Qui-Gon Jinn era um dos mais hábeis espadachins da Ordem Jedi. Mestre Jedi que fez seu
treinamento o considerava um dos melhores que já havia treinado em mais de
quatrocentos anos na Ordem.
Qui-Gon havia lutado em conflitos por toda a galáxia durante sua vida e contra adversários
tão grandes que muitos outros não teriam tido chance. Ele havia lutado em batalhas que
testaram sua habilidade e determinação de todas as maneiras imagináveis.
Mas, neste dia, ele havia encontrado alguém à sua altura. O Sith Lord, com quem ele e
Obi-Wan lutavam, era mais que seu igual em treinamento com armas, pois tinha a
vantagem de ser mais jovem e mais forte. Qui-Gon tinha quase sessenta anos; sua
juventude já ia longe e seu vigor já começava a diminuir. Sua vantagem agora, se ele
tivesse alguma, vinha de sua longa experiência e toque intuitivo sobre como um adversário
usaria um sabre de luz contra ele.
Obi-Wan trouxe juventude e resistência para o combate, mas ele havia lutado em poucas
ocasiões e não estava maduro para a luta.
Juntos, eles podiam manter-se contra o Sith Lord, mas seus esforços para atacar, para
assumir a ofensiva contra esse adversário perigoso, eram angustiosamente inadequados.
Darth Maul era um guerreiro em sua plenitude, melhor do que nunca, com seus poderes no
apogeu. Além disso, ele era guiado por seu ódio messiânico e desprezo pelos Cavaleiros
Jedi, os inimigos do Sith há milênios. Ele havia trabalhado e treinado para esse momento
toda a sua vida, por uma chance de enfrentar um Cavaleiro Jedi em combate. Era um
bônus extra que pudesse enfrentar dois. Ele não temia por si mesmo, não duvidada de sua
vitória. Ele estava focalizado de uma forma que Qui-Gon reconheceu imediatamente — um
foco Jedi, atento ao presente, preso da maneira necessária no aqui e agora. Qui-Gon viu
aquilo em seus olhos loucos e na expressão de sua face tatuada em vermelho e preto. O
Sith Lord era um exemplo vivo daquilo que o Mestre Jedi sempre dizia a Obi-Wan sobre
como melhor escutar a vontade da Força.
Os três guerreiros se movimentavam por todo o chão do hangar, utilizando toda a
habilidade que haviam adquirido com o passar dos anos. Os Cavaleiros Jedi tentavam
continuamente pressionar o ataque, e realmente o Sith Lord estava se afastando dos
Naboo e das naves de combate e para trás, em direção à parede do outro lado do hangar.
Qui-Gon reconhecia que, apesar de parecer que os Jedi estavam com a vantagem, na
verdade, era o Sith Lord quem controlava a luta. Movendo-se e girando, saltando e dando
cambalhotas com facilidade impressionante, o inimigo os levava com ele, arrastando-os
para um local de sua própria escolha. Sua agilidade e destreza permitiam que ele
mantivesse os dois sob controle, constantemente atacando enquanto, ao mesmo tempo,
aplacava seus golpes e impiedosamente, buscava uma abertura em suas defesas.
Qui-Gon pressionou duramente no início, desejando pôr fim ao combate rapidamente. Com
o cabelo longo voando às suas costas, ele atacava com ferocidade e determinação. ObiWan o acompanhava, seguindo sua liderança. Eles haviam lutado juntos antes e conheciam
os movimentos um do outro. Qui-Gon havia treinado Obi-Wan e, enquanto o Jedi mais
jovem ainda não era seu igual, ele acreditava que um dia Obi-Wan seria melhor do que ele
jamais fora.
Assim, desafinam o Sith Lord imediatamente e, quase tão imediatamente, descobriram que
seus melhores esforços não eram suficientes para chegar a uma resolução rápida. Eles se
mantiveram então sob um padrão, trabalhando em equipe contra o inimigo, aguardando
uma abertura. Mas Sith Lord era muito esperto para lhes dar uma e, assim, a batalha
havia prosseguido. Eles se movimentaram lutando pela porta do hangar afora atravessando
uma entrada que levava a uma estação de energia.
Passarelas e saliências cobriam com linhas cruzadas uma cova onde um sistema gerador
que servia ao complexo de naves estava guardado. O lugar era oco e fechado e tomado
pelo barulho de máquinas pesadas. As luzes do ambiente eram filtradas para fora em
nuvens de vapor e camadas escuras. Os Jedi e o Sith Lord lutavam sobre uma das
passarelas suspensas por cima dos geradores, e a estrutura de metal balançava com os
golpes das botas e as batidas dos sabres de luz.
Sozinhos na estação elétrica e escondidos do resto de Theed e de seus ocupantes, eles
intensificavam sua luta.
O Sith Lord pulou da ponte em que estavam para uma outra acima, sua face estranha
brilhando com o calor da batalha e com sua felicidade particular. Os Jedi o seguiram, um
colocando- se à frente dele, o outro atrás, deixando-o preso entre eles. Eles lutavam por
toda a extensão da passarela, os sabres de luz reluzindo, as faíscas voando da esteira
metálica da passarela quando a atingiam.
Então Darth Maul pegou Obi-Wan sem equilíbrio e com um chute poderoso derrubou o Jedi
na esteira. Aproveitando o ataque do Sith Lord a Obi-Wan, Qui-Gon forçou Darth Maul para
a esteira também. O Sith Lord tombou, caindo sob uma passarela vários níveis abaixo de
Obi-Wan. A força da queda ou o choque da surpresa o deixou visivelmente atordoado, e
Qui-Gon pulou atrás dele, sentindo a chance de acabar com aquilo. Mas o Sith Lord se
ergueu rapidamente e correu, levando a luta para outra direção.
Quando Obi-Wan conseguiu se recuperar, Qui-Gon perseguia Darth Maul, seguindo-o pela
passarela em direção a uma pequena porta do outro lado da estação. O Mestre Jedi corria
ligeiro, pernas e braços latejando, o sabre de luz brilhando. Ele já se sentia abatido e
esgotado, próximo à exaustão, mas o Sith Lord estava finalmente na defensiva, e ele não
queria lhe dar uma chance de se recuperar.
–Qui-Gon! — gritou Obi-Wan atrás dele, tentando alcançá- lo, mas o Mestre Jedi não
reduziu.
Um após o outro, os três adversários atravessaram a pequena porta em direção a um
corredor adiante. Eles se moviam rapidamente em sua caça frenética e estavam no
corredor antes de perceberem o que era.
Raios lasers ricocheteavam de suportes pára-choques, pulsando em longas explosões de
luzes cruzadas que dividiam o corredor em cinco pontos. Os lasers haviam começado a
pulsar quando o Sith Lord e os Cavaleiros Jedi entraram correndo. Darth Maul, à frente,
chegou mais ao fundo do corredor e ficou preso entre as paredes quatro e cinco. Qui-Gon,
que o seguia de perto, ficou preso uma parede antes. Obi-Wan, que estava mais atrás, não
passou nem pela primeira.
Em choque e imobilizados pelo zunido e pelo clarão dos lasers, os adversários ficaram
imóveis onde estavam, olhando em volta por uma saída, mas não encontrando nenhuma.
Qui-Gon calculou rapidamente onde estavam. Eles estavam no corredor de serviço do poço
de fundição, a unidade de disposição dos resíduos da estação elétrica. O corredor de
serviço estava armado de lasers para evitar entradas não-autorizadas. Devia haver um
interruptor para desligar a corrente em algum lugar nas duas extremidades da passagem,
mas agora era muito tarde para procurar.
Os Cavaleiros Jedi olharam para o Sith Lord, no final do corredor, lançando um sorriso
cruel. Não se preocupem, eles podiam ler em suas feições escuras, não esperarão muito
por mim.
Qui-Gon trocou um olhar significativo com Obi-Wan, então, se sentou em posição para
meditar e aguardar.
Padmé Naberrie, rainha dos Naboo, acompanhada por suas aias e o capitão Panaka e seus
soldados, seguiu pelos corredores que levavam para fora do hangar principal, através da
cidade de volta para o palácio. Era uma batalha de uma corrida de edifício para edifício,
corredor por corredor, contra os guerreiros dróides que haviam sido deixados para trás
para guarnecer Theed. Eles encontravam dróides tanto sozinhos quanto em esquadrões
inteiros, e não havia nada a fazer a não ser lutar para se livrarem sem se meterem em
alguma luta em andamento. Consequentemente, eles evitaram uma rota direta e
preferiram fazer uma rota menos propensa a um contato com os dróides. No começo não
tiveram escolha a não ser seguir direto para o palácio, fugindo da batalha no hangar
principal, esperando que rapidez e surpresa os ajudariam a passar. Quando aquilo falhou,
Panaka assumiu uma postura mais cuidadosa. Eles utilizaram túneis subterrâneos,
passagens escondidas, e corredores aéreos que evitavam as patrulhas que exploravam
ruas e praças. Quando eram descobertos, procuravam se livrar o mais rápido possível e
continuavam determinadamente.
No final, chegaram ao palácio muito mais rapidamente que Padmé havia ousado esperar,
entrando numa ponte de observação a partir de um corredor aéreo, caminhando através
dos corredores do palácio até a sala do trono.
Eles estavam no meio do caminho quando uma patrulha inteira de guerreiros dróides surgiu
de um canto da passagem à frente deles e abriu fogo. Padmé e seus seguidores colaram
junto às alcovas e entradas disparando suas armas em resposta, buscando uma saída.
Apareceram mais guerreiros dróides, e os alarmes soavam através do palácio.
–Capitão! — gritou Padmé para Panaka por sobre o estrondo das balas. — Não temos
tempo para isso!
Com o rosto banhado em suor, Panaka olhou em volta preocupado. — Vamos tentar lá
fora! — ele gritou de volta.
Virando seu rifle para uma janela alta, ele estourou o quadro de aço transparente da janela.
Enquanto as aias e o grupo de soldados Naboo ofereciam retaguarda, a rainha e Panaka,
mais meia dúzia de guardas, saíram de seus esconderijos e pularam rapidamente para fora
da janela estilhaçada.
Mas, agora, Padmé e seus defensores se acharam presos num parapeito largo, seis
andares acima de uma queda-d’água e de uma represa imensas que alimentavam uma
série de tanques- lagos que se espalhava pelo palácio. Pressionada contra a parede de
pedra, a rainha procurava furiosamente por uma rota de fuga. Panaka gritou para que seus
homens usassem os mecanismos de ascensão, apontando para um parapeito quatro
andares acima. Os Naboo puxaram as unidades com as cordas de arpéu de seus cintos,
ajustaram-nas ao cilindro de suas espingardas apontando- as para cima e atiraram. Cabos
finos desenrolaram como cobras preparadas para o bote, as pontas de ferro em forma de
garra que se prenderam a uma pedra.
Rapidamente Padmé e os outros Naboo ativaram o mecanismo de ascensão e foram
erguidos ao longo da parede. Atrás, no corredor onde suas aias e os soldados Naboo
restantes ainda mantinham os dróides sob controle, os tiros se intensificaram.
Padmé ignorou os sons, forçando-se a continuar.
Quando já não havia parapeitos acima, eles guardaram os cabos, e Panaka usou seu rifle
numa janela, abrindo caminho para dentro do palácio. Transparesteel e permacrete voavam
para todos os lados enquanto atravessavam novamente, saindo ainda em um outro
corredor. Eles agora estavam perto da sala do trono que se encontrava um andar acima e
vários corredores atrás. Padmé sentiu uma feroz alegria. Ela ainda teria o vice-rei
Neimoidian como seu prisioneiro!
Mas ela mal havia completado o pensamento quando dois dróides destruidores se
aproximaram pelo outro lado do corredor, rapidamente se transformando em modo de
batalha. Apenas alguns segundos depois, um segundo par de dróides apareceu na outra
ponta, com as armas engatilhadas.
Num som oco e mecânico, o dróide à frente do grupo lhes ordenou que largassem as
armas.
Padmé hesitou. Não havia possibilidade de escapar a não ser que voltassem para fora da
janela e, se o fizessem, seriam cercados no parapeito e rendidos. Eles poderiam tentar
brigar por sua liberdade, mas, enquanto tinham uma chance razoável contra os guerreiros
dróides, estavam em séria desvantagem contra seus primos mais poderosos.
No ímpeto dessa avaliação terrível, lhe ocorreu um pensamento inspirado, uma solução que
podia dar-lhes a vitória que buscavam a despeito daquela situação. Ela se endireitou,
estendeu os braços em rendição e jogou seu rifle para o lado.
–Larguem suas armas — ela ordenou ao capitão Panaka e aos soldados. — Eles
ganham essa rodada.
Panaka empalideceu. — Mas, Majestade, não podemos.
–Capitão — interrompeu Padmé com seus olhos fixos nos dele.
–Eu disse: largue suas armas.
Panaka lhe lançou um olhar que sugeria claramente que ela havia perdido o juízo. Então
largou seu rifle no chão e gesticulou para que seus soldados fizessem o mesmo.
Os dróides destruidores se aproximaram, deslizando para fazê- los prisioneiros. Mas, antes
que os alcançassem, Padmé conseguiu fazer uma ligação rápida em seu comlink.
–Tenha fé, capitão — ela aconselhou a um Panaka desnorteado com sua voz fria e
composta, enquanto escondia novamente o comlink.
As coisas não estavam indo bem para o exército Gungan. Como os Naboo, os Gungans não
eram páreo para os dróides destruidores. Lentamente, mas, com certeza, eles estavam
sendo empurrados para trás, incapazes de se manterem firmes contra o inexorável ataque
da Federação de Comércio. Aqui e lá, ao longo de suas fileiras sitiadas, regimentos
começavam a surgir em sua defesa.
Jar Jar estava no centro de um daqueles pontos.
Por um período, a sua foi uma das posições mais fortes, seus soldados revigorados pelo
que erroneamente acreditavam ser a coragem incomparável dele, transformando a
debandada num contra-ataque. Mas o contra-ataque havia se estendido pata longe demais
e entrou em total colapso com a chegada dos dróides destruidores. Agora Jar Jar Binks e
seus companheiros debandavam, recuando novamente para onde o resto do exército se
agachava à sombra do escudo de proteção que já se apagava, tentando desesperadamente
achar uma forma de se reagrupar.
Jar Jar, tendo perdido seu kaadu há muito tempo, estava correndo por sua vida.
Desesperado para aumentar a distância entre si e os dróides destruidores que o
perseguiam, ele alcançou um vagão de carga em fuga carregado com dúzias de bolas de
energia usadas nos estilingues Gungans. Agarrando a porta do vagão, ele tentou se arrastar
para dentro enquanto o vagão sacudia e chiava sobre o superfície irregular.
Mas, no esforço para se salvar, ele soltou inadvertidamente o trinco do portão, fazendo-o
abrir-se totalmente. Bolas de energia se soltaram pela traseira numa louca desordem,
balançando e rolando em descida como um enxame. Jar Jar conseguiu desviar- se, evitando
ser atingido. Ele foi bem-sucedido naquilo, mas os menos ágeis dróides destruidores em
seus calcanhares não foram. Bolas de energia os atingiram, explodindo ao contato, um
dróide após outro estourou numa chuva de metais despedaçados.
–Isso bom!—Jar Jar uivou de alegria, vendo os dróides da Federação virando de um
lado para outro, tentando escapar das bolas de energia que rolavam em sua dicção.
Em outras partes, entretanto, a batalha estava se voltando para o pior. Dróides
destruidores haviam atravessado as fileiras Gungans ainda sob o escudo de proteção e
estavam atirando contra as máquinas incessantemente. Os fambaa sobre os quais os
geradores estavam acoplados tremeram e caíram sobre os joelhos e, então, os geradores
soltaram fumaça e chamas. Abruptamente, o campo de força começou a tremular e a
desaparecer. OOM-9, assistindo a tudo através de seus electrobinoculars, foi rápido em
reportar ao comando Neimoidian.
Tanques da Federação avançaram imediatamente, suas armas retomando os disparos.
Quando o General Ceel viu os geradores do campo perderem força, ele percebeu que a
batalha estava perdida. Os Gungans haviam feito tudo que podiam para a rainha Naboo.
Dirigindo-se a seu grupo, ele sinalizou uma retirada. As cornetas de batalha tocaram,
soando pelas planícies verdes, e todo o exército Gungan começou a recuar.
Jar Jar conseguiu uma nova montaria e se dirigia loucamente para a segurança do pântano.
Fugindo do encalço de dróides destruidores e de tanques, ele teve seu kaadu atingido
debaixo dele e foi jogado para o lado, caindo na torre armada de um tanque próximo.
Segurando-se para salvar a vida, ele foi carregado pelo veículo inimigo através da planície
enquanto a batalha enfurecia a seu redor. Os dróides dentro do tanque imediatamente
perceberam sua presença, e o motorista tentava jogá-lo para fora girando a torre armada
de um lado para outro, mas Jar Jar se agarrara com vigor ao cilindro, abraçando-o
fortemente junto ao corpo e evitando ser desalojado.
–Socorro, socorro! — ele berrava.
O capitão Tarpals, montando num kaadu, conseguiu correr ao lado do tanque, gritando para
Jar Jar pular. Fogo laser disparava do tanque quase atingindo Jar Jar que lutava para vencer
seu medo e se libertar de seu poleiro precário. Escotilhas começaram a se abrir e cabeças
de dróides apareceram. Os olhos dele se arregalaram quando viu armas serem erguidas e
preparadas.
Ele então pulou, lançando-se para fora do tanque e aterrissando desconfortavelmente atrás
do Gungan que havia ficado para salvá-lo.
O kaadu, sobrecarregado com dois cavaleiros, empinou selvagemente, então, se endireitou
e partiu rapidamente.
Explosões ocorriam à volta deles, enviando gotas de sujeira para cima e Jar Jar Binks, com
os braços à volta do outro cavaleiro, os olhos fechados em terror pelo caos à sua volta,
tinha plena certeza de que aquele era o fim.
Enquanto isso, Anakin Skywalker estava preso no centro de um combate aéreo entre naves
Naboo e da Federação. Ainda lutando para sair do piloto automático, ele havia evitado se
envolver com o inimigo principalmente porque sua nave estava voando de uma forma
desordenada e evasiva que a tirava da área de combate sempre que chegava próxima
demais. Naves explodiam a sua volta, algumas tão próximas que ele conseguia ver os
pedaços de metal que passavam por cima de sua cabeça.
–Ei, cara, isso é tenso! — ele tomou fôlego enquanto experimentava uma série de
interruptores no painel de controle e a nave mergulhava e ziguezagueava em resposta
à sua interferência equivocada nas operações.
Mas ele também estava assimilando o painel de controle, sua exploração por tentativa e
erro gerava conhecimento sobre as funções de cada interruptor, botão e alavanca. O lado
ruim daquilo era que os gatilhos das armas lasers haviam travado e, por mais que
tentasse, ele não conseguia achar uma maneira de soltá- los.
Ele desviou os olhos de sua busca ao ouvir um bip alto de R2- D2 e avistou um par de
naves da Federação aproximando-se dele pela frente.
–Erredois, Erredois, tire-nos daqui!
O dróide astromecânico anulou o restante do que ia dizer com uma série de assobios
frenéticos.
–Estou no controle? — exclamou Anakin em choque.
Ele tomou a direção, empurrou os alimentadores de combustível e deslizou as barras
propulsoras para a esquerda. Para sua surpresa e gratidão eterna, a nave se inclinou
prontamente para o lado e eles dispararam, passando pelas naves e para dentro de um
novo enxame de combatentes.
–Isso! Estou no controle! — Anakin estava extasiado. — Você conseguiu, Erredois!
O dróide astromecânico fez um bip para ele através do intercom, numa mudança brusca.
As sobrancelhas de Anakin se levantaram enquanto ele lia o displaj — Volte para Naboo?
Esqueça! Qui-Gon me mandou ficar nesta cabine e é isso que vou fazer! Agora, segure-se!
O entusiasmo dominou seu bom-senso, e ele dirigiu sua nave para o centro da batalha.
Todos os seus instintos de vôo reapareceram, e ele estava de volta às corridas de Pod em
Tatooine, como parte de sua nave, aprisionado pelo desafio intoxicante de vencer. Sua
promessa de proteger Qui-Gon e Padmé estava esquecida; eles estavam muito longe para
pensar neles agora. Tudo que interessava era que ele havia encontrado seu caminho no
espaço, assumido comando de uma nave, e ganho uma chance de viver seu sonho.
Uma nave inimiga apareceu em seu visor à frente. — Fique firme, Erredois — ele avisou.
— Vou explodir esse cara.
Ele colocou sua nave em posição de foto atrás da embarcação da Federação de Comércio,
lembrando com atraso que as alavancas de suas armas lasers estavam travadas.
Freneticamente, ele procurou a alavanca para destravar.
–Qual deles, Erredois? — ele berrou por baixo do capacete. — Como disparo essa
coisa?
R2-D2 emitia bip loucamente.
–Qual deles? Este aqui?
Ele atingiu o botão indicado pelo dróide, mas, ao invés de soltar o mecanismo de disparo, a
nave acelerou passando pela nave inimiga.
–Oa! — Anakin ofegou desanimado.
Agora a nave da Federação de Comércio estava em sua cauda, manobrando para posição
de disparo contra ele. Anakin empurrou a direção com força, passando em velocidade pela
monstruosa nave de guerra da Federação de Comércio, gritando no vazio, numa série de
movimentos descontrolados.
–Aquele não era a alavanca para destravar! — berrava o menino em seu ínterim. —
Aquela era a sobremarcha!
R2-D2 assobiou uma tímida resposta. A nave inimiga estava novamente atrás deles e se
aproximava rapidamente. Anakin inclinou sua nave fortemente para a direita dirigindo-a
para a barricada e para o aglomerado de naves. Deslocando os estabilizadores em direções
apostas, ele começou a girar sua nave como um pião. R2-D2 emitiu um som agudo em
desespero.
–Sei que estamos encrencados! — gritou Anakin de volta. — Apenas segure firme! O
caminho de saída dessa confusão é o mesmo pelo qual entramos!
Ele se moveu com rapidez para a estação de controle, levando a nave inimiga com ele.
Raios lasers passavam de raspão, quase o atingindo. Ele aguardou mais um segundo, até
que ficou tão perto que o emblema da Federação de Comércio pintado sobre a ponte de
comando se ergueu gradualmente como um muro, e engatou os propulsores de reversão
inclinando-se novamente para a direita.
Sua nave quase encrencou, caindo como uma pedra por um momento angustiante antes de
estabilizar. Por outro lado, a nave inimiga não teve tempo para reagir à manobra e passou
por ele em direção à lateral da nave de guerra, explodindo numa chuva de fogo e pedaços
de metal.
Puxando novamente os propulsares dianteiros, Anakin continuou voando, buscando novos
inimigos. Através de sua capota, ele podia avistar um punhado de naves Naboo
empenhados em atacar a nave-mãe da Federação de Comércio.
A Voz de Ric Olié chegou pelo intercom. — Bravo Três! Vá para a ponte de comando
central!
–Positivo, Bravo Líder — veio a resposta.
Uma esquadrilha de quatro naves mergulhava em direção à nave de guerra, lasers
disparando, mas os defletores da grande nave se desviaram dos ataques sem esforço.
Duas das naves foram atingidas por fogo de canhão e explodiram em cinzas. As outras
duas interromperam o ataque.
–Os escudos deles são muito resistentes! — gritou com raiva um dos pilotos
sobreviventes. — Nunca passaremos!
Anakin, enquanto isso, estava sob ataque novamente. Outra nave da Federação o havia
encontrado e o perseguia. O menino empurrou as barras de propulsão para frente e
avançou em direção à fuselagem da nave de guerra, torcendo e girando através de seus
canais e rodeando suas saliências, fogo laser ricocheteando em jatos constantes.
–Eu sei que isso não é uma corrida de Pod! — disparou Anakin para R2-D2, enquanto o
dróide astromecânico fazia bips em reprovação.
Mas, no fundo, ele sentia como se fosse. Uma alegria feroz o atravessou enquanto lançava
a nave Naboo ao longo do comprimento da nave de guerra. A velocidade e rapidez da
batalha o alimentavam num fluxo de adrenalina. Ele não estaria em nenhum outro lugar do
mundo!
Mas, desta vez, sua sorte parou. Enquanto se aproximava da cauda da nave de guerra, um
jato laser atingiu sua nave com força, lançando-a num giro de apertar o estômago. R2-D2
gritou novamente, e Anakin lutou desesperadamente para recuperar o controle.
–Seus pedaços de escarro de bantha! — sibilou o menino, lutando para estabilizar sua
nave atacada.
Ele estava arremessando em direção à fuselagem, então, puxou para trás as barras de
propulsão, cortando energia e caindo num longo deslize. Ele recuperou controle tarde
demais para recuar, então, apontou a nave para uma abertura no centro da nave de guerra.
Fogo de canhão estourava à sua volta enquanto os dróides que controlavam a nave de
guerra tentavam derrubá-la. Mas ele passou por eles em um microssegundo, acelerando
para o hangar oco e fechado da nave de guerra. Com as barras de reversão em força total,
desviando-se de transportes, tanques, naves e pilhas de suprimentos, ele lutava para
manter sua nave no ar enquanto procurava um local para aterrissar.
R2-D2 emitia bips loucamente. — Estou tentando parar! — gritou Anakin em resposta. —
Ei! Ei! Estou tentando!
A nave Naboo de Anakin atingiu o chão da nave de guerra e balançou enquanto os
propulsares reversos funcionavam num esforço para frear a nave. Uma antepara surgia à
frente, bloqueando o caminho. Anakin trouxe a nave ao chão com uma batida surda e a
manteve lá escorregando pela rampa num chiado metálico. A nave reduziu a velocidade e
parou instavelmente. O drive de eletricidade engatou e, então, parou completamente. R2-
D2 assobiou aliviado.
–Tudo bem, tudo bem! — ofegava Anakin, assentindo com a cabeça para si mesmo.
— Estamos no chão. Vamos ligar os motores de novo e cair fora daqui!
Ele se abaixou para ajustar os alimentadores para as linhas de combustível, checando
preocupado os indicadores do painel de controle. — As luzes estão todas vermelhas,
Erredois. Está tudo superaquecido.
Ele trabalhava nos resfriadores quando R2-D2 fez um bip novamente em alerta. O menino
pôs a cabeça por cima do canto da cabine e olhou para o hangar lá fora. — Oh, ah! —
murmurou baixinho.
Dúzias de guerreiros dróides se aproximavam através do hangar, com as armas erguidas
ameaçadoramente. A única rota de fuga deles estava bloqueada.
Obi-Wan perambulou pelo parte da frente do corredor de serviço que levava ao poço de
fundição como um animal enjaulado. Ele estava furioso consigo mesmo por ter ficado
preso tão longe de Qui-Gon e furioso com Qui-Gon por deixar isso acontecer correndo na
frente ao invés de esperar por ele. Mas estava preocupado também. Ele podia admitir para
si mesmo, se conseguisse. Eles deveriam ter vencido aquela luta há muito tempo. Contra
qualquer outro oponente, já teriam vencido. Mas o Sith Lord era treinado em batalhas e
mais experiente que qualquer outro que já haviam encontrado. Ele havia competido com
eles golpe a golpe e os dois não estavam nem um pouco próximos de ganhar essa luta que
apenas se iniciava.
Obi-Wan observou a extensão do corredor, medindo a distância que teria que percorrer
para alcançar Qui-Gon e seu adversário quando os lasers se interrompessem. Ele havia
dado uma olhada rápida quando os lasers se desativaram e enquanto corria para alcançar
Qui-Gon, mas eles se reativaram novamente em questão de segundos. Ele teria que ser
rápido. Muito rápido. Ele não queria que o Mestre enfrentasse o homem tatuado sozinho.
Mais adiante, preso entre dois muros de feixes lasers, Qui-Gon estava sentado em posição
de meditação, de frente para o Sith Lord e o poço de fundição, sua cabeça abaixada sobre
o sabre de luz. Ele estava se compondo para um último assalto, colocando- se em sintonia
com a Força. Obi-Wan não gostou da fadiga que viu nos ombros caídos do homem mais
velho, na curvatura de suas costas. Ele era o melhor espadachim que Obi-Wan já vira, mas
estava ficando velho.
A frente, o Sith Lord trabalhava com seus ferimentos, uma série de queimaduras e cortes
marcados por rasgões queimados em sua roupa escura. Ele estava de costas para a ponta
da câmara seguinte, mantendo os olhos atentos em Qui-Gon, sua face vermelha e preta
intensa, os olhos amarelos brilhando à meia-luz. Seu sabre de luz descansava no chão à
frente dele. Ele percebeu Obi-Wan observando e sorriu em óbvio desprezo.
Naquele instante, os feixes de luz laser que guardavam o corredor de serviço apagaram.
Obi-Wan correu para frente, lançando-se na passagem estreita com o sabre de luz erguido.
Qui-Gon também estava de pé, sua arma brilhando. Ele se lançou através da abertura que
levava para o poço de fundição e se aproximou do Sith Lord, forçando-o a recuar,
completamente fora da passagem. Obi-Wan irrompeu, novamente, com velocidade, urrando
para os adversários à frente, como se com o som de sua voz pudesse trazê-los de volta
para ele.
Então ele ouviu o zumbido dos condensadores batendo novamente, circulando para reativar
os lasers. Ele se lançou para diante, ainda muito distante do final do corredor. Atravessou
todos os portões com exceção do último, quando os lasers se entrecruzaram à sua frente
num muro mortal, fazendo-o parar abruptamente a pouca distância de onde precisaria
estar.
Com o sabre de luz entre as duas mãos, ele ficou assistindo em desamparo enquanto QuiGon Jinn e Darth Maul duelavam sobre a borda estreita que circundava o poço de fundição.
Uma faixa de elétrons era tudo que o separava dos combatentes, mas bem poderia ser um
muro de permacrete de três metros de largura. Desesperadamente, ele procurava um
dispositivo que pudesse desligar o sistema, mas não teve mais sorte nesta ponta do que
teve na outra. Ele podia só esperar e rezar para que Qui-Gon se mantivesse firme.
Parecia que o Mestre Jedi conseguiria. Ele havia encontrado uma nova reserva de energia
durante sua meditação e, agora, atacava com tal ferocidade que parecia haver bloqueado o
Sith Lord. Com golpes rápidos e fortes de seu sabre de luz, ele ameaçava seu adversário,
deliberadamente combatendo corpo a corpo, recusando-se a deixar o adversário estender
sua espada de duas lâminas. Ele levou Darth Maul de costas para a borda do poço,
mantendo o Sith Lord constantemente na defensiva, pressionando-o continuamente. QuiGon Jinn podia não ser mais jovem, mas ainda era poderoso. A face cortada de Darth Maul
assumiu uma expressão frenética e seus seus olhos estranhos brilhavam em incerteza.
Bom, Mestre, pensou Obi-Wan, incentivando-o sem palavras, adivinhando os golpes de QuiGon como se fossem seus.
Então Darth Maul deu um salto de costas para o outro lado do poço a fim de ganhar
espaço e tempo, de se recuperar, adquirindo nova posição na luta. Qui-Gon estava atrás
dele num instante, cobrindo rapidamente a distância que os separava, lançando-se contra o
Sith Lord novamente. Mas, agora, ele começava a se cansar de carregar a luta sozinho.
Seus golpes não eram mais tão vigorosos como antes e seu rosto estava suado e tenso de
fadiga. Lentamente, Darth Maul passou a ter vantagem na luta, tornando-se novamente o
agressor.
Rápido! Sibilou Obi-Wan silenciosamente, desejando que os lasers parassem para que os
portões baixassem.
Golpe por golpe, Qui-Gon e Darth Maul lutavam ao longo da borda do poço, presos num
combate que parecia eterno e que não seria vencido por nenhum deles.
Então o Sith Lord aparou um golpe por baixo, rodopiando rapidamente para a direita e, com
suas costas voltadas para o Mestre Jedi, deu uma estocada cega e reversa. Tarde demais,
Qui- Gon viu o perigo. A lâmina do Sith Lord o pegou diretamente no meio do corpo, a
faixa brilhante queimando através da roupa, da carne e dos ossos.
Obi-Wan pensou ter ouvido o Mestre Jedi gritar, mas percebeu que fora ele mesmo,
chamando pelo amigo em desespero. Qui- Gon não emitiu um único som enquanto a
lâmina o penetrou, endurecendo com o impacto, então, deu um pequeno passo atrás
enquanto a lâmina foi puxada. Ele ficou parado imóvel por um instante, lutando contra o
choque causado pelo golpe mortal. Então seus olhos escureceram, os braços caíram e um
imenso cansaço tomou conta de suas feições orgulhosas. Ele caiu sobre os joelhos e seu
sabre de luz ressoou no chão de pedra.
Ele estava caído de frente e imóvel quando os lasers desligaram abruptamente, e Obi-Wan
Kenobi, fervendo de ódio, correu para socorrê-la.
Nute Gunray estava parado ao lado de Rune Haako e quatro membros da Conselho de
Ocupação da Federação de Comércio quando o capitão Panaka, uma das aias da rainha, os
seis soldados Naboo que haviam lutado para protegê-los foram levados por um pelotão de
dez dróides destruidores até a sala do trono do palácio de Theed. O vice-rei reconheceu
Panaka imediatamente, mas não estava certo sobre a identidade da aia que o
acompanhava. Ele procurava pela rainha, mas reparou que sua aia se assemelhava a ela.
Ele se surpreendeu. Era a rainha, sem a maquiagem e os robes enfeitados, livre de seus
trajes oficiais. Ela parecia até mais jovem que em seus trajes cerimoniais, mas os olhos e
o olhar frio eram irreconhecíveis.
Ele olhou para Rune Haako e reconheceu a mesma expressão confusa no rosto de seu
sócio.
–Alteza — ele a cumprimentou enquanto ela era conduzida até ele.
–Vice-rei — ela respondeu, confirmando a conclusão dele sobre sua identidade.
Feito aquilo, ele rapidamente assumiu a pose de um captor confrontando seu cativo. — Sua
pequena insurreição está no fim, Alteza.
O exército plebeu que enviou contra nós ao sul da cidade foi esmagado. Os Jedi estão
sendo cuidados em algum lugar. E você é minha prisioneira.
–Sou? — ela perguntou calmamente.
A maneira com que ela disse as palavras era irritante. Havia algo desafiador na maneira
como as pronunciou, como se ela o desafiasse a não concordar. Até Panaka se voltou para
fitá-la.
–Sim, é.— Ele prosseguiu, imaginando, de repente, se teria perdido alguma coisa. A
face dele se ergueu. — É hora de colocar um ponto final nessa discussão inútil que
instigou no Senado da República. Assine o tratado agora.
Houve uma confusão fora da entrada que levava à sala do trono — som de rifles
explosivos e de metal fragmentado — e, de repente, Amidala estava de pé na sala de
espera, mais adiante, um grupo de guerreiros dróides tombou no chão e um punhado de
soldados Naboo protegiam sua rainha, caso mais dróides aparecessem.
–Não assinarei o tratado, vice-rei! — ela gritou para ele, já começando a fugir. —
Você perdeu!
Por um momento, Nute Gunray ficou tão estupefato que não conseguia se mover. Uma
segunda rainha? Mas essa era a verdadeira, vestida em seus trajes oficiais, usando a
pintura branca no rosto, falando com ele naquela voz imperiosa que ele havia aprendido tão
bem a reconhecer.
Ele se dirigiu para os guerreiros dróides segurando Panaka e a rainha. — Os seis! Atrás
dela! — ele gesticulou na direção da Amidala que desaparecia. — Traga-a para mim! A
verdadeira, desta vez — não alguma dublê!
Os dróides indicados por ele correram da sala atrás da rainha e de seus guardas, deixando
os Neimoidians e os quatro dróides restantes com seus cativos Naboo.
Gunray se movimentou até a aia. — Sua rainha não escapará depois dessa! — ele disparou
furioso por ter sido enganado.
A aia pareceu perder toda sua bravura, se afastando dele com a cabeça baixa em derrota,
movendo-se lentamente até o trono da rainha e afundando nele abatida. Nute Gunray a
dispensou quase imediatamente, voltando sua atenção para os outros Naboo, ansioso por
mandá-los para os campos.
Mas, no instante seguinte, a aia estava de pé novamente, qualquer sinal de derrota e
cansaço desaparecido, um rifle explosivo em cada mão, puxado de um compartimento
escondido no braço do trono.
Jogando um dos rifles para o capitão Panaka, ela começou a descarregar o segundo sobre
o pelotão incompleto de guerreiros dróides. Os dróides foram completamente
surpreendidos, sua atenção fixa nos guardas Naboo. A aia e Panaka os despacharam com
uma rajada de balas que fez o trono retinir com os sons dos tiros.
Gritando instruções para os Naboo, a aia — se é isso que ela realmente era, porque Nute
Gunray já estava começando a pensar o contrário — se movimentou para a porta da sala
do trono, acionando os trincos. As portas foram trancadas a ferrolhos e a garota quebrou o
trinco com a coronha de sua arma.
Ela se voltou, então, para os Neimoidians, que estavam agrupados em confusão no centro
da sala, com os olhares dirigidos para todos os lados numa busca inútil por ajuda. Todos
os guerreiros dróides estavam despedaçados no chão, e os Naboo haviam tomado suas
armas.
A aia caminhou até Gunray. — Vamos começar de novo, vice- rei — disse ela friamente.
–Majestade — ele replicou com os lábios apertados, descobrindo a verdade tarde
demais.
Ela assentiu. — Este é o fim de sua ocupação.
Ele se manteve firme. — Não seja absurda. Há muito pouco de vocês. Não levará muito
até dróides destruidores invadirem esta sala para nos resgatar.
Antes mesmo que ele terminasse, se ouviu o som de rodas pesadas na sala de espera,
então, de corpos metálicos se desdobrando. O vice-rei se permitiu um sorriso satisfeito.
— Vê, Majestade? O resgate já está a caminho.
Ela lhe lançou um olhar duro. — Antes que atravessem aquela porta, teremos negociado
um novo tratado, vice-rei. E você o terá assinado.
Finalmente, livre do último muro de lasers, Obi-Wan Kenobi deixou o corredor de serviço
em direção à sala onde estava o poço de fundição. Abandonando qualquer idéia de tomar a
mínima precaução, ele se jogou para Darth Maul com tanta fúria que quase derrubou a
ambos para fora da borda e dentro do abismo. Ele golpeou seu sabre de luz na direção do
Sith Lord como se sua segurança não significasse coisa alguma, perdido na névoa
vermelha do ódio e da frustração, consumido por seu pesar por Qui-Gon e seu fracasso
em evitar a queda do amigo.
O Sith Lord foi jogado para trás pelo golpe inicial do Cavaleiro Jedi, surpreendido pelo
ataque selvagem do outro, sendo empurrado e pressionado até a parede aposta do poço de
fundição. Lá, ele lutou para manter o jovem Jedi sob controle, tentando abrir espaço
suficiente entre eles para se defender. Os sabres de luz arranharam e rangeram um
contra o outro e a sala ecoava com sua fúria. Dando estocadas e girando, Darth Maul
recuperou a ofensiva e contra-atacou, usando as duas pontas de seu sabre de luz num
esforço para cortar as pernas de Obi-Wan. Mas Obi-Wan, apesar de não ser tão experiente
quanto Qui-Gon, era mais rápido. Prevendo cada golpe, ele conseguiu evitar os esforços de
seu adversário para derrubá-lo.
A luta os levou por toda a beira do poço e para dentro de recantos e alcovas sombrias, em
volta de chaminés e encanamentos. Por duas vezes, Obi-Wan caiu, perdendo o equilíbrio no
chão lustroso da beira do poço. Uma vez, Darth Maul o atacou com tanta determinação
que chamuscou a túnica do jovem Jedi do ombro até a cintura, e foi somente utilizando
um contragolpe de baixo para cima no estômago do outro, ao mesmo tempo em que se
afastava rapidamente rolando e se colocava novamente de pé que Obi-Wan conseguiu
escapar.
Eles continuaram lutando novamente de volta à passagem crivada de lasers, passando pela
forma imóvel de Qui-Gon e para dentro de um emaranhado de tubos de ventilação e
condutores elétricos. Vapor estourava das chaminés quebradas e o ar estava impregnado
com um odor acre de fiação chamuscada. Darth Maul começou a usar seu comando da
Força para atirar objetos pesados em Obi-Wan, tentando fazê-lo perder o equilíbrio e
incapacitá-la, atrapalhando o fluxo de seu ataque. Obi-Wan respondeu com a mesma
atitude, e o ar ficou cheio de projéteis mortais. Sabres de luz chamejavam para a direita e
esquerda para afastar os objetos, e o ruído do metal errante batendo nos muros de pedra
emitia um ruído sinistro na escuridão.
O duelo prosseguia e, durante algum tempo, se manteve empatado. Mas Darth Maul era o
mais forte dos dois e era guiado por um frenesi que superava mesmo a determinação
frenética que assolava Obi-Wan. Eventualmente, o Sith Lord começou a cansar o jovem
Jedi. Aos poucos, ele o forçava a recuar, atacando-o e esperando para pegá-la numa
distração. Obi-Wan podia sentir seu corpo enfraquecendo e o temor começou a aumentar
— caso viesse também a cair.
Nunca! Ele jurou furiosamente.
As palavras de Qui-Gon lhe voltaram à mente. Não se concentre nos seus temores.
Concentre-se no aqui e agora. Ele lutou para fazê-lo, para controlar as emoções que o
tornavam por dentro e o derrubavam. Esteja atento à Força viva, meu jovem Padawan. Seja
forte. Sentindo a oportunidade lhe escapar e sua força desvanecer, Obi- Wan preparou um
ataque final. Ele lançou ao Sith Lord uma série de golpes laterais a fim de trazer o sabre
de duas lâminas para a posição horizontal. Então fingiu um ataque à esquerda do inimigo e
trouxe seu próprio sabre de luz por cima e por baixo com tanta força que partiu a arma do
outro.
Berrando em fúria, ele cortou triunfante a cabeça chifruda do Sith Lord com um golpe
mortal.
E errou completamente.
Darth Maul, antecipando a manobra, havia se afastado um pouco para trás. Descartando a
metade menor de sua arma partida, ele contra-atacou rapidamente, golpeando Qui-Gon
com tanta força, que atingiu o jovem Jedi pelo lado, fazendo-o perder o equilíbrio.
Rapidamente, ele novamente golpeou o Jedi com mais força ainda e, dessa vez, Obi-Wan
tombou sobre a borda do poço, seu sabre de luz voando de sua mão. Por um instante, ele
estava caindo, tombando na escuridão. Ele procurou com as mãos em desespero,
agarrando um anel metálico logo abaixo da boca do poço.
Ele ficou lá pendurado, desamparado, olhando para um Darth Maul triunfante.
Quando Anakin Skywalker deu uma olhada no número de guerreiros dróides cercando sua
nave, imediatamente se escondeu novamente.
Se houvesse qualquer possibilidade, ele teria desaparecido dentro da fuselagem da nave
mentalmente levando ambos através do hangar até um paraíso mais seguro.
–Isso não é bom — ele disse a si mesmo suavemente.
O suor escorria de sua fronte enquanto tentava decidir o que fazer. Ele era apenas um
garoto, mas ele tinha experiência em estar em situações difíceis e uma mente fria quando
se tratava de lidar com problemas. Encontre uma saída dessa encrenca! Ele se repreendeu.
Uma olhada rápida para os painéis de controle revelou que todas as luzes indicadoras ainda
estavam vermelhas. Nenhuma ajuda.
–Erredois — sussurrou. Os sistemas ainda estão superaquecidos. Pode fazer alguma
coisa?
Passos se aproximaram, e uma voz dróide metálica perguntou — Onde está o piloto?
R2-D2 emitiu um bip corajosamente em resposta.
–Você é o piloto?
O dróide astromecânico assobiou afirmativamente.
Houve uma pausa confusa. — Mostre sua identificação — comandou o guerreiro dróide,
recaindo em rotinas.
Anakin podia ouvir o som de interruptores clicando e circuitos funcionando. R2-D2 ainda
tentava salvá-los. Velho e bom Erredois.
O dróide astromecânico fez um bip suave para Anakin, e o menino viu as luzes do sistema
mudar abruptamente de vermelho para verde.
–Isso, Erredois! — ele assobiou aliviado. — Estamos de volta e funcionando!
Ele pressionou os botões da ignição, e os motores da nave roncaram para a vida.
Rapidamente, ele pulou do esconderijo e tomou o assento do piloto, suas mãos agarrando a
direção.
O comandante dróide o avistou e ergueu a arma. — Deixe a cabine imediatamente ou
inutilizaremos sua nave!
–Não se eu puder evitar! — respondeu o menino, alcançando os defletores. — Escudos
para cima! — puxando novamente a direção, ele soltou as barras antigravitacionais. A
nave de batalha levitou do chão do hangar, atropelando o comandante dróide
transformando-o num amontoado de metal comprimido. Os dróides sob seu comando
começaram a atirar seus rifles explosivos, os raios laser ricocheteando nos defletores
da nave, desviando-se num emaranhado de faixas brilhantes.
R2-D2 emitia bips loucamente. — As travas das armas estão soltas! - exclamou Anakin
com um grito de felicidade. — Agora vamos mostrar a eles!
Ele alcançou os botões de fogo e os manteve embaixo, girando a nave no sentido horário
pelo chão do hangar. Raios laser disparavam com o movimento de um cata-vento,
cortando os guerreiros dróides desprotegidos, incapacitando-os antes mesmo de pensarem
em escapar.
Anakin berrava de alegria, pela diversão de estar novamente com o controle. Com os
lasers atirando, ele varreu o chão do hangar de dróides, observando aqueles ainda distantes
correrem em busca de cobertura, assistindo a naves e suprimentos voarem enquanto raios
mortais os atravessavam.
Então algo se moveu no final de um longo corredor, não mais que uma sombra e, lá no
fundo, seus instintos pulsaram a todo vapor, gritando para ele em desesperada
necessidade. Ele não sabia se o que via era uma arma, uma máquina ou algo diferente, e
não importava.
Ele estava de volta às corridas de Pod, em luta com Sebulba, e podia ver o que ninguém
mais podia, o que estava escondido de todos os outros. Ele reagiu sem pensar,
respondendo a uma voz que falava somente com ele, que sempre sussurrava sobre o
futuro enquanto o protegia no presente.
Agindo por seu própria vontade, mais rápido do que pensou, sua mão largou os botões de
disparo dos lasers e acionaram um interruptor duplo para a direita. Instantaneamente, um
par de torpedos disparou pelo corredor em direção à sombra. Os torpedos disparam
passando por guerreiros dróides, pilhas de suprimentos, transportes e tudo mais,
desaparecendo através de uma passagem larga.
O menino grunhiu. — Maldição! Errei tudo!
Sem dar ao assunto mais atenção, ele deu uma volta rápida na nave e empurrou as barras
propulsoras para frente. O drive de potência ligou com um ronco feroz, e a nave disparou
pelo deck do hangar, deixando dróides espalhados em todas as direções, lançando-se de
volta ao espaço com o fogo de canhão da nave de guerra perseguindo-o numa faixa de
fogo branco mortal.
Darth Maul caminhou lentamente até a beira do poço de fundição, com sua face tatuada
banhada em suor e com os olhos selvagens e brilhantes de alegria. A luta estava acabada.
O último Jedi estava para ser eliminado. Ele sorriu e mudou o resto de seu sabre de luz
partido para a outra mão, apreciando o momento. Com os olhos fixos no Sith Lord, ObiWan Kenobi se recolheu para dentro de si mesmo, conectando-se com a Força que havia
trabalhado tanto para entender. Procurando se acalmar, diminuindo o tremor em seu
coração e expulsando sua raiva e medo, ele buscou suas últimas reservas. Com clareza de
objetivo e força de coração, ele se lançou para longe da lateral do poço jogando-se de volta
para a boca. Impregnado do poder da Força, ele atingiu a margem facilmente, dando uma
cambalhota para trás do Sith Lord num único e poderoso movimento. Enquanto aterrissava,
já puxava o sabre de luz de Qui-Gon para sua mão estendida.
Darth Maul girou para confrontá-la, o choque e o ódio torcendo sua face vermelha e preta.
Mas, antes que pudesse agir para se salvar, o sabre de luz de Qui-Gon atravessou seu
peito, queimando-o com fogo mortal. O Sith Lord ferido uivou de dor e incredulidade.
Então Obi-Wan se virou, desligou seu sabre e assistiu a seu inimigo agonizante tombar
dentro do poço.
–Ei, isso é muito melhor que corrida de Pod! — gritou Anakin Skywalker para R2-D2,
sorrindo largamente enquanto ziguezagueava sua nave Naboo em todas as direções
para escapar dos atiradores.
O dróide astromecânico fazia bips e trinava como se houvesse fritado todos os seus
circuitos, mas o garoto se recusava a ouvir, girando e inclinando loucamente a nave de
batalha, direcionando- a de volta para Naboo e para longe da estação de controle.
Então uma voz chocada foi ouvida pelo intercom vinda de outra nave. — Bravo Líder, o que
está acontecendo com a nave de controle?
No instante seguinte, um flash de luz pulsante passou por ele. Ele olhou por cima do
ombro e viu a nave de guerra de onde escapara destruída por uma série de explosões.
Imensos pedaços se soltavam do centro, arremessando-se no espaço.
–Está explodindo por dentro! — exclamou a voz no internam.
–Não fomos nós, Bravo Dois — respondeu Ric Olié rapidamente.
–Nós nunca chegamos a atingi-la.
A nave de guerra continuou a desmoronar, as explosões violentamente atravessando-a,
despedaçando-a, envolvendo-a e, finalmente, consumindo tudo numa bola brilhante de luz.
Restos voaram por cima da capota da nave de Anakin, e as luzes da explosão
desapareceram no negro.
–Veja! — Bravo Dois quebrou novamente o súbito silêncio. — E um dos nossos! Saindo
do cargueiro principal! Deve ter sido ele!
Anakin se encolheu. Ele havia esperado voltar para o planeta sem ser visto, evitando ter de
explicar a Qui-Gon o que fazia lá em cima.
Não havia chance para isso agora.
R2-D2 fez um bip em sinal de reprovação. — Eu sei, eu sei — ele murmurou aborrecido e
pensou no tamanho da encrenca que havia se metido dessa vez.
Tiros de rifles explosivos atingiam a porta da sala do trono do palácio de Theed. O capitão
Panaka e os soldados Naboo se espalharam para os lados numa posição defensiva,
preparando um fogo cru-zado para os dróides. Nute Gunray queria sair do alcance, mas a
rainha ainda o encarava, com seu rifle apontado para seu tórax, e ele não arriscaria
provocá-la a tomar uma atitude precipitada. Ele ficou parado com os outros do Conselho
da Federação, congelado no lugar.
Então, de forma abrupta, tudo ficou quieto. Todos os sons de tiros e movimentos de
dróides além do trono bombardeado cessou.
O capitão Panaka olhou para a rainha, sua face escura incerta. — O que está acontecendo?
— perguntou preocupado.
Amidala, com a arma apontada para Nute Gunray, sacudiu a cabeça. — Tente os
comunicadores. Ative as telas do visor.
O chefe de segurança da rainha se moveu rapidamente. Todos os olhos estavam voltados
para ele enquanto, lentamente, ajustou o foco das telas externas.
Nas pradarias de Naboo, o exército Gungan havia sido vencido. Alguns deles conseguiram
voltar para o pântanos montados em seus kaadu, e outros haviam fugido para os morros a
oeste. Todos estavam sendo perseguidos por guerreiros dróides em STAPs e por tanques
da Federação de Comércio. Não havia mais muita esperança de que ficariam livres por
mais tempo.
A maior parte dos Gungans já havia sido levada como prisioneiros, Jar Jar Binks entre eles.
Ele estava agora junto a um grupo de oficiais Gungans que incluía o general Ceel. Por toda
a sua volta, seus companheiros Gungans estavam sendo levados embora por dróides da
Federação de Comércio.
–Isso muito ruim — arriscou Jar Jar em desconsolo.
O general Ceel assentiu, igualmente desesperançado. — Mim esperar que isso ajude rainha.
Jar Jar suspirou. E Annie, Qui-Gon, Obi-Wan, Erredois e todo o resto. Ele pensou no que
teria acontecido com eles. Teriam sido capturados também? Ele pensou em Boss Nass. O
Boss não iria gostar disso nem um pouquinho. Jar Jar esperou não levar a culpa, mas não
podia eliminar totalmente essa possibilidade. Subitamente, todos os dróides começaram a
tremer violentamente. Alguns começaram a correr em círculos, outros a se curvar e a se
balançar como se seus mecanismos houvessem rompido e estivessem em curto-circuito.
Os tanques pararam e as STAPs se espatifaram no chão. Toda a atividade parou
completamente.
Jar Jar e o general Ceel trocaram olhares confusos. O exército de dróides havia paralisado.
Até onde a visão podia alcançar, o exército estava congelado no lugar.
Prisioneiros Gungans olhavam os dróides imóveis. Finalmente, a comando do general Ceel,
Jar Jar saiu do círculo dos prisioneiros e tocou um de seus captares metálicos. O dróide
balançou e caiu sem vida na grama.
–Isso louco — sussurrou Jar Jar e imaginou o que estaria acontecendo.
Obi-Wan não pensou no que lhe custara vencer aquela luta com Darth Maul, mas correu
imediatamente para Qui-Gon. Ajoelhado ao lado do Mestre Jedi, ele ergueu sua cabeça e
ombros, embalando-o gentilmente nos braços.
–Mestre! — ele expirou num sussurro.
Os olhos de Qui-Gon se abriram. — Tarde demais, meu jovem Padawan.
–Não! — Obi-Wan sacudiu violentamente a cabeça em recusa.
–Agora você precisa estar pronto: quer o Conselho pense que está, quer não.
Você precisa ser o professor. — O rosto forte se contorceu de dor, mas os
olhos escuros estavam firmes. — Obi- Wan. Prometa-me que treinará o
menino.
Obi-Wan concordou instantaneamente, concordando sem pensar, desejando dizer ou fazer
qualquer coisa que diminuísse a dor do outro, desesperado por salvá-lo. — Sim, Mestre.
A respiração de Qui-Gon acelerou. — Ele é o escolhido, Obi- Wan. Ele trará harmonia para
a Força. Treine-o bem.
Os olhos dele ficaram presos aos de Obi-Wan e perderam foco. Sua respiração parou e a
vida o deixou.
–Mestre — repetiu Obi-Wan Kenobi suavemente, ainda segurando-o, trazendo-o agora
para mais perto, abraçando o corpo sem vida contra o peito e chorando baixinho. —
Mestre.



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