A bordo do transporte Real, que já saía do hiperespaço aproximando-se do sistema estelar
de Naboo, Qui-Gon Jinn parou a caminho de uma reunião para observar Anakin Skywalker.
O menino estava parado à mesa do piloto ao lado de Ric Olié. O piloto Naboo estava
curvado sobre os controles, apontando cada um e explicando suas funções. Anakin absorvia
as informações com rapidez impressionante, a testa franzida, os olhos intensos, em total
concentração.
–E aquele? — Apontou o garoto.
–O estabilizador dianteiro. — Ric Olié o fitava, esperando em expectativa.
–E aqueles controlam o vôo? — Anakin indicou um grupo de barras à direita do
piloto.
A face desbotada pela ação do tempo de Ric Olié se abriu num sorriso. — Você aprende
bem rápido.
Rápido como ninguém que ele já encontrou, pensou Qui- Gon Jinn. Essa era a razão por
Anakin ser tão especial. Aquilo evidenciava seu número alto de midi-chlorians. Sugeria
novamente que ele era o escolhido.
O Mestre Jedi suspirou. Porque o Conselho não podia aceitar o fato? Por que estavam tão
temerosos em arriscar com o menino, quando os sinais estavam tão claros?
Qui-Gon se sentiu frustrado mais uma vez. Ele entendia a maneira como pensavam. Era
ruim que Anakin fosse tão velho, mas não fatal para suas chances. O que os perturbava
não era a idade dele, mas o conflito que sentiam nele. Anakin estava em conflito com
seus pais, com sua separação da mãe, seus amigos e sua casa. Especialmente sua mãe.
Ele tinha idade suficiente para perceber o que aconteceria e o resultado era uma incerteza
dentro dele como um animal enjaulado que tentava se libertar. O
Conselho Jedi sabia que não podia acalmar aquela incerteza do exterior, mas que deveria
ser dominada pelo interior. Acreditavam Anakin Skywalker estar muito velho para isso,
seus pensamentos e sentimentos muito arraigados para serem reajustados de forma
segura. Ele era vulnerável a seus conflitos interiores, e o lado escuro seria rápido em
tomar vantagem disso. Qui-Gon sacudiu a cabeça, fitando o menino a partir da traseira da
cabine. Sim, havia riscos em aceitá-lo como aprendiz. Mas poucas coisas que valiam a
pena eram conseguidas na vida sem riscos. A Ordem Jedi estava fundada sobre estrita
aderência aos procedimentos estabelecidos na criação e educação de jovens Jedi, mas
havia sempre exceções para tudo, mesmo para isso. Era intolerável que o Conselho Jedi se
recusasse até mesmo a considerar que esse era um caso em que se poderia fazer uma
exceção.
Ainda assim, ele sabia que precisava manter a fé. Precisava acreditar. A decisão de que
Anakin não seria treinado seria reconsiderada após seu retorno e revertida. Se o Conselho
não aceitasse voluntariamente o treinamento do garoto, caberia a Qui- Gon encontrar um
meio de convencê-los a fazer isso.
Ele se afastou e caminhou da cabine para os corredores adiante e desceu um andar para
os aposentos da rainha. Os outros convocados por ela para essa reunião já estavam
presentes quando ele chegou.
Obi-Wan lhe lançou um olhar breve e neutro de cumprimento, de pé junto a um capitão
Panaka furioso. Jar Jar Bink abraçava uma parede do outro lado, aparentemente tentando
desaparecer dentro dela.
Amígdala estava sentada em seu trono de bordo colocado sobre uma plataforma elevada
junto à parede, duas de suas aias, Rabé e Eirtaé, a seu lado. Seu rosto pintado de branco
estava composto e seu olhar frio quando encontrou o dele, mas havia fogo nas palavras
que disse em seguida.
–Quando aterrissarmos em Naboo — ela informou o Mestre Jedi, após ele ter se
inclinado e se colocado de pé ao lado de Panaka — é minha intenção agir nessa
invasão imediatamente. Meu povo já sofreu o suficiente.
Panaka mal podia se controlar, sua face escura tensa de raiva. — Quando aterrissarmos,
Alteza, a Federação de Comércio irá prendê-la e forçá-la a assinar o tratado deles!
Qui-Gon assentiu pensativo, curioso quanto aos planos da rainha.
–Eu concordo. Não estou certo do que pretende conseguir com isso.
Amidala poderia ser entalhada em pedra. — Os Naboo irão tomar de volta o que é nosso.
–Só há doze de nós! — disparou Panaka, incapaz de ficar em silêncio. — Alteza —
completou atrasado. — Não temos um exército!
Os olhos dela se viraram para Qui-Gon. — Os Jedi não podem lutar numa guerra para a
senhora, Alteza — ele advertiu. — Só podemos protegê-la.
Ela deixou seu olhar vagar deles parando em Jar Jar. O Gungan estudava seus dedos dos
pés. — Jar Jar Binks! — ela chamou.
Jar Jar, claramente surpreendido, se retesou. — Mim, Alterna?
–Sim — Amidala dos Naboo afirmou. — Preciso de sua ajuda.
Na profundidade dos pântanos de Naboo, à margem do lago que conduzia à capital Gungan
de Otoh Gunga, os fugitivos estavam agrupados aguardando o retorno de Jar Jar Binks.
Amidala e suas aias, os Cavaleiros Jedi, capitão Panaka, Anakin, R2-D2, Ric Olié, vários
outros pilotos e um punhado de guardas Naboo, todos agrupados apreensivamente no
silêncio nebuloso. Era seguro afirmar que ninguém, a não ser a rainha, sabia exatamente o
que ela tentava fazer. Tudo que se dispôs a responder àqueles que estavam em posição de
perguntar era que desejava fazer contato com o povo Gungan e que Jar Jar seria seu
emissário. Ela havia insistido para que aterrissassem no pântano, mesmo contra os
conselhos de Panaka e dos Jedi.
Uma única nave de combate orbitava o planeta, era tudo que restava do bloqueio da
Federação de Comércio. Alojada na nave estava a estação controladora responsável por
direcionar o exército de dróides que ocupava Naboo. Quando Panaka questionou alto a
ausência de outras naves de combate, Qui-Gon apontou secamente que não se precisava
de bloqueios quando já se controlava o porto.
Anakin, de pé, um pouco afastado dos outros, com R2- D2, observava o grupo
disfarçadamente. Jar Jar havia partido há muito tempo, e todos, menos a rainha, estavam
ficando impacientes. Ela ficou de pé embrulhada em seu robe, silenciosa, implacável, em
meio às suas aias. Padmé, Eirtaé e Rabé haviam trocado seus mantos vermelho-carmim
com capuz por calças mais confortáveis, túnicas e botas, e casacos com cintura
comprida, e havia rifles amarrados em suas cinturas. O menino nunca havia visto Padmé
desse jeito e imaginou quão boa guerreira ela seria.
Como se percebendo que ele pensava nela, Padmé se separou das outras e veio até ele.
–Como vai, Annie? — ela perguntou calmamente, com seus olhos presos aos dele.
Ele encolheu os ombros. — Bem. Tenho sentido sua falta.
–É bom falar com você novamente. Desculpe não ter podido falar com você antes,
mas eu estava muito ocupada.
Eles não haviam trocado mais que umas poucas palavras desde que deixaram Tatooine, e
Anakin não havia nem mesmo visto Padmé desde que deixaram Coruscant. Isso o havia
aborrecido, mas ele ficou calado.
–Eu não... Eu... — ele gaguejou, olhando para as botas. — Eles decidiram não me fazer
um Jedi.
Ele secontou a história para ela, detalhando os acontecimentos relativos à sua aparição
frente ao Conselho Jedi. Padmé ouviu intencionalmente, então, lhe tocou o rosto com os
dedos frios. — Eles podem mudar de idéia, Annie. Não perca a esperança.
Então ela se inclinou para perto. — Tenho algo a lhe dizer. A rainha tomou uma decisão
dolorosa e difícil — uma decisão que mudará tudo para os Naboo. Somos um povo pacífico
e não acreditamos na guerra.
Mas, às vezes, não há escolha. Você se adapta ou morre. A rainha entende isso. Ela
decidiu adotar uma postura agressiva com o exército da Federação de Comércio. Os Naboo
vão lutar para reaver sua liberdade.
–Haverá uma batalha? — ele perguntou rapidamente, tentando sem sucesso esconder
a excitação.
Ela meneou a cabeça. — Temo que sim.
–Você estará envolvida? — ele pressionou.
Ela sorriu tristemente. — Annie, eu não tenho escolha.
Qui-Gon e Obi-Wan ficaram parados a uma certa distância. Os Jedi ainda não estavam se
falando ou mal se falavam. Suas palavras durante a viagem partindo de Coruscant foram
reservadas quase exclusivamente aos outros. Os sentimentos pesados causados pela
oferta de Qui-Gon de treinar Anakin não haviam se suavizado. O menino havia tentado
falar uma vez com Obi-Wan a bordo da nave, só para lhe dizer que sentia muito que aquilo
tivesse acontecido, mas o Jedi mais jovem o havia afastado. Agora, entretanto, Obi-Wan
começava a se sentir desconfortável com a situação. Ele havia estado com Qui-Gon por
tempo demais para deixar que um desacordo momentâneo acabasse com uma amizade de
mais de vinte anos. Qui-Gon era como um pai para ele, o único pai que conhecera. Ele
estava com raiva de que o Jedi houvesse desistido dele em favor do menino, mas ele
também conhecia a profundidade da paixão de Qui-Gon quando ele acreditava em alguma
coisa. Treinar o garoto foi uma causa abraçada por Qui-Gon como nenhuma outra abraçada
antes de que Obi-Wan se lembrasse. Ele fez aquilo não para menosprezar seu pupilo. Ele
fez aquilo porque acreditava no destino do garoto.
Obi-Wan entendeu. Quem diria? Talvez, desta vez, Qui- Gon estivesse certo. Talvez
treinar Anakin Skywalker era uma causa pela qual valia a pena lutar.
–Estive pensando — anunciou Qui-Gon subitamente, mantendo a voz baixa, os
olhos dirigidos para os outros. — Estamos pisando em solo perigoso. Se a
rainha pretende lutar uma guerra, não poderemos nos envolver. Nem mesmo
em seus esforços para persuadir os Gungans a se juntarem aos Naboo contra a
Federação, se é isso que ela pretende vindo aqui. Os Jedi não têm autoridade
para tomar partidos.
–Mas temos autorização para proteger a rainha — disse Obi-Wan. Os olhos de
Qui-Gon se moveram para encontrar os dele. — Então estamos numa corda
bamba.
–Mestre — disse Obi-Wan, fitando-o agora. — Comportei-me mal em Coruscant
e estou envergonhado. Não tive intenção de desrespeitá-lo. Não desejo me fazer
de difícil na questão do garoto.
–Nem se fez — replicou o Jedi mais velho com um sorriso leve aparecendo. —
Você foi honesto comigo. A honestidade nunca é errada.
Não menti quando disse ao Conselho que você estava pronto. Você está. Ensinei-lhe tudo
que pude. Você será um grande Jedi, meu jovem Padawan. Você me deixará orgulhoso.
Eles apertaram as mãos impulsivamente e, rapidamente, o desentendimento entre eles
terminou.
Momentos mais tarde, uma forma escura quebrou a superfície da água com um barulho e
Jar Jar Binks saiu do lago, espirrando água de sua pele anfíbia no grupo. As orelhas
compridas pingando, a boca vertendo água como a boca de um pato, ele sacudia a cabeça
preocupado.
–Não ter ninguém lá! Todos eles desaparecer! — seus olhos giravam. — Algum
tipo de briga eles ter. Pescoçudos, talvez Muitas bombas. Todos Gungans se
foram. Todos.
–Acha que foram levados para os campos? — Panaka perguntou rápido, olhando
em volta para o grupo.
–Mais provável que tenham sido varridos — comentou Qui- Gon enojado.
Mas Jar Jar sacudiu a cabeça. — Mim não acha. Gungans muito espertos.
Se esconder. guano com problema, vai para lugar sagrado. Pescoçudos não achar eles lá.
Qui-Gon deu um passo à frente. — Lugar sagrado? — repetiu.
–Pode nos levar até lá, Jar Jar?
O Gungan suspirou pesadamente — como que dizendo ? Lá vamos nós novamente? e
indicou para que o seguissem.
Eles percorreram o pântano por algum tempo, primeiro, margeando o lago; depois,
mergulhando profundamente na floresta de árvores imensas e gramas altas e seguindo um
caminho de água que ligava uma série de pequenos morros. Em algum lugar a distância, as
STAPs da Federação de Comércio buzinavam e gemiam enquanto a busca pelos fugitivos
do transporte apenas começava. Jar Jar olhou em volta apreensivo enquanto tornava seu
caminho através do atoleiro, mas não diminuiu o passo.
Finalmente, eles chegaram a uma clareira de vegetação pantanosa e árvores com raízes
tão fortemente emaranhadas que formavam o que parecia ser uma cerca intransponível.
Jar Jar parou, cheirou o ar especulativamente e assentiu. — E aqui.
Ele ergueu a cabeça e fez um gorjeio estranho com a boca comprida que ecoou
sinistramente no silêncio. O grupo aguardou, os olhos buscando em meio as trevas
nebulosas. Subitamente, o capitão Tarpals e uma patrulha de Gungans escondidos
emergiram na neblina, com eletropoles e lanças de energia prontas.
–Ei! capitão Tarpals — saudou Jar Jar alegremente.
–Binks! — o líder Gungan exclamou incrédulo. — De novo não!
Jar Jar encolheu o ombros não intimidado. — Vim para ver chefe! Tarpals rolou os olhos.
— Tempo difícil, Binks. Difícil para todos nós talve]
Mantendo-os juntos, com Gungans a postos, fornecendo proteção em todos os lados,
Tarpals os encaminhou para dentro do pântano. A copa formada pelos galhos da árvores
ficou tão grossa que o céu e o sol praticamente desapareceram. Tocos e pedaços de
esculturas começaram a aparecer, fachadas de pedra e pedestais esmigalhados afundados
no lamaçal. Trepadeiras se entrelaçavam entre os restos despedaçados, descendo de
galhos que se retorciam e enlaçavam em enormes redes de madeira. Atravessando uma
passagem de vegetação serrada, eles chegaram até uma clareira cheia de refugiados
Gungans — homens, mulheres e crianças de todas as idades e tipos amontoados em uma
colina de solo seco, muitos com seus pertences à sua volta. Tarpals os encaminhou para
um local além de onde os refugiados se encontravam, onde as ruínas do que antes havia
sido um templo grandioso eram lentamente tomadas pelo pântano. O que ainda
permanecia intacto eram as plataformas e as escadarias, apesar de as colunas e tetas já
há muito estarem desmoronados e partidos. As imensas cabeças e braços de estátuas de
pedra saltavam de dentro do atoleiro, com seus dedos apertando armas e olhos cegos
fixos no espaço.
Do outro lado das ruínas, Chefe Nass apareceu, movendo-se com dificuldade por entre as
sombras, acompanhado por vários outros membros do Conselho Gungan em direção ao
topo de uma cabeça de pedra que parcialmente emergia da água. Amidala e seu séquito se
aproximaram através de uma série de ilhas e passagens até ficarem a uma distância
suficiente para serem vistos e ouvidos.
–Jar Jar Binks, o que vocês fazer aqui de volta! - Ruminou Chefe Nass com raiva. —
Você devia levar esses estrangeiros e não voltar! Você vai pagar caro desta ve] — A
cabeça pelancuda girou. — Quem vocês trazer aqui no local sagrado dos Gungans?
A rainha imediatamente deu um passo à frente com sua face branca erguida. — Eu sou
Amidala, rainha dos Naboo.
–Naboo! — trovejou Chefe Nass. — Não gostar Naboo! Vocês trazer pescoçudos! Eles
estourar nossas casas! Eles expulsar nós todos! — Um braço pesado se ergueu,
apontando para a rainha. — Vocês tudo bombardeia!
Vocês todos morrerão, talve]!
Anakin notou imediatamente que estavam completamente cercados por Gungans, alguns
montados em kaadus, alguns a pé, todos portando electropoles e lanças de energia, assim
como um certo tipo de dispositivo de tiro. O capitão Panaka e os guardas olhavam em
volta nervosos, suas mãos procurando por seus dinamitadores. Os Jedi se posicionaram ao
lado da rainha e de suas aias, mas seus braços ficaram soltos ao lado do corpo.
–Desejamos fazer uma aliança com vocês — Amidala tentou novamente.
–Nós não formar nada com Naboo!—rosnou Chefe Nass irado.
De forma abrupta, Padmé se afastou do grupo e ficou de pé em frente à rainha. — Você
fez bem, Sabé. Mas terei que cuidar disso eu mesma — ela disse calmamente e se virou
para Chefe Nass.
–Quem ser esta? — o líder Gungan perguntou.
R2-D2 parado ao lado de Anakin fez um bip suave em reconhecimento. O dróide havia
descoberto primeiro.
Padmé se endireitou. — Sou a rainha Amidala — anunciou numa voz alta e clara. — Sabé
serve de vez em quando de meu dublê, minha leal guarda-costas. Peço desculpas por
minha fraude, mas dadas as circunstâncias, estou certa de que podem entender. — Ela se
voltou para os Jedi, seus olhos momentaneamente se voltaram para Anakin.
–Cavalheiros, peço desculpas por enganá-los.
Os olhos dela se voltaram novamente para Chefe Nass, que franzia a testa desconfiado,
claramente sem entender o que estava acontecendo. — Apesar de nosso povo nem sempre
se entender, senhor — ela continuou, agora, com a voz mais suave — temos sempre
vivido em paz. Até agora. A Federação de Comércio, com seus tanques e ?pescoçudos?,
destruiu tudo que trabalhamos tão arduamente para construir. Os Gungans estão
escondidos e os Naboo foram aprisionados em campos. Se não agirmos rápido, tudo que
valorizamos se perderá para sempre.
Ela estendeu as mãos. — Peço-lhe que nos ajude, senhor. — Ela fez uma pausa. — Não, eu
imploro que nos ajude.
Ela se ajoelhou abruptamente em frente ao líder Gungan. Houve um murmúrio audível de
surpresa dos Naboo. — Somos seus humildes servos, senhor — disse Padmé para que
todos ouvissem.
–Nosso destino está em suas mãos. Por favor, ajude-nos.
Ela gesticulou, e um por um, suas aias, Panaka e os pilotos e os guardas Naboo se
ajoelharam ao lado dela. Anakin e os Jedis foram os últimos a fazê-la. Pelo canto do olho,
Anakin viu Jar Jar de pé completamente sozinho no meio, olhando em volta estupefato e
chocado.
Por um momento, ninguém disse uma palavra. Então uma gargalhada vagarosa e profunda
explodiu da garganta de Chefe Nass — Ho, ho, ho! Mim gostar disso. Isto é bom! Vocês
não pensar ser melhor que Gungans!
O líder Gungan se aproximou deles, estendendo uma mão. — Você levanta, rainha Amidala.
Você falar comigo, tá? Talvez nós vamos ser amigos finalmente !
O Sith Lord mais velho surgiu num tremular de robes e sombras enquanto seu protegido e
os Neimoidians caminhavam lentamente pelo corredor que levava da sala do trono de volta
para a praça.
–Enviamos nossas patrulhas — dizia Nute Gunray, concluindo seu relatório para a
figura ominosa na projeção. — Já localizamos a nave deles no pântano. Não demorará
muito para os termos em mãos, meu senhor.
Darth Sidious estava silencioso. Por um momento, Nute Gunray temeu não ter sido ouvido.
— Este é um movimento inesperado da rainha — disse finalmente o Sith Lord, sua voz tão
baixa que mal podia ser ouvida. — É muito agressivo. Lord Maul, fique atento.
–Sim, Mestre — o outro Sith rugiu suavemente, com seus olhos amarelos
brilhando.
–Seja paciente — ronronou Darth Sidious com a cabeça baixa nas sombras
intimidadoras e as mãos dobradas nos robes pretos.
–Deixe que façam o primeiro movimento.
Darth Maul e os Neimoidians continuaram em silêncio, enquanto o holograma desapareceu
vagarosamente.
Chefe Nass era tão temperamental quanto era enorme e sua mudança de comportamento
para com os Naboo foi dramática. Uma vez tendo decidido que a rainha não se considerava
superior a ele, que ela foi na verdade sincera em sua súplica por ajuda dos Gungans, ele
foi rápido em se aproximar. Claro que o fato da antipatia dele pelos guerreiros dróides ser
tão forte quanto a antipatia dela não atrapalhou em nada. Talvez ele tenha sido imprudente
por acreditar que os “pescoçudos” não encontrariam os Gungans nos pântanos. Otoh Gunga
tinha sido atacada na aurora dois dias atrás e seus habitantes foram expulsos de suas
casas. Chefe Nass não ficaria sentado quieto depois disso. Se um plano pudesse ser
estabelecido para expulsar os invasores, o exército Gungan faria sua parte para ajudar.
Ele levou Amidala e seus companheiros para fora do pântano até o limite das planícies
cobertas de grama que corriam ao sul da cidade de Theed, capital de Naboo. Qualquer
ataque seria preparado dali e a rainha tinha vindo aos Gungans com um plano de ataque
bem específico em sua mente.
O primeiro passo do plano envolvia enviar o capitão Panaka para reconhecimento da
cidade.
Enquanto olhavam do interior nebuloso do pântano em direção à área gramada aberta,
aguardando Panaka retornar, Chefe Nass se aproximou de Jar Jar.
–Você fazer muito bem, Jar Jar Binks! — exclamou, passando um braço carnudo em
volta dos ombros magros de Jar Jar. — Você aproximar os Naboo e os Gungans! Isto
coisa corajosa.
Jar Jar esfregou os pés e pareceu envergonhado. — Ah! você não vai dizer isso. Isso n o
foi nada.
–Não, você grande guerreiro! — declarou Chefe Nass, tirando o fôlego de seu
compatriota com um imenso abraço.
–Não, não, não! — insistiu o outro modestamente.
–Então — conclui Chefe Nass brilhantemente — nós fazer você general do
exército Gungan!
–O quê? — exclamou Jar Jar espantado. — General? Mim? Não, não! - ele
engasgou com os olhos rolando e a língua caída — e desmaiou.
Padmé estava conferenciando com os Jedi e os generais Gungans, a cujo grupo Jar Jar
Binks havia acabado de ser acrescentado, então, Anakin, sem função determinada, se
aproximou para fazer companhia junto com os guardas Gungans que ficaram vigiando a
chegada de Panaka. Os Gungans patrulhavam o perímetro do pântano se arrastando e
vigiavam do topo das árvores e de esculturas antigas com microbinóculos, certificando-se
de que certos membros das patrulhas da Federação de Comércio não apareceriam de
surpresa. Anakin estava de pé numa coluna, ainda tentando assimilar a revelação de
Padmé.
Todos tinham sido surpreendidos, claro, mas ninguém mais do que ele.
Ele não tinha certeza agora do que sentia por ela, sabendo que ela não era apenas uma
garota, mas uma rainha. Ele havia declarado que se casaria com ela um dia, acreditando
nisso, mas como haveria uma pessoa que foi escrava por toda a vida de se casar com
uma rainha? Ele queria falar com ela, mas não havia nenhuma oportunidade ali.
Ele imaginou que as coisas não seriam as mesmas depois disso, mas ele gostaria que
sim. Ele gostava dela agora tanto quanto antes e, para dizer a verdade, não se importava
se ela era a rainha ou não.
Ele olhou para a garota e para os Cavaleiros Jedi e pensou em como as coisas eram
diferentes do que foram em Tatooine. Nada havia saído como ele esperava para nenhum
deles e, ainda, restava saber se deixar sua casa e sua mãe para vir com eles foi afinal
uma boa idéia.
Parado sobre uma escultura acima de Anakin, o Gungan grunhiu.
–Eles estar vindo! — ele falou, observando a planície pelos microbinóculos.
Anakin deu um grito em resposta e correu para Padmé, para os Jedi e para os generais
Gungans. — Eles voltaram! — gritou.
Todos se viraram para observar um grupo de quatro speeders deslizar pela planície e
estacionar na sombra que os ocultaria no pântano. O capitão Panaka e várias dúzias de
soldados Naboo, oficiais e pilotos de caças se aproximaram. Panaka se dirigiu diretamente
para a rainha.
–Acho que passamos sem sermos detectados, Alteza — ele informou logo
enquanto escovava a poeira das roupas.
–Qual é a situação? — ela perguntou enquanto os outros se amontoaram perto
deles.
Panaka sacudiu a cabeça. — A maioria de nosso povo está em campos de detenção.
Algumas centenas de oficiais e guardas formaram um movimento clandestino de
resistência à invasão. Trouxe todos os líderes que pude encontrar.
–Bom. Padmé meneou a cabeça com apreciamento para Chefe Nass. — Os
Gungans têm um exército maior que imaginávamos.
–Muito, muito armado! — o líder Gungan ribombou.
Panaka expirou aborrecido. — Você vai precisar. O exército da Federação também é bem
maior do que pensávamos. E mais forte. — Ele lançou à rainha um olhar pensativo. — Na
minha opinião, não se trata de uma guerra que podemos vencer, Alteza. Parado na ponta
do círculo, Jar Jar Binks olhou para Anakin e rolou os olhos sem esperanças.
Mas Padmé não se intimidou. — Não pretendo vencer a guerra, capitão. A luta é uma
distração. Precisamos que os Gungans afastem o exército de guerreiros dróides de Theed
para que possamos nos infiltrar no palácio e capturar o vice-rei Neimoidian. A Federação
de Comércio não pode funcionar sem seu líder. Neimoidians não pensam por si.
Sem um vice-rei no comando, deixarão de representar uma ameaça.
Ela esperou para que considerassem o plano, seus olhos se fixando automaticamente em
Qui-Gon. — O que acha, Mestre acedi?
–É um plano bem-elaborado — reconheceu Qui-Gon. — Parece- me ser, possivelmente,
o seu melhor movimento, Alteza, apesar de ser arriscado. Mesmo com o exército de
dróides no campo de batalha, o vice-rei estará guardado. E muitos dos Gungans
poderão ser mortos.
Chefe Nass bufou em menosprezo. — As armas deles não passar por nossas barreiras!
Nós prontos para luta!
Jar Jar rodopiou os olhos para Anakin novamente, mas, dessa vez Chefe Nass percebeu,
lançando-lhe um olhar duro de advertência. Padmé pensava. — Poderíamos reduzir as
mortes dos Gungans controlando o hangar principal e enviando nossos pilotos para derrubar
a nave controladora em órbita. Sem a nave controladora para direcioná-los, o exército de
dróides não funciona.
Todos assentiram. — Mas se o vice-rei escapar, Alteza — disse Qui- Gon sombriamente,
— ele voltará com um novo exército de dróides, e vocês não estarão em melhor situação
que agora. O que quer que aconteça, têm que capturá-la.
–De certo que sim, precisamos — concordou Padmé. — Tudo depende disso. Corte a
cabeça, e a serpente morre. Sem o vice-rei, a Federação de Comércio desmorona.
Eles passaram, então, a discutir outras questões, começando uma discussão detalhada
sobre táticas de guerra e responsabilidades de comando. Anakin ficou ouvindo por um
momento, depois foi até Qui-Gon e puxou sua manga.
–E eu? — ele perguntou baixo O Mestre Jedi pôs a mão na cabeça do menino e sorriu.
— Você fica perto de mim, Annie, faça o que eu digo e ficará a salvo.
Ficar a salvo não era bem o que o menino tinha em mente, mas ele ficou quieto e
satisfeito, uma vez que, enquanto estivesse ao lado de Qui-Gon, não estaria longe da ação.
Em Theed, na sala do trono, Darth Sidious aparecia em holograma para Darth Maul, para o
comandante guerreiro dróide OOM-9 e para os Neimoidians. Suave e sedosa, sua voz se
esvaía pela penumbra no ar rarefeito.
–Nossa jovem rainha me surpreende — ele sussurrou pensativo, oculto por seu
manto escuro. — Ela é mais tola do que pensei.
–Estamos enviando todas as tropas disponíveis para encontrar esse exército
dela — disse rapidamente Nute Gunray. — Parece estar reunido no limite do
pântano. Primitivos, meu senhor — nada mais.
Não esperamos muita resistência.
–Estou aumentando o policiamento nos campos de detenção Naboo — entoou OOM-9.
Darth Maul fitava o nada, então, sacudiu sua cabeça chifruda. — Sinto que há mais nisso
do que sabemos, Mestre. Os dois Jedi devem estar usando a rainha para seus próprios
objetivos.
–Os Jedi não podem se envolver — acalmou Darth Sidious com suas mãos abertas
num gesto tranquilizador. — Eles só podem proteger a rainha. Mesmo Qui-Gon Jinn
não pode quebrar esse princípio.
Isso nos coloca em vantagem.
Darth Maul roncou ansioso para continuar.
–Tenho sua aprovação para continuar, então, meu senhor? — perguntou Nute
Gunray hesitante, evitando os olhos perversos do Sith mais jovem.
–Prossiga — ordenou Darth Sidious suavemente. — Acabe com eles, vice-rei.
Todos eles.
Por volta do meio-dia, com o sol a pino, num céu sem nuvens e o vento soprando cada vez
mais fraco, as planícies cobertas de grama ao sul de Theed entre a capital de Naboo e os
pântanos dos Gungans estavam vazias e silenciosas. O calor se refletia nas planícies
numa luz trêmula e suave e estava tudo tão calmo que se podia ouvir a cem metros de
distância o gorjeio dos pássaros e o zumbido dos insetos como se estivessem bem
próximos.
Então os tanques e transportes da Federação de Comércio roncaram pelas pradarias, em
ondas brilhantes de metal.
Havia calma também nos pântanos, a perene luz crepuscular luxuriante e esperançosa sob
a vasta copa de galhos e trepadeiras, a superfície do atoleiro lisa e sólida como vidro, os
juncos e bambus imóveis no ar parado. Aqui e ali, mosquitos aquáticos pulavam
silenciosamente de um lugar para outro, agitando as poças para a vida à medida que
passavam, dobrando folhas de grama como trampolins. Pássaros desciam e pousavam em
flashes coloridos, voando de galho em galho. Pequenos animais saíam do esconderijo para
beber água e buscar comida — com os olhos brilhantes, narizes torcendo e os sentidos
alerta.
Então o exército Gungan emergiu agitando a água escura e formando um fluxo de bolhas,
as cabeças de orelhas pendentes saltando como rolhas, primeiro uma, depois outra, e mais
outra, finalmente centenas — e, eventualmente, milhares.
Tanto na planície quanto no pântano, os pequenos animais corriam de volta para o
esconderijo, os pássaros levantaram vôo e os insetos foram para o chão. Montados em
seus kaadu, os Gungans saíram de seus esconderijos em couraças envolvendo seus corpos
anfíbios e armas prontas para disparar. Carregavam lanças de energia compridas e
estilingues com pegador metálico para lutas a distância e escudos de energia para
combate corpo a corpo. Os kaadu se sacudiram quando chegaram ao solo seco, vertendo
água pantanosa de suas peles lisas, os olhos se dirigindo para as trilhas sólidas no solo
enquanto seus cavaleiros os apressavam. Com seus números aumentando enquanto
atingiam os limites do pântano, os Gungans começaram a se posicionar em filas de
cavaleiros que se estendiam até onde os olhos podiam ver. Quando a primeira onda se
afastou, o pântano ferveu novamente com a aparição de fambaa — enormes lagartos de
quatro pernas com longos pescoços e caudas e imensos corpos escamosos. Os fambaa
carregavam geradores de proteção no topo de suas costas largas, máquinas que quando
interligadas ativariam um campo de força para proteger os soldados Gungans das armas
da Federação de Comércio.
Os fambaa se movimentavam com dificuldade por baixo de suas cargas, os pescoços se
estendendo de um lado para outro enquanto seus cavaleiros os cutucam impacientemente.
Jar Jar Binks os acompanhou à frente de seu novo comando, pensando no que deveria
fazer. Principalmente, ele acreditava, ele deveria ficar fora do caminho. Com certeza, os
outros generais e mesmo seus oficiais subalternos deixaram claro que era o que
preferiam. Chefe Nass podia ter pensado que seria inteligente fazer dele um general do
exército Gungan, mas os oficiais de carreira achavam isso menos divertido. O general
Ceel, comandante-chefe, grunhiu acidamente para Jar Jar, ao ser informado da nova
posição dele, e o aconselhou a dar um bom exemplo para seu povo e morrer dignamente.
Jar Jar havia respondido a tudo isso mantendo-se quieto até a marcha para fora do
pântano começar, quando assumiu sua posição requisitada à frente do comando. Ele mal
havia alcançado cem metros depois de saírem do esconderijo no pântano quando caiu de
seu kaadu.
Ninguém havia se incomodado em ajudá-lo a montar novamente, por isso, ele agora seguia
em algum lugar em meio às suas tropas.
–Isso muito mal — ele sussurrava para si enquanto se movimentava com os outros
através da névoa escura.
Vagarosamente, o exército Gungan deixou o emaranhado dos pântanos em direção à área
aberta de planícies onde o exército da Federação de Comércio já esperava.
Anakin Skywalker estava acocorado nas sombras de um edifício diretamente do outro lado
do hangar principal da frota Naboo em Theed. Estava calmo ali também, tendo a maior
parte dos guerreiros dróides sido despachada para o campo a fim de lidar com o exército
Gungan e aqueles que sobraram se encontravam dispersos pela cidade em patrulhas e em
vigília às cercanias. Ainda assim, tanques lotavam a praça em frente ao conjunto do
hangar, e um forte contingente de guerreiros dróides vigiava a frota Naboo. Tomar o
controle das naves de combate não seria fácil. Anakin olhou em volta para os que o
acompanhavam. Padmé, vestida como uma aia, agachada com Eirtaé ao lado dos Jedis,
aguardando a ordem do capitão Panaka para ficar em posição do outro lado da praça. Sabé,
a duble da rainha, e suas aias trajavam vestidos de batalha, folgados e duráveis, com
explosivos atados ao lado. R2-D2 piscava silenciosamente atrás deles na companhia de
vinte oficiais Naboo, guardas e pilotos, todos armados e preparados. Parecia ao menino um
patético número pequeno de guerreiros para carregar a tarefa, mas era tudo que tinham.
Pelo menos Qui-Gon e Obi-Wan estavam conversando novamente. Eles começaram a fazer
isso quando saíram dos pântanos em direção à cidade, umas palavras aqui, outras ali,
trocando comentários precavidos, ainda testando as águas. Anakin havia escutado
cuidadosamente, mais atencioso às nuanças da conversa do que os outros estariam,
ouvindo na inflexão de suas vozes mais que as simples palavras ditas. Após um tempo,
quando as feridas estavam completamente cicatrizadas e eles se sentiam confortáveis
novamente, houve sorrisos breves e tristes, mas claros em seus objetivos. Os Jedi eram
velhos amigos e sua relação era de pai e filho. Eles não desejavam destruí-la por causa de
uma simples briga. Anakin estava contente por isso — especialmente porque essa briga se
relacionava com ele.
Padmé também conversava com ele, juntando-se a Anakin por alguns instantes, enquanto
se aproximavam da cidade pelo leste da floresta, o sorriso dela expulsando todas as suas
dúvidas e medos num momento.
–Sinto muito não ter podido te contar antes — ela dizia, desculpando-se por
esconder sua identidade. — Sei que foi uma surpresa.
–Tudo bem — ele disse, encolhendo os ombros corajosamente.
–Acho que saber que sou uma rainha faz você se sentir diferente, não faz?
–Acho que sim, mas tudo bem. Se você ainda gostar de mim, porque eu ainda
gosto de você. — Ele olhou para ela esperançoso.
–Claro, Annie. Ter contado quem realmente sou não significa que meus
sentimentos por você mudaram. Eu era a mesma pessoa antes, você sabendo
ou não a verdade.
Ele pensou sobre aquilo um momento. — Suponho que sim. — Ele se iluminou. — Então
acho que meus sentimentos por você também não deveriam ser diferentes agora.
Ela se afastou, sorrindo largamente para ele, e naquele exato momento ele se sentiu com
dez metros de altura.
Ele agora estava em paz consigo mesmo sobre os Jedi e Padmé, mas estava acossado por
novas preocupações. E se algo lhes acontecesse durante a luta que se seguiria? E se
fossem feridos ou mesmo...
Ele não conseguia terminar o pensamento. Nada de ruim lhes aconteceria e era só. Ele não
permitiria. Ele olhou para eles, ajoelhados em silêncio no canto da praça, e prometeu a si
mesmo que os protegeria, não importaria como. Aquela seria sua tarefa. A boca dele
apertou em determinação enquanto fez seu juramento.
–Quando chegarmos lá dentro, Annie, ache um lugar seguro para se esconder
até que tudo esteja acabado — aconselhou subitamente Qui-Gon, inclinando-se
para perto, quase como se pudesse ler a mente do garoto.
–Claro — prometeu Anakin.
–E fique lá — acrescentou firmemente o Mestre Jedi.
Do outro lado, Panaka e seu contingente de guerreiros estavam agora em posição,
colocando os tanques e os dróides em uma linha de fogo com o grupo de Padmé. Padmé
puxou um pequeno bastão brilhante e enviou um sinal codificado para Panaka do outro lado.
Ao redor de Anakin, armas escorregavam livres dos coldres numa saraivada de fogos
laser. Outros dróides se aproximaram em resposta e começaram a trocar fogo, arrastando
em direção à fonte do conflito e para longe do grupo de Padmé.
Qui-Gon se ergueu. — Fique perto — sussurrou para o menino.
Um momento depois, o menino estava correndo com os Jedi, Padmé, Eirtaé, R2-D2 e o
contingente Naboo de soldados e pilotos em direção à porta aberta do hangar.
Jar Jar estava escarranchado sobre seu kaadu, já recomposto e havia perdido seu posto à
frente de sua tropa. O exército Gungan se encontrava espalhado por toda a área gramada,
em todos os lados por onde caminhava, até onde a vista alcançava. Como pássaros, os
kaadu abriam caminho através das gramas altas, suas cabeças mergulhando e seus
cavaleiros Gungans oscilando com os movimentos. Os Gungans usavam protetores de
couro e metal na cabeça e armaduras no corpo, com pequenos escudos circulares em seus
quadris e pacotes de energia de três placas para alimentar o campo de força que saltaria
como plumas metálicas de suas costas carregadas.
Os fambaa, portando os geradores de proteção, foram posicionados a uma distância fixa
nas fileiras para obter proteção máxima assim que os geradores fossem ativados. Como
tanques, os imensos lagartos se moviam com dificuldade entre os mais ágeis kaadu, e a
pastagem tremeu com o peso de sua passagem.
A frente do exército ia o general Ceel com uma unidade de comando, carregando sobre
longos mastros as bandeiras de Otoh Gunga e de outras cidades Gungans.
O exército encabeçava uma onda grandiosa e crescente de corpos escuros e parou a um
sinal de general Ceel.
O exército da Federação de Comércio esperava ao longo de uma longa e rasa depressão.
Fileiras de STAPs e tanques formavam o primeiro rank, espalhado por uma distância de
mais de um quilômetro, com escudos e armas brilhando sob o sol do meio- dia. Os
imensos transportes da Federação funcionavam como barreira de proteção para os
veículos menores. Eram transportes enormes, flutuando a poucos centímetros do solo,
seus narizes redondos apontando para os Gungans. Os tanques e os STAPs eram
controlados por guerreiros dróides, conchas metálicas vazias e sem rosto insensíveis à
dor, desprovidas de emoção e programadas para lutar até serem destruídas.
Jar Jar olhava atônito o exército de dróides. Não havia uma única criatura viva a vista,
nenhuma feita de carne e sangue, nenhuma que reagiria à agitação terrível da batalha
como os Gungans reagiriam. Sentiu sua pele fervilhar ao pensar no que aquilo significaria.
Os fambaa estavam agora em posição, e o general Ceel ativou os geradores de proteção.
As grandes turbinas zuniram poderosamente para a vida, e um pulsar de luz vermelha se
arqueou de um gerador sobre um fambaa para um disco sobre o fambaa seguinte, o brilho
se ampliando enquanto crescia em tamanho para rodear todo o exército Gungan até que
cada soldado e cada kaadu estivessem envolvidos. A coloração da luz de proteção mudou
de vermelho para dourado, tremulando como uma miragem no deserto. O efeito foi de dar
a impressão de que o exército Gungan estava sob a água, como se houvesse sido engolido
por um mar brilhante e claro.
A Federação foi rápida em testar a eficiência do escudo. A um sinal do comandante dróide
OOM-9 que, por sua vez, respondia a um comando do centro de controle espacial, os
tanques abriram fogo, seus canhões lasers enviando fogo após fogo para o escudo. Feixes
de luz cauterizantes batiam no escudo e se fragmentavam contra a superfície líquida de
energia, incapazes de penetrar.
Sob a coberta de proteção, os Gungans esperavam pacientemente, confiantes na força de
seu escudo. Escarranchado sobre seu kaadu, Jar Jar Binks recuava e se retorcia
amedrontado, murmurando várias preces para afastar a destruição que, tinha certeza, o
encontraria de qualquer maneira. Incansáveis, os canhões de Federação de Comércio
continuavam seu ataque, faixas de energia sendo lançadas de suas barricadas, batendo no
escudo. As luzes de fogo da explosão eram cegantes e enfraquecedoras, mas os Gungans
mantinham sua posição. Finalmente, as armas da Federação de Comércio pararam. Por
mais que tentassem, não conseguiam quebrar o campo de energia Gungan. Dentro de sua
capa protetora, os Gungans festejavam e erguiam triunfantes suas armas.
Mas, agora, os tanques e STAPs se retiravam e os imensos transportes avançaram para
frente. Os narizes redondos se abriram alargando-se para revelar uma série de esteiras
montadas lá dentro. As esteiras rolavam para frente em trilhos compridos, revelando
fileiras e mais fileiras de guerreiros dróides caprichosamente dobrados e suspensos por
ganchos. Quando as esteiras estavam completamente estendidas, eles começaram a
baixar e se separar, preenchendo o espaço à frente dos transportes com milhares de
dróides.
Posicionado à frente de seu exército, o general Ceel e seus comandantes Gungans
trocaram olhares preocupados.
Agora, as esteiras começavam a soltar seus guerreiros dróides, que se desdobraram, ao
mesmo tempo, para a posição de pé, com seus braços e pernas estendidos e os corpos
retos. As mãos metálicas alcançando os ombros para soltar os rifles de explosivos com
que cada unidade vinha equipada.
Sob o comando de OOM-9, todo o grupo de dróides começou a marchar em direção ao
exército Gungan: fileiras de metal brilhante preenchendo o campo de ponta a ponta.
O escudo Gungan foi desenhado para desviar objetos grandes com movimentos lentos, de
densidade e massa como veículos de artilharia e pequenos veículos, que se moviam
rapidamente e geravam calor como projéteis de armas de fogo. Mas não desviaria
pequenos dróides que se moviam vagarosamente — mesmo em um grupo numeroso, como
o que ali estava. Jar Jar Binks começou a desejar estar em algum outro lugar, pensando
que por mais poderoso que fosse o exército Gungan, ficava muito pequeno frente à
máquina de metal que agora marchava contra ele.
Mas os Gungans vieram prontos para a luta e não estavam tão imobilizados pelo número
de inimigos a ponto de desistir. Por todas as fileiras, os Gungans ativaram suas lanças de
energia e estilingues manuais, armando-os para o ataque. Ao pé da elevação de onde
esperavam, as fileiras dianteiras de dróides alcançaram o limite do campo magnético e
começaram a atravessá-la. O campo não os atingia. Erguendo seus rifles explosivos nos
ombros, eles abriam fogo.
Em meio ao gemido majestoso de cornetas de batalha, os Gungans revidavam. Uma chuva
de lanças se arremessava contra os dróides que avançavam e pontas e dardos explodiram
ao impacto, arrancando membros e troncos metálicos. Bolas de energia lançadas pelos
estilingues seguiram, causando mais estragos. Morteiros lançavam suas cargas para o
meio das fileiras de dróides, abrindo enormes buracos no ataque. Os guerreiros dróides
cambalearam e reduziram velocidade, então, ganharam novo ímpeto e continuaram,
enquanto mais centenas deles assumiam o lugar dos que caíam, marchando
despreocupadamente através do escudo protetor em direção às armas Gungans.
No centro de sua unidade de comando, o general Ceel gritava para os guerreiros
avançarem, apertando suas linhas de defesa na frente dos fambaa e dos escudos de
defesa para protegê-los de acidentes, sabendo que, se o campo de força caísse, os
tanques da Federação de Comércio derrotariam os Gungans. Fileiras de guerreiros dróides,
peças metálicas refletindo sol e fogo, e linhas Gungans, de peles flexíveis cor de laranja,
se aproximaram para a luta. Resistindo à tentação de fechar os olhos contra o que sabia
que viriajar Jar Binks bateu os calcanhares nos flancos de seu kaadu e avançou com o
resto de seu comando.
Na reclusão relativa da sala do trono do palácio de Theed, num local que acreditavam
estar a salvo de qualquer perigo, Nute Gunray e Rune Haako assistiam, na tela gigante, às
imagens, que se moviam rapidamente, da batalha que acontecia no hangar principal. Os
Cavaleiros Jedi estavam dentro do complexo, acompanhados por soldados e pilotos Naboo,
seus sabres de luz arrebentando os guerreiros dróides que tentavam detê-los.
–Como conseguiram entrar na cidade? — sussurrou Rune Haako desanimadamente.
Nute Gunray sacudiu a cabeça. — Não sei. Pensei que a guerra fosse acontecer longe
daqui. — Seus olhos estavam arregalados e fixos.
–Isso é perto demais!
Eles se voltaram ao mesmo tempo quando Darth Maul entrou na sala, carregando um
sabre de luz de cabo longo. Olhos amarelos brilhavam na face tatuada em vermelho e
preto do Sith. Nute Gunray e Rune Haako abriram passagem instintivamente, nenhum dos
dois disposto a ficar no caminho. — Lord Maul — cumprimentou Gunray, inclinando a
cabeça rapidamente.
Darth Maul olhou para ele com desdém. — Eu avisei que havia mais nisso do que
aparentava! — Os olhos dele os fitaram irados e enlouquecidos. — Os Jedi vieram para
Theed por um motivo, vice-rei.
Eles têm um plano para nos derrotar.
–Um plano? — perguntou o Neimoidian preocupado.
–Um que vai falhar, eu lhe asseguro. — A face cheia de marcas reluzia
maldosamente sob a luz. — Eu esperei um longo tempo por isso.
Treinei sem parar. Os Jedi vão se arrepender de terem voltado aqui.
Havia um tom apavorante em sua voz. O Sith estava ansioso por aquele confronto com
seu corpo serpenteando e pronto e suas mãos se movendo perto de sua arma. Os
Neimoidians não invejavam aqueles que ele buscava.
–Esperem aqui até meu retorno — ele ordenou rispidamente e saiu.
–Aonde vai? — demandou freneticamente Nute Gunray, enquanto o Sith Lord se
dirigia aos estacionamentos dos speeders.
–Aonde pensa que vou, vice-rei? — olhou com sarcasmo. — Eu estou indo ao
hangar principal para livrá-lo dos Jedi de uma vez por todas.
Anakin Skywalker atravessou correndo as portas abertas do hangar principal seguindo os
Jedi e Padmé, com R2-D2 e o resto dos guerreiros pela liberdade Naboo em seus
calcanhares. Guerreiros dróides viraram para confrontá-los, mas sabres de luz e explosivos
os destruíram antes mesmo que os outros soubessem o que estava acontecendo.
Os dróides recuaram em resposta, buscando ajuda, mas Panaka e seus homens já
mantinham ocupados os dróides que estavam na praça e, por um momento, os Jedi e os
Naboo estiveram no controle.
Lembrando-se das recomendações de Qui-Gon, Anakin se escondeu embaixo da fuselagem
da nave mais próxima, raios lasers cortando o ar à sua volta em explosões de fogo
brilhantes.
–Vão para suas naves! — gritou Padmé para seus pilotos, enviando o contingente de
soldados Naboo sob seu comando atrás dos dróides que recuavam.
Abaixando-se rapidamente e agachando, ela atirava seu rifle de explosivos com
movimentos rápidos e precisos, derrubando um dróide após outro enquanto suas balas
atingiam o alvo com presteza. Os Jedi lutavam bem à frente dela, bloqueando o fogo laser
dos dróides com seus sabres de luz, derrubando aqueles infelizes que se colocavam em
seu caminho. Mas era em Padmé que os olhos de Anakin estavam fixos, não porque nunca
havia visto aquele lado dela, mas porque nunca pensara que existia. Ela se movimentava
com a habilidade e treino de uma guerreira experiente, não mais se parecendo, de
nenhuma maneira, com uma garota, pois estava transformada numa combatente mortal.
Ele se lembrou, de repente, de seu sonho com Padmé liderando um exército em outro
tempo e espaço e, subitamente, o sonho não pareceu tão impossível.
Pilotos da força de ataque e unidades R2 libertada dos depósitos nos armários do hangar
se moveram rapidamente embarcando nas naves Naboo e se desviando agilmente da
saraivada de explosivos. Subindo com dificuldade a bordo de suas naves, os pilotos nas
cabines e unidades R2 nos soquetes, eles acionaram os painéis de controle e ligaram os
motores. Um ronco de potência encheu o hangar imenso, apagando o som do fogo laser,
transformando-se num crescente ruído ensurdecedor. Um por um, as naves começaram a
levitar e se posicionar para decolagem. Uma piloto Naboo passou correndo por Anakin e
pulou dentro da nave atrás da qual ele se escondia. — Melhor sair daqui, garoto!
–Ela gritou de dentro da cabine. — Encontre outro lugar para se esconder! Você vai
perder esse aqui!
Anakin se afastou bem agachado, com a saraivada de balas cruzando o ar acima dele,
apontadas para as naves que se preparavam para partir. A nave que ele havia abandonado
começou a levitar, movimentando-se para as portas do hangar. Outras naves já corriam
para o azul com seus motores num estrondo.
Enquanto os Jedi e os Naboo continuavam empurrando a patrulha dróide do hangar cada
vez mais para trás, Anakin procurou apressadamente outro local para se esconder. Então
ouviu R2-D2 assobiar para ele de uma outra nave bem próxima, onde o pequeno dróide já
estava oculto em seu soquete com a cabeça em forma de abóbada rodando e as luzes de
controle piscando. O menino atravessou correndo por entre os dróides despedaçados que
cobriam o chão, fogo laser zunindo à sua volta, e pulou na cabine ofegante e aliviado.
Espiando o lado de fora de dentro de seu esconderijo, ele assistiu ao último par de naves
Naboo disparar para fora do hangar. A primeira saiu livre, mas a segunda foi atingida pelo
disparo de um tanque em sua lateral, rolando pela pista e explodindo num bola de chamas.
Anakin estremeceu e se agachou mais.
Agora, Panaka, Sabé, e os soldados Naboo, que haviam estado ocupados lutando fora do
hangar, disparavam pelas portas também, atirando enquanto se aproximavam. Pegados no
fogo cruzado, os guerreiros dróides restantes foram rapidamente esmagados e destruídos.
Houve uma reunião rápida entre os Jedi, Padmé e Panaka e, então, toda a força de guerra
Naboo começou a se dirigir para uma saída do hangar que os levou a passar diretamente
pelo esconderijo de Anakin.
–Hei, aonde vão? — perguntou o menino, colocando a cabeça para fora da
cabine enquanto eles passavam.
–Annie, fique aqui! — ordenou Qui-Gon, gesticulando para que se abaixasse. Seu
cabelo longo estava assanhado e sua face preocupada. — Fique exatamente
onde está!
O menino o ignorou, ficando de pé. — Não, quero ir com você e Padmé!
–Fique na cabine! — explodiu Qui-Gon num tom de voz que não admitia discussão.
Anakin congelou, indeciso enquanto o grupo passava por ele em direção à porta de saída
com as armas prontas. Ele não queria ser deixado para trás. Ele não tinha intenção alguma
de deixar Qui-Gon e Padmé irem sem ele, especialmente porque ele não poderia fazer nada
para ajudá-los estando preso ali, naquele hangar vazio.
Ele ainda lutava com a questão quando todo o grupo parou em frente à porta de saída do
hangar. Uma figura de manto escuro atravessou a porta para confrontá-los. Anakin ficou
com o ar preso na garganta. Era o Sith Lord que os havia atacado no deserto de Tatooine,
um adversário perigoso, conforme Qui-Gon informou o garoto, um inimigo dos Cavaleiros
Jedi. Ele saiu das sombras como uma enorme pantera da areia, sua face tatuada de
vermelho e preto como uma máscara aterrorizador, seus olhos amarelos brilhando de
expectativa e ódio.
Bloqueando a saída, ele ficou de pé esperando os Jedi e seu grupo com um sabre de luz de
cabo longo seguro à sua frente. O capitão Panaka e seus soldados recuaram
imediatamente. Então, por ordem de Qui-Gon, Padmé e suas aias se afastaram também,
ainda que menos apressadas e com mais relutância.
Qui-Gon Jinn e Obi-Wan Kenobi ficaram sozinhos na frente do Sith Lord. Juntos eles
removeram suas capas e acionaram seus sabres de luz. Seu adversário chifrudo afastou
seu casaco também, então, ergueu o sabre de luz como se o posicionando para inspeção.
Lâminas de fogo brilhante saltaram das duas pontas do cabo, revelando um arma mortal
de duas lâminas. Um sorriso cruzou a face feroz do portador enquanto ele balançava a
arma na frente deles num gesto casual e preguiçoso, acenando para os Jedi à sua frente.
Se afastando um para cada lado, Qui-Gon e Obi-Wan avançaram vagarosamente até ele.
Nas planícies ao sul de Theed, a batalha entre a Federação de Comércio e o exército
Gungan estava a pleno vapor. Gungans e guerreiros dróides estavam em combate corpo a
corpo, num emaranhado de corpos anuías e conchas metálicas. Os geradores de proteção
ainda mantinham os tanques da Federação sob controle. Somente os dróides tinham
ultrapassado, mas havia muito mais dróides do que Gungans, e o general Ceel havia
comprometido todas as suas reservas para a luta.
Jar Jar Binks lutava no centro do redemoinho, brandindo uma lança de energia quebrada
como um porrete, movendo-se e tropeçando de um lado para outro, balançando
selvagemente. Preso na fiação de um dróide que havia decapitado, ele não conseguiu se
livrar da carcaça e, por isso, arrastava o tronco sem cabeça atrás de si. O dróide ainda
funcionava no automático apesar da perda da cabeça e disparava seu rifle sem parar,
encontrando mais dróides-alvo que Gungans e golpeando suas fileiras cambaleantes —
enquanto Jar Jar pulava de um lado para outro.
–Isso é bomba! Isso é bomba! — berrava o Gungan sem parar enquanto balançava
sua lança partida, tentando se desvencilhar de sua companhia decapitada.
Quando, finalmente, se libertou e conseguiu esmigalhar os restos do dróide no chão, ele se
viu sozinho numa área aberta que os dois lados tentavam evitar. Por um momento terrível,
Jar Jar não sabia para qual lado virar.
Então um grito veio dos Gungans próximos. — Jar Jar Binks! Jar Jar Binks!
–Quem, mim? — engasgou o Gungan aturdido.
Tropas entusiasmadas se reuniram à sua volta, o empurrando para frente novamente e o
carregando junto num contra-ataque selvagem e inesperado.
Mas a Federação de Comércio, diferentemente dos Gungans, possuía outras armas para
utilizar. OOM-9, respondendo a ordens do comando da nave de guerra orbital, soltou um
batalhão de dróides destruidores de seu transporte. Eles desciam as longas rampas,
cruzando a área gramada, atropelando guerreiros dróides abatidos e atravessando o escudo
magnético Gungan. Ficando em posição de bata-lha, eles começaram a avançar através
dos montes de cadáveres com seus dois rifles de explosivos disparando numa cadência
regular. Gungans e kaadu caíram em amontoados de pedaços, mas outros Gungans
rapidamente preencheram os vazios abertos nas fileiras, atrasando os dróides destruidores
e lutando para se manterem de pé.
Em todas as direções, a batalha se enfurecia — com o final não decidido.
Anakin Skywalker havia prometido a si mesmo que impediria Qui-Gon Jinn e Padmé
Naberrie de se machucarem; que conseguiria de alguma maneira que nada de mal lhes
acontecesse. Ele sabia, quando fez a promessa, como seria difícil cumpri-la. Em algum
lugar em sua mente, onde ele admitiria tais verdades em segredo, ele sabia como fora
tolo até mesmo em assumir tal compromisso. Mas, no fundo, ele era jovem e corajoso e
tinha vivido, até agora, sob suas próprias regras, já que viver de qualquer outra forma o
teria derrubado há muito tempo. Não havia sido fácil viver assim, especialmente como
escravo. Ele havia sobrevivido, na maior parte do tempo, devido à sua capacidade de achar
pequenas vitórias em situações difíceis e porque sempre acreditou que um dia encontraria
uma forma de superar as circunstâncias de seu nascimento.
Sua confiança em si mesmo havia sido gratificada. A vida dele havia sido modificada para
sempre graças à sua vitória na corrida de Pod em Boonta Eve em Tatooine dias atrás.
Não era, então, tão estranho que decidisse que poderia de alguma forma afetar a vida de
um Cavaleiro Jedi e de uma rainha Naboo, mesmo sem saber precisamente como. Ele não
tinha medo de aceitar tal responsabilidade. Ele não estava intimidado pelo desafio que sua
decisão representava.
Mas, agora, sua decisão foi testada.
Qui-Gon e Obi-Wan enfrentavam o Sith Lord numa colisão de sabres de luz que emitia um
som agudo de lâminas com pontas de diamante cortando através do metal. Movimentandose pelo centro do hangar, os combatentes davam estocadas e se desviavam, o ataque e
contra-ataque realizados numa luta feroz, sem piedade, incessante. O Sith Lord era flexível
e rápido, abrindo seu caminho entre os Jedi com confiança e facilidade, açoitando seu
sabre de luz de duas pontas para frente e para trás entre eles, mais que simplesmente se
protegendo contra os esforços para derrubá-la. Ele era habilidoso, Anakin percebeu — mais
habilidoso, talvez, que os homens que enfrentava. E estava confiante de uma maneira
perturbante. Ele não seria vencido facilmente.
Mas Padmé e os Naboo encaravam uma situação ainda mais perigosa. No outro lado do
hangar, do lado da praça, um grupo de três dróides destruidores passou pela porta e os
dróides começaram a se desdobrar, ficando em posição de batalha. R2- D2 os viu primeiro
e emitiu um bip de alerta ao menino. Anakin desviou o olhar dos Jedi e do Sith Lord. Os
dróides destruidores já haviam se transformado e se moviam para frente, suas armas
lasers disparando para os Naboo. Vários soldados caíram e uma bala rasteira pegou Sabé,
derrubando-a de costas nos braços de Panaka. Padmé e seu grupo resistiam
determinadamente, mas já recuavam para se proteger.
–Temos que ajudá-los, Erredois — declarou o menino levantando-se na cabine com
intenção de fazer alguma coisa, qualquer coisa, e procurando em volta, inutilmente,
por uma arma.
Mas R2-D2 estava bem à frente dele. O pequeno dróide havia se ligado ao sistema de
computador da nave de combate, as luzes piscando em seu painel de controle enquanto
acionava os enormes motores. Tudo rugiu ao mesmo tempo de volta à vida, surpreendendo
Anakin, que caiu no assento do piloto com o susto.
Lentamente, a nave começou a levitar, deixando seu ancoradouro.
–Ótimo trabalho, Erredois! — gritou Anakin excitado, imediatamente agarrando
as barras de direção. — Agora, vejamos... Ele girou a nave de forma que ela
ficou de frente para os combatentes. Seus olhos examinaram minuciosamente
o painel de controle em desespero. Ele sabia alguma coisa sobre naves por
recuperar peças em acidentes, mas nada, em particular, sobre naves Naboo ou
sobre sistemas bélicos em geral. A maior parte do que sabia era sobre
sistemas de direção e motores e grande parte só em Pods, speeders e
transportes envelhecidos.
–Qual deles, qual deles? — Anakin murmurou indeciso com seus dedos
passando sobre botões, barras e interruptores.
Ele ergueu os olhos momentaneamente. Um dos soldados Naboo tombou desmoronando,
seu capacete e o rifle foram jogados para longe num retinir de metais. Raios lasers
queimavam os suportes metálicos e paredes a volta dos combatentes enquanto os dróides
destruidores prosseguiam seu ataque contra a força já minguada de Padmé.
Desesperado, Anakin acionou um conjunto de interruptores na dicção de um painel
vermelho. A nave começou a sacudir violentamente em reação ao movimento nos
estabilizadores.
–Oh, oh, botões errados! — inspirou o menino, trazendo os interruptores de volta. Seu
olhar se desviou para um grupo de quatro botões pretos localizados no fundo de
buracos pequenos e circundados em verde. — Talvez estes...
Ele pressionou os botões. Imediatamente, os narizes a laser atiraram, suas cargas
arrebentando os guerreiros dróides. Eles tombaram em pedaços esfumaçados e
carbonizados.
–Isso! Dróides explodidos! — berrou alegremente, e atrás dele, R2- D2 emitia bips em
aprovação.
Os dróides destruidores que sobravam se dirigiam para o menino, espalhados através do
chão do hangar para ficarem mais difíceis de serem atingidos. Atrás deles, Padmé, suas
aias, Panaka e os soldados Naboo restantes corriam para a porta que levava de volta ao
palácio.
Anakin observou pelo canto da cabine enquanto eles desapareciam a salvo através da
porta. — Boa sorte — ele sussurrou. Os dróides destruidores avançavam agora em sua
direção, os rifles atirando, as cargas explodindo à volta dele, sacudindo a armação delgada
da nave. Anakin teve uma rápida visão do Sith Lord dirigindo os Jedis pelo hangar e através
de uma abertura numa sala do outro lado, pressionando-os para trás impiedosamente,
perseguindo-os com uma fúria atemorizante. Então eles também desapareceram de vista,
deixando o menino sozinho com seus agressores.
Uma saraivada de fogo laser atingiu o nariz de sua nave, golpeando a sua lateral. O garoto
apertou a direção. Ele disparou seu próprio laser em retaliação, mas os dróides
destruidores haviam se deslocado para muito longe nos dois lados para que fossem
atingidos, e a carga disparada pelo menino atingiu apenas as paredes do hangar.
Ele se abaixou novamente no canto da cabine, os olhos buscando, outra vez, o painel de
controle. — Levantar escudos — ele assobiou, forçando-se a se concentrar enquanto
disparos de laser estouravam à sua volta. — Sempre ao lado direito! Escudos estão
sempre à direita!
Ele moveu vários interruptores prováveis e o maçarico traseiro acendeu com um ruído
contínuo. Ele empurrou outro, então, mais outro. A alavanca de ignição se soltou de sua
mão e a nave rodopiou, disparando pelo portão do hangar e levantando vôo rapidamente.
O toldo da cabine escorregou suavemente para o lugar, aprisionando o menino. — Erredois,
o que está acontecendo? — ele berrou.
Os bips e assobios nervosos de R2-D2 soaram através dos alto- falantes internos. — Sim,
eu sei que empurrei alguma coisa! — respondeu o garoto. — Não, não estou fazendo nada!
— ele tomou fôlego enquanto os bips continuavam, e leu as palavras de R2 na tela de sua
cabine. — Está em piloto automático? Bom, tente cancelar!
A brilhante nave amarela havia deixado a atmosfera de Naboo e estava entrando em
espaço profundo, deixando o planeta para trás, uma jóia verde-azul desaparecendo no
negro.
A frente, uma série de pequenos pontos prateados apareceu, crescendo regularmente.
Outras naves.
–Erredois, aonde estamos indo? — resfolegou Anakin, ainda tentando decifrar o painel
de controle.
O sistema de comunicação emitiu um som agudo e penetrante e, de repente, ele estava
ouvindo a voz de Ric Olié e dos pilotos Naboo que haviam decolado antes dele.
–Este é Bravo Líder. — A voz forte de Ric Olié soou através da estática. —
Bravo Dois, intercepte naves inimigas. Bravo Três, dirija-se para a estação
transmissora.
–Câmbio, Bravo Líder — a resposta voltou.
Anakin podia vê-los agora, os pontos prateados assumindo uma forma reconhecível,
transformando-se em naves de combate Naboo, espalhadas contra o negro, aproximandose da forma maior e mais corpulenta da nave de guerra da Federação.
–Naves de combate inimigas bem à frente — alertou Ric Olié subitamente no
comunicador.
No mesmo momento, R2-D2 fez um bip apressadamente para Anakin. O menino sentiu o
estômago apertar enquanto lia a tela. — Que quer dizer, o piloto automático está buscando
pelas outras naves? — Seus olhos se voltaram para as naves Naboo à frente. — Não
essas?
R2-D2 assobiou uma rápida confirmação. Anakin desmoronou em seu assento. — O piloto
automático está nos levando lá para cima, com eles? Para a batalha? — A mente dele
disparou. — Bem, tire-nos do piloto automático, Erredois!
O dróide astromecânico emitiu um bip e assobiou um pouco mais.
–Não existe cancelamento manual? — Gritou Anakin em desespero. — Ou pelo menos
nenhum que eu possa achar? Você terá que fazer uma ligação ou algo parecido!
Erredois, rápido!
Ele olhava desamparado através do vidro da cabine, enquanto sua nave voava diretamente
para o centro do aglomerado da Federação de Comércio, pensando no que haveria de fazer
agora para salvar a si mesmo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário