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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

SD 118 : A AMEAÇA FANTASMA 2



Você tem alguma idéia de quanto isso vai me custar, garoto? Você tem alguma idéia? Oba
chee ka!
Watto se ergue à sua frente, recorrendo ao huttese sem pensar, optando por um idioma
que oferecia um vasto arsenal de insultos para escolher. Anakin se manteve impassível:
sua face jovem sem expressão e seus olhos fixos no atarracado Toydarian azul de pé
diante dele. As asas de Watto se moviam em confusão e batiam tão ferozmente que
poderiam facilmente voar para fora de seu granuloso corpinho. Anakin segurou a vontade
de rir enquanto imaginava isso acontecendo. Não seria uma boa idéia rir naquele momento.
Quando Watto parou para tomar fôlego, Anakin disse baixinho: — Não foi minha culpa. O
Sebulba quase me atirou em Metta Drop. Ele roubou.
A boca de Watto se movia como se ele estivesse mastigando alguma coisa, sua tromba
enrugada sobre seus dentes protuberantes. — Claro que ele roubou, garoto! Ele sempre
rouba! E assim que ele vence! Talvez você devesse roubar só um pouquinho de vez em
quando! Talvez assim você não arrebentaria seu Pod toda hora e não me custaria tanto
dinheiro! Eles estavam na loja de Watto, no distrito de mercadores de Mos Espa, uma
sombria cabana feita de lama e areia em frente a um cercado entulhado com partes de
turbinas e motores salvos da destruição. Era fria e sombria por dentro, o calor do planeta
não passava pelas paredes grossas, mas até aqui a poeira flutuava numa névoa capturada
pela luz ambiente. A corrida havia acabado há muito tempo e os sóis gêmeos do planeta
tinham descido no horizonte e a noite vagarosamente se aproximava. O Pod destruído
havia sido transportado da planície para a loja por dróides. Anakin também foi transportado
de volta, apesar do pouco entusiasmo.
–Rassa dwee cuppa, peedunkel! — Gritou Watto recomeçando uma nova explosão de
huttese para Anakin.
O corpo atarracado avançava para a frente alguns centímetros com cada epíteto, fazendo
Anakin dar um passo atrás contrariamente à sua vontade. Os braços e pernas ossudos
gesticulavam com os movimentos de sua cabeça e corpo, dando- lhe uma aparência
cômica.
Ele estava furioso, mas Anakin já o tinha visto furioso antes e sabia o que esperar. Ele não
se encolheu de medo ou baixou sua cabeça em submissão; ele manteve sua postura e
tomou sua bronca sem vacilar.
Ele era um escravo e Watto era seu senhor. Broncas eram parte de sua vida. Além do
mais, Watto se acalmaria logo, sua raiva seria liberada de uma maneira que satisfaria sua
necessidade de jogar a culpa em alguém e as coisas voltariam ao normal.
Todos os três dedos da mão direita de Watto apontavam para o garoto. — Eu não devia
deixá-la dirigir para mim nunca mais! Isso que eu deveria fazer! Eu devia achar outro
motorista!
–Eu acho que é uma ótima idéia. — Shmi concordou.
A mãe de Anakin tinha estado de pé ao lado, sem dizer uma palavra durante todo o ataque
de Watto, mas, agora, foi rápida em tirar proveito das sugestão que ela mesma teria feito,
se ele tivesse pedido.
Watto se virou na direção dela, girando violentamente, as asas batendo violentamente e
voou para confrontá-la. Mas o olhar calmo e firme de Shmi o imobilizou, deixando-o no ar,

entre mãe e filho.
–E muito perigoso de qualquer forma.— Ela continuou razoavelmente. — Ele é só um
garoto.
Watto tomou imediatamente a defensiva. — Ele é meu garoto, minha propriedade, e fará o
que eu quiser que faça.
–Exatamente. — Os olhos escuros de Shmi se sobressaíam em sua face fadigada e
enrugada. — E é por isso que ele não correrá novamente se o senhor não desejar. Não
foi isso que acabou de dizer?
Watto parecia confuso. Ele mexeu com sua boca e seu nariz de uma forma grosseira, mas
não proferiu nenhuma palavra. Anakin observava sua mãe apreciativamente. Os cabelos
escuros e fracos estavam começando a ficar grisalhos, e seus outrora graciosos
movimentos haviam se tornado vagarosos. Mas ele a achou linda e valente.
Ele a considerou perfeita.
Watto avançou para ela alguns centímetros, então parou mais uma vez. Shmi se manteve
ereta da mesma forma que Anakin, recusando-se a conceder em alguma coisa. Watto se
concentrou nela por alguns instantes, depois voou, para o garoto.
–Você vai consertar tudo que arruinou, garoto. — Disparou sacudindo o dedo para
Anakin. — Você vai consertar os motores e o Pod e deixá-los como novos! Melhor que
novos, na verdade! E vai começar agora mesmo! Neste instante. Saia daqui e vá para
o trabalho!
Ele se voltou para Shmi desafiante. — Ainda há bastante luz do dia para um garoto
trabalhar! Tempo é dinheiro! — Ele gesticulou primeiro para a mãe; depois, para o filho. —
Vamos com isso, os dois! De volta ao trabalho, de volta ao trabalho!
Shmi deu a Anakin um sorriso acolhedor. — Vamos Anakin, o jantar ficará esperando.
Ela se voltou e saiu pela porta. Watto, após dar a Anakin um último olhar desmoralizador,
seguiu atrás dela. Anakin ficou no quarto sombrio por um momento, olhando para o nada.
Ele estava pensando que não devia ter perdido a corrida. Da próxima vez — e haveria uma
próxima vez, se ele conhecia Watto — ele não perderia.
Com um suspiro de frustração, ele se virou e saiu pela porta de trás da loja para o pátio.
Ele era um garoto pequeno, mesmo aos nove anos, de estrutura compacta, com cabelos
cor de areia, olhos azuis, nariz arrebitado e olhar inquisidor. Ele era rápido e forte para sua
idade e tinha dons que constantemente surpreendiam as pessoas à sua volta. Ele já havia
se tornado um corredor bem-sucedido nas corridas de Pod, algo que nenhum humano de
nenhuma idade havia conseguido antes. Tinha sido presenteado com habilidades de
construir que permitiam que ele montasse quase tudo. Ele era útil a Watto em ambas as
áreas, e Watto não era alguém que desperdiçaria um escravo talentoso. Mas o que
ninguém sabia, exceto sua mãe, era a maneira como sentia coisas. Freqüentemente ele as
sentia antes que alguém até desconfiasse que aconteceriam. Era como algo no ar, um
suspiro que o alertava ou uma sugestão que ninguém mais podia sentir. Isso lhe vinha
sendo útil nas corridas de Pod, mas estava lá também em outras ocasiões. Ele tinha
facilidade em reconhecer como as coisas eram ou deviam ser. Ele tinha apenas nove anos
e já podia ver o mundo de uma maneira que a maioria dos adultos nunca enxergariam.
Por todo o bem que aquilo lhe fazia naquele exato momento. Chutando a areia do pátio ele
se dirigiu ao local onde os dróides haviam despejado os motores e o Pod. Sua mente já se
ocupava em achar meios de colocar as máquinas operando novamente. O motor direito
estava praticamente intocado, ignorando-se os arranhões e marcas no revestimento
metálico. Mas o esquerdo estava uma bagunça.

E o Pod estava amassado e retorcido, o painel de controle destruído.
–Que tormento! — Resmungou baixinho.
Dróides mecânicos surgiram a seu chamado e começaram a trabalhar removendo as
partes danificadas do veículo de corrida. Ele estava a apenas alguns segundos de começar
a mexer nos entulhos quando se deu conta de que precisaria de peças que Watto não
possuía. Ele teria que negociar tais peças com outras lojas antes de começar a
remontagem. Watto não gostaria nada disso. Ele odiava pedir peças de outras lojas,
insistindo que tudo que valia a pena possuir ele já tinha, a não ser que viesse de outro
mundo. O fato de que ele estava negociando pelo que precisava não parecia apaziguar o
rancor que sentia por precisar negociar com locais. Ele preferiria ganhar o que precisasse
numa corrida de Pod. Ou simplesmente roubar.
Anakin olhava para o céu, onde os últimos vestígios de luz do dia começavam a
desaparecer. As primeiras estrelas surgiam: pequenos pontos na noite escura. Mundos que
ele nunca vira e com os quais apenas poderia sonhar esperavam lá fora e, um dia, ele os
visitaria. Ele não ficaria aqui para sempre. Ele não.
–Psiu! Anakin!
Uma voz sussurrava cuidadosamente para ele por entre as sombras na parte de trás do
pátio, e um par de pequenas formas escorregou através do espaço estreito onde a cerca
de fios estava partida. Era Kitster, seu melhor amigo, com Wald, outro amigo,
aproximando-se logo atrás. Kitster era pequeno e escuro, seu cabelo cortado rente à
cabeça, sua roupa folgada e estranha, desenvolvida para reter umidade e desviar o calor.
Wald, caminhando a passos incertos, era um Rodian, era um estrangeiro naquele mundo,
que tinha chegado recentemente a Tatooine. Era bem mais novo que seus amigos, mas tão
corajoso que eles o deixavam sair com eles a maior parte do tempo.
–Ei, Annie, o que está fazendo? — Perguntou Kitster, observando com olhar
desconfiado, mantendo um olho vivo para Watto.
Anakin encolheu os ombros. — O Watto disse que eu tenho que consertar o Pod outra vez
e deixá-lo como novo.
–Tá, mas hoje não. — Kitster retrucou solenemente. — Hoje está quase acabando.
Vamos. Amanhã há tempo suficiente para isso. Vamos pegar uma soda ruby.
Era a bebida favorita deles. Anakin ficou com a boca cheia d’água.
–Eu não posso. Eu tenho que ficar e trabalhar nisso até...
Ele parou. Até o anoitecer, ele ficaria, mas já era quase noite, então...
–Com o que vamos comprar as sodas? — Perguntou.
Kitster apontou Wald. — Ele tem cinco drujgats que disse que encontrou em algum lugar.
— Ele dirigiu a Wald um olhar inquisidor. — Isso é o que ele diz.
–Eu os tenho aqui, tenho mesmo. — A cabeça esquisita e escamosa de Wald sacudiu
afirmativamente, seus olhos saltados piscando muito.
Ele mexeu numa das orelhas verdes. — Você não acredita em mim? — Wald perguntou em
huttese.
–Ok, Ok, a gente acredita em você. — Kitster piscou para Anakin.
–Vamos, vamos antes que o velho batedor de asas volte.
Eles saíram pelo buraco da cerca e desceram a rua de trás, viraram à esquerda e se
apressaram, em meio à praça lotada, em direção às lojas de alimentos logo à frente. As
ruas ainda estavam lotadas, mas o trânsito estava todo na dicção residencial ou das

cabanas de divertimentos. Os garotos passaram rapidamente por entre grupos de pessoas
e carroças, speeders voando próximo à superfície, desceram ruelas com barracas
esperando para serem levantadas, e ao longo de fileiras com produtos a serem guardados
à chave.
Em instantes, eles alcançaram a loja que vendia as sodas ruby e foram até o balcão.
Wald cumpriu sua palavra e apresentou as drujgats necessárias para as três bebidas e deu
uma a cada um dos amigos. Eles as levaram para fora dando pequenos goles na mistura
gosmenta com canudos e, vagarosamente, desceram a rua conversando sobre corridas e
speeders, sobre cruzadores de batalha, naves de combate e seus pilotos. Eles todos
seriam pilotos um dia, eles se prometeram, um voto que selaram com cuspe e apertos de
mão. Eles estavam bem no meio da discussão sobre as vantagens das naves de combate,
quando uma voz próxima disse: — Dê-me escolha e eu sempre pegaria um Z-95
Headhunter.
Os garotos se voltaram ao mesmo tempo. Um velho soldado espacial estava em pé
debruçado num speeder fitando-os. Eles reconheceram o que ele era imediatamente, por
suas roupas, armas, e a pequena e já gasta insígnia da corporação que ele trazia atada à
sua túnica.
Era uma insígnia da República. Não se via muitas delas em Tatooine.
–Vi você correr hoje. — Disse o velho soldado a Anakin. Ele era alto, magro e
comprido. Sua face morena estava desgastada pelo sol, seus olhos eram de um
cinza incomum, seu cabelo cortado curto de forma que se arrepiava do couro
cabeludo, seu sorriso era irônico e acolhedor. — Qual o seu nome?
–Anakin Skywalker. — Anakin respondeu relutante. — Estes são meus amigos
Kitster e Wald.
O velho acenou com a cabeça para os dois sem dizer uma palavra, mantendo seus olhos
fixos em Anakin. — Você voa como seu nome, Anakin. Você passeia pelo céu como se o
possuísse. Você é uma promessa.— Ele se endireitou e dirigiu o olhar para cada um dos
outros garotos. — Vocês querem pilotar as grandes naves um dia?
Os três garotos concordaram ao mesmo tempo. O velho navegador sorriu. — Não existe
nada como voar nas grandes naves. Nada.
Eu pilotei todos as grandonas quando era moço. Eu pilotava tudo que podia voar, dentro e
fora da corporação. Vocês conhecem esta insígnia, garotos?
Novamente eles concordaram, agora interessados e fascinados por estarem frente a frente
com um piloto de verdade
–não só de Pods, mas de caças, cruzadores e naves de primeira linha.
–Foi há muito tempo — o piloto disse com a voz, subitamente, distante. — Eu
deixei a corporação seis anos atrás. Muito velho. O tempo passa e você tem
que achar outra coisa para fazer com o tempo que lhe resta. — Ele apertou os
lábios. — Como estão as sodas rubji?
Ainda boas? Não tomo uma há muitos anos. Talvez agora seja um bom momento. Vocês
gostariam de ir comigo? Gostariam de tomar uma soda rubji com um velho piloto da
República?
Ele não precisou perguntar duas vezes. Ele os levou de volta à loja e lhes comprou uma
segunda bebida e uma para si. Eles voltaram para fora e acharam um lugar calmo perto da

praça e ficaram bebendo as sodas enquanto observavam o céu. A luz já tinha sumido, e as
estrelas estavam espalhadas por todo o escuro céu, uma chuva de pontos prateados
aninhados contra o negro céu.
–Voei toda a minha vida — disse o piloto solenemente, os olhos fixos no céu. — Voei
para todos os lugares que podia, e sabe de uma coisa? Não cheguei a um centésimo
do que está lá fora. Não cheguei a um milionésimo. Mas foi divertido tentar. Muito
divertido.
Seu olhar se fixou nos garotos novamente. — Voei um cruzador cheio de soldados
republicanos para Makem Te durante a rebelião.
Foi assustador. Também levei Cavaleiros Jedi uma vez.
–Jedi! — Kitster suspirou. — Uau!
–Mesmo? Você levou Jedi mesmo? — Anakin perguntou com olhos arregalados.
O piloto sorriu do entusiasmo dos garotos. — Juro e mudo meu nome se estiver mentindo.
Foi há muito tempo, mas levei quatro deles a um lugar do qual não posso falar até hoje.
Eu disse a vocês. Já estive em todos os lugares em que um homem pode ir em sua vida.
Todos os lugares.
–Quero ir a esses lugares algum dia — Anakin disse suavemente. Wald bufou. — Você
é um escravo, Annie. Você não pode ir a lugar nenhum.
O piloto fitou Anakin. O menino não podia olhar para ele. — Bem - disse ele suavemente
— nesta vida, às vezes, você nasce uma coisa e morre outra. Você não tem que aceitar
que o que lhe foi dado ao nascer é tudo que terá ao morrer.
De repente, começou a rir. — Lembro-me de algo. Eu pilotei o Kessel Run uma vez, há
muito tempo. Não muitos fizeram isso e viveram para contar a história. Muitos me
disseram que eu não conseguiria fazer isso, disseram-me que não perdesse meu tempo
tentando, para desistir e ir fazer outra coisa. Mas eu queria a experiência, então, segui em
frente e achei um meio de mostrar que estavam enganados.
Ele fitou Anakin. — Pode ser que isso seja o que você terá que fazer, jovem Skywalker. Vi
como você maneja um Pod. Você tem os olhos para isso, o sentimento. Você é melhor do
que eu era quando tinha o dobro da sua idade. — Ele acenou com a cabeça solenemente. —
Você quer pilotar as naves grandes, acho que o fará.
Os dois se fitaram. O velho piloto sorriu e acenou devagar com a cabeça. — Sim, Anakin
Skywalker, eu acho mesmo que você o fará.
Ele voltou para casa tarde para o jantar e recebeu sua segunda bronca do dia. Ele podia
inventar uma desculpa para Watto, mas Anakin Skywalker nunca mentia para sua mãe. A
respeito de nada, nunca.
Contou-lhe a verdade, sobre ter escapado com Kitster e Wald, sobre as sodas ruby e sobre
ter ouvido as histórias do velho piloto. Shmi não se impressionou. Ela não gostava da idéia
do filho passando tempo com pessoas que ela não conhecia, mesmo entendendo como
eram os garotos e que Anakin era capaz de cuidar de si mesmo.
–Se você sente necessidade de fugir do trabalho que Watto lhe deu, venha ver o
trabalho que precisa ser feito por aqui — ela o advertiu severamente.
Anakin não discutiu, sendo já esperto o suficiente para saber que brigar nessas ocasiões
nunca o levou a nada. Ele sentou quieto, comendo com a cabeça baixa, acenando com a
cabeça quando isso era necessário, pensando que sua mãe o amava e que se preocupava
com ele e que, por isso, ficava zangada e frustrada com ele.

Após o jantar, eles sentaram do lado de fora, em banquinhos em frente à casa em que
viviam. Na noite fria, observavam as estrelas.
Anakin gostava de sentar ali antes de ir para a cama. Não era tão apertado quanto lá
dentro. Ele podia respirar ali fora. Sua casa era pequena e empobrecida, espremida entre
dúzias de outras, seus muros grossos feitos de uma mistura de barro e areia. Era um
lugar tipicamente fornecido a escravos naquela área de Mos Espa, uma choupana i com um
aposento central. Mas a mãe de Anakin mantinha o local limpo e asseado, e Anakin tinha
um quarto para ele, que era maior que a maioria dos quartos e onde guardava suas coisas.
Uma bancada de trabalho e ferramentas tornavam a maior parte do espaço disponível.
Naquele momento, ele estava ocupado montando um dróide para ajudar sua mãe. Ele
colocava as peças necessárias uma de cada vez, vasculhando onde podia para encontrá-
las, vagarosamente restaurando o todo. O dróide já podia falar, se movimentar e fazer
algumas coisas. Ele o teria funcionando em breve.
–Está cansado, Annie? — sua mãe perguntou após um longo silêncio.
Ele balançou a cabeça. — Na verdade, não.
–Ainda pensando na corrida?
–Sim.
E ele estava, mas estava mais concentrado no velho piloto e suas histórias de vôos em
enormes naves para mundos distantes, em ir à guerra para defender a República e em
conviver com Cavaleiros Jedi.
–Eu não quero mais você correndo com Pods, Annie. — A mãe dizia suavemente. — Eu
não quero que você peça ao Watto para deixá-lo correr. Prometa que não o fará.
Ele assentiu com relutância. — Prometo. — Mas... e se Watto disser que eu tenho que ir,
mãe? O que posso fazer? Tenho que fazer o que ele manda. Então, se ele mandar, terei
que correr.
Ela se aproximou e pôs a mão levemente sobre seu braço. — Acho que depois do que
aconteceu hoje ele não pedirá novamente.
Vai procurar outra pessoa.
Anakin não disse, mas sabia que sua mãe estava errada. Não havia ninguém melhor que
ele nas corridas de Pod. Nem mesmo Sebulba, se ele Geasse sem roubar. Além do mais,
Watto nunca pagaria para alguém dirigir quando ele tinha Anakin para fazê-la de graça.
Watto ficaria zangado por mais um dia ou dois e, então, começaria a pensar em vencer
novamente. Anakin estaria de volta às corridas antes do final daquele mês.
Ele fitou o céu, a mão de sua mãe ainda repousando em seu braço, e pensou em como
seria estar lá fora, pilotando cruzadores de batalha e naves de combate, viajando para
mundos distantes e lugares estranhos. Ele não ligava para o que Wald disse, ele não seria
um escravo por toda sua vida. Da mesma forma que ele não seria sempre um menino. Ele
acharia um meio de deixar Tatooine. E encontraria um meio de levar sua mãe. Seus
sonhos rodopiavam em sua mente enquanto ele observava as estrelas, um caleidoscópio
de imagens brilhantes. Ele imaginava como seria. Ele viu claramente em sua mente, e isso
o fez sorrir.
Um dia, ele pensou, vendo a face do velho piloto na escuridão, o sorriso retorcido e seus
estranhos olhos acinzentados, eu farei tudo que você fez. Tudo.
Ele inspirou profundamente e segurou o ar.
Eu vou até levar Cavaleiros Jedi.

Ele expirou lentamente, com a promessa selada.  

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