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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

SD 119 : A AMEAÇA FANTASMA 3 E 4

O pequeno cruzador espacial republicano, com sua cor vermelha simbolizando neutralidade
oficial, cortou o espaço negro em direção ao planeta esmeralda chamado Naboo cercado
pela frota de naves da Federação de Comércio. As naves eram enormes, fortalezas
bloqueadoras, em forma de tubos, abertas de um lado e circundando numa órbita que
protegia a ponte, o centro de comunicações e o hiperpropulsor. Armamentos lotavam todos
os portos e baías, e os soldados da Federação de Comércio circulavam como mosquitos. O
cruzador republicano mais comum, com seus três motores, fuselagem compacta e cabine
quadrada, parecia insignificante à sombra das naves de combate da Federação de
Comércio, mas continuou avançando de forma resoluta na direção delas.
O capitão e o co-piloto do cruzador se sentavam lado a lado no compartimento dianteiro,
as mãos se movendo agilmente pelos controles à medida que se aproximavam da nave
portadora da insígnia do vice-rei da Federação de Comércio. Havia uma perceptível energia
nervosa em seus movimentos. De vez em quando, os dois se olhavam ansiosos — e, por
sobre seus ombros, para a figura que estava de pé nas sombras.
Na tela à frente, capturado de sua posição na ponte onde a batalha ocorria e para onde se
dirigiam, estava o vice-rei da Federação de Comércio, Nute Gunray. Seus olhos cor de
laranja fitando-os em expectativa. O Neimoidian tinha sua habitual expressão ácida, a boca
voltada para baixo e a fronte ossuda enfatizando seu descontentamento. Sua pele verdeacinzentada refletia a luz ambiente da nave, toda pálida e fria em contraste com seu robe
escuro, colarinho e manto de três pontas.
–Capitã.
A capitã se virou vagarosamente em sua cadeira para fitar a figura escondida nas
sombras às suas costas. — Sim, senhor?
–Diga-lhes que queremos embarcar imediatamente.
A voz era profunda e suave, mas continha um tom de resolução fácil de detectar.
–Sim, senhor — disse a capitã, dando um olhar dissimulado ao co-piloto que o
retribuiu. A capitã fitou Nute Gunray na tela.
–Com todo respeito, senhor, os embaixadores do chanceler supremo solicitam a
permissão de aterrissar imediatamente.
O Neimoidian assentiu rapidamente. — Sim, sim, capitã, claro. Ficaríamos felizes em
receber os embaixadores. É um prazer, capitã.
A tela ficou escura. A capitã hesitou, voltando-se novamente para figura atrás de si. —
Senhor?
–Prossiga, capitã. — Qui-Gon Jinn respondeu.
O Mestre Jedi assistia silenciosamente enquanto a nave de combate da Federação de
Comércio surgia à frente deles, enchendo a torre de comando com seu brilho. Qui-Gon era
um homem alto, forte de corpo com feição marcante e leonina. Sua barba e bigode eram
bem cortados e seu cabelo era mantido longo e preso atrás. Túnicas, calças e robes eram
sempre confortáveis, uma faixa os prendia em sua cintura onde seu sabre de luz estava
pendurado longe da vista, mas facilmente acessível. Os olhos azuis de Qui-Gon se fixaram
na nave de combate, como se para avaliar o que o esperava em seu interior. A taxação da

República sobre as rotas comerciais entre sistemas estelares estava sendo objeto de
disputa desde sua criação, mas até o momento tudo que a Federação de Comércio havia
feito em resposta foi reclamar. O bloqueio de Naboo foi o primeiro ato de desafio aberto
e, enquanto a Federação era um entidade poderosa, equipada com sua própria frota i de
guerra e exército de dróides, sua ação aqui foi incomum. Os Neimoidians eram
empresários, não guerreiros. A eles faltava o apoio e força necessários para desafiar a
República. De alguma forma eles encontraram esse apoio. Incomodava Qui-Gon que ele
não soubesse explicar como isso ocorreu.
Ele se apoiou enquanto o cruzador se movia vagarosamente em direção ao hangar. Raiostratores assumiram o controle, guiando o cruzador para dentro, onde ganchos magnéticos
manteriam a nave no lugar. O bloqueio estava em efeito por quase um mês. O Senado da
República continuava debatendo a questão, buscando uma forma amigável de resolver a
disputa. Mas nenhum progresso havia sido alcançado e, finalmente, o chanceler supremo
notificou secretamente o Conselho dos Jedi de que tinha enviado dois Cavaleiros Jedi
diretamente aos iniciadores do bloqueio, os Neimoidians, num esforço para resolver a
questão mais diretamente. Foi um movimento ousado. Teoricamente, os Cavaleiros Jedi
servem ao chanceler supremo, respondendo a seu comando em situações de vida e morte.
Mas qualquer interferência na política interna dos membros do Senado, particularmente
envolvendo um conflito armado entre mundos, requeria aprovação do Senado. O chanceler
supremo estava no limite de sua autoridade neste caso. Na melhor das hipóteses, essa era
uma ação secreta e provocaria, mais tarde, forte debate no Senado.
O Mestre Jedi suspirou. Enquanto nada disso era sua responsabilidade, ele não podia
ignorar as conseqüências caso falhasse. Os Cavaleiros Jedi eram pacificadores; essa era a
natureza de sua ordem e seu credo. Por milênios, eles serviam a República, uma constante
fonte de estabilidade e ordem num universo em mutação. Fundada como um grupo de
estudos teológicos e filosóficos há tanto tempo que suas origens se relacionam ao mito,
os Jedi levaram algum tempo para se tornarem conscientes da presença da Força. Anos
foram investidos no estudo da Força, na contemplação de seu significado, no domínio de
seu poder. A ordem evolui vagarosamente, abandonando sua prática e crença numa vida
em isolada meditação em favor de uma visão para fora, mais comprometida com a
responsabilidade social. O entendimento da Força suficiente para utilizar seu poder requer
mais que simples estudo individual. É necessário servir a comunidade maior e implementar
um sistema de leis que garantiria justiça para todos igualmente. A batalha ainda não
estava vencida. E, provavelmente, nunca estaria. Mas os Cavaleiros Jedi não a veriam
perdida por não haverem tentado.
Na época de Qui-Gon Jinn, dez mil Cavaleiros Jedi a serviço da República lutaram cada dia
de suas vidas em cem mil mundos diferentes espalhados por uma galáxia tão vasta que
mal podia ser compreendida.
Ele se virou um pouco enquanto seu companheiro nesta missão chegou à ponte e subiu
para se posicionar a seu lado. — Estamos para embarcar? — Obi-Wan Kenobi perguntou.
Qui-Gon assentiu. — O vice-rei vai nos receber.
Ele olhou momentaneamente para seu protegido. Obi-Wan, nos seus vinte e poucos anos,
era mais jovem trinta anos e ainda estava aprendendo sua arte. Ele ainda não era um Jedi
completo, mas estava quase pronto. Obi-Wan era mais baixo que Qui-Gon, mas compacto
e muito rápido. Sua face jovem e suave sugeria certa imaturidade que havia sido há muito
perdida. Sua vestimenta era similar à de Qui-Gon, mas seu cabelo era cortado no estilo de
um aprendiz Padawan, baixo e bem-cortado, salvo pelo apertado rabo de cavalo trançado

que se pendurava sobre seu ombro direito.
Qui-Gon estava com os olhos fixos no interior da nave da Federação de Comércio quando
falou novamente. — Porque Naboo, meu jovem aprendiz? Porque bloquear logo este planeta,
quando existem tantos para escolher, maiores e mais sensíveis às conseqüências de uma
ação como esta?
Obi-Wan não respondeu. Naboo era mesmo uma escolha estranha para uma ação deste
tipo, um planeta localizado na ponta da galáxia, sem importância em particular no
esquema estabelecido. Sua governadora, Amidala, era desconhecida. Estava com poucos
meses no trono quando o bloqueio começou. Era jovem, mas haviam rumores de que era
talentosa e extremamente bem-preparada. Dizia-se que ela podia debater com qualquer um
na arena política. Diziam que ela era capaz de ser reservada e corajosa e que era muito
sábia para sua idade.
Os Jedi viram um halo ama de Amidala antes de deixarem Coruscant. A rainha preferia
pinturas ostentosas e vestimentas enfeitadas, vestindo-se com pompa que escondia sua
real aparência enquanto lhe emprestava uma áurea de esplendor e beleza. Ela era um
camaleão, mascarando-se para o mundo e contando com a companhia de um grupo de aias
que estavam sempre a seu lado.
Qui-Gon hesitou um momento mais, pensando sobre o assunto e, então, disse a Obi-Wan:
— Venha, vamos sair.
Eles desceram através das entranhas da nave em direção à escotilha principal, esperaram
a luz verde e soltaram a barra de segurança para que a rampa descesse. Levantando seus
capuzes para esconder seus rostos, eles saíram para a luz.
Um dróide protocolar chamado TC-14 estava esperando para acompanhá-los ao encontro.
O dróide os levou através de uma série de corredores até uma sala de reunião vazia.
–Espero que os senhores estejam confortáveis aqui. — A vozinha ecoava dentro da
superfície metálica. — Meu Mestre estará com os senhores logo.
O dróide se virou e saiu, fechando a porta suavemente atrás. Qui-Gon observou sua saída,
deu uma olhada nas criaturas, que pareciam pássaros, presas nas gaiolas perto da porta e,
então, se juntou a Obi-Wan numa janela ampla de onde se avistava o labirinto de naves de
combate da Federação até o lugar onde a luxuriante esfera de Naboo estava pendurada.
–Tenho um mau pressentimento sobre tudo isso. — Obi- Wan disse após um
momento de contemplação ao planeta. Qui-Gon meneou a cabeça. — Não sinto nada.
Obi-Wan respondeu — Não é aqui, Mestre. Não é sobre a missão. É algo... em outro lugar.
Algo ardiloso...
O outro Jedi pôs a mão sobre os ombros do companheiro. — Não se concentre em sua
ansiedade, Obi-Wan. Mantenha a concentração no aqui e agora, onde ela deve estar.
–O Mestre Yoda diz que eu devo ser cuidadoso com o futuro.
–Mas não às custas do presente. — Qui-Gon esperou até que seu jovem
aprendiz olhasse para ele. — Tenha cuidado com a Força viva, meu jovem
Padawan.
Obi-Wan forçou um sorriso. — Sim, Mestre. Como acha que o vice-rei vai lidar com as
ordens do chanceler supremo?
Qui-Gon deu de ombros. — Essas pessoas são covardes. Não serão difíceis de convencer.
As negociações serão curtas.
Na rampa da nave da Federação de Comércio, o vice-rei Nei- moidian Nute Gunray e seu

tenente, Daultay Dofine, fitavam chocados o dróide protocolar enviado para receber os
embaixadores do chanceler supremo.
–O que você disse? — Perguntou Gunray furioso.
TC-14 era insensível ao olhar que o Neimoidian lançou. — Os embaixadores são Cavaleiros
Jedi. Um dos dois é um Mestre Jedi.
Tenho certeza.
Dofine com o rosto transtornado murmurou em desagrado. — Eu sabia! Eles foram
enviados para forçar um acordo! O jogo acabou? Estamos acabados!
Gunray o acalmou. — Acalme-se! Eu posso apostar que o Senado não está a par dos
movimentos do chanceler supremo nesta questão.
Vá. Distraia-os enquanto entro em contato com Lord Sidious.
O outro Neimoidian pasmado o encarou. — Você está sofrendo de morte cerebral? Eu não
vou entrar lá sozinho com dois Cavaleiros Jedi! Envie o dróide!
Ele acenou apressadamente para TC-14, que se inclinou, fez um barulhinho em resposta, e
saiu.
Quando o dróide de protocolo saiu, Dofine convocou Rune Haako, o terceiro membro da
delegação, levou seus dois compatriotas para um espaço onde não podiam ser vistos ou
ouvidos por mais ninguém, e efetuou uma comunicação holográfica.
Levou alguns minutos para o holograma aparecer. Ao surgir, uma forma de robe escuro e
ombros inclinados apareceu, disfarçada e usando um capuz — tornando-a impossível de
ser identificada.
–O que é? — Uma voz impaciente perguntou.
Nute Gunray sentiu sua garganta tão seca que por um momento não conseguiu falar. — Os
embaixadores republicanos são Cavaleiros Jedi.
–Jedi? — Darth Sidious pronunciou a palavra suavemente, quase em reverência.
Havia uma certa calma em sua aceitação da novidade.
–Você tem certeza?
Nute Gunray descobriu a pouca coragem que tinha conseguido reunir até aquele momento
esvair-se rapidamente. Ele olhou para a forma negra de Sith Lord em terror. — Eles foram
identificados, senhor.
Como se estivesse incapaz de manter o silêncio que se seguiu, Daultay Dofine preencheu o
vazio com olhos enlouquecidos. — Seu esquema falhou, Lord Sidious! O bloqueio está
acabado. Nós não nos atreveremos a lutar contra Cavaleiros Jedi!
A figura escura no holograma se voltou com desprezo. — Você está dizendo que prefere
ficar contra mim, Dofine? — Estou me divertindo. — O capuz se voltou para Gunray. —
Vice-rei!
Nute rapidamente deu um passo a frente. — Sim, meu senhor?
A voz de Darth Sidious soou devagar e sibilante. — Eu não quero mais esse verme na
minha frente. Entendeu?
As mãos de Nute estavam tremendo, e ele juntou suas mãos para controlar o tremor. —
Sim, meu senhor.
Ele se virou para Dofine, mas o outro já estava saindo, com sua face cheia de terror e
seus robes arrastando-se atrás dele como uma mortalha.
Quando ele se foi, Darth Sidious disse: — Esses acontecimentos são uma lástima, mas
não são fatais. Temos que acelerar nossos planos, vice-rei. Comece a aterrissar suas

tropas. Imediatamente.
Nute olhou de relance para Rune Haako, que estava fazendo o melhor que podia para
desaparecer no éter. — Ah, claro senhor, mas... essa ação é legal?
–Eu a farei legal, vice-rei.
–Sim, claro.— Nute tomou fôlego. — E os Jedi?
Darth Sidious pareceu ficar mais negro em seus robes, sua face mais sombria. — O
chanceler supremo nunca deveria ter envolvido os Jedi nisso. Mate-os agora.
Imediatamente.
–Sim, meu senhor. — Nute Gunray respondeu, mas o holograma de Sith Lord já
havia desaparecido. Ele fitou o local vazio por um momento e, então, se virou
para Haako. — Exploda a nave deles. Enviarei um pelotão de dróides para
acabar com eles. Na sala de conferência onde foram deixados, Qui-Gon e ObiWan se entreolharam por sobre a mesa comprida.
–É costume dos Neimoidians deixar seus convidados esperando por tanto
tempo? — Perguntou o Jedi mais jovem.
Antes que Qui-Gon respondesse, a porta se abriu com a chegada do dróide de protocolo
com uma bandeja de bebidas e comida. TC-14 foi até a mesa, colocou a bandeja em frente
a eles e deu um copo a cada um. Então parou, aguardando. Qui-Gon gesticulou para seu
jovem companheiro, então, levantaram os copos e provaram a bebida.
Qui-Gon olhou para o dróide, depois para Obi-Wan. — Sinto uma quantidade estranha de
manipulação para algo tão trivial como esta disputa comercial. Também sinto que há
medo. Obi-Wan colocou o copo de volta à mesa. — Talvez.
Uma explosão sacudiu a sala, derramando as bebidas e mandando a bandeja com a comida
para o outro lado da sala. Os Jedi ficaram de pé em resposta, sabres de luz puxados e
ativados. O dróide levantou os braços, se desculpando, olhando para todos os lados ao
mesmo tempo.
–O que está acontecendo? — Obi-Wan perguntou rapidamente.
Qui-Gon hesitou, cerrou os olhos e se recolheu profundamente a seu interior. Seus olhos se
abriram rapidamente. — Eles destruíram nossa nave.
Ele olhou em volta rapidamente. Levou apenas um momento para detectar um som fraco
saindo dos orifícios perto da porta.
–Gás. — Alertou ele.
Na gaiola ao lado da porta, as criaturas-pássaro começaram a cair como pedras.
Da rampa, Nute Gunray e Rune Haako assistiam pela tela, enquanto o pelotão de dróides
marchava através do corredor próximo à sala de conferência onde os Jedi se encontravam.
As pernas de metal se aproximaram da porta, explosivos prontos, um holograma de Nute
os orientando por detrás.
–Eles têm que estar mortos, mas chequem. — Ele orientou os dróides e desligou o
holograma.
Os Neimoidians observavam cuidadosamente enquanto o primeiro guerreiro dróide abria a
porta e deu um passo atrás. Uma nuvem perigosa de gás esverdeado saía da sala, e uma
figura solitária apareceu, acenando com os braços.
–Desculpe-me senhores, sinto muitíssimo. — TC-14 gaguejava enquanto passava entre
os guerreiros dróides, segurando ainda sua bandeja com pedaços de comida e bebidas

esparramadas.
No instante seguinte, os Jedi apareceram, saindo da sala com seus sabres de luz brilhando.
A arma de Qui-Gon fez voar dois dróides numa chuva de partes de metal que se espalhou
por todo lado. Obi-Wan incendiou muitos outros. Ele ergueu sua mão, palma para fora, e
outro dróide se esmagou de encontro à parede. Na tela da rampa, fumaça e nuvens de gás
escureciam tudo. Alarmes começaram a soar através da nave, vibrando na estrutura de
metal.
–O que está acontecendo lá? — Nute Gunray questionava seu sócio, olhos arregalados.
Rune Haako sacudiu a cabeça — incerto. Havia medo em seu olhar alaranjado. — Você
nunca encontrou Cavaleiros Jedi antes, encontrou?
–Bem, não, não exatamente, mas não vejo... — Os alarmes continuavam soando e, de
repente, Nute Gunray estava aterrorizado. — Feche a rampa! — Gritou desesperado.
Rune Haako se afastou enquanto as portas de acesso à plataforma de controle se
fechavam. Sua voz soou imperceptível quando murmurou. — Não vai adiantar.
Em segundos, os Jedi estavam de pé no corredor do lado de fora da plataforma de
controle, despachando os últimos guerreiros dróides que estavam no caminho. Com uma
força incontrolável, os dois homens trabalhavam em sintonia contra seus adversários,
parecendo capazes de antecipar cada forma de ataque. Sabres de luz brilhavam e
golpeavam em explosões de cor. Dróides e explosivos eram completamente destruídos.
–Quero dróides destruidores aqui imediatamente! — Nute Gunray gritava, assistindo a
um dos Jedi cortar a porta da torre de controle com seu sabre de luz. Ele sentiu a
garganta seca e sua pele ferver. — Feche as portas, agora!
Uma após a outra, as portas começaram a fechar com um ruído sibilante. A tripulação
assistia paralisada enquanto pela tela os Jedi continuavam a atacar, sabres de luz cortando
as portas imensas, derretendo o ferro como se fosse manteiga. Murmúrios de espanto
eram ouvidos, e Nute gritava que fizessem silêncio. Faíscas jorravam da porta sob ataque
dos Jedi, e uma marca vermelha surgiu em seu centro onde o homem maior mergulhou
seu sabre de luz no metal quase até o cabo.
A tela ficou subitamente escura. No centro da porta, o metal começou a amolecer e
derreter.
–Eles estão vindo. — Rune Haako suspirou, juntando seus robes enquanto se afastava.
O vice-rei Nute Gunray não respondeu. Impossível Ele pensava. Impossível!
Qui-Gon golpeava a porta com toda força que possuía, determinado a atacar os
Neimoidians traiçoeiros, quando seus instintos o alertaram para o perigo em outra área.
–Obi-Wan! — Ele gritou para seu companheiro, que se dirigiu até ele imediatamente.
— Dróides destruidores!
O jovem Jedi assentiu sorrindo. — Sem pensar no caso, diria que essa missão já passou
do estágio de negociação.
No corredor, bem à frente de onde os Jedi lutavam, dez dróides destruidores apareceram.
Eles lembravam brilhantes rodas de metal enquanto circundavam os cantos, suaves e
silenciosos em sua aproximação.
Um por um, eles começaram a se desdobrar, soltando tripés de pernas de aranha e braços
atrofiados onde pistolas laser haviam sido colocadas.
Espinhas tortas se desdobraram e os dróides se puseram de pé. Eles pareciam mortais e
foram construídos para com um só objetivo.
Chegando ao último canto em frente à entrada da torre de controle, eles engatilharam
suas armas, enchendo o local com um mortal tiroteio. Quando as lasers paravam, os

dróides avançavam, caçando sua presa.
Mas a área estava vazia, e os Jedi desapareceram.
Na torre, Nute Gunray e Rune Haako observavam a imagem retornar à tela. Os dróides
destruidores estavam voltando a sua forma de rodas, procurando os Jedi.
–Nós os pusemos para correr. — Rune Haako inspirou, mal acreditando na sorte.
Nute Gunray não pronunciou uma palavra, pensando que eles escaparam por pouco. Era
ridículo que tivessem que enfrentar Cavaleiros Jedi. Isso era uma questão comercial, não
política. A Federação de Comércio estava com toda razão em resistir à decisão tola do
Senado em taxar as rotas comerciais quando não havia nenhum embasamento na lei para
que isso fosse feito. O fato dos Neimoidians terem encontrado um aliado nessa questão,
que os orientou a efetuar o bloqueio e a forçar a retirada das sanções, não era justificativa
para se chamar os Jedi.
Ele curvou os ombros e ajeitou seus robes a fim de disfarçar seu tremor. Ele foi
subitamente distraído por uma chamada do centro de comunicação atrás dele. — Senhor,
uma transmissão da cidade de Theed em Naboo.
A tela piscou e um rosto feminino apareceu. Ela era jovem, linda e serena. Um capuz
dourado delineava sua face pálida. Ela olhava os Neimoidians na tela como se estivesse
tão acima e além deles que não podiam se aproximar.
–É a rainha Amidala em pessoa. — Rune Haako sussurrou, fora do campo de visão da
tela.
Nute Gunray assentiu, movendo-se para mais perto. — Finalmente estamos obtendo
resultados. — Ele sussurrou em resposta.
Ele se posicionou onde poderia ser visto pela rainha. Vestida em seu traje cerimonial,
Amidala estava sentada em seu trono: uma cadeira ornamentada sobre uma plataforma. A
rainha estava rodeada por cinco aias, todas vestidas e encapuzadas de vermelho. Seu olhar
era firme e direto quando encarou o rígido semblante do vice-rei.
–A Federação de Comércio está encantada que Sua Majestade tenha vindo até
nós. — Ele começou suavemente.
–Você não ficará tão contente quando ouvir o que tenho a dizer, vice-rei —
Disse ela secamente, interrompendo-o. — Seu boicote comercial está acabado.
Nute lutou para conter o choque, se endireitou e deu um leve sorriso para Rune. — É
mesmo, Sua Majestade? Eu não estava a par.
–Soube que o Senado está finalmente votando a questão — ela prosseguiu,
ignorando-o.
–Eu presumo que já saiba o resultado, então.— Nute se sentiu inseguro. — Eu
imagino porque eles se incomodam em votar.
Amidala se inclinou e o Neimoidian podia ver o fogo em seus olhos castanhos. — Já ouvi
pretextos suficientes, vice-rei. Sei que os embaixadores do chanceler supremo estão aí
com você agora, e que você foi orientado a chegar num acordo. Qual é o acordo?
Nute Gunray sentiu um buraco se abrindo em sua fraca autoconfiança. — Não sei nada
sobre embaixadores. Deve estar enganada.
Houve um lampejo de surpresa no rosto da rainha enquanto observava o vice-rei
cuidadosamente. — Cuidado, vice-rei — disse ela suavemente. — A Federação foi longe
demais desta vez.

Nute sacudiu a cabeça, colocando-se na defensiva. — Alteza, nunca faríamos nada para
desafiar o Senado. Sua Alteza está presumindo demais.
Amidala permaneceu imóvel com seus olhos castanhos fixos nele — como se pudesse ver
a verdade que ele tentava esconder, como se ele fosse feito de vidro. — Veremos — disse
ela.
A tela ficou escura novamente. Nute Gunray tomou ar e expirou vagarosamente, não se
preocupando muito com a reação que aquela mulher provocou.
–Ela está certa — Rune Haako disse. — O Senado nunca permitirá. Nute ergueu a mão
para interrompê-la. — É muito tarde agora. A invasão está a caminho.
Rune Haako permaneceu em silêncio por alguns instantes. — Você acha que ela suspeita
de um ataque?
O vice-rei se afastou. — Não sei, mas não quero me arriscar. Temos que interromper toda
a comunicação para lá até que tenhamos acabado.
No hangar principal da nave, Qui-Gon Jinn e Obi-Wan Kenobi estavam agachados
silenciosamente na boca de um grande abertura de ventilação de onde se avistavam seis
enormes naves da Federação cercadas por um grupo de transportes. Os transportes eram
grandes veículos em forma de bota com narizes eletrônicos. As portas dos transportes
abriram, esteiras eram estendidas e milhares de formas prateadas e brilhantes
marchavam lá dentro em fileiras.
–Guerreiros dróides — Qui-Gon disse. Havia surpresa e desapontamento em sua
voz profunda.
–É um exército de invasão — Obi-Wan disse.
Eles continuaram assistindo por algum tempo, observando a situação, contando transportes
e dróides enquanto estes lotavam meia dúzia de naves, avaliando o tamanho do exército.
–É um jogo perigoso para a Federação — Qui-Gon observou. — Temos que alertar os
Naboo e avisar o chanceler Valorum. Obi-Wan concordou. — É melhor fazermos isso
em algum lugar fora daqui.
Seu mentor lhe deu uma olhada. — Talvez possamos pegar uma carona com nossos
amigos lá embaixo.
–É o mínimo que podem fazer depois do jeito como nos trataram até agora. Obi-Wan
apertou os lábios. — Você estava certo sobre uma coisa, Mestre. As negociações
foram curtas. Qui-Gon sorriu e acenou para que seguisse.
 




A luz crepuscular e a neblina formavam uma camada prateada sobre o verde luxuriante de
Naboo no momento em que as naves de pouso da Federação desceram do infinito espaço e
se dirigiam ao planeta. Um grupo de três se afastou das outras, mergulhando
silenciosamente nas nuvens. Como fantasmas, as naves atravessavam a neblina, asas
duplas em formato de um I gigante, elas se materializavam uma por uma ao se
aproximarem de um vasto pântano escuro. Enquanto pousavam gentilmente próximas às
águas escuras e moitas, seus corpos metálicos se abriam para que os transportes fossem
despejados na superfície.
A alguma distância das naves de pouso, a cabeça de Obi-Wan Kenobi emergiu das águas
paradas do pântano Uma rápida inspiração, e ele mergulhou novamente. Ele emergiu mais
uma vez, mais adiante, e dessa vez parou um momento para observar a força invasora.
Dúzias de transportes lotados de guerreiros dróides e tanques se colocavam em seus
postos na frente da nave de pouso. Alguns flutuavam nas águas do pântano. Alguns
ficaram firmes em chão firme.
A sua esquerda, ele avistou uma forma nas sombras correndo através da neblina e das
árvores. Qui-Gon. Obi-Wan tomou ar e começou a nadar.
Qui-Gon Jinn deslizava rapidamente através do pântano, ouvindo os sons provocados pelo
movimento das naves da Federação avançando. Misturado ao profundo e pesado lamento
dos motores dos transportes, o zumbido das STAPs — plataformas aéreas individuais —
pequenas, eram unidades móveis pilotadas por um único indivíduo, utilizadas para
transporte de guerreiros dróides auxiliando o exército principal. As STAPs deslizavam pelo
solo aquoso de Naboo e pareciam sombras fugazes em frente aos transportes maiores.
Animais de todas as formas e tamanhos começaram a sair de seus esconderijos,
passando velozmente por Qui-Gon em busca de segurança. Ikopi, fulumpasets, motís, peko
pekos — os nomes aprendidos durante sua preparação para essa jornada, surgiam
facilmente na mente do Mestre Jedi. Criaturas estranhas e amedrontadas o seguiam, e ele
procurou avistar Obi-Wan, então, acelerou o passo ao constatar as sombras de um
transporte se aproximando na neblina atrás dele.
O solo firme estava se tornando mais raro e ele estava tentando encontrar um meio de
atravessar um enorme lago quando avistou, à frente, uma estranha criatura que parecia
um sapo. A criatura estava agachada na água, o corpo borrachudo inclinado para uma
concha recém-aberta, lambendo o interior com uma língua comprida com movimentos
rápidos, sua garganta engolindo. Pondo a concha vazia de lado, a criatura se voltou para
olhar Qui-Gon, suas orelhas longas caiam sobre uma cabeça anfíbia, seu focinho de pato
procurando avidamente pelos restos removidos da concha. Os olhos que saltavam do topo
de sua cabeça piscaram confusos, observando Qui-Gon e os animais que o acompanhavam,
então, vendo claramente a sombra enorme da qual eles fugiam.
–Oh, oh — murmurou a criatura, as sílabas confusas, mas inteligíveis.
Qui-Gon passou pela criatura, ansioso por sair do caminho do transporte que se
aproximava. A criatura jogou a concha no chão, olhos arregalados em frenesi, e agarrou o
robe de Qui-Gon.
–Ajude-me, ajude-me! — gritava chorando, a face borrachuda contorcida em
desespero.

–Larga-me! — Qui-Gon deu um tapa, tentando em vão se soltar. O transporte
se aproximava na direção deles, pesquisando cuidadosamente a superfície do
pântano, quebrando os galhos e espalhando água enquanto passava. Enquanto
isso, Qui-Gon lutava para se livrar da criatura que se pendurava em sua roupa,
num esforço inútil de escapar.
Finalmente, com o transporte a apenas alguns metros de distância e pendendo para ele
como um edifício prestes a cair, o Mestre Jedi empurrou a criatura para dentro da água
rasa e se deitou por cima dela, com o rosto para baixo. O transporte da Federação passou
por cima deles numa onda de som e ar, achatando os dois e os tornando imperceptíveis.
Quando o perigo passou, Qui-Gon saiu da lama e inspirou profundamente. A estranha
criatura se ergueu com ele, ainda pendurada em seu braço, com água escorrendo de sua
face. Ela deu uma rápida olhada para o transporte que se afastava e se atirou a Qui-Gon,
abraçando-o desesperada.
–Ai, ai, ai! — Ela chorava, emitindo um som trinado. — Eu te amar, te amar
eternamente!
A criatura começou a beijá-lo.
–Larga-me! — Qui-Gon bufou. — Você não tem cérebro? Quase nos matou!
A criatura ficou ofendida. — Cérebro, claro que tenho! Eu falo!
–A habilidade de falar não lhe faz inteligente! — Qui-Gon não estava engolindo. —
Agora me largue e suma daqui!
Ele se livrou da criatura e começou a se retirar, olhando em volta desconfortável enquanto
ouvia o zumbido dos STAPs a distância.
A criatura hesitou, então, começou a segui-la. — Não, eu ficar com você! Eu ficar! Jar Jar
é fiel, humilde servo Gungan. Seu amigo, eu.
O Mestre Jedi mal olhou para ele, observando as sombras, procurando agora por Obi-Wan.
— Obrigado, mas não será necessário.
Melhor ficar longe de você.
Jar Jar, o Gungan rodava à sua volta, com os braços acenando.
—Oh, mas é preciso! Ordem dos Gungans! Isso dívida de vida! Eu saber isso, assim como
meu nome é Jar par Binks!
O pântano vibrou com o som dos motores dos STAPs e, agora, duas das plataformas
armadas cortavam a névoa, no rastro de Obi-Wan Kenobi, guerreiros dróides em
velocidade preparando-se para o ataque.
Qui-Gon puxou seu sabre de luz, atirando Jar Jar para longe. — Não tenho tempo para isso
agora.
–Mas devem levar mim com vocês, ficar comigo! — Jar Jar parou, ouvindo o ruído dos
STAPs, avistando a aproximação com os olhos arregalados novamente. — Oh, ob, nós
vamos.
Qui-Gon agarrou o Gungan e o atirou novamente de cara para baixo na água. — Fique
firme. Ele empunhou o sabre de luz enquanto Obi-Wan e o STAP se aproximavam.
A cabeça de Jar Jar pulou para fora. — Vamos morrer! — ele berrou. Os guerreiros dróides
abriram fogo com canhões de artilharia a laser de suas plataformas no momento em que
Obi-Wan alcançou o amigo. Qui-Gon bloqueou os raios com seu sabre de luz e os desviou
para a nave atacante. Os STAPs explodiram em pedaços de metal quente que caíram
dentro do pântano Um Obi- Wan exausto, buscando fôlego, levantou e limpou sua testa
lamacenta. — Desculpe, Mestre. O pântano estragou meu sabre de luz.

Ele puxou sua arma. A extremidade da arma estava enegrecida e queimada. Qui-Gon lhe
tomou o sabre e o inspecionou. Atrás dele, Jar Jar Binks saiu da lama e piscava
curiosamente para o recém-chegado.
–Você se esqueceu novamente de desligar o sabre, não foi, Obi- Wan? — perguntou o
amigo.
Obi-Wan assentiu embaraçado. — Parece que sim, Mestre.
–Não levará muito tempo para recarregar, mas levará tempo para limpá-la. Eu
acredito que você finalmente aprendeu sua lição, meu jovem Padawan.
–Sim, Mestre. — Obi-Wan aceitou o sabre de luz com uma expressão de
desapontamento.
Jar Jar avançou, com seus pés anfíbios batendo pesadamente, orelhas abanando, membros
enormes que pareciam poder levá-io a qualquer lugar. — Vocês salvar mim de novo, hein?
— Ele perguntou a Qui-Gon.
Obi-Wan perguntou. — O que é isso?
–Um Gungan. Um dos locais. O nome dele é Jar Jar Binks. — A atenção de QuiGon estava voltada para fora do pântano. — Vamos, antes que mais STAPs
apareçam.
–Mais ? — Jar Jar perguntou preocupado. — Vocês dizer mais.? Qui- Gon já se
movimentava a passos firmes no atoleiro. Obi- Wan seguia a um passo atrás e
levou um momento para Jar Jar alcançá-los, com suas pernas compridas se
movendo loucamente e seus olhos girando.
–Desculpe, mas lugar mais seguro é em Otoh Gunga — ele murmurou ofegante,
tentando atrair a atenção dos dois. Por todos os lados, perdidos na neblina,
STAPs emitiam seus ruídos que pareciam choramingas. — Otoh Gunga — Jar
Jar repetia. — Onde nasci. E cidade segura!
Qui-Gon agora olhava fixamente para o Gungan. — Você disse uma cidade? — Jar Jar
assentiu ansiosamente. — Pode nos levar até lá?
O Gungan pareceu subitamente muito triste. — Ah, ob... talvez não levar vocês... não levar,
não.
Qui-Gon se debruçou para perto, seus olhos escurecidos. — Não? Jar Jar parecia que queria
desaparecer no pântano naquele instante. A garganta dele se movia e a sua boca em
forma de bico abria e fechava como a de um peixe. — E vergonhoso, mas... eu com medo
de ser banido. Expulsado. Eu não esquecer que Chefe Naus machuca eu se voltar lá.
Terrível machucado.
Um som baixo e profundo penetrou o lamento dos STAPs, se erguendo na escuridão
nebulosa. Jar Jar olhou em volta, desesperado.
–Oh, ob!.
–Ouviu isso? — Qui-Gon perguntou suavemente, colocando um dedo no peito
magro do Gungan. Jar Jar assentiu relutante. — Há muitas coisas terríveis
se dirigindo para cá, meu amigo Gungan...
— E quando eles te encontrarem, eles o reduzirão a pó, moerão você em pequenos
pedaços e o largarão esquecido — completou Obi-Wan se divertindo.

Jar Jar rodopiou os olhos e engoliu seco. — Oh, ob! Você ter ração. — Ele gesticulava
alucinado. — Por aqui. Por aqui! Rápido! Apressadamente, eles saíram para a névoa do
crepúsculo.
Algum tempo depois, os Jedi e o Gungan emergiram de um monte de galhos e vegetação
chegando à beira de um lago tão escuro que era impossível enxergar qualquer coisa. Jar
Jar se agachou, suas mãos de três dedos apoiadas nos joelhos ossudos, tentando tomar
fôlego. Seu corpo de borracha se contorcia de um lado para outro enquanto tentava olhar
na direção que tinham vindo, as orelhas batendo com o movimento. Obi-Wan balançou a
cabeça para Qui-Gon Jinn em reprovação. Ele não estava contente com a decisão do
Mestre Jedi em se unir àquela criatura ridícula.
Em algum lugar a distância, eles podiam ouvir o ronco regular e profundo dos motores dos
transportes.
–A que distância estamos? — Qui-Gon pressionou o guia relutante.
O Gungan apontou o lago. — Nós ir embaixo da água, Ok! Os Jedi se entreolharam, então,
retiraram pequenos frascos de suas roupas, soltando aparelhos de respiração portáteis do
tamanho da palma de suas mãos.
–Eu avisar vocês. — Os olhos de Jar Jar iam de um para o outro. — Gungans não
gostar de vocês estrangeiros; Vocês não receber boas-vindas.
Obi-Wan encolheu os ombros. — Não se preocupe. Este não foi nosso dia de boas-vindas.
–Ande — disse Qui-Gon, encaixando o aparelho entre os dentes. O Gungan deu de
ombros, como se desvinculando de qualquer responsabilidade pelo que aconteceria, se
voltou para o lago e deu um salto duplo, desaparecendo na escuridão.
Os Jedi o seguiram.
Nadaram por baixo, em meio à escuridão, os Jedi seguindo a forma esguia do Gungan, que
parecia muito mais à vontade na água que em terra. Ele nadava suave e graciosamente,
longos membros estendidos, o corpo ondulando com facilidade. Eles nadaram por um longo
tempo, afundando cada vez mais, com a luz da superfície a desaparecer atrás deles. A luz
que havia vinha de fontes dentro da água, muitas das quais invisíveis. Os minutos corriam,
e Obi-Wan começou a pensar se tinha tomado a decisão certa.
Repentinamente, havia uma luz nova, vinha de algum lugar à frente, brilhando
continuamente. Otoh Gunga aparecia. A cidade era formada por um grupo de bolhas que se
conectavam uma com a outra como balões e eram ancoradas por vários pilares de pedra.
Uma por uma, as bolhas cresciam mais distintas, e se tornava possível distinguir as
estruturas internas e os rostos dos Gungans, enquanto cuidavam de suas vidas.
Jar Jar nadou na direção de uma das bolhas maiores, os Jedi o seguiam de perto. Quando
alcançou a bolha, ele a pegou com as mãos e ela começou a se abrir, primeiro sugando
seus braços, então, a cabeça e o corpo e, finalmente, as pernas, engolindo-o
completamente e se fechando sem arrebentar. Espantados, os Jedi seguiram, se movendo
através da membrana estranha, entrando na bolha sem resistência.
Lá dentro, eles se acharam sob uma plataforma que os levou para uma praça rodeada de
prédios. As paredes da bolha emanavam luz, num brilho contínuo, iluminando o espaço lá
dentro. Os Jedi não tiveram dificuldade em respirar. Enquanto desciam para a praça, água
escorrendo de suas roupas, os Gungans os viam e soltavam pequenos gritos de alarme.
Logo surgiu um pelotão de soldados Gungans, em montarias bípedes cujas faces bicudas
não eram muito diferentes de suas próprias. Kaadu, Qui-Gon lembrou — corredores do
pântano com patas pode-osas, resistentes, e sentidos aguçados. Os Gungans carregavam
electropoles longos, com aparência mortal que utilizavam para manter a população

assustada a distância, ao mesmo tempo em que avançavam contra os lfltf USOS.
–Ei, ob, capitão Tarpals — Jar Jar cumprimentou alegremente o líder do pelotão.
— Eu voltar!
–Agora não, Jar Jar Binks! — O outro disparou visivelmente irritado.
–Você ir para Chefe Nass. Ver o que ele dizer. Você está na encrenca desta
vez. Ignorando os Jedi e usando seu electropole, ele atingiu Jar Jar com um
choque que o fez levantar a um metro do chão. Jar Jar esfregou suas costas
magoado e resmungando.
Os soldados Gungans os levaram através dos prédios da cidade, por diversas passagens, e
para aquela onde, Jar Jar cochichou para seus companheiros, ficava a sala da torre
suprema. A sala era transparente em todos os lados, e pequenos peixes dourados nadavam
por fora da membrana como pequenas estrelas contra um cenário negro. Um grande
assento circular ocupava um dos cantos da sala. Todas as cadeiras eram ocupadas por
oficiais Gungans em suas vestes oficiais.
O Gungan que ocupava o assento mais alto era gordo e atarracado, e tão comprimido pelo
peso e idade que era impossível acreditar que ele foi um dia magro e esguio como Jar Jar
Binks. Camadas de pele despencavam de seu corpo e o pescoço estava colado aos
ombros, e sua face continha uma expressão tão azeda que até Jar Jar se sentiu intimidado
enquanto se aproximavam.
Os oficiais Gungans observavam, cochichando enquanto os Jedi se aproximavam. — Que
vocês querem, estrangeiros? — Resmungou Chefe Nass após se identificar.
Qui-Gon lhe contou o acontecido e o motivo que trouxe os Jedi a Naboo, alertando para a
invasão que estava ocorrendo, e pediu ajuda aos Gungans. O Conselho Gungan ouviu tudo
pacientemente e sem dizer palavra até que Qui-Gon terminasse. Chefe Nass sacudiu a
cabeça, a carne de seu pescoço balançando com o movimento. — Vocês não poder ficar
aqui. Aquele exército não ser nosso problema.
Qui-Gon manteve sua posição. — Aquele exército de guerreiros dróides está se preparando
para atacar os Naboo. Temos que os avisar.
–Nós não gostar dos Naboo! — Chefe Nass disse irritado. — Eles também não
gostar de nós. Eles pensar que são mais espertos que nós. Eles pensar que seu
cérebro é tão grande. Eles não quer nada com nós porque vivemos na lama e
eles viver em cima. Muito tempo nós não temos nada com eles.
–Depois que aquele exército assumir o controle dos Naboo, eles virão atrás de
vocês. — Obi-Wan disse baixinho.
Chefe Nass retrucou. — Não, eu achar que não. Nós falar com Naboo umas duas vens na
vida. Aqueles pescoçudos não vêm aqui.
Os outros membros do conselho assentiram, expressando seu apoio à sabedoria de Chefe
Nass.
–Vocês e os Naboo estão conectados — Obi-Wan insistiu, sua jovem face decidida,
não disposto a desistir. — O que acontece com um afeta o outro. Vocês precisam
entender.
Chefe Nass os dispensou com um aceno de sua mão grossa. — Não querer nada com
vocês de fora, e não importa os Naboo.
Antes que Obi-Wan pudesse continuar argumentando, Qui- Gon deu um passo à frente. —

Nos ajude a chegar mais rápido — ele ordenou, levantando uma das mãos com um gesto
casual, passando-a suavemente em frente aos olhos do chefe Gungan numa rápida
invocação ao poder mental Jedi.
Chefe Nass o encarou, depois assentiu. — Nós o mandar rápido. Qui-Gon devolveu o olhar.
— Precisamos de transporte para Theed.
–Ok! — Chefe Nass assentiu novamente. — Nós damos o bongo. O mais rápido meio
para chegar a Naboo é por centro. Vocês ir agora. Qui-Gon deu um passo atrás. —
Obrigado pela ajuda. Vamos em paz.
Enquanto os Jedi se viravam para sair, Obi-Wan sussurrou: — Mestre, o que é um bongo?
Qui-Gon lhe dirigiu um olhar e disse pensativo. — Um certo tipo de nave, espero.
Eles estavam se afastando de Chefe Nass e seus oficiais Gungans quando avistaram Jar
Jar Binks em pé abandonado, com os pulsos atados e esperando por seu destino. Qui-Gon
diminuiu o passo e encarou a pobre criatura.
–Mestre — Obi-Wan alertou suavemente. Ele conhecia Qui- Gon muito bem para não
saber o que aconteceria.
O alto Jedi se aproximou de Jar Jar enquanto o fitava.
–Isso é uma armadilha. — O Gungan declarou sombriamente, olhando em volta para
checar se alguém ouvia — Ir por centro muito perigoso.
Qui-Gon acenou com a cabeça. — Obrigado, meu amigo.
Jar Jar encolheu os ombros e pareceu triste. — Ah, é Ok.
Então deu ao Mestre Jedi um sorriso úmido e um olhar esperançoso. — Ei, uma ajuda aqui
ser bom.
Qui-Gon hesitou.
–Não temos tempo, Mestre — Obi-Wan alertou, se aproximando. O Mestre Jedi se
virou para seu protegido com olhos distantes. — O tempo gasto aqui poderá ser de
grande valia. Jar Jar poderá ser útil.
Obi-Wan sacudiu a cabeça em sinal de frustração. Seu mentor tinha a tendência de se
envolver em coisas desnecessárias. Ele era rápido em adotar causas que não eram suas.
Um dia, isso o prejudicaria.
Ele se aproximou um pouco mais. — Sinto certa perda de foco.
Os olhos de Qui-Gon estavam fixos nele. — Tenha cuidado, jovem Obi-Wan — ele criticou
suavemente. — Sua sensitividade à Força viva não é seu poder.
O jovem Jedi segurou o olhar dele por um breve instante e, então, desviou o olhar, ferido
pela crítica. Qui-Gon o deixou e voltou a Chefe Nass. — O que acontecerá com Jar Jar
Binks? — perguntou.
Chefe Nass, que estava ocupado conversando com um oficial Gungan, se voltou aborrecido
com sua enorme mandíbula bufando.
–Binks quebra lei de não retornar. Quebra exílio. Ser punido.
–Não muito severamente, acredito? — o Mestre Jedi insistiu. — Ele tem sido de
grande ajuda.
Chefe Nass irrompeu numa risada vagarosa. — Morte, esse.
Em algum lugar atrás, Jar Jar Binks choramingava alto. Havia cochichos por toda a sala.
Até Obi-Wan, novamente ao lado de seu Mestre, parecia chocado.
Qui-Gon pensava rápido. — Precisamos de um navegador para nos levar através do centro
para Theed. Eu salvei a vida de Jar Jar na superfície. Ele me deve isso. Acuso um débito

de vida para ele.
Chefe Nass olhou para o Jedi em silêncio, a testa franzida e a boca torcida. A cabeça
parecia mais afundada em seus ombros, em meio às pelancas que escondiam seu
pescoço.
Então seus olhos se voltaram para o infeliz Jar Jar, e gesticulou. — Binks? Jar Jar deu um
passo à frente obedientemente, ficando ao lado do Jedi.
–Você dever vida para estrangeiro ? —Perguntou Chefe Nass zangado. Jar Jar
assentiu com cabeça e orelhas caídas, mas com um brilho de esperança no
olhar.
–Seus deuses ordenam que ele pague o débito. — Qui-Gon insistiu, deslizando
sua mão na frente aos olhos de Chefe Nass e invocando o poder Jedi
novamente. — A vida dele me pertence agora.
O chefe Gungan considerou por um momento antes de assentir.
–Vida dele ser sua agora. Poder ir.
Um guarda se aproximou e removeu as faixas no pulso de Jar Jar.
–Venha Jar Jar — Qui-Gon Jinn chamou, levando-o para fora.
–Por centro.? — Jar Jar engasgou, dando-se conta do que aconteceu. — Tira eu
disso. Melhor morto aqui que morto no centro! Eu vai...
Mas os Jedi já o estavam empurrando para fora e longe do alcance de Chefe Nass.
Na central de comando da principal nave de batalha da Federação, Nute Gunray e Rune
Haako estavam sozinhos em frente a um holograma de Darth Sidious. Os Neimoidians não
se
olhavam, e ambos esperavam que Sith Lord não pressentisse o que estavam pensando.
–A invasão está no prazo, meu senhor, — o vice-rei estava dizendo, suas
vestes e capuz escondendo o ocasional contração do corpo enquanto encarava a
forma encapuzada à sua frente. — Nosso exército se aproxima de Theed.
–Bom. Muito bom. — Darth Sidious falava com voz calma e suave. — Tenho o
Senado atolado em procedimentos. Até que eles resolvam votar sobre esse
incidente, não terão mais escolha senão aceitar que o bloqueio foi um sucesso.
Nute Gunray olhou rapidamente para seu compatriota. — A rainha acredita que o Senado a
apoiará.
–A rainha Amidala é jovem e ingênua. Será fácil para você a controlar. — O
holograma tremeu. — Você fez muito bem, vice- rei.
–Obrigado, meu senhor. — O outro agradeceu enquanto o holograma sumia.
No silêncio que se seguiu, os dois Neimoidians trocaram um olhar cúmplice. — Você não
contou para ele. — Acusou Rune Haako.
–Dois Jedi desaparecidos? — Nute Gunray fez um gesto de repúdio. — Não há
necessidade de lhe contar isso. Não precisamos de lhe contar nada até que
saibamos o que aconteceu. Rune Haako o observou por um longo tempo antes

de se afastar.
–Não há necessidade — disse ele suavemente e deixou a sala.
 



 

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