forças legionárias, fazendo com que o
número de sobreviventes chegasse a 27. Foi neste momento que o
comandante da unidade decidiu tentar mais um plano desesperado:
T odos os homens foram equipados com um suprimento de água e com a
pouca comida que restava. T odas as escadas que levavam ao parapeito da
muralha foram destruídas. (...) N ós nos reunimos na muralha sul e
começamos a gritar, atraindo quase todos os "atormentadores" para os nossos
portões. O coronel Drax, com a coragem de um homem possuído, desceu ao
nível da tranca e a abriu. Rapidamente uma multidão fétida adentrou o
forte. O coronel tinha deixado iscas suficientes para eles, fazendo com que
os miseráveis atravessassem toda a extensão do forte, até a enfermaria (...)
ele foi resgatado são e salvo bem a tempo, com uma mão podre tentando
agarrar a sua bota. N ós continuamos a chamar as criaturas, gritando e
pulando como macacos selvagens, mas agora com todas as criaturas dentro
do nosso próprio forte! (...) Dorset e 0'T oole desceram pela parede norte (...)
correram até os portões e o trancaram'. (...) As criaturas que ficaram
trancadas, em sua fúria insana, não conseguiram abrir o portão novamente!
Quanto mais o empurravam, mais distantes ficavam da saída!
Os legionários, então, desceram pelas paredes, enfrentaram os poucos
zumbis remanescentes num violento combate corpo-a-corpo e depois
marcharam quase 400 km ao oásis mais próximo, em B ir Ounane. As
informações sobre este cerco não podem ser encontradas em registros
militares. N ão há nenhuma explicação sobre o porquê de nenhuma unidade
ter sido enviada até o forte depois que as suas remessas pararam de chegar.
A única pista oficial sobre qualquer pessoa envolvida no ocorrido é a prisão e
o julgamento em corte marcial do coronel Drax. As transcrições deste
julgamento, assim como as acusações, permanecem confidenciais. Os boatos
desta insurreição continuaram a correr pela L egião, pelo exército e a
sociedade francesa por décadas. M uitos relatos ficcionais foram escritos
sobre o "cerco do diabo". Apesar de negar o incidente, a L egião Francesa
nunca mais enviou expedições para o Forte Louis Philippe.1901 d.C., LU SHAN, TAIWANDe acordo com B ill Wakowski, um marinheiro americano que servia com
a frota asiática, vários agricultores de L u Shan levantaram de suas camas
durante a noite para atacar o vilarejo. Devido à localização remota e à falta
de comunicação (telefone ou telégrafo), a notícia só chegou até Taipei uma
semana depois:
E stes missionários americanos, a congregação do pastor Alfred, acharam
que era uma punição divina aos chineses por não aceitarem a palavra de
Deus. E les conheciam a fé, e o N osso Senhor tiraria o demônio de dentro
deles. N osso emissário ordenou que eles ficassem parados até que ele
conseguisse reunir uma escolta armada, mas o pastor Alfred o ignorou.
E nquanto o homem buscava socorro, a congregação seguiu em direção ao
rio. (...) N osso grupo que vinha da costa e o pelotão de tropas nacionalistas
chegaram ao vilarejo por volta do meio-dia (...) corpos, ou pedaços deles,
estavam espalhados por toda parte. O chão estava grudento e o cheiro, ó
meu Deus, o cheiro! (...) Quando aquelas coisas saíram da névoa, criaturas
nojentas, diabos humanos, atiramos neles a uma distância de menos de cem
metros, mas nada adiantou. N em nossos rifles nem a metralhadora (...) Riley
perdeu o controle, eu acho. P egou a baioneta e tentou acertar uma das
bestas, mas uma dezena de outras avançaram para cima dele. Rápidas como
um relâmpago, elas rasgaram meu amigo, membro a membro. Roeram sua
carne até os ossos, foi uma visão horrível! (...) E foi então que ele apareceu,
pequeno bruxo careca ou monge, ou seja lá como você queira chamá-lo (...)
girando o que parecia ser uma pá com uma lâmina nas costas (...) devia ter
uns dez, vinte corpos aos seus pés (...) ele corria de um lado para o outro,
gritando como louco e sinalizando para a própria cabeça e depois para as
cabeças das bestas. O nosso homem, e só Deus sabe como ele entendeu o que
o maldito chinês estava falando, nos mandou atirar nas cabeças. (...) N ós
fizemos uma festa de tiro ao alvo. (...) P rocurando entre os corpos, nós
achamos, em meio aos chineses, alguns homens brancos, nossos missionários.
Um de nossos homens encontrou o monstro cuja espinha tinha sido
quebrada por um dos tiros. E le ainda estava vivo, debatendo os braços,
estalando os dentes sangrentos, soltando aquele gemido terrível! N osso
homem reconheceu a criatura como o pastor Alfred. Depois das devidas
preces, ele atirou na cabeça do padre.
Wakowski vendeu esta história para a revista sensacionalista C ontos
M acabros, o que resultou em imediata perda de seu posto e em sua prisão.
Quando foi solto, Wakowski se recusou a dar qualquer entrevista. Até os dias
de hoje, a marinha americana nega esta história.1905 d.C., TABORA, TANGANYIKA, LESTE
DA ÁFRICA ALEMÃAs transcrições de um julgamento dizem que um guia nativo, chamado
apenas de "Simon", foi preso e acusado de decapitar o famoso caçador
branco K arl Seekt. O conselheiro de defesa de Simon, um agricultor
holandês chamado Guy Voorster, explicou que o seu cliente acreditava ter
praticado um ato de grande heroísmo. De acordo com Voorster:
O povo de Simon acreditava em uma doença que roubava a força da
vida de um ser humano. Sem ela o corpo fica morto, mas ao mesmo tempo
vivo, sem nenhum autocontrole e tendo apenas o canibalismo como sua
força motriz. (...) Além disso, as vítimas deste monstro morto-vivo se
levantarão da própria cova para devorar ainda mais vítimas. E ste ciclo se
repetirá, de novo e de novo até que nada reste na face da Terra a não ser
estes monstros comedores de carne. (...) M eu cliente afirma que a vítima em
questão voltou ao seu acampamento com dois dias de atraso, sua mente
delirante e um ferimento inexplicado no braço. M ais tarde, no mesmo dia,
ele faleceu. (..) M eu cliente disse que, então, H err Seekt levantou de seu
leito de morte e começou a atacar o resto do grupo. M eu cliente usou a sua
lâmina nativa para decapitar H eer Seekt e incinerou sua cabeça na fogueira
do acampamento.
O sr. V oorster também disse que ele não concordava com o testemunho
de Simon, mas o enviou apenas como prova de que o homem era louco e
que, portanto, não deveria ser condenado à morte. I nfelizmente, como a
defesa de insanidade era aplicável apenas aos homens brancos e não aos
africanos, Simon foi sentenciado à forca. T odos os registros do julgamento
ainda existem, embora em péssimas condições, em Dar es Salaam, na
Tanzânia.1911 d.C., VITRE, LOUISIANAEsta é uma lenda comum nos EUA, contada em bares e escolas em todo o
sul do país, mas tem suas origens em fatos históricos. E m uma noite de
H alloween, vários jovens de ascendência franco-canadense participaram
de uma brincadeira de "eu te desafio" a ficar uma noite inteira no B ayou, da
meia-noite até o amanhecer. Segundo os costumes locais, os zumbis
descendiam de uma família de colonos que espreitava os pântanos,
comendo e reanimando qualquer pessoa que cruzasse o seu caminho. Até o
meio-dia do dia seguinte, nenhum dos adolescentes havia retornado do
desafio. Um grupo de busca foi formado para investigar o pântano. E les
foram atacados por pelo menos trinta necrófilos, entre eles os jovens. O
grupo de resgate bateu em retirada, levando, sem querer, os mortos-vivos
até Vitre. Enquanto a população se protegia dentro de casa, um deles, Henri
De L a C roix, achou que embeber os mortos-vivos em melaço faria com que
milhares de insetos viessem para devorá-los. A estratégia falhou e De L a
C roix mal escapou com vida. Os mortos-vivos novamente foram
encharcados, desta vez com querosene, e logo estavam todos em chamas.
Sem perceber a conseqüência de seus atos, os moradores de V itre só
puderam assistir enquanto os mortos-vivos colocavam fogo em tudo em que
tocavam. Diversas vítimas, presas em edifícios embarricados, foram
queimadas vivas, enquanto outros fugiram para os pântanos. M uitos dias
mais tarde, voluntários de busca contaram 58 sobreviventes (sendo 114 a
população da cidade antes do ataque). A cidade de V itre tinha sido
reduzida às cinzas. O número de mortes entre mortos-vivos e seres
humanos é variável. Quando somamos o número de baixas de V itre com os
corpos de zumbis encontrados, pelo menos 15 pessoas permanecem
desaparecidas. Os registros oficiais do governo, em B aton Rouge, explicam o
ataque como "comportamento revoltoso da população negra", uma
explicação curiosa, ao considerarmos que a população de V itre era
inteiramente branca. T odas as provas de uma insurreição de zumbis vêm de
cartas pessoais ou diários encontrados entre os descendentes dos
sobreviventes da tragédia.1913 d.C., PARAMARIBO, SURINAMEE mbora o Dr. I brahim Obeidallah possa ter sido o primeiro a expandir o
conhecimento científico da humanidade em relação aos mortos-vivos, ele
não foi (felizmente), o último. O Dr. J an Vanderhaven, já muito respeitado
na E uropa devido a seus estudos sobre a lepra, chegou a esta colônia na
América do Sul para estudar uma insurreição bizarra desta doença tão
conhecida.
As almas infectadas mostram sintomas similares àqueles encontrados em
outras localidades: feridas apodrecidas, pele mosqueada, carne com a
aparência de estar em decomposição. T odas as semelhanças com a doença
conhecida, entretanto, terminam aqui. E stas pobres almas parecem ter
enlouquecido completamente. (...) E les não mostram nenhum sinal de
pensamento racional ou de conseguir reconhecer um familiar. (...) N ão
dormem nem bebem água e rejeitam qualquer comida que não esteja viva.
(...) Ontem, um dos funcionários do hospital, apenas por curiosidade e
contra as minhas ordens, soltou um rato ferido dentro da cela de um dos
pacientes. E le prontamente agarrou o roedor e o engoliu inteiro. (...) Os
pacientes infeccionados mostram uma hostilidade que beira a raiva. (...)
Tentam morder qualquer pessoa que se aproxime, com os dentes à mostra,
como animais. (...) Um visitante, uma mulher influente que desafiou o
protocolo hospitalar, foi, por conseqüência, mordida e infectada por seu
marido. Apesar de termos utilizado todos os tratamentos conhecidos, ela
rapidamente sucumbiu ao ferimento, falecendo no mesmo dia. (..) O corpo
foi enviado de volta à fazenda da família. (...) C ontra todos os meus
pedidos, uma autópsia foi negada devido a preocupações com decoro. (...)
N a mesma noite o cadáver foi dado como roubado. (...) E xperimentos com
álcool, formalina e aquecimento até 90°C descartaram a possibilidade de
infecção por bactéria. (...) deduzo, portanto, que este agente é um fluido
vivo contagioso (...) chamado "Solanum".
("Fluido vivo contagioso" era uma expressão comum antes da adoção da
palavra latina vírus.) E stas passagens foram extraídas de um estudo de 200
páginas, realizado ao longo de um ano, feito pelo Dr. Vanderhaven em
relação a sua nova descoberta. N este estudo, ele documenta a tolerância à
dor dos zumbis, a aparente falta de respiração, a baixa taxa de
decomposição, a falta de velocidade, a agilidade limitada e a completa falta
da faculdade de cura do corpo. Devido à natureza violenta de seus objetos
de estudo e do aparente medo dos funcionários do hospital, Vanderhaven
nunca conseguiu fazer uma autópsia completa. P or esta razão, ele foi
impossibilitado de descobrir que os mortos-vivos eram apenas isso, mortosvivos. E m 1914, ele retornou à H olanda e publicou seu trabalho.
I ronicamente, não foi nem bem nem mal recebido na comunidade
científica. A história dele, como tantas outras no período, foi eclipsada pela
chegada da P rimeira Guerra M undial. C ópias do trabalho descansam
esquecidas em Amsterdã. Vanderhaven voltou a praticar medicina
convencional no leste das índias H olandesas (I ndonésia), onde acabou por
morrer vítima da malária. A grande descoberta de Vanderhaven foi a
percepção de que um vírus estava por trás da criação dos zumbis e ele foi,
notadamente, a primeira pessoa a dar o nome "Solanum" ao vírus. N ão se
sabe por que ele escolheu este nome. E mbora seu trabalho não tenha sido
celebrado por seus contemporâneos europeus, ele é, atualmente, muito lido
em todo o mundo. I nfelizmente, um país fez uso das descobertas do bom
doutor para um fim maligno.1923 d.C., COLOMBO, CEILÃO (ATUAL SRI LANKA)E ste relato vem de T he Oriental, um jornal para britânicos que viviam
nas colônias da índia. C hristopher Wells, um co-piloto da B ritish I mperial
Airways, foi resgatado em um bote salva-vidas após 14 dias no mar. Antes
de morrer de insolação, Wells explicou que estava transportando um
cadáver descoberto por uma expedição britânica no monte E verest. O
cadáver pertencia a um europeu, suas roupas eram do século anterior e não
havia nenhum documento de identificação. C omo ele estava
completamente congelado, o líder da expedição decidiu enviá-lo por avião
até C olombo, para maiores estudos. Durante a viagem, o gelo derreteu e o
corpo se reanimou, atacando em seguida a tripulação do avião. Os três
homens conseguiram deter o adversário, esmagando a cabeça dele com o
extintor de incêndio (como não foram capazes de identificar o tipo de
criatura com que estavam lidando, é possível que a tentativa fosse de
apenas incapacitar o zumbi). Apesar de estarem a salvo daquela ameaça,
eles agora tinham que dar conta dos danos sofridos pela aeronave. O piloto
enviou um sinal de socorro pelo rádio, mas não teve tempo de enviar as
coordenadas do avião. Os três homens pularam de pára-quedas, com o líder
da tripulação ferido, sem perceber as conseqüências futuras. N o dia
seguinte ele morreu, apenas para se reanimar horas mais tarde e
imediatamente atacar os dois outros homens. E nquanto o piloto lutava com
o morto-vivo, Wells, em pânico, chutou ambos para fora do bote. Após
relatar, ou talvez confessar, esta história para as autoridades, Wells ficou
inconsciente e morreu no dia seguinte. Sua história ficou registrada como
delírio de uma vítima de insolação. Uma investigação subseqüente não
descobriu nenhum vestígio do avião, sua tripulação ou do alegado zumbi.
1942 d.C., PACÍFICO CENTRALDurante o avanço inicial dos japoneses, um pelotão da marinha britânica
foi enviado para ocupar Atuk, uma ilha no arquipélago de C aroline. Dias
depois da aterrissagem, o pelotão foi atacado por uma multidão de zumbis
vindos da selva local. As baixas foram muitas. Sem ter nenhuma informação
sobre a natureza dos atacantes ou da melhor maneira de destruí-los, os
fuzileiros navais foram levados a um local fortificado no alto de uma
montanha, na parte norte da ilha. I ronicamente, enquanto os feridos foram
deixados para morrer, os fuzileiros restantes acabaram por aumentar suas
chances de sobrevivência. O pelotão permaneceu fixo na "fortaleza" no topo
da montanha por vários dias, sem comida ou água, e sem qualquer
possibilidade de contato com o mundo exterior. Durante todo este tempo, os
zumbis estavam cercando a área. M esmo impossibilitados de subir os morros
ín
gremes, eles impediam qualquer possibilidade de fuga. Após duas semanas
de aprisionamento, Ashi N akamura, o atirador de elite do pelotão, descobriu
que um tiro na cabeça era fatal para os zumbis. E ste conhecimento
possibilitou aos japoneses finalmente combaterem seus atacantes. Após
eliminarem os necrófilos mais próximos com tiros de rifle, eles avançaram
para dentro da selva com o intuito de varrer a ilha completamente.
Testemunhas oculares relataram que o oficial comandante, o tenente
H iroshi T omonaga, decapitou onze zumbis utilizando apenas a sua espada
katana (um forte argumento para o uso desta arma). Um exame
comparativo feito no pós-guerra mostrou que Atuk é, quase certamente, a
mesma ilha que Sir Francis Drake descreveu como a "ilha dos condenados".
O próprio testemunho do T omonaga, dado a autoridades americanas após a
guerra, relata que depois de as comunicações com T óquio terem sido
restabelecidas, o alto comando japonês deu ordens específicas para a
captura, e não o extermínio, de qualquer zumbi sobrevivente. Uma vez que
isto fosse feito (quatro necrófilos foram presos e amordaçados com sucesso),
o submarino imperial 1-58 seria enviado para retirar os prisioneiros.
T omonaga disse não saber nada sobre o destino dos prisioneiros. E le e seus
homens receberam ordens de não comentar o acontecido, sob risco de pena
de morte.1942-45 d.C, HARBIN, ESTADO DE MANCHUKUO (MANCHÚRIA),
ANEXADO PELOS JAPONESESE m seu livro de 1951, T he Sun Rose on H ell, um ex-oficial da inteligência
do exército dos E UA, chamado David Shore, relata uma série de
experimentos biológicos realizados durante a guerra por uma equipe militar
japonesa conhecida como "Dragão N egro". Um de seus experimentos, que
recebeu o nome de "B otão de C ereja", foi organizado com o objetivo
específico de criar e treinar zumbis para a formação de um exército. De
acordo com Shore, quando as forças japonesas invadiram as índias
Ocidentais H olandesas em 1941-2, uma cópia da pesquisa de J an
Vanderhaven foi descoberta em uma biblioteca médica em Surabaya. A
pesquisa foi então enviada para o quartel-general da Dragão N egro, em
H arbin, para ser estudada minuciosamente. E mbora em teoria eles tivessem
um plano, nenhuma amostra de Solanum foi encontrada (prova de que a
antiga "irmandade da vida" foi eficiente na matança de zumbis no J apão).
Tudo isso mudou após o incidente em Atuk, seis meses mais tarde. Os quatro
zumbis aprisionados chegaram a Harbin. Experimentos foram feitos com três
deles, enquanto o último foi utilizado apenas para gerar mais zumbis. Shore
afirma que os "dissidentes" (qualquer pessoa que discordasse do regime
militar japonês) eram usados como "cobaias". Uma vez que um pelotão de
quarenta zumbis foi reanimado, o pessoal da Dragão N egro tentou treiná-los
como zangões obedientes. E sta tentativa teve resultados abissais: mordidas
transformaram dez dos 16 instrutores em zumbis. Após dois anos de
tentativas infrutíferas, a decisão final foi lançar essa arma contra o inimigo,
sem importar as condições em que se encontravam. Dez necrófilos seriam
atirados de pára-quedas sob as forças britânicas na B irmânia. O avião foi
atingido por uma bateria antiaérea antes de chegar a seu alvo, explodindo
numa bola de fogo que não deixou nenhum vestígio de sua carga. Uma
segunda tentativa de descarregar os mortos-vivos por submarino foi feita no
canal do P anamá (que era controlado pelos norte-americanos). E sperava-se
que o caos gerado pelos zumbis impedisse que navios construídos no
Atlântico chegassem ao P acífico. O submarino, entretanto, foi afundado no
meio do caminho. Uma terceira tentativa foi feita, novamente por
submarino, desta vez com o objetivo de soltar os zumbis perto da C osta
Oeste dos E UA, mas, enquanto o submarino navegava no P acífico N orte, o
comandante enviou uma mensagem de rádio dizendo que os zumbis
tinham se libertado e estavam atacando a tripulação. Ele não tinha escolha a
não ser abandonar a embarcação. C om a guerra próxima de seu fim, foi feita
uma quarta e última tentativa de enviar os zumbis remanescentes de páraquedas para combater um grupo de guerrilheiros chineses na província de
Yonnan. N ove dos zumbis pára-quedistas foram eliminados com tiros na
cabeça pelos atiradores de elite chineses. E stes atiradores não perceberam a
importância de seus tiros. Suas ordens sempre foram para atingir a cabeça. O
último zumbi foi capturado, preso e levado ao quartel-general de M ao Tsé-
tung para estudos posteriores. Quando a União Soviética invadiu
M anchukuo em 1945, todos os registros e evidências do projeto "B otão de
Cereja" tinham desaparecido.
Shore afirma que seu livro é baseado em relatos de testemunhas oculares
das operações da Dragão N egro, homens que ele entrevistou pessoalmente
após o exército americano tomar a C oréia do Sul no final da guerra. A
princípio Shore encontrou uma pequena editora independente para
publicar seu livro, conhecida como Green B rothers P ress. Antes de o livro
chegar às prateleiras, o governo ordenou que todos os exemplares fossem
confiscados. A Green B rothers P ress foi acusada diretamente pelo senador
J oseph M cC arthy de publicar material "subversivo e obsceno". Sob o peso
das taxas legais, a empresa declarou falência. David Shore foi acusado de
violar a segurança nacional e foi sentenciado à prisão perpétua em Fort
L eavenworth, no K ansas. E le recebeu perdão em 1961, mas morreu vítima
de um ataque cardíaco meses depois de deixar a prisão. Sua viúva, Sara
Shore, guardou um exemplar secreto e ilegal do manuscrito até a sua morte
em 1984 e a filha do casal, H annah, recentemente ganhou na justiça o
direito de republicar o livro.
1943 d.C., NORTE DA ÁFRICA FRANCESAE ste excerto vem da entrevista do soldado de primeira classe Anthony
M arno, operador de metralhadora no bombardeiro B -24 do exército dos
E stados Unidos. V oltando de uma incursão contra tropas alemãs
concentradas na I tália, a aeronave se perdeu, voando sobre o território da
Argélia. C om pouco combustível, o piloto avistou o que parecia ser um
acampamento humano e ordenou que a tripulação pulasse. O que eles
encontraram foi o Forte Louis Philippe.
P arecia algo saído do pesadelo de uma criança. (...) N ós abrimos os
portões, não tinha tranca nem nada parecido. Andamos até o pátio
principal e só o que vimos foi esse monte de esqueletos. Uma montanha
deles, de verdade! E mpilhados pra todo o lado, que nem um filme. N osso
capitão, ele só balançou a cabeça e disse: "P arece que deveria ter um tesouro
enterrado aqui, né?" Felizmente nenhum dos corpos estava dentro do poço.
E nchemos nossos cantis e pegamos alguns suprimentos. N ão tinha
nenhuma comida, mas eu acho que foi melhor assim, sabe?
M arno e o resto da tripulação foram resgatados por uma caravana árabe,
a 80 quilômetros de distância do forte. Quando perguntados sobre o lugar, os
árabes se recusaram a responder. N aquele momento o exército dos E stados
Unidos não tinha nem interesse nem recursos para investigar uma ruína
abandonada no meio do deserto. N enhuma expedição posterior foi
organizada.1947 d.C., JARVIE, COLÚMBIA BRITÂNICAUma série de artigos publicados em cinco jornais diferentes conta os
sangrentos acontecimentos e o heroísmo individual associados com esta
pequena cidade canadense. P ouco se sabe sobre a origem da insurreição.
H istoriadores suspeitam que o portador era M athew M organ, um caçador
local que certa noite retornou para a cidade com um estranho ferimento no
ombro. N o alvorecer do dia seguinte, 21 zumbis estavam vagando pelas ruas
de J arvie. N ove pessoas foram inteiramente devoradas. Os 15 sobreviventes
abrigaram-se no escritório do xerife. Um tiro de sorte por parte de um dos
moradores mostrou aos sobreviventes o que uma bala no cérebro podia fazer.
A esta altura, entretanto, a maioria das janelas estava fechada com tábuas, e
assim ninguém podia mirar nos zumbis. Um plano foi concebido, para que os
sobreviventes saíssem pelo telhado, com o objetivo de chegar ao escritório
dos telégrafos, e mandar uma mensagem para as autoridades em V itória. Os
sobreviventes chegaram até a metade do percurso quando um necrófilo
próximo os avistou e deu início à perseguição. Um dos membros do grupo,
Regina C lark, mandou que o grupo continuasse enquanto ela retardaria o
morto-vivo. C lark, armada com uma carabina M l, levou os zumbis a um
beco sem saída. Testemunhas oculares insistem que C lark fez isso de
propósito, para impedir que mais de quatro zumbis chegassem por vez. C om
uma pontaria excelente e uma velocidade de recarga impressionante, C lark
deu conta de toda a turba de zumbis. V árias testemunhas oculares
observaram-na esvaziar um pente de 15 balas em 12 segundos sem errar
nenhum tiro. Ainda mais impressionante é o fato de que o primeiro zumbi
morto era o próprio marido de C lark. Fontes oficiais chamam o
acontecimento de "uma demonstração inexplicável de violência pública".
T odos os artigos de jornal são baseados nos depoimentos dos cidadãos de
J arvie. Regina C lark se recusou a dar entrevistas. Suas memórias
permanecem guardadas como um segredo de família.
1954 d.C., THAN HOA, INDOCHINA FRANCESAE ste trecho foi retirado de uma carta escrita por J ean B eart L acoutour,
um homem de negócios francês que morava na ex-colônia.
O jogo é chamado de "dança do diabo". Um ser humano é colocado em
uma gaiola com uma dessas criaturas. N osso homem tem com ele apenas
uma pequena lâmina, de, no máximo, oito centímetros. (...) Será que ele
consegue sobreviver a esta valsa com o morto-vivo? Se não, quanto tempo
ele agüentará? Apostas são aceitas para estas e muitas outras variáveis. (...)
N ós temos um estábulo cheio deles, esses gladiadores fétidos. A maioria é
transformada das vítimas dos jogos. Alguns são pegos na rua (...) nós
pagamos bem às famílias deles. (...) Que Deus me perdoe por esse pecado
inimaginável.
E sta carta, junto com uma fortuna considerável, chegou a L a Rochelle,
na França, três meses após a queda da I ndochina francesa para as guerrilhas
comunistas de H o C hi M inh. O destino da "dança do diabo" de L acoutour é
desconhecido e nenhuma outra informação foi descoberta. Um ano mais
tarde, o corpo de L acoutour chegou à França, quase que completamente
decomposto, com uma bala no cérebro. A explicação do coronel vietnamita
foi suicídio.1957 d.C., MOMBASA, QUÊNIAE ste relato foi extraído de um interrogatório feito por um oficial do
exército britânico a um rebelde gikuyu durante a revolta de M au M au
(todas as respostas foram conseguidas através de um intérprete):
— Quantas pessoas você viu?
— Cinco.
— Descreva-as.
— H omens brancos, com a pele acinzentada e quebradiça. Alguns
estavam feridos, com marcas de mordidas em algumas partes do corpo.
T odos tinham marcas de balas nos corpos. E les mancavam e grunhiam. Seus
olhos não tinham visão e seus dentes estavam manchados com sangue. O
cheiro de carniça os anunciava e os animais fugiam.
Ocorre uma discussão entre o intérprete e o prisioneiro. O prisioneiro
acaba por ficar em silêncio.
— O que aconteceu?
— E les vieram atrás da gente. N ós sacamos nossas lalems (arma nativa,
similar a um facão) e cortamos as cabeças deles, depois as enterramos.
— Vocês enterraram as cabeças?
— Sim.
— Por quê?
— Porque queimá-las denunciaria nossa posição.
— Você não foi ferido?
— Eu não estaria aqui.
— Você não teve medo?
— Nós só tememos os vivos.
— Então esses eram espíritos do mal?
O prisioneiro ri.
— Por que está rindo?
— E spíritos do mal são invenções pra assustar crianças. E sses homens
eram mortos-vivos.
O prisioneiro deu poucas informações adicionais no resto do
interrogatório. Quando questionado sobre a existência de zumbis,
permaneceu em silêncio. T oda a transcrição do interrogatório foi publicada
num tablóide inglês, no mesmo ano, mas nenhuma atitude foi tomada.
1960 d.C„ BYELGORANSK, UNIÃO SOVIÉTICASuspeita-se, desde o fim da Segunda Guerra M undial, de que as tropas
soviéticas que invadiram a M anchúria capturaram a maior parte dos
cientistas, informações e objetos de estudo (zumbis) evolvidos no projeto
especial Dragão N egro. Revelações recentes confirmaram que estes boatos
são verdadeiros. O propósito deste novo projeto soviético era criar um
exército secreto de mortos-vivos para a inevitável Terceira Guerra M undial.
A operação "B otão de C ereja", renomeado "E sturjão", foi realizada próximo a
uma pequena cidade no leste da Sibéria em que a única outra estrutura
presente era uma prisão para dissidentes políticos. E sta localização garantia
não só total sigilo como também providenciava um suprimento contínuo de
objetos para estudo. C om base em descobertas recentes, podemos dizer que,
por algum motivo, os experimentos deram errado, causando uma
insurreição de várias centenas de zumbis. Os poucos cientistas que
sobreviveram conseguiram escapar para a prisão. A salvo atrás das suas
muralhas, eles se acomodaram para o que parecia ser um curto cerco até que
a ajuda chegasse, mas isso não aconteceu. Alguns historiadores acreditam
que a natureza remota da localização (não existia nenhuma estrada e os
suprimentos chegavam por avião) impediu qualquer resposta imediata.
Outros acreditam que, já que o projeto tinha sido iniciado por Stalin, a K GB
relutava em informar o premiê N ikita K hrushchev da sua existência. Uma
terceira teoria diz que os líderes soviéticos sabiam do desastre, circundaram
a área com tropas para impedir que a insurreição se alastrasse e estavam
apenas observando os resultados do cerco. Dentro das paredes da prisão, a
coalizão de cientistas, pessoal militar e prisioneiros sobrevivia com conforto.
E stufas foram construídas; poços foram cavados; energia foi improvisada
com moinhos de vento e dínamos humanos. P or fim o contato por rádio foi
estabelecido diariamente. Os sobreviventes disseram que, pelas condições da
prisão, eles poderiam agüentar até o inverno, quando, em teoria, os mortosvivos congelariam. T rês dias antes do início do inverno, um avião soviético
soltou um dispositivo termonuclear em B yelgoransk. A explosão de um
megaton destruiu a cidade, a prisão e toda área ao redor.
P or décadas o desastre foi explicado pelo governo soviético como um
teste nuclear de rotina. A verdade só foi revelada em 1992, quando
informações começaram a vazar para o Ocidente. Também apareceram
boatos da insurreição entre veteranos da Sibéria, entrevistados pela primeira
vez pela nova e livre imprensa russa. As lembranças de oficiais veteranos
deram dicas sobre a verdadeira natureza da devastação ali ocorrida. M uitos
reconheceram que a cidade de B yelgoransk realmente existiu. Outros
confirmaram que ela era tanto uma prisão política quanto um centro de
pesquisa de guerra biológica. Alguns chegaram a mencionar um tipo de
insurreição, embora não dissessem exatamente o que se insurgiu. A
evidência de maior importância apareceu quando Artiom Zenoviev, um
mafioso russo e ex-arquivista da K GB , divulgou todas as cópias do relatório
oficial do governo para uma fonte ocidental anônima (um ato pelo qual ele
pagou integralmente). O relatório contém transcrições das comunicações de
rádio, fotografias aéreas (de antes e depois da explosão) e depoimentos das
tropas terrestres e da tripulação do avião, assim como confissões assinadas
pelos responsáveis pelo projeto "E sturjão". J unto com este relatório estão 643
páginas de informação de laboratório relacionadas com a fisiologia e os
padrões de comportamento dos mortos-vivos. Os russos descartaram todas
as informações como fraude. Se isso for verdade e se Zenoviev não for nada
mais do que um brilhante e criativo oportunista, por que a lista por ele
divulgada das pessoas responsáveis pelo caso vai ao encontro da lista oficial
dos registros de cientistas, comandantes militares e membros do P olitburo
que foram executados pela K GB um mês após o dia em que B yelgoransk foi
incinerada?1962 d.C., CIDADE NÃO IDENTIFICADA, NEVADAOs detalhes desta insurreição são surpreendentemente incompletos,
considerando que ocorreram em uma parte relativamente sossegada do
planeta, na segunda metade do século XX. De acordo com fragmentos de
testemunhos de terceiros, pedaços de jornais amarelados e uma declaração
policial suspeitosamente vaga, uma pequena insurreição de zumbis atacou e
cercou H ank Davis, um fazendeiro local, e três homens contratados em um
celeiro por cinco dias e noites. Quando a polícia estadual despachou os
necrófilos e entrou no celeiro, encontrou os quatro homens mortos.
I nvestigações subseqüentes declararam que os homens mataram uns aos
outros. M ais especificamente, três deles foram assassinados, enquanto o
quarto tirou a própria vida. N ão foi dado nenhum motivo concreto para
esta ocorrência. O celeiro era mais do que seguro contra ataques, e havia
ainda metade de um pequeno estoque de água e comida. A teoria atual é de
que os uivos incessantes dos zumbis, unidos a sentimentos de isolamento e
total impotência, levaram a uma crise de nervos. N enhuma explicação
oficial foi dada para a insurreição. O caso ainda se encontra "sob
investigação".1968 d.C., LESTE DE LAOSE sta história foi relatada por P eter Stavros, usuário de drogas e exfranco-atirador das Forças E speciais. E m 1989, durante uma avaliação
psicológica em um hospital para veteranos de guerra em L os Angeles, ele
contou esta história ao psiquiatra atendente. Stavros declarou que sua
equipe estava em uma missão de busca e destruição pela fronteira
vietnamita. Seu alvo era uma aldeia que se suspeitava ser uma área de
P athet L ao (guerrilhas comunistas). Ao entrar no local, eles descobriram que
os habitantes estavam no meio de seu próprio cerco contra muitas dezenas
de mortos-vivos. P or motivos desconhecidos, o líder da equipe ordenou que
eles recuassem e enviou um ataque aéreo. P atrulhas aéreas, armadas com
napalm, se espalharam pela área, destruindo tanto os mortos-vivos como os
sobreviventes humanos. N ão existem documentos que confirmem o
depoimento de Stavros. Os outros membros de sua equipe estão mortos,
desaparecidos em ação, desaparecidos nos E stados Unidos ou simplesmente
se recusaram a dar entrevistas.
1971 d.C., VALE NONG'ONA, RUANDAJ ane M assey, jornalista da vida selvagem de T he L iving E arth, foi
enviada por sua revista para fazer um documentário da vida de gorilas em
extinção. O trecho a seguir se espalhou como uma pequena anedota em
meio à maior e mais popular história de primatas raros e exóticos:
E nquanto atravessávamos um vale extremamente íngreme, eu vi algo se
mover nas folhagens abaixo. Nosso guia também viu e nos encorajou a seguir
naquela direção. E naquele momento ouvi algo raríssimo naquela parte do
mundo: silêncio total. N enhum pássaro, nenhum animal, nem mesmo um
inseto fazia barulho algum, e percebam que estamos falando de um lugar
com insetos bem barulhentos. P erguntei a K engeri e ele me disse que
continuasse quieta. M ais para baixo no vale, eu pude ouvir um uivo
assustador. Kevin [o fotógrafo da expedição] ficou ainda mais branco do que
o normal e ficava repetindo para si que devia ser o vento. Eu já ouvi o vento
de Sarawak, do Sri L anka, da Amazônia e até do N epal, e aquilo N AO era o
vento! K engeri empunhou seu facão e nos pediu novamente para ficarmos
quietos. Eu disse a ele que queria descer o vale e ver o que era o barulho, mas
ele se recusou. Eu insisti e ele disse, "os mortos andam por lá", e foi embora.
M assey nunca explorou o vale nem descobriu a origem dos uivos. A
história do guia pode ter sido superstição local. O uivo pode ter sido
simplesmente o vento. N o entanto, mapas do vale mostram que ele é
cercado por altos picos em todas as direções, tornando impossível a fuga
para os necrófilos. Teoricamente, o vale pode servir como um receptácu- lo
para tribos que desejem isolar, porém não destruir, os mortos-vivos.1975 d.C., AL-MARQ, EGITO
As informações a respeito desta insurreição foram coletadas de várias
fontes: entrevistas com testemunhas oculares locais, nove depoimentos de
militares egípcios de baixa patente, além dos relatos de Gassim Farouk (exoficial da inteligência da Força Aérea E gípcia que recentemente emigrou
para os E stados Unidos), e vários jornalistas internacionais que pediram que
suas identidades fossem mantidas em segredo. T odas as fontes confirmaram
a história de que uma insurreição de origem desconhecida atacou e infestou
esta pequena aldeia egípcia. Os pedidos de socorro foram ignorados, não
apenas pela polícia de outras cidades como pelo comandante da base da
Segunda Divisão B lindada de Gabai Garib, que se localizava a apenas 56 km
dali. P or uma estranha ironia do destino, o operador de telefones de Gabai
Garib era também um agente israelense do M ossad que passava informações
para o quartel-general das I DF, as Forças de Defesa de I srael, em Tel Aviv.
As informações foram consideradas uma fraude, tanto pelo M ossad como
pela equipe geral israelense, e teria sido completamente esquecida se não
fosse pelo coronel J acob K orsunsky, um adido da primeira- ministra Golda
M eir. J udeu norte-americano e ex-colega do falecido David Shore,
K orsunsky tinha total conhecimento da existência de zumbis e da ameaça
que representavam caso não fossem enfrentados. Surpreendentemente,
K orsunsky convenceu M eir a criar uma missão de reconhecimento para
investigar Al-M arq. N este momento a infestação tinha chegado a seu
décimo quarto dia. N ove sobreviventes tinham construído barricadas ao
redor da mesquita da cidade, com pouca água e nenhuma comida. Um
pelotão de soldados pára-quedistas, liderados por K orsunsky, desceu no
centro de Al-M arq e, após uma batalha de 12 horas, eliminou todos os
zumbis. H á várias especulações em torno do final desta história. Alguns
acreditam que o exército egípcio cercou Al-M arq, capturou os israelenses e
se preparou para executá-los imediatamente. Somente depois de implorar
por seus sobreviventes, que mostraram aos soldados os corpos dos zumbis, os
egípcios libertaram os israelenses para que retornassem a suas casas. Outros
levam a possibilidade adiante, acreditando que esta é uma das razões da
trégua entre E gito e I srael. N ão existem evidências fortes que sustentem
essa versão. J acob K orsunsky morreu em 1991. Suas memórias, relatos
pessoais, comunicados militares, artigos de jornal subseqüentes e até mesmo
filmagens da batalha feitas por um câmera do M ossad foram confiscados
pelo governo israelense. Se esta história for verdadeira, ela impõe uma
questão interessante e perturbadora: por que o exército egípcio se
convenceria da existência dos mortos-vivos simplesmente por testemunhar
relatos e corpos aparentemente humanos? Será que um espécime intacto
(ou vários), em bom funcionamento, não teria que existir para que uma
história tão incrível tivesse crédulo? E , em caso afirmativo, onde estão estes
espécimes agora?1979 d.C., SPERRY, ALABAMADurante suas entregas diárias, C huck B ernard, o carteiro local, parou na
fazenda dos H enrichs e notou que a correspondência do dia anterior ainda
não havia sido recolhida. C omo isto nunca tinha acontecido antes, B ernard
decidiu ele próprio levar a correspondência para dentro. A um metro da
porta da frente, ele ouviu o que pareceram tiros, gritos de dor e pedidos de
socorro. B ernard saiu correndo, dirigiu por aproximadamente 15 km até o
telefone público mais próximo e chamou a polícia. Quando dois xerifes e
uma equipe de paramédicos chegaram, a família H enrichs já havia sido
brutalmente assassinada. A única sobrevivente, Freda H enrichs, exibia com
clareza sintomas de uma infecção avançada. E la mordeu dois dos
paramédicos antes que os policiais conseguissem detê-la. Um terceiro
policial, o último a chegar e novo na equipe, entrou em pânico e deu um tiro
na cabeça de Freda. Os dois paramédicos foram levados ao hospital local
para tratamento e morreram um pouco mais tarde. T rês horas depois eles se
reanimaram, durante a autópsia, atacaram o legista e sua assistente, e foram
para a rua. À meia-noite, toda a cidade estava em pânico. P elo menos 22
zumbis agora estavam espalhados, já tendo devorado completamente 15
pessoas. M uitos sobreviventes buscaram refúgio em suas casas. Outros
tentaram sair da cidade. T rês crianças conseguiram escalar até o topo de
uma torre de caixa d'água. E mbora cercadas (vários necrófilos tentaram
escalar a torre, mas foram chutados de volta para o solo), estas crianças
continuaram seguras até serem resgatadas. Um homem, H arland L ee,
deixou sua casa armado de uma sub-Uzi modificada, uma espingarda de
dois canos cortada e duas pistolas M agnum .44 (um revólver e uma
automática). Testemunhas declararam ter visto L ee atacar um grupo de 12
zumbis, usando primeiro a Uzi e depois as outras armas, alternadamente. A
cada vez, L ee mirava no tronco de um dos zumbis, causando grandes
danos, mas nenhuma morte. C om pouca munição e cercado atrás de um
ferro-velho, L ee tentou atirar nas cabeças dos zumbis com uma pistola em
cada mão. P elo fato de suas mãos estarem tremendo violentamente, ele não
acertou nenhum dos tiros. O autoproclamado herói da cidade foi
rapidamente devorado. P ela manhã, policiais de cidades vizinhas,
juntamente com a polícia estadual e grupos de vigilância rapidamente
organizados, se reuniram em Sperry. Armados com rifles de caça com mira e
conhecimento sobre tiros fatais na cabeça (um caçador local aprendeu
defendendo sua casa), eles rapidamente despacharam a ameaça. A
justificativa oficial (fornecida pelo Departamento da Agricultura) foi
"histeria em massa causada pelo derramamento de pesticida nas águas
locais", T odos os corpos foram removidos pelo C entro de C ontrole de
Doenças, o C C D, antes que autópsias civis pudessem ser realizadas. A maior
parte das gravações de rádio, coberturas de notícias e fotografias
particulares foi imediatamente confiscada. C ento e setenta processos foram
registrados por vários sobreviventes. Destes casos, 92 foram resolvidos com
acordos. Quarenta e oito ainda estão pendentes, e os restantes foram
misteriosamente retirados. Um processo foi recentemente registrado
requisitando acesso ao material de mídia confiscado. Anos se passarão até
que o tribunal tome uma decisão.OUT. 1980 d.C., MARICELA, BRASILAs notícias desta insurreição vieram através da ON G Green M other, um
grupo ambiental que busca chamar a atenção do mundo para as condições
de vida dos índios locais, sofrendo a apreensão e destruição de suas terras.
P ecuaristas, procurando atingir seus objetivos pela violência, se armaram e
partiram para a aldeia indígena. Ao entrarem na floresta tropical, foram
atacados por outros inimigos, muito mais assustadores: uma horda de mais
de trinta zumbis. T odos os pecuaristas foram ou devorados ou reanimados
como mortos-vivos. Dois sobreviventes conseguiram chegar até a cidade
vizinha de Santarém. Seus avisos foram ignorados, e registros oficiais
descrevem a batalha como uma rebelião indígena. T rês brigadas do exército
entraram em M aricela. Sem encontrar nenhum indício dos mortos-vivos,
avançaram para a aldeia indígena. O incidente que se seguiu foi
oficialmente negado pelo governo brasileiro, assim como qualquer
conhecimento de um ataque de mortos-vivos. Relatos de testemunhas
oculares descrevem o massacre exatamente assim, com tropas do governo
destruindo qualquer ser andante, zumbis ou humanos. I ronicamente, os
membros da Green M other também negam a história, alegando que, na
verdade, foi o governo brasileiro que "fabricou" o boato dos zumbis como
justificativa para o massacre dos índios. Uma evidência interessante vem de
um major reformado do E stado-M aior do E xército B rasileiro. E le se lembra
de que, nos dias que precederam a batalha, quase todos os lança-chamas do
país foram requisitados. Após a operação, as armas foram devolvidas sem
carga.DEZ. 1980 d.C., JURUTI, BRASILE ste posto de observação, localizado a 450 km rio abaixo de M aricela,
tornou-se o cenário de vários ataques cinco semanas depois. Zumbis
surgindo das águas atacaram pescadores em seus barcos ou escalaram até a
costa em diversos pontos da margem. O resultado destes ataques —
números, respostas, baixas — ainda é desconhecido.
1984 d.C., CABRIO, ARIZONAE sta insurreição, pequena se considerarmos a área e as pessoas
envolvidas, dificilmente se qualifica como de T ipo 1. N o entanto, as
ramificações representam um dos eventos mais significativos dentre todos
os estudos sobre o Solanum. Um incêndio em uma escola primária causou a
morte de 47 crianças, todas por inalação de gás carbônico. A única
sobrevivente, E llen Aims, de nove anos, escapou porque saltou de uma
janela quebrada, mas sofreu profundas lacerações e perdeu muito sangue.
Uma transfusão do banco de sangue salvou sua vida. M eia hora depois,
E llen começou a apresentar os sintomas de uma infecção por Solanum. E ste
fato não foi compreendido pela equipe médica, que suspeitou de que o
sangue transfundido estivesse contaminado por outras doenças. E nquanto
os exames eram realizados, a criança morreu. Sob os olhares da equipe, das
testemunhas e dos pais, ela se reanimou e mordeu a enfermeira atendente.
E llen foi amarrada e a enfermeira colocada em quarentena; o médico de
plantão contou os detalhes do caso para um colega em P hoenix. Duas horas
depois, chegaram médicos do C C D, escoltados por reforços de policiais e
"agentes federais à paisana". E llen e a enfermeira infectada foram levadas
de avião a um local confidencial para "tratamentos complementares". T odos
os registros hospitalares, bem como todo o estoque de sangue, foram
confiscados. Os pais de E llen não tiveram permissão para acompanhar a
filha. Após uma semana sem notícias, eles foram informados de que a
menina havia "falecido" e que o corpo havia sido cremado por "motivos de
saúde". E ste foi o primeiro caso registrado que provou que o Solanum é
transferível por sangue armazenado. O que traz as seguintes questões: quem
era o dono do sangue infectado, como ele foi retirado sem que o indivíduo
soubesse que estava infectado e por que nunca mais se ouviu nada a
respeito do doador infectado? E ainda, como o C C D ficou sabendo do caso
Aims tão rapidamente (o médico em P hoenix se recusou a dar qualquer tipo
de entrevista), e por que acudiu tão prontamente? N ão é necessário dizer
que teorias de conspiração continuam a rondar este caso. Os pais de E llen
entraram com uma ação contra o C C D, com o propósito de ter a verdade
revelada. Seus depoimentos foram fundamentais para o pesquisador deste
caso.
1987 d.C., KHOTAN, CHINAE m março de 1987, grupos dissidentes chineses alertaram o Ocidente a
respeito de um desastre iminente na usina nuclear de Xinjiang. Após vários
meses negando a história, o governo chinês anunciou oficialmente que teria
havido uma "falha de funcionamento" nas instalações. Um mês depois, a
história tinha mudado para "tentativas de sabotagem (...) feitas por
terroristas contra-revolucionários". Em agosto, o jornal sueco Tycka! publicou
a história de que um satélite espião do governo norte-americano posicionado
sobre K hotan, havia fotografado tanques e outros veículos blindados
atirando a esmo no que pareciam ser turbas desorganizadas de civis
tentando invadir a usina. M ais fotografias revelaram que alguns dos "civis"
que rondavam certos indivíduos pareciam atacá-los, parti-los em pedaços e
se alimentarem dos corpos. O governo norte-americano nega que um satélite
seu tenha produzido estas imagens, e o jornal T ycka! desmentiu a história.
Se K hotan realmente sofreu uma insurreição zumbi, então mais perguntas
devem ser feitas. C omo começou a insurreição? Qual foi a sua duração?
C omo foi contida? Quantos zumbis estavam envolvidos? E les chegaram a
entrar na usina? Qual o tamanho do estrago? P or que não houve um
derramamento nas proporções de C hernobyl? Algum zumbi escapou?
H ouve outro ataque desde então? Uma informação que dá crédito à história
da insurreição vem do professor K wang Zhou, um dissidente chinês que,
depois do ocorrido, começou a trabalhar para os E stados Unidos. K wang
conhecia um dos soldados envolvidos no incidente. Antes de ser enviado
para um campo de reeducação junto com outras testemunhas, o jovem
declarou que o codinome para a operação era "E terno P esadelo Acordado".
Uma pergunta permanece, no entanto: como esta primeira insurreição
começou? Após ler o livro de David Shore, mais especificamente a seção
sobre como um zumbi Dragão N egro foi capturado pelas tropas comunistas
chinesas, é natural supor que o governo chinês teve, ou ainda tem, a sua
própria versão do "B otão de C ereja" e do "E sturjão", seu projeto próprio para
criar um exército de mortos-vivos.
DEZ. 1992 d.C„ MONUMENTO NACIONAL
JOSHUA TREE, CALIFÓRNIAV ários mochileiros e excursionistas deste parque deserto declararam ter
visto uma barraca e equipamentos abandonados próximos à estrada
principal. Os patrulheiros do parque que investigaram os relatos descobriram
uma cena horrível, a mais ou menos dois quilômetros de distância do
acampamento abandonado. Uma mulher de aproximadamente vinte anos
foi encontrada morta, seu crânio amassado por uma grande pedra e o corpo
cheio de marcas de mordida humana. I nvestigações mais detalhadas pela
polícia local identificaram a vítima como Sharon P arsons, de Oxnard,
C alifórnia. E la e o namorado, P atrick M acDonald, tinham ido acampar no
parque na semana anterior. Um mandado de prisão foi imediatamente
expedido para M acDonald. Uma autópsia completa revelou fatos que
impressionaram o legista. A taxa de decomposição do tecido cerebral da
mulher não acompanhava a do corpo. Além disso, o esôfago continha traços
de sangue do mesmo tipo do de M acDonald. E ntretanto, amostras de pele
encontrada sob as unhas da vítima eram de uma terceira pessoa, Devin
M artin, um ermitão e fotógrafo da natureza selvagem que tinha passado
pelo parque no mês anterior. C omo ele tinha poucos amigos, nenhum
familiar e trabalhava como freelancer, seu desaparecimento não tinha sido
notado. Uma busca completa no parque não trouxe nenhuma informação
extra, mas uma fita de vigilância de um posto de gasolina revelou que
M acDonald passara rapidamente por lá. O funcionário do posto descreveu
M acDonald como um homem frenético, de aspecto selvagem e que tinha
um pano ensangüentado por cima do ombro. M acDonald foi visto pela
última vez rumando para o oeste, na direção de Los Angeles.
JAN. 1993 d.C., CENTRO DE LOS ANGELES,
CALIFÓRNIAUma investigação ainda tenta determinar os estágios iniciais desta
insurreição, inclusive como se espalhou na área. A insurreição foi detectada
inicialmente por um grupo de jovens, membros de uma gangue de rua
conhecida como os V B Rs (Venice B oardwalk Reds). O motivo para que eles
entrassem nesta área da cidade era a vingança pela morte de um de seus
membros, assassinado pela gangue rival conhecida como L os P eros N egros.
P or volta de uma hora da madrugada, eles entraram em uma área
abandonada de uma fábrica, onde os Peros costumavam se encontrar. Sabiase que a área abrigava uma grande favela num estacionamento vazio. As
caixas de papelão, carrinhos de supermercado e outros tipos de parafernália
pertencentes aos vagabundos estavam todos ali, mas não havia nenhum
sinal de gente. P restando pouca atenção à rua, os motoristas dos veículos
dos Reds acidentalmente atropelaram um pedestre que andava muito
devagar. O motorista perdeu o controle do carro e bateu na lateral de um
prédio. Antes que os Reds pudessem consertar o carro ou reclamar o
suficiente com seu companheiro pela falta de habilidade, viram o pedestre
atropelado se mover. Apesar de ter a espinha dorsal quebrada, a vítima
estava engatinhando até a gangue. Um dos Reds ergueu sua pistola de 9
mm e atirou bem no peito do homem, mas não só isto não impediu que o
homem continuasse seu movimento em direção a eles como também enviou
um eco estrondoso por muitas quadras. Os Reds atiraram muitas vezes mais,
sempre acertando o alvo, mas sem nenhum resultado. O último tiro acertou
o homem na cabeça, finalmente encerrando a sua vida. Os Reds nem
tiveram tempo de entender exatamente o que era aquilo que tinham
matado, porque inesperadamente começaram a ouvir gemidos que
pareciam vir de todos os lados. O que antes pareciam sombras, agora se
revelava um pequeno exército de mais de quarenta zumbis, aproximando-se
de todos os lados.
C om seu carro quebrado, os Reds fugiram pelas ruas, literalmente
correndo contra a menor concentração de mortos-vivos. Depois de várias
quadras, eles encontraram, ironicamente, os membros restantes do L os P eros
N egros, também a pé, depois que o veículo deles tinha sido tombado pelos
mortos-vivos. Deixando de lado a rivalidade e tendo em mente a
sobrevivência, as duas gangues estabeleceram uma trégua e partiram em
busca da melhor maneira de escapar ou de encontrar um abrigo seguro.
E mbora a maioria das construções — depósitos bem construídos e sem
janelas — fossem ótimas opções para uma "fortaleza", estavam todas ou
trancadas ou (no caso dos edifícios abandonados) fechadas com tábuas e
não podiam ser arrombadas. Como os Peros conheciam melhor aquela região,
tomaram a liderança e sugeriram a escola primária De Soto, uma pequena
construção não longe dali. C om os mortos-vivos a poucos minutos de
distância, as duas gangues chegaram até a escola e entraram por uma janela
forçada no segundo andar. I sso disparou o alarme contra ladrões, alertando
todos os zumbis da área, aumentando a quantidade deles para mais de cem.
O alarme, entretanto, foi o único ponto negativo deste formidável reduto.
E m termos de fortificação, a De Soto foi uma excelente escolha. C onstrução
sólida de concreto, janelas com grades e cobertas por telas e portas de
madeira sólida tornavam esta construção de dois andares uma posição de
fácil defesa. Uma vez dentro da escola o grupo agiu com muita prudência,
estabelecendo uma rota de fuga, checando todas as portas e janelas,
enchendo tudo o que podiam com água e fazendo uma contagem rápida de
suas armas e munições. J á que consideravam que a polícia era um inimigo
ainda pior que os mortos-vivos, as duas gangues usaram, os telefones da
escola para convocar aliados e não as autoridades. N enhuma das partes
contatadas acreditou no que ouviu, mas todos prometeram chegar o mais
rápido possível.
E ste último acontecimento foi, em mais uma ironia do destino, um dos
poucos casos em que houve excesso de defesa contra uma revolta de
zumbis. B em protegidos, armados, liderados, organizados e extremamente
motivados, os membros das duas gangues conseguiram liquidar todos os
zumbis com tiros das janelas do segundo andar, sem sofrer nenhuma baixa.
Os reforços (as gangues aliadas que cumpriram a promessa de aparecer)
chegaram, infelizmente ao mesmo tempo em que os policiais, resultando na
prisão de todos os presentes.
O incidente foi oficialmente explicado como "um tiroteio entre gangues
locais". As duas gangues, entretanto, tentaram contar a verdade para
qualquer pessoa que quisesse ouvir. A história deles foi explicada como uma
alucinação causada pelo uso de "I ce", um entorpecente muito popular na
época. C omo os policiais e os membros das outras gangues só viram os
cadáveres e nenhum zumbi ainda "vivo", nenhuma dessas pessoas pode ser
considerada testemunha ocular. Os corpos dos mortos-vivos foram
removidos do local e cremados. Quase todos eram moradores de rua, e assim
nenhum deles foi identificado. Os membros das gangues originais
envolvidas no conflito foram condenados por assassinato em primeiro grau e
sentenciados à prisão perpétua em várias instituições diferentes no estado
da C alifórnia. T odos foram assassinados, menos de um ano após o
encarceramento, supostamente por membros de gangues rivais. A história
destas pessoas teria terminado ali se não fosse por um detetive da polícia de
L os Angeles, que prefere permanecer anônimo. E le leu sobre o caso P arsonsM acDonald dias antes e ficou intrigado com os detalhes bizarros. I sto fez
com que acreditasse parcialmente na história dos membros das gangues.
M as foi o relatório do legista que trouxe o argumento principal. E le se
encaixava precisamente com a autópsia de P arsons. A gota d'água foi uma
carteira encontrada em um dos mortos-vivos. P ertencia a um homem de
trinta e poucos anos, e que estava mais bem vestido do que o resto dos
vagabundos de rua. A carteira pertencia a P atrick M acDonald. C omo seu
dono tinha recebido um tiro no rosto, cortesia de uma escopeta de um dos
membros das gangues, não foi possível fazer a identificação do corpo. O
detetive anônimo sabia que não deveria levar tais questionamentos para
seus superiores. Temendo uma ação disciplinar, em vez disso, decidiu copiar
os arquivos sobre o caso e apre- sentá-los ao autor deste livro.FEV. 1993 d.C., LESTE DE LOS ANGELES,
CALIFÓRNIAÀs 4:45h da manha, Octavio e Rosa M elgar, donos do açougue local,
foram acordados por gritos desesperados vindos debaixo da janela do quarto,
que ficava no segundo andar. Temendo que a loja estivesse sendo saqueada,
Octavio pegou sua pistola e desceu a escada prontamente, enquanto sua
esposa ligava para a polícia. J ogado no chão perto de um bueiro aberto,
estava um homem aos prantos, com o corpo tremendo, completamente
coberto de lama e vestido num uniforme do Departamento Sanitário. E le
sangrava muito pelo toco que tinha se tornado sua perna, onde antes estava
o pé direito. O homem, sem se identificar, gritou repetidamente para que
Octavio fechasse a entrada do bueiro. Sem saber o que fazer, Octavio
assentiu. Antes que a tampa de metal se fechasse completamente, Octavio
pensou ter ouvido um gemido distante. E nquanto Rosa fazia um torniquete
na perna do homem ferido, ele meio chorava, meio contava que seu grupo
de seis pessoas estava inspecionando uma vala de drenagem quando foi
atacado por "malucos". E le descreveu os assaltantes como pessoas cobertas
de feridas e usando trapos como roupas, gemendo em lugar de falar, e que
se aproximaram com um mancar metódico. As palavras do homem
tornaram-se ininteligíveis antes que ele caísse inconsciente. A polícia e os
paramédicos chegaram uma hora e meia mais tarde. N aquele momento o
homem ferido foi dado como morto e seu corpo foi levado pela ambulância,
enquanto os policiais recolhiam depoimentos dos M elgar. Octavio
mencionou ter ouvido gemidos. Os policiais anotaram isso, mas nada
disseram. Seis horas mais tarde, os M elgar ouviram no noticiário matinal que
a ambulância que levava o corpo tinha sofrido um acidente e explodido no
caminho para o hospital. Uma comunicação por rádio dos paramédicos (e
como a estação de T V conseguiu isso ainda é um mistério) consistia
basicamente em gritos de pânico sobre o corpo ter rasgado o saco de
autópsia. Quarenta minutos após a transmissão, quatro viaturas da polícia,
uma ambulância e um caminhão da guarda nacional tinham estacionado
em frente ao açougue dos M elgar. Octavio e Rosa viram a área ser isolada
pela polícia e uma grande barraca verde-oliva ser erguida no local do bueiro,
com uma saída dando para dentro de um dos caminhões. Os M elgar, assim
como um sem-número de curiosos, ouviram o distinto barulho de armas de
fogo sendo disparadas dentro do bueiro. E m apenas uma hora, a barraca foi
desmontada, a área liberada e os veículos partiram apressadamente. Restam
poucas dúvidas que este incidente foi uma conseqüência do ataque ocorrido
no centro de Los Angeles. Os detalhes sobre as ações do governo, assim como
exatamente o que aconteceu dentro daquele labirinto subterrâneo, podem
jamais ser divulgados. Os M elgar, citando "motivos pessoais", não fizeram
mais perguntas sobre o assunto. A polícia de L os Angeles explicou o
incidente como "uma inspeção de manutenção e rotina", enquanto o
Departamento Sanitário negou a morte de quaisquer funcionários.
MAR. 1994 d.C., SAN PEDRO, CALIFÓRNIASe não fosse por Allie Goodwin, uma operadora de guindaste neste
estaleiro ao sul da C alifórnia, e sua câmera de 24 quadros por segundo, o
mundo talvez nunca teria tomado conhecimento da verdadeira história
desta insurreição de zumbis. Um contêiner sem registro foi descarregado do
S.S. Mare Caribe, um cargueiro de bandeira panamenha que viera da cidade
de Davao, nas Filipinas. P or vários dias ele permaneceu ancorado,
esperando para ser descarregado. E m uma das noites, um dos vigias ouviu
sons emanando do contêiner. E le e mais um bom número de guardas de
segurança, suspeitando de que o contêiner estivesse carregado de
imigrantes ilegais, imediatamente abriram suas trancas. Quarenta e seis
zumbis saíram rapidamente dali. T odas as pessoas nas proximidades foram
devoradas, enquanto alguns sobreviventes foram buscar abrigo em
armazéns, escritórios e outras construções próximas. Algumas destas
construções mostraram-se abrigos adequados, enquanto outras foram
armadilhas fatais. Quatro intrépidos operadores de guindaste, entre eles
Goodwin, usaram suas máquinas para construir uma fortaleza de
contêineres. E sta barreira protegeu 13 trabalhadores pelo resto da noite. Os
operadores usaram suas máquinas como armas, jogando contêineres em
grupos de zumbis próximos. Quando a polícia finalmente chegou (e a
entrada nesta área foi dificultada por diversos portões trancados), apenas
onze zumbis estavam à solta. E stes foram liquidados com uma saraivada de
tiros (inclusive alguns tiros involuntários nas cabeças). E stimou-se o total de
vítimas humanas em 20, enquanto o número de zumbis mortos chegou a 39.
Acredita-se que os sete zumbis restantes caíram no mar e foram carregados
pela correnteza.
Todos os noticiários relataram o incidente como uma tentativa de assalto.
O governo não se pronunciou em nenhum momento. O controle das docas,
a polícia - e até a empresa de segurança que perdeu oito de seus guardas —
permaneceram em silêncio. A tripulação do M are C aribe, a capitã e a
empresa responsável pela carga negaram qualquer conhecimento do
conteúdo do contêiner, que desapareceu misteriosamente. O porto em
questão pegou fogo misteriosamente, no dia seguinte ao ataque. O que torna
o abafamento desta história tão incrível é o fato de o porto de San P edro se
localizar numa das áreas mais povoadas dos E stados Unidos. A capacidade
do governo de censurar todo tipo de informação é surpreendente. O
depoimento de Goodwin, assim como suas imagens, foram considerados
fraudulentos por todas as partes envolvidas. E la foi demitida de seu
emprego por incapacidade mental.ABR. 1994 d.C., BAÍA DE SANTA MÔNICA, CALIFÓRNIAT rês moradores de P aios Verdes, J im H wang, Anthony C ho e M ichael
K im, contaram à polícia que foram atacados enquanto pescavam na baía. Os
três homens juraram que H wang estava tentando pegar algo no fundo
quando sua linha agarrou em alguma coisa pesada. O que veio até a
superfície era um homem, nu, parcialmente queimado e decomposto, mas
ainda vivo. O homem atacou os três pescadores, agarrando H wang e
tentando morder-lhe o pescoço. C ho puxou o amigo de volta enquanto K im
bateu na criatura com um remo. O atacante afundou e os pescadores
rumaram rapidamente para a costa. A polícia de P aios Verdes fez testes de
drogas e álcool com os três, mas não foi encontrada nenhuma substância
ilícita. Os pescadores ficaram presos durante a noite, para averiguações, mas
foram soltos pela manhã. O caso ainda está oficialmente "sob investigação".
Dada a data e o local do ataque, é lógico pressupor que esta era uma das
criaturas da insurreição em San Pedro.1996 d.C., LINHA DE CONTROLE, SRINAGAR, ÍNDIAE ste trecho foi extraído de um relatório feito pelo tenente Tagore, da
Força de Segurança da Fronteira:
O sujeito aproximou-se mancando lentamente, como se estivesse doente
ou intoxicado. [P or meus binóculos] pude observar que ele vestia um
uniforme completo da guarda paquistanesa, fato estranho, já que a presença
deles era desconhecida nessa área. A uma distância de 300 metros, nós
ordenamos que ele parasse e se identificasse. E le não respondeu e um
segundo aviso foi dado. Ainda assim, nenhuma resposta. E le parecia estar
gemendo, sem fazer sentido. Após os nossos gritos de aviso, seu passo
aumentou levemente. A distância de 200 metros, ele tropeçou pela primeira
vez numa mina terrestre americana. N ós vimos o sujeito receber ferimentos
de estilhaços nas partes superiores e inferiores do tronco. E le balançou e
caiu, mas logo em seguida levantou e continuou a seguir em frente. (...) E u
deduzi que ele estivesse usando algum tipo de armadura corporal. (...) E sta
mesma cena aconteceu novamente, a uma distância de 150 metros. Desta
vez um dos estilhaços arrancou a man- díbula do sujeito. (...) A esta
distância, eu pude ver que os ferimentos dele não sangravam. (...) Quando o
vento mudou, passando a soprar em nossa direção (...) nós sentimos um
cheiro pútrido vindo do sujeito, muito parecido com o cheiro de carne em
estado de decomposição. A distância de 100 metros, ordenei que o soldado
T ilak [pelotão dos atiradores] eliminasse o sujeito. T ilak atingiu-o com um
tiro na têmpora, e o sujeito caiu imediatamente. E le não mais se levantou,
nem fez nenhum outro movimento.
Relatórios subseqüentes documentam a autópsia inicial feita do corpo em
um hospital em Srinagar. P ouco tempo depois o corpo foi levado pela
Guarda Nacional, mas nenhuma outra informação foi liberada.1998 d.C., ZABROVST, SIBÉRIAJ acob Tailor, aclamado documentarista da C anadian B road- cast
C ompany, chegou à pequena cidade de Zabrovst com a intenção de
fotografar uma carcaça intacta, e possivelmente clonável, de um tigre
dente-de-sabre. O corpo de um homem de vinte e poucos anos, cujas
roupas pareciam a de um cossaco do século XV I , também foi encontrado. As
gravações estavam marcadas para começar em julho, mas Tailor chegou
com uma equipe em fevereiro para se familiarizar com o local e suas
nuanças. Tailor acreditava que o cadáver humano não seria o foco de mais
do que uns poucos segundos em seu filme, mas pediu que ele fosse
conservado junto com o tigre até o seu retorno. Tailor e seu pessoal voltaram
para T oronto, para um descanso merecido. N o dia 14 de junho, alguns
membros da equipe de Tailor retornaram a Zabrovst para preparar os objetos
congelados e escavar a área para as filmagens. E sta foi a última vez que se
teve notícia deles.
Quando Tailor chegou de helicóptero com o resto da sua equipe de
filmagem, no dia 1? de julho, encontrou todos os edifícios da cidade
desertos. H avia sinais de violência e arrombamentos, inclusive janelas
quebradas, móveis revirados, sangue e pedaços de carne nas paredes e no
chão. Um grito trouxe Tailor de volta à área onde estava o helicóptero, onde
ele encontrou um grupo de 36 necrófilos, inclusive cidadãos locais e os
membros desaparecidos de sua equipe, devorando os pilotos. Tailor não
entendeu completamente a cena que estava vendo, mas percebeu o
suficiente para fugir.
A situação era complicada. Tailor, seu câmera, o operador de som e
pesquisador de campo não tinham armas, nem suprimentos e, estando no
meio do nada na Sibéria, também não tinham como procurar ajuda. Os
documentaristas buscaram abrigo numa casa de fazenda com dois andares,
no próprio vilarejo. E m vez de tentar selar as portas e janelas, Tailor decidiu
destruir as duas únicas escadas. E les se abasteceram com toda a água e
comida que puderam encontrar. Um machado, um martelo e outras
ferramentas foram usadas para destruir a primeira das escadas. A chegada
dos zumbis impediu a destruição da segunda. Tailor agiu rápido. E le pegou
as portas dos quartos do segundo andar e pregou-as na escada. I sso criou
uma rampa que impedia que os zumbis subissem. Um por um eles tentaram
subir a rampa, mas foram rechaçados pela equipe de Tailor. E sta pequena
batalha se seguiu por dois dias; metade da equipe mantinha os zumbis fora
de alcance enquanto os outros descansavam (com chumaços de algodão
enfiados nos ouvidos para não ouvir os gemidos).
N o terceiro dia, um acidente estranho deu a Tailor a idéia que seria a
salvação do grupo. P or medo que os zumbis agarrassem suas pernas, os
documentaristas utilizavam apenas uma vassoura de cabo de madeira para
afastar os zumbis. O cabo da vassoura, já fraco após o uso intenso,
finalmente se partiu, ao ser agarrado por um dos zumbis atacantes. Tailor
conseguiu chutar o zumbi para baixo e assistiu, empolgado, quando o cabo
quebrado e pontiagudo da vassoura, ainda na mão do necrófilo em queda,
acabou por perfurar seu crânio, entrando pela cavidade de um dos olhos.
N ão só Tailor, sem querer, matou seu primeiro zumbi, como também
percebeu qual era a maneira correta de acabar com eles. Agora, em lugar de
tentar forçar os seus atacantes a descerem a rampa, a equipe de filmagem os
encorajava a subir. Cada um que chegasse perto o bastante recebia um golpe
mortal na cabeça, dado pelo machado da equipe. Quando esta arma se
perdeu (presa na cabeça de um dos zumbis), eles passaram a utilizar o
martelo. Quando a empunhadura deste quebrou, usaram um pé-de-cabra.
A batalha durou várias horas, mas ao terminar, a equipe de documentaristas
canadenses tinha exterminado cada um de seus opositores.
Até hoje o governo russo não tem uma explicação oficial para o que
aconteceu em Zabrovst. Qualquer funcionário questionado sobre o incidente
dirá que ele está sendo "investigado". E ntretanto, em um país com tantos
problemas sociais, econômicos, ambientais e militares como a nova Federação
Russa, há pouco interesse nas mortes de alguns poucos estrangeiros e
lenhadores da Sibéria.
Tailor, inacreditavelmente, deixou suas câmeras registrando todo o
incidente. O resultado são 42 horas das imagens mais emocionantes já feitas.
Tailor vem tentando, nos últimos anos, fazer com que pelo menos uma parte
destas imagens chegue ao grande público, mas todos os "peritos"
internacionais que viram o vídeo rotularam-no de uma fraude experiente.
Tailor acabou por perder toda a credibilidade na indústria do cinema, que
no passado o considerava um dos grandes. E le agora passa por um processo
de divórcio e responde a vários processos na justiça.2001 d.C., SIDI-MOUSSA, MARROCOSA única evidência deste ataque vem de um curto artigo publicado em
um jornal francês:
I nsurreição e H isteria em M assa em um V ilarejo P esqueiro no M arrocos
— Fontes confirmam que um problema neurológico até então desconhecido
afetou cinco moradores do local, fazendo com que atacassem parentes e
amigos, numa tentativa de devorar sua carne. De acordo com os costumes
locais, os infectados foram amarrados a pesos e levados para o mar, e depois
jogados no oceano. O governo ainda não começou a investigar o caso. As
acusações vão de assassinato a chacina.
Nenhum julgamento aconteceu e nenhuma outra notícia foi divulgada.2002 d.C., S. TOMÁS, ILHAS VIRGENS
(TERRITÓRIO AMERICANO)Um zumbi - inchado e cheio de água, com a pele completamente
dissolvida - surgiu na costa noroeste da ilha. Os moradores não tinham
certeza do que fazer com o corpo, então mantiveram distância e chamaram
as autoridades. O zumbi, chegando até a praia, começou a perseguir seus
observadores. E mbora a curiosidade a mantivesse perto, a multidão
continuou a recuar à medida que o necrófilo avançava. Dois membros da
polícia de S. T omás chegaram e ordenaram que o "suspeito" parasse. Sem
obter nenhum tipo de resposta, deram um tiro de advertência. O zumbi
ainda não respondeu, e os policiais dispararam duas vezes no tronco, sem
nenhum resultado. Antes que mais tiros pudessem ser disparados, um
menino de seis anos, empolgado com os acontecimentos e sem perceber o
perigo que estava correndo, aproximou-se do morto-vivo e começou a
cutucá- lo com uma vareta. O morto-vivo imediatamente agarrou a criança
e tentou levá-la à boca. Os dois policiais correram até o zumbi e começaram
a lutar pelo controle da criança. N este exato momento, J eremiah DewiĴ,
um imigrante recém-chegado da República Dominicana, saiu do meio da
multidão, pegou uma das armas reserva do policial e atirou na cabeça do
zumbi. I ncrivelmente, nenhum ser humano foi infectado pelo zumbi. Um
julgamento inocentou DewiĴ de todas as acusações, considerando o ato
legítima defesa. Fotografias do cadáver mostram, embora esteja em um
avançado estado de decomposição, que o homem era do Oriente M édio ou
do norte da África. As roupas parecem indicar que esta criatura era uma
daquelas que foram jogadas no oceano na costa do M arrocos. Teoricamente,
seria possível para um morto-vivo atravessar o Atlântico, carregado pelas
correntes marítimas, embora este seja o único caso registrado. Como uma das
conseqüências mais estranhas de uma insurreição até o momento, este caso
alcançou o status de celebridade, na mesma linha do P é Grande no noroeste
do P acífico ou o M onstro do L ago N ess, na E scócia. N o centro de C harloĴe
Amalie (a capital da ilha) os turistas podem comprar lembranças, fotografias,
esculturas, relógios, e até livros para crianças com a história do "Zumbi de S.
T omás". Dezenas de motoristas de ônibus competem todos os dias pela
oportunidade de levar os turistas, recém- chegados ao aeroporto C yril E .
K ing, até o local onde o famoso zumbi chegou à praia. Após o julgamento,
DewiĴ deixou a ilha rumo a uma nova vida nos E stados Unidos. Seus
amigos e familiares nunca mais tiveram notícias dele.
ANÁLISE HISTÓRICA
Até o final do século XX, aqueles que estudavam os mortos- vivos
estavam convencidos de que a freqüência das insurreições permanecia
constante, com o passar do tempo. As sociedades que sofreram um maior
número de ataques aparentemente apenas mantinham registros melhores.
O exemplo mais usado é o caso da Roma antiga, em comparação com a
I dade M édia. E sta teoria também foi utilizada para acalmar os "alarmistas",
dizendo que, à medida que a humanidade passasse a depender mais da
palavra escrita, seria fácil identificar se o número de insurreições
aumentasse bruscamente. E sta linha de pensamento, embora comum, tem
caído em conceito ultimamente. A população mundial está crescendo. A
balança já virou completamente das zonas rurais para os centros urbanos. Os
meios de transporte ligam o planeta numa velocidade impressionante.
T odos esses fatores trouxeram de volta doenças infecciosas que há muito
foram consideradas erradicadas. A lógica diz que o Solanum pode prosperar
num ambiente como este. E mbora as informações sejam gravadas,
compartilhadas e armazenadas como nunca foram, é inegável que o número
de ataques de zumbis está crescendo e sua freqüência aumentando na
mesma proporção que o "desenvolvimento" do planeta. N esse ritmo, o
número de ataques só irá aumentar, culminando em duas possibilidades
diferentes. A primeira é que os governos do mundo terão que reconhecer,
em todos os níveis, a existência dos mortos-vivos, criando assim organizações
especiais para lidar com esta ameaça. N este cenário, os zumbis se tornarão
parte do cotidiano das pessoas — marginalizados, sob controle, talvez até
com uma vacina para prevenir infecções. Um segundo cenário, muito
menos atraente, resultaria numa guerra campal entre os vivos e os mortos:
uma guerra na qual você, agora, está apto a participar.
APÊNDICE: DIÁRIO DE INSURREIÇÕESE ste espaço é dedicado à criação de um diário de acontecimentos
suspeitos, que possam indicar possíveis insurreições. L embre-se: detectar
uma insurreição no início e preparar-se antecipadamente lhe dará a maior
possibilidade de sobreviver. A seguir, um exemplo de anotação no diário:DATA: 5/7/14HORA: 3h51minLOCAL: Qualquer lugar, qualquer paísDISTÂNCIA EM RELAÇÃO A MIM: 450 kmESPECIFICIDADES: O noticiário local (canal 5) relatou que uma família
foi cruelmente massacrada e parcialmente devorada por um "maníaco" ou
um grupo deles. Os corpos tinham fortes marcas de luta: cortes, ossos
quebrados e contusões. T odos apresentavam marcas de mordida pelo corpo
e todos morreram com tiros de escopeta na cabeça. Dizem que é algum tipo
de culto. P or quê? Que culto? De onde? Quem são "eles"? Tudo o que foi
informado pela repórter é que as declarações vêm de "fontes oficiais". Uma
caçada aos assassinos está em andamento. E u percebi que as imagens só
mostravam policiais (nenhum cidadão comum) e que metade deles era de
atiradores de elite. A imprensa não pode participar das investigações porque
a polícia "não pode garantir a segurança deles". A repórter disse que os
corpos foram levados para C idadegrande, em vez de ao necrotério local,
porque eles passavam por uma "autópsia completa". O hospital para onde
foram levados fica somente a 80 km de distância.O Q UE FO I FE ITO P r :eparei a lista de verificação e liguei para T om,
Gregg e H enry. Vamos nos reunir na casa de Gregg hoje, às sete e meia.
Amolei minha machadinha, limpei e passei óleo na carabina e me matriculei
em um curso de prática de tiro ao alvo amanhã, antes de ir para o trabalho.
E nchi os dois pneus da bicicleta e telefonei para o parque para ter certeza
de que o nível de água nos rios ainda está normal. Se alguma coisa acontecer
no hospital, tomarei medidas mais sérias.



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