acompanhada de suas aias tempo suficiente para trocar de roupa, mas, desta vez, o
conjunto claramente enfatizava sua posição de líder do povo Naboo. Ela apareceu vestida
num manto de ombros largos de veludo carmim enfeitado com um laço dourado e uma
coroa de tecido em forma de chifres entrelaçados com algodão e borlas sobre uma base
de ouro. O manto e a coroa emprestavam tamanho e majestade, enquanto ela passava por
um maravilhado Anakin e por Jar Jar como se estivesse descendo das nuvens para se
reunir aos mortais, toda um encanto frio e beleza extraordinária, distante e intocável.
Eirtaé e Rabé, as aias que a acompanharam mais cedo, estavam presentes novamente e
acompanharam a rainha num suave deslizar, embrulhadas em seus mantos carmim com
capuz. Novamente Anakin procurou Padmé e não a encontrou.
–Por favor, lidere o caminho — Amidala solicitou a Palpatine, acenando para o menino,
para o Gungan e para o capitão Panaka que as acompanhassem.
Eles caminharam do quartel de Palpatine através de uma série de corredores que faziam
ligação com outras dependências e, eventualmente, com outros edifícios. Os corredores
estavam quase vazios, salvo pela presença de oficiais da República espalhados, e o grupo
continuou tranqüilamente. Anakin olhou em volta, pasmo com os tetas altos e as janelas
amplas e com a floresta de edifícios que se avistava, imaginando como seria viver num
lugar como Coruscant.
Quando chegaram à câmara do Senado, ele teve motivos para se assombrar novamente.
A câmara tinha as características de uma arena, circular e imensa, com portas abertas
para rampas externas que davam acesso a vários níveis acima do andar principal. No
centro da câmara, uma coluna alta e fina apoiava a plataforma do chanceler supremo, uma
área ampla, parcialmente anexa que permitia a Valorum, já presente naquele momento,
sentar ou ficar de pé conforme quisesse em companhia de seu vice e empregados. Em
volta das paredes polidas da arena, sobressaíam camarotes do Senado, vindas dos
depósitos dos hangares para as portas de entrada. Alguns fixos, enquanto seus senadores
conferenciavam com a equipe ou com visitantes, outros flutuavam em seus ancoradouros.
Quando um senador pedia permissão para falar e era aceito pela cadeira, seu camarote ia
para o centro da arena, próximo ao pódio do chanceler supremo, onde permanecia até que
o discurso estivesse concluído.
Anakin percebeu tudo isso numa questão de segundos, seguindo a rainha e Palpatine até as
portas de entrada que se abriam para o camarote do Senado de Naboo, que estava parado
em seu ancoradouro. Faixas e cortinas pendiam do teta arredondado como fitas brilhantes,
e luz indireta brilhava suavemente em cada canto, fazendo reluzir o interior oco da
rotunda. Dróides percorriam a rampa carregando mensagens de uma delegação para outra,
o movimento de seus corpos metálicos dava a impressão de que a câmara era uma
máquina complexa.
–Se a Federação tentar adiar a proposta, Majestade — dizia o senador Palpatine com a
cabeça inclinada próxima à rainha e sua voz baixa e insistente — eu lhe imploro que
peça uma deliberação para acabar essa sessão e solicite a eleição de um novo
chanceler supremo.
Amidala não olhou para ele, continuando a avançar em direção ao camarote Naboo. —
Gostaria de compartilhar sua confiança nessa proposta, senador — ela replicou baixo.
–Precisa forçar uma nova eleição para chanceler supremo — Palpatine
pressionou. — Eu lhe prometo que há muitos que nos apoiarão. É nossa melhor
escolha. — Ele olhou para o pódio e para Valorum.
–Nossa única chance.
Ouviu-se um murmúrio na assembléia, assim que a rainha Amidala foi vista de pé em
frente à entrada do camarote Naboo, com seus robes oficiais flutuando atrás dela, a
cabeça ereta e o rosto calmo. Se percebeu a mudança de tom nas conversas em volta
dela, não demonstrou. Seus olhos se voltaram momentaneamente para Palpatine.
–Realmente acredita que o chanceler Valorum não levará nossa proposta para
votação? — perguntou baixinho.
Palpatine sacudiu a cabeça, sua testa alta franzindo. — Ele está distraído. Está com medo.
Não será de nenhuma ajuda.
Rabé entregou uma telinha de metal para Anakin e Jar Jar e gesticulou para que ficassem
onde estavam. Entrando no camarote do Senado com Palpatine, Amidala foi acompanhada
por suas aias e por Panaka. Anakin ficou desapontado por não ser incluído, mas grato
quando descobriu que a telinha que Rabé trouxe permitia que visse e ouvisse o que estava
acontecendo no camarote Naboo.
–Ela vai pedir ajuda ao Senado, Jar Jar — ele cochichou, inclinando-se excitado. — O
que você acha?
O Gungan enrugou a boca bicuda e balançou a cabeça orelhuda.
–Mim achar isto difícil, Annie. Muita gente concordar com a mesma coisa. O
camarote Naboo, separado de seu embarcadouro, flutuou por uma pequena distância
em direção ao pódio do chanceler supremo, aguardando permissão de continuar.
Palpatine, Amidala, e o resto dos ocupantes agora estavam sentados com os rostos
voltados para frente.
Valorum meneou a cabeça branca na direção de Palpatine. — A cadeira reconhece o
senador do sistema soberano de Naboo.
O camarote Naboo deslizou até o centro da arena, e Palpatine se levantou, dirigindo à
assembléia um olhar vagaroso que arrastou todos os olhares para si.
–Chanceler supremo, delegados do Senado — sua voz ecoou, acalmando a câmara. —
Uma tragédia aconteceu em meu planeta natal Naboo. Encontramo-nos em disputas,
uma delas, os senhores conhecem bem. Tudo começou com a taxação das rotas
comerciais e evoluiu para uma ocupação opressiva e ilegal de um mundo pacífico. A
Federação de Comércio é responsável por essa injustiça e deve ser obrigada a
responder...
Um segundo camarote se aproximava agora, com a bandeira da Federação de Comércio
estampada, sendo ocupada pelo senador da Federação, Lott Dod, um punhado de barões do
comércio em comitiva.
–Isso é ultrajante! — trovejou o senador da Federação de Comércio, gesticulando na
direção do pódio e de Valorum. Era um Neimoidian magro e enrugado e se erguia do
camarote de parapeito baixo como uma árvore. — Eu protesto contra as afirmações
ridículas do senador Palpatine e peço que ele seja silenciado imediatamente!
A cabeça branca de Valorum girou rapidamente na direção de Lott Dod e uma mão ergueu.
— Esta cadeira não reconhece o senador da Federação de Comércio neste momento. — A
voz do chanceler supremo era suave, porém, firme. — Volte para sua estação.
Lott Dod pareceu se preparar para dizer mais alguma coisa, mas se sentou novamente e
seu camarote se afastou vagarosamente.
–Para expor suas alegações completas — continuou Palpatine — eu apresento a rainha
Amidala, a governante recém-eleita de Naboo, para falar em nosso nome.
Ele foi para o lado e Amidala se ergueu para uns poucos aplausos. Indo para a frente do
camarote, ela fitou Valorum. — Honoráveis representantes da República, distintos
delegados e chanceler supremo Valorum. Vim até aqui sob as mais graves circunstâncias.
O povo Naboo foi invadido e subjugado por exércitos de guerreiros dróides da Federação de
Comércio que rejeitou e violentou as leis Republicanas...
Lott Dod estava de pé novamente, com sua voz se erguendo em fúria. — Eu protesto! Isso
é loucura! Qual é a prova? — Ele não aguardou permissão para se dirigir à platéia. — Eu
recomendo que uma comissão seja enviada a Naboo para se certificar da veracidade
dessas alegações.
Valorum sacudiu a cabeça. — Negado.
Lott Dod suspirou pesadamente e ergueu as mãos como se aquela única palavra lhe
houvesse tirado as esperanças. — Senhor, não pode permitir nossa condenação sem
solicitar uma opinião imparcial. Isso vai contra todas as regras de procedimento!
Ele pesquisou a câmara por ajuda, e houve um murmúrio de apoio dos delegados. Um
terceiro camarote deslizou para a frente para se juntar aos camarotes Naboo e da
Federação Comercial. A mesa reconheceu Aks Moe, senador do planeta Malastare.
Atarracado e se movendo lentamente, os três olhos ondulando gentilmente, Aks Moe
colocou as grossas e pesadas palmas das mãos nos quadris. — O senador de Malastare
concorda com o honorável delegado da Federação de Comércio. — Sua voz era grossa e
distorcida.
–Uma comissão, uma vez requisitada, deve ser apresentada, quando há desacordo
como o que ocorre aqui. E a lei.
Valorum hesitou. — A questão é...
Ele se afastou inseguro, deixando a sentença incompleta, e se virou para conferenciar com
seu vice, identificado no registro impresso como Mas Amedda. Amedda era de uma
espécie desconhecida para Anakin, de formato humano, mas um uma cabeça engolida num
travesseiro de tecido acolchoado que se afinava num par de tentáculos que caiam por cada
ombro e antenas que sobressaíam de cima de sua testa. Junto com seus auxiliares, o
presidente e o vice se envolveram numa discussão apressada. Anakin e Jar Jar trocaram
olhares preocupados enquanto a voz de Palpatine os alcançou pelo alto-falante do pequeno
visor portátil.
–Representando os burocratas, os verdadeiros líderes da República e a serviço
da Federação de Comércio, devo acrescentar — ele estava sussurrando para a
rainha. Anakin podia ver suas cabeças inclinadas e próximas. O tom de
Palpatine era pesado. — E aqui que a força do chanceler Valorum desaparecerá.
Valorum havia se encaminhado para a parte traseira do pódio, com expressão
abatida. — O ponto está concedido. Seção 523 A procede neste caso. — Ele
meneou a cabeça em direção ao camarote Naboo.
–Rainha Amidala dos Naboo, deferirá seu pedido a fim de permitir que uma
comissão do Senado analise a validade de suas acusações?
Anakin percebeu a rainha se endurecer em surpresa e, quando falou, sua voz estava
marcada por raiva e determinação.
–Não deferirei — declarou com os olhos fixos em Valorum — Vim até os senhores
para resolver este ataque à soberania Naboo. Não fui eleita rainha para ver meu povo
sofrer e morrer enquanto os senhores discutem o assunto em comitê. Se o chanceler
não é capaz de agir, sugiro que uma nova liderança seja necessária. — Ela pausou. —
Decido por um voto de não confiança no chanceler supremo.
Vozes se elevaram imediatamente em resposta, algumas em apoio, outras em protesto.
Senadores e platéia se colocaram de pé, murmúrios altos rapidamente se transformando
em berras que ecoaram pelo salão oco. Valorum ficou de pé mudo no pódio, paralisado e
incrédulo. Ele olhou para Amidala, sua face marcada pelo choque súbito provocado pelo
impacto de suas palavras. Amidala o encarou corajosamente — esperando.
Mas Amedda se moveu para a frente de Valorum, assumindo o pódio. — Ordem! — ele
berrou com sua cabeça estranha inchando. — Precisamos de ordem!
A assembléia ficou em silêncio e os delegados se sentaram novamente, respondendo ao
comando de Amedda. Anakin notou que o camarote da Federação de Comércio havia
manobrado para uma posição próxima ao camarote Naboo. Lott Dod trocou um breve olhar
com Palpatine, mas nenhum dos dois falou.
Um novo camarote flutuou para o centro da câmara e o vice- presidente reconheceu Edcel
Bar Gan, o senador de Roona.
–Roona apoia o pedido para um voto de não confiança no chanceler Valorum — disse
Bar Gan numa voz sibilante.
Mas Amedda não pareceu satisfeito. — O pedido foi apoiado.
Ele se voltou para Valorum, falando rapidamente com ele e mantendo um tom baixo e
escondendo suas palavras atrás da mão. Valorum olhou para ele sem entender, com os
olhos distantes e perdidos.
–Não podem haver atrasos — declarou Aks Moe de Malastare, atraindo a atenção de
Mas Amedda para si. — A moção está em aberto e precisa ser votada imediatamente.
Lott Dot estava de pé novamente. — Solicito que o pedido seja enviado para o comitê de
procedimentos para mais análises... O Senado da República explodiu novamente, cantando
alto — Vote agora! Vote agora! — mas Amedda estava concentrado discutindo com o
chanceler supremo Valorum, com as mãos em seus ombros, como se tentando trazê-lo de
volta de onde quer que tenha ido através da força da determinação.
–Você vê, Majestade, estão do nosso lado — Anakin ouviu Palpatine anunciar baixo
para a rainha. Os olhos do menino desceram para a tela. — Asseguro-lhe que Valorum
será retirado e que elegerão um novo chanceler forte: um que não deixará nossa
tragédia ser ignorada...
Mas Amedda estava de volta ao pódio, se dirigindo à câmara — O chanceler supremo
solicita um recesso.
Gritos foram ouvidos da delegação, ecoando através da câmara em ondas, enquanto
Valorum fitou o senador Palpatine e a rainha Amidala. E mesmo de onde estava naquele
momento, observando a porta de entrada do camarote Naboo, Anakin Skywalker pôde
discernir o olhar traído na face angustiada do chanceler supremo.
Menos de uma hora mais tarde, Anakin irrompeu pelas portas do aposento real em busca
de Padmé e se encontrou frente à frente com a própria Amidala. A rainha estava de pé
sozinha no centro do quarto, os olhos voltados para ele, sua figura radiante e solitária.
–Desculpe-me — disse Anakin rapidamente. — Majestade.
Ela balançou a cabeça silenciosamente, sua face lisa e perfeita.
–Eu procurava por Padmé — ele continuou, parado imóvel, na entrada do quarto,
indeciso se devia ficar ou sair. Ele olhou a sua volta, em dúvida. — Qui-Gon disse que
me levará ante o Conselho Jedi e quero que Padmé saiba.
Um pequeno sorriso apareceu nos lábios pintados da rainha. — Padmé não está aqui,
Anakin. Eu a enviei para um serviço.
–Oh! — disse ele baixinho.
–Mas darei o recado.
O menino sorriu. — Talvez eu me torne um Cavaleiro Jedi! — exclamou sem conseguir
conter o excitação.
Amidala assentiu — Talvez sim.
–Acho que Padmé vai gostar disso.
–Talvez vá mesmo.
Anakin se afastou. — Eu não pretendia... — Ele buscou pela palavra e não encontrou.
–Boa sorte, Anakin — disse a rainha suavemente. — Saia-se bem. Ele se afastou com
um largo sorriso e saiu.
O dia passou rápido para Qui-Gon Jinn e Obi-Wan Kenobi e no pôr-do-sol se encontravam
juntos, de pé, na varanda do Templo Jedi de onde se avistava Coruscant. Eles não haviam
se falado por algum tempo. Eles haviam ido buscar Anakin Skywalker no quartel do
senador Palpatine, depois que retornou do Senado e o trouxeram para o Conselho para
exame. Agora aguardavam uma decisão.
Pelo que Obi-Wan sabia, foi uma conclusão precipitada. O jovem Jedi estava frustrado e
envergonhado por seu Mestre, que havia novamente ultrapassado os limites. Qui-Gon havia
estado carreto em suas suspeitas de que o garoto possuía uma contagem de midichlorian muito alta. Obi-Wan havia realizado os testes ele mesmo. Mas aquilo somente
não era suficiente para demonstrar que Anakin era o escolhido. Se houvesse um escolhido,
o que Obi- Wan seriamente duvidava.
Houve centenas dessas profecias e lendas, transmitidas através dos séculos como parte
da tradição Jedi. De qualquer maneira, Qui-Gon estava confiando no instinto novamente, e
instinto só era útil se fosse originado da Força e não da emoção. Qui-Gon era insistente
em liderar causas vencidas, em simpatizar com criaturas que acreditava — de um modo
todo particular que somente ele compreendia — que fossem importantes no esquema dos
acontecimentos.
Obi-Wan estudava seu mentor disfarçadamente. Por que ele insistia em cuidar dessas
causas perdidas? O Conselho poderia descobrir que o menino possuía mais midi-chlorian
que o normal, mas nunca o aceitariam para treinamento como um Jedi. As regras eram
claras e estabelecidas e as razões que as apoiavam comprovadas e incontestáveis. O
treinamento para a ordem depois do primeiro ano de vida era fadado ao fracasso. Aos
nove anos, Anakin Skywalker era simplesmente muito velho.
Mas Qui-Gon não podia deixar passar. Ele iria desafiar o Conselho mais uma vez e o
resultado seria o mesmo como em todas as ocasiões anteriores. Qui-Gon seria rejeitado e
sua posição como um Jedi caiaria um pouco mais.
Obi-Wan se aproximou do local onde o Jedi mais velho observava o horizonte de arranhacéus. Ele parou a seu lado, silencioso por mais um momento antes de falar.
–O garoto não vai passar nos testes do Conselho, Mestre — disse suavemente — e o
senhor sabe disso. Ele é muito velho. Qui-Gon manteve o olhar fixo em direção ao sol
que se punha. — Anakin será um Jedi, prometo a você.
Obi-Wan suspirou preocupado. — Não desafie o Conselho, Mestre. Não de novo.
O Jedi mais velho pareceu ficar imóvel, talvez até tenha parado de respirar, antes de se
voltar para seu pupilo. — Farei o que preciso, Obi-Wan. Você me veria de alguma outra
forma?
–Mestre, o senhor poderia estar sentado no Conselho a essa altura, se apenas
seguisse o código. O senhor merece estar sentado no Conselho. — A frustração
de Obi-Wan transpareceu num ataque momentâneo de raiva. Os olhos
procuraram os do outro, encarando-o.
–Eles não o apoiarão desta vez.
Qui-Gon o observou um momento, depois sorriu. — Você ainda tem muito que aprender,
meu jovem Padawan.
Obi-Wan mordeu sua resposta e desviou o olhar, pensando para si mesmo que Qui-Gon
estava certo, mas que talvez, desta vez, ele devesse seguir seu próprio conselho.
No lado de dentro, Anakin Skywalker se defrontava com o Conselho, em pé no mesmo
local onde Qui-Gon Jinn havia estado horas antes. Ele se sentia nervoso no começo, quando
trazido para a câmara por Qui-Gon e deixado a sós com os doze membros do Conselho.
De pé no círculo em mosaico e observado pela assembléia silenciosa, intimidado e incerto
sobre o que era esperado dele, ele se sentiu vulnerável e exposto. Os olhos dos Jedi
estavam distantes enquanto o olhavam, mas ele sentia que não olhavam para ele, mas
para dentro dele.
Então começaram a questioná-la, sem explicações introdutórias, sem fazer nenhum
esforço para que se sentisse mais confortável e bem-recebido. Ele conhecia alguns de
nome, já que Qui-Gon havia descrito alguns, e ele foi rápido em associar nomes a rostos.
Eles o questionaram longamente, testando memória e conhecimento, buscando percepções
as quais ele só podia adivinhar. Eles sabiam de sua experiência como escravo. Sabiam
sobre seu passado em Tatooine, sobre sua mãe e amigos, de sua corridas de Pod, de
Watto, de tudo que era real e passado em sua vida.
Agora, Mace Windu olhava numa tela que o menino não podia ver e Anakin dava nomes a
imagens que apareciam através de sua superfície líquida. As imagens apareciam na mente
de Anakin com tanta rapidez que se lembrou da imagem obscura da areia e das
montanhas passando por sua cabine durante uma corrida de Pod.
–Um bantha. Um hiperpropulsor. Um lançador de prótons. — As imagens zumbiam em
sua mente enquanto as nomeava. — Um cruzador Republicano. Uma taça Rodian. Um
speeder Hutt.
A tela ficou vazia, e Mace olhou para o menino.
–Bom, bom, jovem — elogiou o alienígena enrugado, chamado Yoda. Os olhos
sonolentos fixos no menino, a intenção por trás dos cílios. — Como se sente
você?
–Com frio, senhor — confessou Anakin.
–Com medo, está?
O menino sacudiu a cabeça. — Não, senhor.
–Com medo de desistir de sua vida? — perguntou o ser escuro chamado Mace
Windu, inclinando-se um pouco.
–Acho que não — ele respondeu, depois hesitou. Alguma coisa na resposta não
parecia certo.
Yoda piscou e suas longas orelhas se inclinaram para frente. — Ver através de você, nós
podemos — falou baixinho.
–Esteja atento a seus sentimentos — disse Mace Windu.
O mais velho chamado Ki-Adi-Mundi tocou a barba. — Seus pensamentos residem em sua
mãe.
Anakin sentiu seu estômago balançar ao ouvir falar dela. Ele mordeu o lábio. — Sinto falta
dela.
Yoda trocou olhares com vários outros do Conselho. — Medo de perdê-la, acho.
Anakin enrubesceu. — O que tem isso a ver com alguma coisa? — disse defensivamente.
Os olhos sonolentos de Yoda estavam fixos nele. — Tudo. Para o lado escuro, o medo
conduz. Para a raiva e o ódio. Para o sofrimento.
–Não tenho medo! — respondeu o irritado menino, ansioso para abandonar a discussão
e continuar.
Yoda não pareceu ouvi-la. — O mais profundo compromisso, um Jedi precisa ter. A mente
mais séria. Muito medo em você, eu sinto, jovem.
Anakin inspirou profundamente e soltou devagar. Quando falou, sua voz era calma
novamente. — Não tenho medo.
Yoda o estudou um momento. — Então continuar, nós vamos — disse suavemente, e o
exame estava concluído.

Jar Jar Binks dos Gungan e a rainha Amidala dos Naboo estavam parados lado a lado, junto
a uma janela que corria do chão até o teto nos aposentos da rainha, avistando as espirais
brilhantes de Coruscant. Um par no mínimo estranho: a rainha altiva e composta, o
Gungan desconfortável e nervoso; eles faziam companhia um ao outro em silêncio,
observando o poente colorir o céu com um dourado brilhante que se refletia nas
superfícies de metal e vidro polidos da cidade em súbitas e cegantes explosões de luz.
Eles haviam retornado do Senado da República há algumas horas, Jar Jar, Anakin, a rainha
e suas aias. Eles haviam voltado simplesmente porque parecia não haver nada mais a
fazer para mudar o curso dos acontecimentos relacionados ao futuro de Naboo. O senador
Palpatine havia ficado para trás a fim de fazer uma campanha com seus colegas para
escolher um novo chanceler supremo, e o capitão Panaka havia ficado com ele a pedido da
rainha a fim de transmitir-lhe notícias, quando houvesse. Nenhuma havia chegado até o
momento. Agora, Anakin estava fora também, levado por Qui-Gon para o Templo Jedi onde
deveria reunir-se ao Conselho, e Padmé não havia sido vista por algum tempo.
Então Jar Jar se agitava pelo quartel de Palpatine como um animal perdido até que Amidala
ficou com pena dele e o chamou para ficar com ela. Ela havia ficado reclusa após seu
retorno, tirando seu traje para o Senado e colocando um manto negro incrustado em ouro
menos imponente e que ressaltava quão esbelta e pequena ela realmente era. Ela usava
uma coroa invertida em forma de lua crescente com um medalhão de ouro com uma
pedra caído sobre sua testa lisa, mas, ainda assim, ela ficava vários centímetros mais
baixa que o Gungan.
Ela estava claramente sofrendo, seus olhos tão tristes e distantes que fizeram Jar Jar
sentir vontade de confortá-la. Se fosse Annie ou Padmé, ele teria estendido a mão e dado
um tapinha em sua cabeça, mas ele não tentaria isso com a rainha. Não havia guardas,
mas as aias, Eitaé e Rabé, vestidas em seus robes vermelho-carmim encapuzados e
sempre alertas, estavam paradas ao lado da porta, e ele tinha certeza de que havia
guardas em algum lugar por perto. Ele era descuidado com muitas coisas, esquecido para
outras e, em geral, dado a gozar a vida de uma maneira casual, mas não era bobo.
Mas, no final, ele pensou, não podia mais ignorar a situação. Ele arrastou os pés e limpou
a garganta, chamando a atenção da rainha.
Ela se voltou com seu rosto inexpressivo pintado de branco com pontos vermelhos em
cada bochecha e uma linha vermelha no centro de seu lábio inferior como uma boneca.
–Mim imaginar, às vens, por que os Deusa inventar a dor — disse, demonstrando
empatia.
O olhar frio de Amidala era firme e claro. — Para nos motivar, imagino.
–Vocês pensar que seu povo vai morrer? — ele perguntou, mexendo a boca bicuda em
volta das palavras ácidas como se pudesse sentir o gosto delas.
A rainha pensou na pergunta e sacudiu a cabeça lentamente. — Não sei, Jar Jar.
–Gungan vai ser amassado também, hein?
–Espero que não.
Jar Jar se endireitou e um orgulho feroz iluminou seus olhos. — Gungan não morrer sem
luta. Nós guerreiros! Ter grande exército!
–Um exército? — com um toque surpreso na voz suave.
–Um grande exército! Muitos Gungans. Eles vêm de todos os cantos. Por isso
criaturas da pântano não nos dar problema. Muitos Gungans. Tem grande abrigo
de energia também. Nada conseguir passar. Tentar passar. Levar bolas de
energia, atiradas com estilingue e espirrar eletricidade, e fugir. Usamos bomba.
Gungans não perder para pescoçudo nenhum!
Ele parou, encolhendo os ombros desconfortavelmente. — Disto porque Naboo não gostar
de nós, talvez.
Ela o observava de perto agora, com o olhar distante substituído por algo mais intenso,
como se ela estivesse aparecendo um pensamento inesperado em sua mente. Ela estava
se preparando para falar, ele pensou, quando o senador Palpatine e o capitão Panaka
atravessaram a porta com pressa.
–Alteza — saudou o capitão Panaka, mal contendo a excitação enquanto os dois se
inclinavam rapidamente e se endireitaram. — O senador Palpatine foi indicado para
suceder Valorum como chanceler supremo!
O sorriso de Palpatine era contido e respeitoso, sua voz cuidadosamente modulada quando
falou. — Uma surpresa, para ser sincero, mas uma ótima surpresa. Eu prometo, Alteza, se
for eleito, restaurarei a democracia para a República. Porei um final na corrupção que
assola o Senado. A Federação de Comércio perderá sua influência sobre os burocratas, e
nosso povo será libertado da tirania dessa invasão ilegal e opressiva.
–Quem mais foi indicado? — perguntou Amidala abruptamente, interrompendoo.
–Bail Antilles de Alderaan e Aks Moe de Malastare — respondeu Panaka,
evitando o olhar de Palpatine.
O senador foi rápido em se recuperar da interrupção inesperada em seu discurso. —
Alteza, estou confiante de que nossa situação vai criar um forte apoio na votação de
amanhã. — Ele parou significativamente. — Serei chanceler, lhe prometo.
A rainha não pareceu impressionada. Ela passou por Jar Jar e olhou para fora da janela em
direção às luzes da cidade que brilhavam com o final do pôr-do-sol. — Temo que até que
controle os burocratas, senador, não existe mais nada de nossas cidades, nosso povo, ou
nosso modo de vida para salvar.
Palpatine pareceu tomado de surpresa. — Entendo sua preocupação, Alteza. Infelizmente, a
Federação adquiriu controle de nosso planeta. Será quase impossível expulsá-los
imediatamente.
–Talvez. — Amidala se virou da janela para fitá-lo. Seus olhos estavam brilhando de
raiva e determinação. — Com o Senado em transição, não há mais nada que eu possa
fazer aqui. — Ela caminhou até ele e Panaka. — senador, esta é sua arena. Eu devo
retornar à minha.
Eu decidi retornar a Naboo. Meu lugar é com meu povo.
–Voltar! — Palpatine estava ferido, sua face pálida magoada. Panaka olhava
rapidamente de um para outro. — Mas, Alteza, seja realista!
Estará em grande perigo! Eles a forçarão a assinar o tratado!
A rainha estava calma e composta. — Não assinarei tratado algum. Meu destino não será
diferente do de meu povo. — Ela se virou para Panaka. — Capitão!
Panaka respondeu atento. — Sim, Alteza?
–Prepare minha nave.
Palpatine deu um passo rápido à frente para detê-la. — Por favor, Alteza, fique aqui, onde
é seguro.
A voz de Amidala soava como ferro. — Nenhum lugar é seguro, se o Senado não condena
essa invasão. Ficou claro para mim agora que a República já não funciona. — Os olhos
dela estavam fixos nos dele. — Se vencer as eleições, senador, sei que fará todo o
possível para deter a Federação. Rezo para que encontre um modo de restaurar a sanidade
e a compaixão na República.
Ela passou por ele deslizando, num movimento suave e estava do lado de fora com suas
aias e Panaka atrás. Jar Jar Binks seguiu, arrastando-se da maneira menos intrusiva que
pôde, lançando apenas um olhar para Palpatine ao passar.
Ele ficou surpreso ao perceber um leve e quase imperceptível sinal de sorriso no rosto
astuto do senador.
No Templo Jedi, Qui-Gon Jinn, Obi-Wan Kenobi e Anakin Skywalker estavam diante do
Conselho dos doze. Agrupados no centro da plataforma do palestrante, eles olhavam para o
círculo de cadeiras no qual os membros do Conselho estavam sentados, aguardando a
decisão deles sobre o menino. Lá fora, a luz estava pálida enquanto o crepúsculo substituía
o pôr- do-sol e a noite começava sua lenta descida para a cidade.
–Concluídos, estamos nós, com nosso exame no menino — disse Yoda com sua voz
baixa e gutural. Os olhos dele estavam quase fechados e sonolentos, as orelhas
pontudas apontando para frente. — Correto, você estava, Qui-Gon.
Mace Windu assentiu com a cabeça e com a face escura e lisa — inexpressiva sob a luz
fraca. — As células dele contêm uma concentração muito alta de midi-chlorians. — Havia
ênfase na palavra muito quando ele falou.
–A Força é forte nele — Ki-Adi-Mundi concordou.
Qui-Gon sentiu um ímpeto de satisfação ao ouvir as palavras, uma justificativa de sua
insistência em libertar o menino de sua vida em Tatooine e trazê-lo ali. — Ele deverá ser
treinado, então — declarou triunfante.
Houve um silêncio desconfortável enquanto os membros do Conselho se entreolhavam.
–Não — disse baixo Mace Windu. — Ele não será treinado.
O rosto de Anakin desmoronou e havia lágrimas em seus olhos quando olhou rapidamente
para Qui-Gon.
–Não? — repetiu o Mestre Jedi incrédulo, chocado e quase sem palavras. Ele tentou
ignorar o olhar - eu te avisei - na face jovem de Obi-Wan.
Mace Windu assentiu, seus olhos negros firmes. — Ele é muito velho. Já existe muita raiva
nele.
Qui-Gon estava inflamado, mas manteve a calma. Aquela decisão não fazia nenhum
sentido. Não podia ser aceita. — Ele é o escolhido — ele insistia veementemente. — Vocês
têm que ver isso! Yoda inclinou a cabeça redonda contemplativamente. — Obscuro, o
futuro desse menino é. Mascarado por sua juventude.
Qui-Gon olhou para os rostos dos outros membros do Conselho Jedi, mas não encontrou
ajuda. Ele se endireitou e balançou a cabeça concordando com a decisão deles. — Muito
bem. Eu vou treiná-lo, então. Tomo Anakin Skywalker como meu aprendiz Padawan.
Pelo canto do olho, ele viu Obi-Wan enrijecer, em choque. Ele viu, também um brilho súbito
de esperança passar no rosto de Anakin. Ele não respondeu a nenhum dos dois, mantendo
o olhar fixo no Conselho.
–Um aprendiz, você já possui, Qui-Gon — Yoda assinalou prontamente. —
Impossível, ter um segundo é.
–Nós proibimos — avisou Mace Windu sombriamente.
–Obi-Wan está pronto — declarou Qui-Gon.
–Estou! — concordou calorosamente o pupilo, tentando sem sucesso esconder a
surpresa e o desapontamento causado pela decisão inesperada de seu mentor.
— Estou pronto para enfrentar os desafios!
Os olhos de Yoda o fitaram. — Pronto tão cedo, você está? O que sabe você sobre
pronto?
Qui-Gon e Obi-Wan trocaram um olhar rápido e severo, e a medida de seu recémencontrado antagonismo era palpável. A fratura em seu relacionamento estava se
alargando tão rapidamente que não podia mais ser mapeada.
Qui-Gon inspirou profundamente e se voltou para o Conselho.
–Obi-Wan é teimoso e ainda tem muito que aprender sobre a Força viva, mas é
capaz. Há pouco que aprender comigo.
Yoda sacudiu a face enrugada. — Nossa própria deliberação vamos manter sobre quem
está pronto, Qui-Gon. Mais que aprender, ele tem.
–Agora não é momento para isso — disse Mace Windu com determinação. — O
Senado vai votar amanhã um novo chanceler supremo. A rainha Amidala vai
retornar para casa, fomos informados, o que vai pressionar a Federação e
aumentar o confronto. Os responsáveis serão rápidos para agir nesses novos
acontecimentos.
–Puxados para fora do esconderijo, os agressores dela serão — suspirou Yoda.
–Os acontecimentos estão se movendo muito rápido para distrações como
essa — acrescentou Adi-Mundi.
Mace Windu olhou rapidamente para os outros sentados no Conselho, então, se voltou
novamente para Qui-Gon. — Vá com a rainha para Naboo e descubra a identidade do
guerreiro negro que o atacou, quer seja um Sith ou outra coisa. Essa é a pista que temos
para descobriu esse mistério.
O aceno de Yoda foi lento e não admitia discussão. — Decidido mais tarde, o destino do
jovem Skywalker será.
Qui-Gon inspirou profundamente, cheio de frustração e desapontamento com a inesperada
mudança dos eventos. Anakin não seria treinado, mesmo tendo ele se oferecido para
tomar o menino como seu Padawan. Pior, ele havia ofendido Obi-Wan, não
propositadamente, talvez, mas, ainda assim, profundamente. A rachadura não era
permanente, mas levaria tempo para o orgulho do rapaz cicatrizar — tempo que eles não
tinham.
Ele se inclinou em aquiescência ao Conselho. — Eu trouxe Anakin para cá; ele deverá ficar
sob meus cuidados. Ele não nenhum outro lugar para ir.
Mace Windu assentiu. — Ele é sua responsabilidade, Qui-Gon.
Não discutimos isso.
–Mas o treine não! — Yoda advertiu duramente. — Leve-o com você, mas o treine
não!
As palavras feriam, a força atrás delas era inegável. Qui-Gon recuou por dentro, mas não
pronunciou palavra.
–Proteja a rainha — acrescentou Mace Windu. — Mas não interfira se houver uma
guerra até que tenhamos aprovação do Senado.
Houve um longo silêncio enquanto os membros do Senado fitavam Qui-Gon solenemente.
Ele ficou de pé, tentando pensar em algo mais para dizer, algum outro argumento para
oferecer. Lá fora, as últimas luzes do crepúsculo desapareciam na escuridão, e as luzes da
cidade começaram a brilhar como olhos atentos.
–Que a Força esteja com você — disse Yoda finalmente, sinalizando ao Mestre Jedi
que a reunião estava encerrada.
Os Jedi e o menino, sabendo da notícia da partida iminente de Amidala para Naboo, foram
diretamente para a plataforma onde o transporte da rainha estava ancorado aguardando
sua chegada. A viagem de volta no ônibus foi marcada por um silêncio forçado entre os
dois Jedi e por um desconforto no menino que ele não conseguia afastar. Ele olhou para os
pés a maior parte do tempo, desejando que houvesse uma maneira de evitar que Qui-Gon
e Obi-Wan ficassem aborrecidos um com o outro.
Quando desembarcaram do veículo na plataforma de aterrissagem, R2-D2 já circulava
apressado. O pequeno dróide emitiu um bip alegremente para Anakin, então, se dirigiu para
a ponta da plataforma para observar o trânsito abaixo. Ao fazer isso, ele se inclinou muito
e tombou. Anakin engasgou, mas, um segundo depois, o dróide astromecânico reapareceu,
impulsionado na rampa por seus jatos acoplados. Ao ouvir R2-D2 surgir com uma lufada de
trinados e assobios, o garoto sorriu, apesar do que sentia.
Na ponta da rampa de embarque, Qui-Gon Jinn e Obi-Wan Kenobi estavam envolvidos
numa discussão acalorada. O vento soprava entre as fendas das torres da cidade,
escondendo o que diziam do menino. Cuidadosamente, ele se aproximou para escutar.
–O destino dele é incerto, mas ele não é perigoso — rebatia Qui- Gon duramente. —
O Conselho decidirá sobre o destino de Anakin.
Isso deveria ser suficiente para você. — Ele se afastou em recusa.
–Agora embarque!
Obi-Wan se afastou e subiu pomposamente a rampa em direção à nave. R2-D2 o seguiu,
ainda assobiando alegremente. Qui-Gon se voltou para Anakin e o menino caminhou até
ele.
–Mestre Qui-Gon — disse ele desconfortável, crivado de dúvidas e culpa pelo que
estava acontecendo. Não quero ser um problema.
Qui-Gon pôs uma mão em seu ombro, confortando-o. — Não será, Annie. — Ele lançou um
olhar para a nave, então, se ajoelhou em frente ao menino. — Não me permitem treiná-lo,
por isso quero que me observe e fique atento ao que vê. Sempre se lembre, seu foco
determina sua realidade. — Ele pausou com os olhos fixos em Anakin.
–Fique perto de mim e estará a salvo.
O menino balançou a cabeça, compreendendo. — Posso lhe perguntar uma coisa? — O
Mestre Jedi assentiu. — O que são midi- chlorians?
O vento bateu no longo cabelo de Qui-Gon, levando mechas para o rosto forte. — Midichlorians são formas de vida microscópicas que residem nas células de todas as criaturas
vivas e se comunicam com a Força.
–Eles vivem dentro de mim? — perguntou o menino.
–Nas suas células. — Qui-Gon parou. — Somos simbiontes com os midi-
chlorians.
–Simbi o quê?
–Simbiontes. Formas de vida vivendo juntas por mútua vantagem. Sem os midichlorians, a vida não existiria e não teríamos conhecimento da Força. Nossos
midi-chlorians continuamente falam conosco, Annie, nos contando o desejo da
Força.
–Falam?
Qui-Gon inclinou uma sobrancelha. — Quando aprender a acalmar sua mente, ouvirá os
midi-chlorians falando com você. Anakin pensou por um momento e, então, fez uma
careta. — Não entendo.
Qui-Gon sorriu e seus olhos estavam acolhedores e misteriosos.
–Com tempo e treinamento, Annie, você entenderá.
Dois ônibus pararam no embarcadouro, e a rainha Amidala, suas aias, o capitão Panaka e
um acompanhamento de guardas e oficiais desembarcaram. Por último, no segundo ônibus,
estava Jar Jar Binks.
Amidala vestia um casaco de viagem vermelho-escuro que cobria seu corpo em dobras
drapeadas e um capuz largo com bordas de ouro que emoldurava sua face pintada de
branco como a imagem de um camafeu.
Qui-Gon se ergueu e ficou aguardando ao lado de Anakin enquanto a rainha e suas aias se
aproximavam.
–Alteza — saudou Qui-Gon com uma inclinação da cabeça em deferência. —
Será nosso prazer continuar a servir e protegê-la. Amidala assentiu. — Sua
ajuda é bem-vinda. O senador Palpatine teme que a Federação deseje me
destruir.
–Prometo-lhe, não deixaremos que isso aconteça — disse solenemente o
Mestre Jedi.
A rainha se virou e, com as aias, ela seguiu Panaka e os guardas Naboo para dentro do
transporte.
Jar Jar se aproximou correndo e envolveu Anakin num enorme abraço. — Nós ir para casa,
Annie! — exclamou com um sorriso e Anakin Skywalker o abraçou também.
Momentos depois, estavam todos a bordo, e o brilhante transporte havia se levantado,
deixando Coruscant para trás.
Era noite na cidade de Theed, capital de Naboo, as ruas vazias e silenciosas exceto pela
passagem ocasional de patrulhas de guerreiros dróides e o sussurro do vento. Na sala do
trono da rainha, Nute Gunray e Rune Haako estavam de pé, atentos a um holograma de
Darth Sidious.
O holograma preenchia o espaço de um lado da sala, erguendo- se diante deles
ameaçadoramente.
A figura de manto escuro em seu centro gesticulou. — A rainha está a caminho de vocês
— entoou o Sith Lord suavemente.
–Quando ela chegar, force-a a assinar o tratado.
Houve uma pausa momentânea enquanto os Neimoidians trocavam olhares preocupados. —
Sim, meu senhor — concordou Nute Gunray relutante.
–Vice-rei, o planeta está seguro? — A figura escura tremulou com o
movimento.
–Sim, senhor. — Gunray estava firme. — Já acabamos com os últimos focos de
resistência que, em sua maioria, consistiam em formas primitivas de vida.
Estamos agora com controle total. O interlocutor sem rosto concordou com a
cabeça. — Bom. Vou cuidar para que as coisas no senado fiquem como estão.
Estou enviando Darth Maul para se juntar a vocês. Ele cuidará dos Jedi.
–Sim, meu senhor. — As palavras eram uma súplica.
O holograma de Darth Sidious desapareceu. Os Neimoidians ficaram onde estavam,
congelados no lugar.
–Um Sith Lord, aqui conosco? — Sussurrou Rune Haako incrédulo e, desta vez, Nute
Gunray não tinha absolutamente nada a dizer.
a uma janela que corria do chão até o teto nos aposentos da rainha, avistando as espirais
brilhantes de Coruscant. Um par no mínimo estranho: a rainha altiva e composta, o
Gungan desconfortável e nervoso; eles faziam companhia um ao outro em silêncio,
observando o poente colorir o céu com um dourado brilhante que se refletia nas
superfícies de metal e vidro polidos da cidade em súbitas e cegantes explosões de luz.
Eles haviam retornado do Senado da República há algumas horas, Jar Jar, Anakin, a rainha
e suas aias. Eles haviam voltado simplesmente porque parecia não haver nada mais a
fazer para mudar o curso dos acontecimentos relacionados ao futuro de Naboo. O senador
Palpatine havia ficado para trás a fim de fazer uma campanha com seus colegas para
escolher um novo chanceler supremo, e o capitão Panaka havia ficado com ele a pedido da
rainha a fim de transmitir-lhe notícias, quando houvesse. Nenhuma havia chegado até o
momento. Agora, Anakin estava fora também, levado por Qui-Gon para o Templo Jedi onde
deveria reunir-se ao Conselho, e Padmé não havia sido vista por algum tempo.
Então Jar Jar se agitava pelo quartel de Palpatine como um animal perdido até que Amidala
ficou com pena dele e o chamou para ficar com ela. Ela havia ficado reclusa após seu
retorno, tirando seu traje para o Senado e colocando um manto negro incrustado em ouro
menos imponente e que ressaltava quão esbelta e pequena ela realmente era. Ela usava
uma coroa invertida em forma de lua crescente com um medalhão de ouro com uma
pedra caído sobre sua testa lisa, mas, ainda assim, ela ficava vários centímetros mais
baixa que o Gungan.
Ela estava claramente sofrendo, seus olhos tão tristes e distantes que fizeram Jar Jar
sentir vontade de confortá-la. Se fosse Annie ou Padmé, ele teria estendido a mão e dado
um tapinha em sua cabeça, mas ele não tentaria isso com a rainha. Não havia guardas,
mas as aias, Eitaé e Rabé, vestidas em seus robes vermelho-carmim encapuzados e
sempre alertas, estavam paradas ao lado da porta, e ele tinha certeza de que havia
guardas em algum lugar por perto. Ele era descuidado com muitas coisas, esquecido para
outras e, em geral, dado a gozar a vida de uma maneira casual, mas não era bobo.
Mas, no final, ele pensou, não podia mais ignorar a situação. Ele arrastou os pés e limpou
a garganta, chamando a atenção da rainha.
Ela se voltou com seu rosto inexpressivo pintado de branco com pontos vermelhos em
cada bochecha e uma linha vermelha no centro de seu lábio inferior como uma boneca.
–Mim imaginar, às vens, por que os Deusa inventar a dor — disse, demonstrando
empatia.
O olhar frio de Amidala era firme e claro. — Para nos motivar, imagino.
–Vocês pensar que seu povo vai morrer? — ele perguntou, mexendo a boca bicuda em
volta das palavras ácidas como se pudesse sentir o gosto delas.
A rainha pensou na pergunta e sacudiu a cabeça lentamente. — Não sei, Jar Jar.
–Gungan vai ser amassado também, hein?
–Espero que não.
Jar Jar se endireitou e um orgulho feroz iluminou seus olhos. — Gungan não morrer sem
luta. Nós guerreiros! Ter grande exército!
–Um exército? — com um toque surpreso na voz suave.
–Um grande exército! Muitos Gungans. Eles vêm de todos os cantos. Por isso
criaturas da pântano não nos dar problema. Muitos Gungans. Tem grande abrigo
de energia também. Nada conseguir passar. Tentar passar. Levar bolas de
energia, atiradas com estilingue e espirrar eletricidade, e fugir. Usamos bomba.
Gungans não perder para pescoçudo nenhum!
Ele parou, encolhendo os ombros desconfortavelmente. — Disto porque Naboo não gostar
de nós, talvez.
Ela o observava de perto agora, com o olhar distante substituído por algo mais intenso,
como se ela estivesse aparecendo um pensamento inesperado em sua mente. Ela estava
se preparando para falar, ele pensou, quando o senador Palpatine e o capitão Panaka
atravessaram a porta com pressa.
–Alteza — saudou o capitão Panaka, mal contendo a excitação enquanto os dois se
inclinavam rapidamente e se endireitaram. — O senador Palpatine foi indicado para
suceder Valorum como chanceler supremo!
O sorriso de Palpatine era contido e respeitoso, sua voz cuidadosamente modulada quando
falou. — Uma surpresa, para ser sincero, mas uma ótima surpresa. Eu prometo, Alteza, se
for eleito, restaurarei a democracia para a República. Porei um final na corrupção que
assola o Senado. A Federação de Comércio perderá sua influência sobre os burocratas, e
nosso povo será libertado da tirania dessa invasão ilegal e opressiva.
–Quem mais foi indicado? — perguntou Amidala abruptamente, interrompendoo.
–Bail Antilles de Alderaan e Aks Moe de Malastare — respondeu Panaka,
evitando o olhar de Palpatine.
O senador foi rápido em se recuperar da interrupção inesperada em seu discurso. —
Alteza, estou confiante de que nossa situação vai criar um forte apoio na votação de
amanhã. — Ele parou significativamente. — Serei chanceler, lhe prometo.
A rainha não pareceu impressionada. Ela passou por Jar Jar e olhou para fora da janela em
direção às luzes da cidade que brilhavam com o final do pôr-do-sol. — Temo que até que
controle os burocratas, senador, não existe mais nada de nossas cidades, nosso povo, ou
nosso modo de vida para salvar.
Palpatine pareceu tomado de surpresa. — Entendo sua preocupação, Alteza. Infelizmente, a
Federação adquiriu controle de nosso planeta. Será quase impossível expulsá-los
imediatamente.
–Talvez. — Amidala se virou da janela para fitá-lo. Seus olhos estavam brilhando de
raiva e determinação. — Com o Senado em transição, não há mais nada que eu possa
fazer aqui. — Ela caminhou até ele e Panaka. — senador, esta é sua arena. Eu devo
retornar à minha.
Eu decidi retornar a Naboo. Meu lugar é com meu povo.
–Voltar! — Palpatine estava ferido, sua face pálida magoada. Panaka olhava
rapidamente de um para outro. — Mas, Alteza, seja realista!
Estará em grande perigo! Eles a forçarão a assinar o tratado!
A rainha estava calma e composta. — Não assinarei tratado algum. Meu destino não será
diferente do de meu povo. — Ela se virou para Panaka. — Capitão!
Panaka respondeu atento. — Sim, Alteza?
–Prepare minha nave.
Palpatine deu um passo rápido à frente para detê-la. — Por favor, Alteza, fique aqui, onde
é seguro.
A voz de Amidala soava como ferro. — Nenhum lugar é seguro, se o Senado não condena
essa invasão. Ficou claro para mim agora que a República já não funciona. — Os olhos
dela estavam fixos nos dele. — Se vencer as eleições, senador, sei que fará todo o
possível para deter a Federação. Rezo para que encontre um modo de restaurar a sanidade
e a compaixão na República.
Ela passou por ele deslizando, num movimento suave e estava do lado de fora com suas
aias e Panaka atrás. Jar Jar Binks seguiu, arrastando-se da maneira menos intrusiva que
pôde, lançando apenas um olhar para Palpatine ao passar.
Ele ficou surpreso ao perceber um leve e quase imperceptível sinal de sorriso no rosto
astuto do senador.
No Templo Jedi, Qui-Gon Jinn, Obi-Wan Kenobi e Anakin Skywalker estavam diante do
Conselho dos doze. Agrupados no centro da plataforma do palestrante, eles olhavam para o
círculo de cadeiras no qual os membros do Conselho estavam sentados, aguardando a
decisão deles sobre o menino. Lá fora, a luz estava pálida enquanto o crepúsculo substituía
o pôr- do-sol e a noite começava sua lenta descida para a cidade.
–Concluídos, estamos nós, com nosso exame no menino — disse Yoda com sua voz
baixa e gutural. Os olhos dele estavam quase fechados e sonolentos, as orelhas
pontudas apontando para frente. — Correto, você estava, Qui-Gon.
Mace Windu assentiu com a cabeça e com a face escura e lisa — inexpressiva sob a luz
fraca. — As células dele contêm uma concentração muito alta de midi-chlorians. — Havia
ênfase na palavra muito quando ele falou.
–A Força é forte nele — Ki-Adi-Mundi concordou.
Qui-Gon sentiu um ímpeto de satisfação ao ouvir as palavras, uma justificativa de sua
insistência em libertar o menino de sua vida em Tatooine e trazê-lo ali. — Ele deverá ser
treinado, então — declarou triunfante.
Houve um silêncio desconfortável enquanto os membros do Conselho se entreolhavam.
–Não — disse baixo Mace Windu. — Ele não será treinado.
O rosto de Anakin desmoronou e havia lágrimas em seus olhos quando olhou rapidamente
para Qui-Gon.
–Não? — repetiu o Mestre Jedi incrédulo, chocado e quase sem palavras. Ele tentou
ignorar o olhar - eu te avisei - na face jovem de Obi-Wan.
Mace Windu assentiu, seus olhos negros firmes. — Ele é muito velho. Já existe muita raiva
nele.
Qui-Gon estava inflamado, mas manteve a calma. Aquela decisão não fazia nenhum
sentido. Não podia ser aceita. — Ele é o escolhido — ele insistia veementemente. — Vocês
têm que ver isso! Yoda inclinou a cabeça redonda contemplativamente. — Obscuro, o
futuro desse menino é. Mascarado por sua juventude.
Qui-Gon olhou para os rostos dos outros membros do Conselho Jedi, mas não encontrou
ajuda. Ele se endireitou e balançou a cabeça concordando com a decisão deles. — Muito
bem. Eu vou treiná-lo, então. Tomo Anakin Skywalker como meu aprendiz Padawan.
Pelo canto do olho, ele viu Obi-Wan enrijecer, em choque. Ele viu, também um brilho súbito
de esperança passar no rosto de Anakin. Ele não respondeu a nenhum dos dois, mantendo
o olhar fixo no Conselho.
–Um aprendiz, você já possui, Qui-Gon — Yoda assinalou prontamente. —
Impossível, ter um segundo é.
–Nós proibimos — avisou Mace Windu sombriamente.
–Obi-Wan está pronto — declarou Qui-Gon.
–Estou! — concordou calorosamente o pupilo, tentando sem sucesso esconder a
surpresa e o desapontamento causado pela decisão inesperada de seu mentor.
— Estou pronto para enfrentar os desafios!
Os olhos de Yoda o fitaram. — Pronto tão cedo, você está? O que sabe você sobre
pronto?
Qui-Gon e Obi-Wan trocaram um olhar rápido e severo, e a medida de seu recémencontrado antagonismo era palpável. A fratura em seu relacionamento estava se
alargando tão rapidamente que não podia mais ser mapeada.
Qui-Gon inspirou profundamente e se voltou para o Conselho.
–Obi-Wan é teimoso e ainda tem muito que aprender sobre a Força viva, mas é
capaz. Há pouco que aprender comigo.
Yoda sacudiu a face enrugada. — Nossa própria deliberação vamos manter sobre quem
está pronto, Qui-Gon. Mais que aprender, ele tem.
–Agora não é momento para isso — disse Mace Windu com determinação. — O
Senado vai votar amanhã um novo chanceler supremo. A rainha Amidala vai
retornar para casa, fomos informados, o que vai pressionar a Federação e
aumentar o confronto. Os responsáveis serão rápidos para agir nesses novos
acontecimentos.
–Puxados para fora do esconderijo, os agressores dela serão — suspirou Yoda.
–Os acontecimentos estão se movendo muito rápido para distrações como
essa — acrescentou Adi-Mundi.
Mace Windu olhou rapidamente para os outros sentados no Conselho, então, se voltou
novamente para Qui-Gon. — Vá com a rainha para Naboo e descubra a identidade do
guerreiro negro que o atacou, quer seja um Sith ou outra coisa. Essa é a pista que temos
para descobriu esse mistério.
O aceno de Yoda foi lento e não admitia discussão. — Decidido mais tarde, o destino do
jovem Skywalker será.
Qui-Gon inspirou profundamente, cheio de frustração e desapontamento com a inesperada
mudança dos eventos. Anakin não seria treinado, mesmo tendo ele se oferecido para
tomar o menino como seu Padawan. Pior, ele havia ofendido Obi-Wan, não
propositadamente, talvez, mas, ainda assim, profundamente. A rachadura não era
permanente, mas levaria tempo para o orgulho do rapaz cicatrizar — tempo que eles não
tinham.
Ele se inclinou em aquiescência ao Conselho. — Eu trouxe Anakin para cá; ele deverá ficar
sob meus cuidados. Ele não nenhum outro lugar para ir.
Mace Windu assentiu. — Ele é sua responsabilidade, Qui-Gon.
Não discutimos isso.
–Mas o treine não! — Yoda advertiu duramente. — Leve-o com você, mas o treine
não!
As palavras feriam, a força atrás delas era inegável. Qui-Gon recuou por dentro, mas não
pronunciou palavra.
–Proteja a rainha — acrescentou Mace Windu. — Mas não interfira se houver uma
guerra até que tenhamos aprovação do Senado.
Houve um longo silêncio enquanto os membros do Senado fitavam Qui-Gon solenemente.
Ele ficou de pé, tentando pensar em algo mais para dizer, algum outro argumento para
oferecer. Lá fora, as últimas luzes do crepúsculo desapareciam na escuridão, e as luzes da
cidade começaram a brilhar como olhos atentos.
–Que a Força esteja com você — disse Yoda finalmente, sinalizando ao Mestre Jedi
que a reunião estava encerrada.
Os Jedi e o menino, sabendo da notícia da partida iminente de Amidala para Naboo, foram
diretamente para a plataforma onde o transporte da rainha estava ancorado aguardando
sua chegada. A viagem de volta no ônibus foi marcada por um silêncio forçado entre os
dois Jedi e por um desconforto no menino que ele não conseguia afastar. Ele olhou para os
pés a maior parte do tempo, desejando que houvesse uma maneira de evitar que Qui-Gon
e Obi-Wan ficassem aborrecidos um com o outro.
Quando desembarcaram do veículo na plataforma de aterrissagem, R2-D2 já circulava
apressado. O pequeno dróide emitiu um bip alegremente para Anakin, então, se dirigiu para
a ponta da plataforma para observar o trânsito abaixo. Ao fazer isso, ele se inclinou muito
e tombou. Anakin engasgou, mas, um segundo depois, o dróide astromecânico reapareceu,
impulsionado na rampa por seus jatos acoplados. Ao ouvir R2-D2 surgir com uma lufada de
trinados e assobios, o garoto sorriu, apesar do que sentia.
Na ponta da rampa de embarque, Qui-Gon Jinn e Obi-Wan Kenobi estavam envolvidos
numa discussão acalorada. O vento soprava entre as fendas das torres da cidade,
escondendo o que diziam do menino. Cuidadosamente, ele se aproximou para escutar.
–O destino dele é incerto, mas ele não é perigoso — rebatia Qui- Gon duramente. —
O Conselho decidirá sobre o destino de Anakin.
Isso deveria ser suficiente para você. — Ele se afastou em recusa.
–Agora embarque!
Obi-Wan se afastou e subiu pomposamente a rampa em direção à nave. R2-D2 o seguiu,
ainda assobiando alegremente. Qui-Gon se voltou para Anakin e o menino caminhou até
ele.
–Mestre Qui-Gon — disse ele desconfortável, crivado de dúvidas e culpa pelo que
estava acontecendo. Não quero ser um problema.
Qui-Gon pôs uma mão em seu ombro, confortando-o. — Não será, Annie. — Ele lançou um
olhar para a nave, então, se ajoelhou em frente ao menino. — Não me permitem treiná-lo,
por isso quero que me observe e fique atento ao que vê. Sempre se lembre, seu foco
determina sua realidade. — Ele pausou com os olhos fixos em Anakin.
–Fique perto de mim e estará a salvo.
O menino balançou a cabeça, compreendendo. — Posso lhe perguntar uma coisa? — O
Mestre Jedi assentiu. — O que são midi- chlorians?
O vento bateu no longo cabelo de Qui-Gon, levando mechas para o rosto forte. — Midichlorians são formas de vida microscópicas que residem nas células de todas as criaturas
vivas e se comunicam com a Força.
–Eles vivem dentro de mim? — perguntou o menino.
–Nas suas células. — Qui-Gon parou. — Somos simbiontes com os midi-
chlorians.
–Simbi o quê?
–Simbiontes. Formas de vida vivendo juntas por mútua vantagem. Sem os midichlorians, a vida não existiria e não teríamos conhecimento da Força. Nossos
midi-chlorians continuamente falam conosco, Annie, nos contando o desejo da
Força.
–Falam?
Qui-Gon inclinou uma sobrancelha. — Quando aprender a acalmar sua mente, ouvirá os
midi-chlorians falando com você. Anakin pensou por um momento e, então, fez uma
careta. — Não entendo.
Qui-Gon sorriu e seus olhos estavam acolhedores e misteriosos.
–Com tempo e treinamento, Annie, você entenderá.
Dois ônibus pararam no embarcadouro, e a rainha Amidala, suas aias, o capitão Panaka e
um acompanhamento de guardas e oficiais desembarcaram. Por último, no segundo ônibus,
estava Jar Jar Binks.
Amidala vestia um casaco de viagem vermelho-escuro que cobria seu corpo em dobras
drapeadas e um capuz largo com bordas de ouro que emoldurava sua face pintada de
branco como a imagem de um camafeu.
Qui-Gon se ergueu e ficou aguardando ao lado de Anakin enquanto a rainha e suas aias se
aproximavam.
–Alteza — saudou Qui-Gon com uma inclinação da cabeça em deferência. —
Será nosso prazer continuar a servir e protegê-la. Amidala assentiu. — Sua
ajuda é bem-vinda. O senador Palpatine teme que a Federação deseje me
destruir.
–Prometo-lhe, não deixaremos que isso aconteça — disse solenemente o
Mestre Jedi.
A rainha se virou e, com as aias, ela seguiu Panaka e os guardas Naboo para dentro do
transporte.
Jar Jar se aproximou correndo e envolveu Anakin num enorme abraço. — Nós ir para casa,
Annie! — exclamou com um sorriso e Anakin Skywalker o abraçou também.
Momentos depois, estavam todos a bordo, e o brilhante transporte havia se levantado,
deixando Coruscant para trás.
Era noite na cidade de Theed, capital de Naboo, as ruas vazias e silenciosas exceto pela
passagem ocasional de patrulhas de guerreiros dróides e o sussurro do vento. Na sala do
trono da rainha, Nute Gunray e Rune Haako estavam de pé, atentos a um holograma de
Darth Sidious.
O holograma preenchia o espaço de um lado da sala, erguendo- se diante deles
ameaçadoramente.
A figura de manto escuro em seu centro gesticulou. — A rainha está a caminho de vocês
— entoou o Sith Lord suavemente.
–Quando ela chegar, force-a a assinar o tratado.
Houve uma pausa momentânea enquanto os Neimoidians trocavam olhares preocupados. —
Sim, meu senhor — concordou Nute Gunray relutante.
–Vice-rei, o planeta está seguro? — A figura escura tremulou com o
movimento.
–Sim, senhor. — Gunray estava firme. — Já acabamos com os últimos focos de
resistência que, em sua maioria, consistiam em formas primitivas de vida.
Estamos agora com controle total. O interlocutor sem rosto concordou com a
cabeça. — Bom. Vou cuidar para que as coisas no senado fiquem como estão.
Estou enviando Darth Maul para se juntar a vocês. Ele cuidará dos Jedi.
–Sim, meu senhor. — As palavras eram uma súplica.
O holograma de Darth Sidious desapareceu. Os Neimoidians ficaram onde estavam,
congelados no lugar.
–Um Sith Lord, aqui conosco? — Sussurrou Rune Haako incrédulo e, desta vez, Nute
Gunray não tinha absolutamente nada a dizer.


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