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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

SD 120 : A AMEAÇA FANTASMA 5 E 6

Qui-Gon colocou uma mão no ombro do Gungan. — Apenas relaxe, amigo. A Força vai nos
guiar.
–A Força ? Que é a Força? — Jar Jar não pareceu impressionado. — Dever ser coisa
grande a Força. Vai salvar mim, vocês, todos nós.? Obi- Wan fechou os olhos
desgostoso. Isto era um desastre esperando para acontecer. Mas era responsabilidade
de Qui-Gon resolver. Não devia se meter. Afinal, foi Qui-Gon quem tomou a decisão
de trazer Jar Jar. Não porque ele era um grande piloto ou por demonstrar a menor
evidência de possuir algum talento em particular, mas por ser apenas um novo projeto
que Qui-Gon, com seu persistente desprezo pelas leis do Conselho, resolveu que tinha
valor e poderia ser recuperado.
Era uma preocupação que frustava e confundia Obi-Wan. Seu mentor era provavelmente o
maior Jedi vivo, uma presença importante no Conselho, um guerreiro forte e bravo que se
recusava a ser intimidado até pelo mais apavorante desafio, e um homem bom e gentil.
Talvez seja esta última característica que lhe tenha provocado tantas confusões .Ele
desafiava o Conselho constantemente em assuntos que Obi-Wan achava que nem valiam a
pena discutir. Ele possuía uma visão própria da missão de um Jedi, da natureza de seu
serviço e das causas que ele devia defender, e seguia essa visão com determinação e
inflexibilidade. Obi-Wan era jovem e impaciente, cabeça-dura e, ainda, não- unido
completamente com a Força como Qui-Gon o era, mas entendia melhor, ele achava, os
perigos de se sobrecarregar com muitas tarefas.
Qui-Gon ousaria qualquer coisa quando achava um desafio que o interessava, mesmo se
arriscando.
Por isso, a criatura estava aqui. Jar Jar Bink era um risco de enormes proporções e não
havia razão para se pensar que acatar tal risco traria alguma recompensa.
O Gungan continuava resmungando, de vez em quando checando o visor como se buscando
um sinal de rua, que o ajudaria a fingir que sabia o que estava fazendo. Obi-Wan trincava
os dentes. Fique fora disso, ele se dizia. Fique fora disso.
–Aqui, assuma. — Disse a Jar Jar bruscamente.
Ele saiu de sua cadeira para se ajoelhar perto de Qui-Gon. — Mestre — ele disse sem
conseguir se controlar — por que o senhor sempre carrega essas formas ridículas de vida
conosco, se elas têm tão pouca utilidade?
Qui-Gon Jinn sorriu levemente. — Ele talvez pareça assim agora, mas você tem que olhar
mais profundamente, Obi-Wan.
–Eu já olhei o mais profundamente que pude e não há nada para ver! — ObiWan estava vermelho de irritação. — Ele é uma distração desnecessária!
–Talvez, agora. Mas isso poderá mudar mais tarde.
Obi-Wan começou a dizer algo, mas o Mestre Jedi o interrompeu. — Escute jovem
Padawan. Há segredos escondidos na Força que não são facilmente percebidos. A Força é
vasta e penetrante e todas as formas de vida são parte dela. O objetivo, no entanto, não é
sempre aparente. As vezes, o objetivo deve ser sentido primeiro para que seja revelado
mais tarde.
A face jovem de Obi-Wan escureceu. — Melhor deixar alguns segredos escondidos, Mestre.
— Ele balançou a cabeça. — Além do mais, porque tem que ser sempre o senhor a revelá-

los? O senhor sabe como o Conselho se sente a respeito desses... desvios. Talvez, desta
vez, a revelação devesse ser feita por outra pessoa.
De repente, Qui-Gon pareceu triste. — Não, Obi-Wan. Segredos devem ser revelados
quando descobertos. Desvios devem ser feitos quando encontrados. E se é você quem
guarda os caminhos ou o local do esconderijo, nunca deve deixar outro agir em seu lugar.
As últimas luzes de Otoh Gunga desapareceram na escuridão e as águas se fecharam em
volta deles como uma nuvem escura. Jar Jar Binks mantinha a embarcação numa
velocidade baixa e
constante, sem resmungar e com as mãos fixas nos controles. Ele acendeu as luzes
quando a escuridão se fechou, feixes de luz amarela revelavam vastas fileiras de corais
entrelaçados na escuridão.
–Eu respeito seu julgamento, Mestre. — Disse Obi-Wan finalmente. — Mas isso não
me impede de me preocupar.
Como todo Cavaleiro Jedi, Obi-Wan Kenobi havia sido identificado e consagrado ainda
criança por seus pais biológicos. Ele não se lembrava mais deles; os Cavaleiros Jedi eram
sua família. Destes, ele era mais próximo a Qui-Gon, seu mentor por mais de doze anos e
que se tornou seu melhor amigo.
Qui-Gon entendia seu apego e o retribuía. Obi-Wan era o filho que nunca teria. Ele era o
futuro que deixaria quando morresse. Suas esperanças para Obi-Wan eram enormes, mas
ele nem sempre concordava com seu aluno.
–Tenha paciência comigo, Obi-Wan — ele replicou suavemente. — Um pouco de fé faz
maravilhas.
O bongo navegou por um túnel de corais, por todos os lados,
peixes de cores brilhantes nadavam em grupo através das finas rochas.
–Os Gungans e os Naboo estão em guerra? — Qui-Gon pensativo perguntou a Jar Jar.
O Gungan sacudiu a cabeça. — Não guerra. Naboo e Gungans não brigam. Muito tempo
atrás, talvez Agora, Naboo fica longe do pântano, Gungans fiica fora das planícies. Eles
nem se vêem.
–Mas eles não se gostam? — O Mestre Jedi pressionou.
Jar Jar bufou. — Os Naboo ter cabeça grande, se achar sempre melhor que Gungans!
Obi-Wan se inclinou para Jar-Jar. — Por que foi banido, Jar Jar? — perguntou.
O Gungan emitiu uma série de sons com seus lábios pontudos. — Esta é longa história,
para encurtar, mim ... ob, ob, ah... meio desajeitada.
–Você foi banido por ser desajeitado? — Obi-Wan exclamou incrédulo.
O bongo virou e atravessou uma linha de água entre duas enormes rochas de coral. Nem o
Gungan nem os Jedi viram a forma negra que saiu da rocha maior e começou a segui-los.
Jar Jar se retorcia. — Mim causar talvez um ou dois pequenos acidentes. Estourei o
gasoduto, arrebentei o carro de Boss. Então me expulsaram. Obi-Wan não estava certo do
que Jar Jar estava lhe dizendo. Mas antes que pudesse pedir maiores esclarecimentos,
ouviram uma batida alta quando algo atingiu o bongo, fazendo-o dar uma guinada para o
lado. Um enorme crustáceo com pernas múltiplas e enormes mandíbulas os agarrou com
sua longa língua e os estava arrastando direto para a boca.
–Matador dos mares! — Jar Jar chorava. — Estamos fritos.
–Velocidade total, Jar Jar! — ordenou Qui-Gon rapidamente, vendo as
mandíbulas se abrindo atrás deles.

Mas, ao invés de avançar, Jar Jar entrou em pânico e puxou o regulador de pressão para
trás, levando a pequena embarcação diretamente para a boca do atacante. O bongo bateu
forte no fundo da garganta do monstro impelindo os Jedi para as paredes da embarcação.
Fileiras de dentes começaram a se fechar sobre eles enquanto as luzes do painel de
controle piscavam fracamente.
–Oh, ob! — disse Jar Jar Binks.
Obi-Wan pulou rapidamente de volta ao assento do co-piloto. — Aqui, me passe os
controles!
Ele assumiu os reguladores de pressão e a direção e os empurrou totalmente para frente,
em velocidade total. Para sua surpresa, a boca do monstro abriu num espasmo, e eles
foram lançados através dos dentes da fera como se arremessados por um canhão a laser.
–Estamos livres; livres! — Jar Jar pulava em sua cadeira em êxtase pela sorte deles.
Mas um olhar rápido para trás revelou que eles tiveram sorte por uma razão diferente da
que pensavam. O matador dos mares ficou preso nas mandíbulas de uma criatura de
proporções tão gigantescas que tornava o matador um anão. A enorme criatura em forma
de enguia estava mastigando o matador dos mares em pequenos pedaços e o engolindo
prazerosamente.
–O monstro Sando Aqua, ob, ob!
Obi-Wan aumentou a potência, tentando colocar mais distância entre eles e a nova
ameaça. O monstro Sando Aqua desapareceu atrás deles, mas as luzes do bongo piscavam
funestamente. A pequena embarcação mergulhou mais fundo, penetrando no centro do
planeta. Subitamente algo explodiu dentro de um painel de controle atrás deles, banhando a
cabine com fagulhas. As estruturas superiores começaram a ceder, e a água começou a
vazar através da parede externa do bongo.
–Mestre — Obi-Wan disse — estamos perdendo força.
Qui-Gon, com a cabeça baixa, estava ocupado com o painel de controle com problema. —
Fique calmo. Ainda não estamos em perigo.
–Ainda não! — Jar Jar tinha perdido a compostura e estava se movendo selvagemente
em sua cadeira. — Monstros fora! Vagando aqui dentro. Nós afundar sem força!
Vocês pirar! Quando vocês achar que nós estar com problemas. Com isso, as luzes
internas do boego apagaram completamente.
Jar Jar Binks teve sua resposta.
Na sala de conferências da nave da Federação, um holograma de Darth Sidious se elevava
em frente a Nute Gunray e Rune Haako. O vice-rei Neimoidian e seu tenente ficaram
imóveis, olhos laranja avermelhados e fixos, faces de répteis traindo o medo que os
paralisava.
A figura de vestes negras de Darth Sidious os observou silenciosamente. Não havia
expressão em suas feições sombrias, na maior parte cobertas pelo capuz. Mas a postura
rígida do corpo de Sith Lord dizia muito.
–Você me desapontou, vice-rei — sibilou ele para Nute Gunray.
–Senhor, tenho certeza que tudo... — O objeto da fúria tentava inutilmente
explicar.
–Pior, você me desafia!
A face do Neimoidian sofreu uma terrível transformação. — Não, meu senhor! Nunca!
Esses Jedi são... jeitosos, só isso. Não são fáceis de destruir.

–Vivos então, vice-rei?
–Não, tenho certeza que estão mortos. Devem estar. Nós apenas não
conseguimos confirmar... até agora.
Darth Sidious o ignorou. — Se estiverem vivos, vão aparecer. E, quando o fizerem, quero
saber imediatamente. Vou lidar com eles pessoalmente.
Nute Gunray parecia que estava tendo um colapso sob o peso do olhar de Sith Lord. —
Sim, meu senhor. — Ele conseguiu dizer, enquanto o holograma sumia.
Dentro do bongo, Obi-Wan lutava para manter o controle enquanto a pequena embarcação
começava a perder o curso.
De forma abrupta, o ruído do drive de potência recomeçou e as nadadeiras de popa
começaram a girar. — A potência está de volta — respirava aliviado Obi-Wan.
As luzes dos painéis de controle piscaram e depois se normalizaram. As luzes exteriores
também acenderam, momentaneamente os cegando ao se refletirem nas paredes
rochosas. Então Jar Jar gritou. Um novo monstro estava sentado à frente deles, todo de
espinhos, escamas e dentes, com suas tortas garras dianteiras levantadas em defensiva.
–Peixe-garra! — Tremia o Gungan. — Vocês acedi fazer algo! Onde está Força
agora? — Relaxe — disse Qui-Gon suavemente, pondo sua mão no ombro de
Jar Jar. O Gungan imediatamente desmaiou.
–Você exagerou — Obi-Wan observou, rodopiando com o bongo e acelerando
para longe na escuridão.
Mesmo sem olhar, ele sabia que o peixe-garra os seguia. Eles estavam dentro de um túnel
que era provavelmente a toca da criatura.
Eles tiveram sorte de pegá-la de surpresa. Ele ajustou o bongo para a entrada da caverna e
para uma série de saliências que os poderiam proteger na saída. Algo bateu no bongo,
segurou a embarcação e, então, soltou. Obi-Wan aumentou a potência das nadadeiras.
–Vamos, vamos! — ele suspirou.
Eles saíram da caverna diretamente para a mandíbula do monstro sando aqua que os
aguardava. A criatura os empurrou para fora, surpresa com a invasão, dando um instante
para que Obi- Wan virasse a embarcação para a direita. As mandíbulas do monstro sando
aqua ainda estavam abertas enquanto eles passavam em velocidade entre dentes do
tamanho de edifícios.
Os olhos de Jar Jar se abriram. Ele avistou os dentes e imediatamente desmaiou
novamente.
Ao conseguir sair por uma abertura da presa do monstro sando aqua, eles fugiam,
enquanto o bongo sacolejava com o impulso do drive de potência. Mas o peixe-garra, que
ainda os perseguia, não conseguiu se descolar para o lado com rapidez suficiente e foi
diretamente para as mandíbulas do peixe maior. A boca se fechou, engolindo o peixe-garra.
Obi-Wan aumentou a potência nas nadadeiras enquanto pedaços do peixe-garra
reapareciam na boca do monstro sando aqua.
–Vamos esperar que este seja o lanchinho que ele precisa — observou o Jedi olhando
para trás.
Aparentemente foi o suficiente, já que o monstro não os seguiu. Levou algum tempo para
acordar Jar Jar e um tempo muito maior para completar a viagem através do centro, mas
com a ajuda duvidosa do Gungan, eles finalmente emergiram da escuridão das águas
profundas para a luz intensa do sol. O bongo tocou a superfície e Obi-Wan dirigiu a

pequena embarcação para a praia mais próxima, desligou os motores e soltou a escotilha.
Qui-Gon levantou e olhou em volta.
–Nós salvados agora — observou Jar Jar com um suspiro de satisfação,
encostando de volta em sua cadeira. — Isso é Ok, não.?
–Isso veremos — disse o Mestre Jedi. — Vamos sair.
Ele pulou do bongo para a praia e começou a caminhar. Obi- Wan deu um olhar
significativo a Jar Jar e seguiu.
O Gungan ficou olhando em dúvida para o Jedi que o deixava. — Mim indo, mim indo — ele
murmurou, apressando o passo.
 








Pouco mais de uma semana havia se passado desde a corrida de Pod e o encontro com o
velho piloto espacial quando Watto, dos fundos da loja de sucata, convocou Anakin a tomar
um speeder até as Dunas onde faria negócios com os Jawas. Os Jawas, sucateiros,
estavam oferecendo alguns dróides para troca ou venda, alguns deles mecânicos, e apesar
de Watto não gostar de mercadoria repassada, não estava disposto a deixar passar uma
boa oferta. Anakin havia negociado para Watto antes e o Toydarian sabia que o garoto
também era bom nisso. A face azul estava próxima à de Anakin, as asinhas batendo
loucamente. - Traga-me o que quero, garoto! E não estrague tudo! Anakin portava algumas
peças e motores difíceis de achar que os Jawas cobiçavam e que Watto estava disposto a
desistir em troca do conjunto de dróides. O garoto deveria tomar o speeder até as Dunas
para uma reunião com os Jawas, fazer o negócio e retornar antes de escurecer. Nada de
desvios ou passeios. Watto ainda não o tinha perdoado por perder a corrida de Pod,
destruindo seu melhor carro de corrida, e deixava isso claro para o menino. - Traga os
dróides a pé na volta se você não conseguir barganhar por um trenó flutuante.
–Watto voava ao redor, dando ordens. - Se eles não puderem andar até aqui, não
servem para mim de qualquer jeito. Raios! Não se deixe pegar, minha reputação está
em jogo! Anakin ouvia atentamente e assentia com a cabeça nos momentos certos,
da maneira que tinha aprendido ao longo desses anos. Passava um pouco da metade
da manhã e havia tempo suficiente para fazer tudo. Ele já havia negociado com os
Jawas várias vezes e sabia como fazer para não deixar que eles levassem a melhor.
Havia muita coisa que Watto não sabia sobre Anakin Skywalker, o garoto pensava enquanto
deixava a loja para pegar o speeder e iniciar a viagem. Um dos truques de ser um bom
escravo era saber coisas que seu senhor não sabia e tirar proveito daquele conhecimento
quando fosse de seu interesse. Anakin era muito bom nas corridas de Pod e em separar
peças, remontando-as e as tornando melhores do que nunca. Mas era sua estranha
habilidade de sentir as coisas, de perceber mudanças de temperamento, reações e
palavras que o servia melhor. Ele podia se sintonizar com outras criaturas, estabelecendo
com elas um vínculo tão forte que podia sentir seus pensamentos e ações antes que
fizessem qualquer coisa. Isso tinha funcionado bem com os Jawas, entre outras criaturas
e dava a Anakin uma vantagem quando negociava para Watto.
Anakin também tinha dois segredos importantes que escondia de Watto. O primeiro era o
dróide de protocolo que ele estava remontando em seu quarto. O projeto estava tão
adiantado que, mesmo lhe faltando ainda olhos e revestimento, já podia se levantar e
caminhar, seus processadores de inteligência e comunicação já funcionando perfeitamente.
Bom o bastante para fazer o trabalho necessário, ele concluiu, que seria de acompanhá- la
em sua missão de negócios. O dróide podia ouvir os Jawas em seu idioma peculiar, que
Anakin não entendia a ponto de se expressar bem. Fazendo isso, Anakin saberia se eles
estavam tentando enganá-lo. Watto não sabia sobre o avanço que Anakin fez com o dróide,
e não havia perigo de que descobrisse enquanto eles estivessem no Mar das Dunas.
O segundo e mais importante segredo se relacionava ao carro Pod que o menino estava
construindo. Ele vinha trabalhando no projeto há quase dois anos, acumulando peças e

partes, montando tudo numa área escondida na traseira das acomodações dos escravos.
Sua mãe havia permitido, sabendo de seu interesse em juntar, desmontar e montar coisas.
Ela não via mal em deixá-lo ter um projeto para trabalhar em suas horas de folga e Watto
nada sabia sobre o Pod.
Era um subterfúgio necessário para Anakin. Ele sabia que, assim como o dróide, se o Pod
tivesse algum valor, Watto o tornaria para si. Então Anakin propositadamente o escondeu,
deixando parecer que aquilo era apenas um monte de lixo, disfarçando seu projeto de
várias maneiras inteligentes. Para todos os efeitos, nunca funcionaria, era apenas mais um
projeto infantil. Era só o sonho de um garotinho.
Mas, para Anakin Skywalker, era o primeiro passo de seu plano de vida. Ele construiria o
carro de Pod mais veloz que já havia existido e venceria todas as corridas que
participasse. Depois, construiria uma nave de combate e o pilotaria para fora de Tatooine,
para mundos distantes. Ele levaria sua mãe com ele e encontrariam um novo lar. Ele se
tornaria o melhor piloto que já existiu, pilotando todas as naves de primeiro porte e sua
mãe ficaria orgulhosa dele.
E um dia, quando houvesse realizado tudo isso, não seriam mais escravos. Seriam livres.
Ele pensava nisso freqüentemente, não porque sua mãe o encorajava de alguma forma ou
porque havia alguma razão para pensar que aconteceria, mas simplesmente porque ele
acreditava no fundo do coração — que era onde interessava.
Era nisso que pensava enquanto pilotava o speeder através das ruas de Mos Espa, com o
dróide de protocolo sentado no compartimento de passageiros, como um esqueleto sem
pele e sem movimentos, já que Anakin o havia desativado para a viagem. Ele pensou nas
coisas que faria e nos lugares aonde iria, nas aventuras e no sucesso que teria e nos
sonhos que realizaria. Ele pilotava o speeder para fora da cidade, sob os sóis de Tatooine,
o calor atingindo as areias do deserto como uma onda trêmula, a luz refletindo na
superfície metálica do speeder como fogo branco. Ele tomou a direção leste por
aproximadamente duas horas- padrão até chegar às margens do Mar das Dunas. A reunião
com os Jawas já estava preparada, conforme arranjado por Watto no dia anterior via
transmissor. Os Jawas estariam esperando no Mochot Steep, uma forma rochosa especial
localizada no Mar. Óculos de proteção, luvas e capacete firme no lugar e o garoto acelerou
o speeder sob o calor do meio-dia.
Ele encontrou os Jawas aguardando, seu monstruoso rastreador de areia estacionado sob a
sombra da rocha, os dróides destinados à troca alinhados na rampa do rastreador. Anakin
estacionou o speeder próximo de onde estavam as pequenas figuras vestidas em robe,
olhos amarelos brilhando atentos sob o capuz. E desceu. Ele ativou o dróide de protocolo e
lhe ordenou que o seguisse. Com o dróide andando obedientemente, ele caminhou devagar
pela fileira de dróides, estudando cada um cuidadosamente.
Quando terminou, ele trouxe seu dróide. — Qual é o melhor, Cetrêspeo? — Ele perguntou.
Ele havia dado ao dróide um número na noite anterior, escolhendo o três, já que ele era o
terceiro membro de sua pequena família.
–Oh, bem, Mestre Anakin, estou lisonjeado com sua pergunta, mas eu não
ousaria interferir em sua especialidade, sendo a minha tão mísera, apesar de
que tenho conhecimento de cinco mil e cem variedades de dróides e de mais
de cinco mii processadores internos e dez vezes mais chips; e...
–Apenas diga-me qual o melhor! — Anakin disparou. Ele havia esquecido que C-
3PO era apenas um dróide de protocolo e, ainda que processado com

conhecimento vasto, tendia a reverenciar os humanos que servia. — Quais,
Trêspeo? — ele repetiu. — Da esquerda para a direita. Numero-os para mim. C-
3PO assim o fez. — Quer que eu enumere suas habilidades e especialidades,
Mestre Anakin? — Ele perguntou solícito, torcendo a cabeça.
Anakin o silenciou com um aceno, quando um Jawa se aproximou. Eles negociaram por
algum tempo, com Anakin tentando sentir como trabalhar com aqueles Jawas, quanto
subterfúgio estava sendo usado com relação aos dróides, e qual a real necessidade deles
pelas peças que ele oferecia. Ele conseguiu detectar que muitos dos melhores dróides
ainda estavam dentro do rastreador, fato que C-3PO descobriu após um comentário feito
por um Jawa do outro lado. A cabeça do Jawa se virou para o outro ruidosamente, mas o
dano estava feito.
Mais três dróides foram trazidos para fora, e Anakin levou alguns minutos os
inspecionando, C-3PO ao lado. Eram bons modelos, e os Jawas não estavam dispostos a
trocá-los por nada menos que uma combinação de moeda e mercadorias. Anakin e o chefe
Jawa, que tinham mais ou menos a mesma altura e peso, ficaram frente a frente
discutindo o assunto por um longo tempo. Quando a negociação se completou, Anakin
havia negociado Obi-Wan Kenobi se sentou e se curvou sobre os controles, procurando se
familiarizar com suas funções enquanto, a seu lado, Jar Jar Binks divagava. Qui-Gon,
silencioso e atento, se sentou atrás deles.
–Isso é loucura! — Jar Jar resmungava enquanto o bongo se afastava das bolhas
iluminadas de Otoh Gunga e penetrava nas águas de Naboo.
O bongo era uma embarcação submarina desajeitada que consistia basicamente numa
estação elétrica, sistema de direção e os bancos de passageiros. Parecia uma espécie de
lula, com suas nadadeiras atrás e tentáculos à popa que giravam para mover a
embarcação. Havia três compartimentos para passageiros simetricamente localizados. Um
em cada asa e o outro à frente.
Os Jedi e o Gungan ocuparam o compartimento à frente, tendo Obi-Wan assumido os
controles e Jar Jar a incumbência de guiá-los através do centro. Parecia haver passagens
submarinas por todo o planeta, e se a passagem certa fosse localizada, o tempo de
viagem se reduziria consideravelmente.
Ou alternativamente, pensou Obi-Wan sombriamente, você poderia cortar sua própria
garganta.
–Nós estar fritos — Jar Jar choramingava continuamente. Sua face se erguendo do
sistema de direção para o Jedi, suas longas orelhas dançando. — Ei! Onde vamos,
capitão Qui-Gon.?— Você é o piloto — Qui-Gon observou.
Jar Jar sacudiu a cabeça. — Mim? Vocês sonhar. Não saber sobre isso.
pouco mais da metade do que havia trazido por dois dróides mecânicos em excelentes
condições, três dróides para serviços múltiplos, e um hiperpropulsor danificado que ele
colocaria em funcionamento facilmente. Ele poderia ter conseguido mais dois ou três
dróides, mas a qualidade dos que restaram não era boa o suficiente para trocar pela
mercadoria de Watto — e Watto perceberia isso rapidamente.
Não havia flutuador para levar, então, Anakin alinhou os dróides recém-adquiridos atrás do
speeder e colocou C-3PO no compartimento de passageiros, para manter os olhos neles e
se dirigiu a Mos Espa.
Era pouco depois do meio-dia. A pequena procissão era uma visão curiosa, o speeder à
frente, pouco acima da areia, propulsores em baixa velocidade, os d»ides marchando, com

as pernas articuladas trabalhando com firmeza para manter o passo.
–Foi um negócio excelente, mestre Anakin — C-3PO dizia alegremente, mantendo seu
olho que funcionava nos dróides. — Está de parabéns! Acho que aqueles Jawas
aprenderam uma dura lição hoje! Ensinou-lhes o que é um negócio! Aquele dróide ali
vale mais de...
O dróide tagarelava incessantemente, mas Anakin não o interrompeu, ignorando a maior
parte do que dizia, satisfeito por poder deixar a mente divagar agora que a parte difícil
estava terminada. Mesmo com os dróides atrasando seus passos, eles chegariam às
margens do Mar das Dunas antes do meio da tarde e, em Mos Espa, antes do anoitecer.
Ele teria tempo de esconder C-3PO de volta em seu quarto e entregar os dróides e o
resultado do negócio para Watto. Talvez aquilo o pusesse de volta nas boas graças do
Toydarian. Watto ficaria certamente feliz com o conversor. Eles eram raros por aqui e se
pudesse ser posto em funcionamento — Anakin estava certo que sim — valeria mais que
todas as compras juntas.
Eles cruzaram os apartamentos centrais e tornaram a subida para Xelric Draw, um canyon
raso, com abertura larga que separava a cadeia de montanhas Mospic da boca do Mar das
Dunas. O speeder diminuiu a velocidade dentro do canyon, os dróides seguindo num linha
metálica brilhante, saindo da luz solar em direção às sombras. A temperatura caiu um
pouco, e o silêncio alterava o ruído dos ventos no penhasco.
Anakin estava apreensivo, sabendo dos perigos do deserto tão bem quanto qualquer
morador de Mos Espa, apesar de ele, às vezes, achar que estar ali era mais seguro que na
cidade.
–...uma razão de quatro para um de Rodians para Hutts quando a cidade começou a
adquirir padrões de centro comercial, apesar de que já naquela época os Hutts eram a
raça dominante e os Rodians deveriam ter ficado em casa ao invés de correr riscos
em uma jornada inútil...
C-3PO tagarelando, mudava de assunto sem avisar, sem pedir resposta em sua
interminável narrativa. Anakin imaginou se ele estava sofrendo de alguma privação vocal
em seus sensores por ser deixado tanto tempo desativado. Esses dróides de protocolos
eram famosos por serem temperamentais.
Seu olhar se mudou subitamente para a direita, para algo que pareceu estranho e fora de
lugar. No começo era apenas uma forma e uma cor nas areias e pedras do deserto, quase
perdido nas sombras.
Mas, à medida que observava, aquilo assumiu um significado diferente.
Ele desviou o speeder subitamente, puxando a fila de dróides com ele.
–Mestre Anakin, o que está fazendo? — C-3PO protestou rabugento. Os olhos
fixos em Anakin. — Mos Espa é mais adiante no canyon, não para o lado de...
Oh, não! Isso é o que estou pensando? Mestre, o senhor tem todos os motivos
para virar...
–Eu sei. — Anakin o interrompeu. — Só quero dar uma olhada.
Os braços de C-3PO batiam ansiosamente. — Tenho que protestar, Mestre Anakin. Isso
não é sábio. Se eu estiver correto, tenho que avisá-lo que já calculei a probabilidade como
noventa e nove ponto sete, estamos nos dirigindo diretamente para...
Mas Anakin não precisava ser avisado do que estava à frente, sabendo exatamente do que
se tratava. Um Tusken Raider estava no chão, quase a metade do corpo enterrado sob

uma pilha de rochas próximas da face do penhasco. O porte do Povo da Areia era
irreconhecível, mesmo a distância. Roupas folgadas, cor de areia, botas e luvas pesadas,
cinto e braçadeira, cabeça coberta com um lenço, óculos de proteção e máscara para
respiração e um longo rifle jogado a um metro do homem caído. Uma marca que descia
pela face do penhasco dava indícios de um desmoronamento. O Tusken Raider estaria
provavelmente escalando quando a pedra rolou abaixo o enterrando.
Anakin parou o speeder e desceu.
–Mestre Anakin, não acho que essa é uma boa idéia, não mesmo!
–Só quero olhar. E só — repetiu o garoto.
Ele estava apreensivo e amedrontado, mas ele nunca havia visto um Tusken Raider de
perto, apesar de ter ouvido histórias sobre eles por toda a vida. Os Tuskens eram um
povo nômade, solitário e feroz que reivindicava o deserto como sua terra e vivia às custas
dos tolos que se aventuravam despreparados em seu território. A pé ou sobre os banthas
selvagens que tornavam de terras abandonadas, eles viajavam livremente, invadindo casas
e estações no caminho, atocaiando caravanas, roubando mercadorias e equipamentos e
aterrorizando a todos. Eles vieram atrás dos Hutts uma vez. Os residentes de Mos Espa,
os próprios cidadãos não muito respeitáveis, odiavam o Povo da Areia.
Anakin ainda não tinha uma opinião formada a respeito. As histórias eram de arrepiar, mas
ele sabia o suficiente sobre a vida para saber que haviam sempre dois lados da história, e
só um estava sendo contado. Ele ficava intrigado com a natureza livre e selvagem dos
Tuskens, uma vida sem responsabilidades ou amarras, numa comunidade onde todos eram
considerados iguais. Ele deixou o speeder e caminhou na direção do Tusken caído. C- 3PO
continuava advertindo-o de que não estava fazendo a coisa certa. Na verdade, ele não
estava tão seguro de que o dróide não estava com razão. Mas sua inquietação era
superada pela curiosidade. Que mal faria em dar uma olhadinha? Sua natureza de garoto
veio à superfície e o dominou. Ele contaria a seus amigos que viu um dos Povos da Areia
de perto. Ele poderia contar como eles eram.
O Tusken Raider estava no chão, rosto para baixo, braços dobrados à altura da cintura, a
cabeça virada para um lado. Rochas e escombros cobriam a maior parte de seu corpo.
Uma perna jazia debaixo de uma enorme pedra arredondada. Anakin chegou perto de onde
o rifle de explosivos estava e o pegou. Era pesado e de difícil manuseio. Um homem tinha
que ser forte e especialista para manuseá-lo, ele pensou. Ele notou as marcas estranhas
na arma — marcas tribais, talvez. Ele ouviu dizer que os Tuskens eram um povo tribal.
De repente, o Raider caído se moveu, puxando um braço, se apoiando e levantando a
cabeça. Óculos de proteção opacos fitavam Anakin diretamente. Anakin se afastou
rapidamente, mas o Tusken apenas o olhou por um momento, tentando assimilar quem ele
era e o que fazia e deixou a cabeça repousar novamente. Anakin Skywalker esperou,
pensando no que deveria fazer. Ele sabia o que Watto diria. Ele sabia o que todo mundo
diria. Saia daí!
Agora! Ele pôs o rifle no chão novamente. Não era da sua conta. Deu um passo atrás,
depois outro.
O Tusken Raider ergueu a cabeça e o fitou novamente. Anakin retribuiu o olhar. Ele podia
sentir a dor no olhar do outro. Ele podia sentir o desespero do outro, preso e inútil embaixo
dos entulhos, desprovido de sua arma e de sua liberdade. A testa de Anakin enrugou. Sua
mãe diria para que se retirasse imediatamente? O que ela diria, se estivesse ali?

–Trêspeo — ele chamou o dróide. — Traga todo mundo aqui. Protestando
veementemente a cada passo, C-3PO agrupou os novos dróides e os guiou até onde o
garoto estava, encarando o Raider caído. Anakin pôs os dróides para trabalhar
limpando os entulhos e pedras menores e improvisou um nivelador usando o peso do
speeder para levantar a pedra o suficiente para que pudessem retirar o acidentado de
baixo. O Tusken esteve consciente por um instante, depois desmaiou novamente.
Anakin mandou os decides procurarem outras armas, mantendo o rifle fora do
alcance.
Enquanto o Raider estava inconsciente, os dróides o viraram de costas para que fossem
checados os ferimentos. A perna que ficou embaixo da perna estava esmagada, os ossos
quebrados em vários locais. Anakin pôde ver o dano através das roupas rasgadas. Mas ele
não estava familiarizado com a fisiologia dos Tuskens e não sabia bem o que fazer para
reparar os ferimentos. Então aplicou uma tala retirada de seu kit médico para manter a
perna no lugar e não a tocou mais.
Ele sentou e pensou no que devia fazer agora. A luz começava a diminuir de intensidade.
Ele tinha passado muito tempo ajudando o Tusken para chegar a Mos Espa antes do
anoitecer. Ele poderia viajar às margens do Mar das Dunas à noite, mas teria que deixar o
Tusken sozinho e desprotegido. Anakin fez uma careta. Dada as coisas que rondam o
deserto à noite, ele devia enterrar o homem e ir embora.
Então mandou os dróides puxarem uma pequeno lampião do speeder. Na hora do
crepúsculo, ele carregou o lampião e anexou um combustível extra, assegurando que a
unidade queimaria a noite inteira.
Ele abriu um pacote de comida desidratada enquanto olhava distraidamente para o Tusken
caído. Sua mãe ficaria preocupada. Watto ficaria furioso. Mas eles sabiam que o garoto era
competente e digno de confiança, por isso esperariam até o dia claro para tomar
providências quanto ao seu desaparecimento. Até lá, ele esperava já estar a caminho de
casa.
–Você acha que ele ficará bem? — perguntou a C-3PO Ele tinha colocado o
speeder e os outros dróides debaixo de um abrigo perto da face do penhasco e
atrás do lampião, a salvo da visão, mas manteve C-3PO a seu lado como
companhia. O garoto e o dróide sentavam juntos de um lado do lampião
enquanto o Tusken continuava dormindo do outro lado.
–Receio que me falta o treinamento e a informação para responder, Mestre
Anakin — C-3PO respondeu, inclinando a cabeça. — Eu acho que fez tudo que
pôde para ajudá-lo.
O menino concordou.
–Mestre Anakin, nós não deveríamos estar aqui à noite. — O dróide observou
após um momento. — Este lugar é muito perigoso.
–Mas não podíamos deixá-la, não é?
–Oh, bem, essa é uma decisão difícil de tomar. — C-3PO ponderou.
–Não podíamos levá-lo conosco, também.
–Certamente que não!
O garoto ficou em silêncio por algum tempo, observando o Tusken dormir. Ele o observou
por tanto tempo, que foi uma surpresa quando ele acordou. Aconteceu rápido e pegou o

menino de surpresa. O Tusken Raider se virou com um movimento brusco, expirou
fortemente, se apoiou com um braço, olhou para si e, depois, para o garoto. O garoto
permaneceu imóvel, não emitindo um som. O Tusken o observou por um minuto, então, se
sentou vagarosamente com sua perna machucada esticada.
–Oh, aí! — disse Anakin, tentando sorrir.
O Tusken não respondeu.
–Está com sede? — perguntou o menino.
Nenhuma resposta.
–Acho que ele não gostou de nós — C-3PO observou.
Anakin tentou uma dúzia de diferentes meios de estabelecer uma conversa, mas o Tusken
as ignorou completamente. O olhar dele só se desviou uma vez, para onde seu rifle
estava, próximo às pedras atrás do garoto.
–Diga algo em tusken — pediu a C-3PO finalmente.
O dróide o fez. Ele conversou longamente com o Tusken em seu próprio idioma, mas o
homem se recusava a responder. Ele apenas encarava o garoto. Finalmente, depois de
algum tempo, o
Tusken olhou para C-3PO e pronunciou uma palavra em resposta.
–Lindo! — Exclamou o dróide.
–O que ele disse? — perguntou o garoto excitado.
–Bem, ele... me mandou calar a boca!
Aquele foi o fim de qualquer tentativa de conversação. O garoto e o Tusken ficaram se
entreolhando em silêncio com seus rostos brilhante com a luz do fogo e a escuridão do
deserto em volta. Anakin ficou pensando no que faria se o Tusken resolvesse atacar. Era
improvável, mas o homem era grande, forte e feroz e, se resolvesse atacar, imobilizaria o
garoto facilmente. Ele poderia pegar seu rifle e fazer o que quisesse com o menino.
Mas, de alguma forma, Anakin não sentia que aquela era a intenção dele. O Tusken não se
moveu nem fez menção de querer se mover. Ele apenas ficou ali sentado, enrolado em seu
traje do deserto, o rosto invisível por baixo das cobertas, preso em seus próprios
pensamentos.
Finalmente, ele falou novamente. O garoto olhou rapidamente para C-3PO. — Ele quer
saber o que você fará com ele, Mestre Anakin — o dróide traduziu.
Anakin confuso olhou para o Tusken. — Diga-lhe que não farei nada com ele e que estou
apenas tentando ajudá-la a ficar bom.
C-3PO falou em tusken. O homem escutou. Não respondeu. Ele não disse mais nada.
Anakin se deu conta de que o Tusken estava com medo. Ele pôde sentir isso no jeito que o
outro falou, no jeito que se manteve sentado, esperando. Ele estava aleijado e desarmado.
Ele estava nas mãos de Anakin. O garoto entendeu o medo do Tusken, mas aquilo o
surpreendeu de qualquer forma. Parecia fora de propósito. Dizia-se que o Povo da Areia não
tinha medo. Além do mais, ele não estava com medo do Tusken. Talvez devesse, mas não
estava. Anakin Skywalker não tinha medo de nada. Tinha?
Olhando para as lentes opacas do óculos de proteção que escondiam os olhos do Tusken,
ele pensava no assunto. Na maioria das vezes, ele pensava que nada poderia amedrontá-la.
Na maior parte do tempo, ele era tão corajoso que nunca ficaria com medo.
Mas, naquela parte dele onde ele não escondia coisas que não revelaria a ninguém, ele
sabia que estava brincando com a verdade. Ele podia nunca ter medo por si mesmo, mas,

às vezes, sentia muito medo por sua mãe.
E se algo acontecesse com ela? E se algo horrível acontecesse, algo que ele não poderia
prever?
Ele sentiu um arrepio pela espinha.
E se a perdesse?
Quão bravo ele seria, então, se a pessoa de quem era mais próximo no mundo, lhe fosse
tirada? Isso nunca aconteceria, claro. Não havia possibilidade.
Mas, e se acontecesse?
Ele encarou o Tusken Raider e, no silêncio profundo da noite, sentiu sua confiança tremer
como uma folha ao vento.
Ele caiu no sono e sonhou com coisas estranhas. Os sonhos mudavam sem avisar e
tornavam significados e histórias. Ele foi muitas coisas no curso dos sonhos. Uma vez ele
foi um Cavaleiro Jedi, lutando contra coisas tão escuras e sem forma que ele não
conseguia identificá-las. Outra vez ele foi um grande e temido comandante de um exército
e voltava a Tatooine com suas naves e tropas para libertar os escravos do planeta. Sua
mãe o esperava, sorrindo, braços estendidos. Mas, quando ele tentava abraçá-la, ela
desaparecia.
Havia também Povo da Areia em seu sonho. Eles apareciam perto do fim, um bom número
deles, parados à sua frente, com rifles em punho. Eles o observavam em silêncio, como se
pensando no que fazer com ele.
Ele despertou, atacado em seu sono por uma inconfundível sensação de perigo. Ele se
sentou e olhou em volta confuso e apavorado. O lampião já estava apagado. Na luz úmida
e prateada do amanhecer, ele se encontrava prisioneiro das figuras negras e sem rosto do
Povo da Areia de seu sonho.
Anakin engoliu seco. Figuras imóveis contra o horizonte, os Tusken Raiders o cercavam
totalmente. O garoto pensou em fugir, mas, imediatamente, percebeu como isso seria
tolo. Ele estava indefeso. Tudo que podia fazer era esperar e ver o que pretendiam.
Um murmúrio gutural se ergueu e as cabeças viraram para olhar. Por uma abertura na fila
ele viu uma figura ser erguida e carregada.
Era o Tusken resgatado, falando com seu povo. Os outros Raiders hesitaram e, então, se
afastaram.
Em segundos, eles desapareceram.
A luz solar começava a banhar o Mospic e C-3PO estava falando com ele numa chuva de
palavras que se confundiam, os braços metálicos sacudindo para todos os lados. — Mestre
Anakin, eles se foram! Oh, temos sorte por estarmos vivos! Ainda bem que não lhe
machucaram!
Anakin ficou de pé. Havia pegadas dos Tusken Raiders por todos os lados. Ele deu uma
rápida olhada em volta. O speeder e os dróides comprados dos Jawas permaneciam
intocados. O rifle Tusken desaparecera.
–Mestre Anakin, o que vamos fazer? — C-3PO lamentava desanimado.
Anakin olhou para o solo desolado do canyon, para as faces do despenhadeiro e para o céu
brilhante onde as estrelas desapareciam.
Ele percebeu o silêncio profundo, sentindo-se sozinho e vulnerável.
–Temos que ir 
para casa — ele sussurrou e se moveu rapidamente para que isso

acontecesse.

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