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domingo, 28 de maio de 2017

SD 920 : WAYNE DE GOTHAN

CAPÍTULO SEIS

INTOCADO

Propriedade Kane / Bristol / 6h22 / 5 de outubro de 1957 O dia nascia enquanto Thomas dirigia o Lincoln Futura pela Kane Memorial Bridge. O bairro dos teatros de Gotham e Sheldon Point ficava para trás rapidamente no trânsito leve. O Futura era um carro-conceito – o carro do futuro –, e seu pai financiara uma segunda versão dele feita pela fábrica da Ghia em Turim, na Itália, quando estava sendo construído dois anos antes. Tinha o acabamento perolado opalescente que só podia ser realmente apreciado em contato direto; a comprida traseira e as nadadeiras dianteiras e traseiras eram dramáticas, mas era o teto de acrílico em forma de gota dupla que sempre virava as cabeças quando ele o dirigia. Era ao mesmo tempo um ícone de sua época e de seus problemas: o teto de acrílico funcionava como uma estufa sob o sol. Pior, era projetado para lacrar o compartimento de passageiros com tal firmeza que foi necessário instalar um microfone na traseira, mais precisamente no centro de sua “futurista” antena de rádio circular, para que o motorista pudesse ouvir os sons que vinham do exterior através de um alto-falante colocado atrás e entre os bancos em concha. Uma trava de segurança determinava que o teto em bolha não fosse aberto a não ser que a alavanca de câmbio estivesse na posição “estacionar”, significando que praticamente não havia ventilação no carro. O ar condicionado falhava sempre e nunca dava conta do interior, deixando-o como se estivesse pegando fogo. Pior, o exterior elegante reduzia o fluxo de ar ao redor do motor, fazendo com que superaquecesse constantemente. Ainda assim, essas questões práticas não tiveram impacto no raciocínio de Patrick Wayne; qualquer um podia comprar um Lincoln de série, mas gastar 250 mil dólares em um de apenas dois carros do futuro feitos à mão? Para o Wayne sênior não era apenas um meio de transporte; era uma demonstração de poder e riqueza que não podia ser ignorada. Dá-lo ao filho forneceu à imprensa mais de uma oportunidade para fotos; era o modo de Patrick de investir o filho com as responsabilidades de ser um Wayne e forçar o garoto a reconhecer a autoridade superior e inquestionável do pai. Thomas reagira ao presente nada prático do pai usando uma chave de fenda e uma chave inglesa no carro-conceito único e removendo a seção automática do teto. Isso melhorou consideravelmente o fluxo de ar; ele gostava do aspecto conversível que dava ao carro – afora isso enorme –, e ao mesmo tempo isso representava, do modo pequeno de Thomas, um ato de desafio. Mas, no começo da manhã, com o sol começando a nascer sobre o oceano a leste, o comprido veículo estava um pouco frio para Thomas. Ele levou a mão ao lado esquerdo da coluna de direção – com seu velocímetro único instalado no centro do volante – e empurrou para trás a cobertura dos controles de calor. Eles deslizaram para dentro do console como
uma escrivaninha de correr da era dos jatos. Ajustou os controles para jogar calor sobre o piso e olhou para além do console central, entre os bancos, na direção da forma que roncava suavemente à sua direita. Thomas esticou a mão, aumentando o volume do rádio. O dueto masculino harmônico cantou mais alto sobre a reputação problemática de dois adolescentes adormecendo durante um filme no drive-in. Thomas olhou novamente para o voluptuoso e esparramado volume de maquiagem borrada que era Martha Kane. Os cabelos escuros estavam amontoados sobre o rosto. O batom estava borrado e a máscara fazia com que os olhos lembrassem um guaxinim. Estava na mesma posição em que a colocara no carro, Thomas tendo feito o máximo para que sua forma tivesse o semblante de um passageiro, mas fracassando totalmente. Ela tinha o sono agitado, e ele encontrara dificuldade em manter seu braço do lado de dentro do carro enquanto fechava a porta. Thomas esticou a mão relaxadamente, tentando afastar os cabelos do rosto dela enquanto dirigia. Mas o vento que varria a parte de cima do carro impediu qualquer sucesso nisso. Então desistiu. Martha teria de continuar selvagem... Como sempre a conhecera. Da ponte ele virou à direita na saída norte e seguiu pela rodovia litorânea por algum tempo, contornando Breaker’s Point antes de passar entre os pilares de tijolos que sustentavam o arco de ferro dourado, cuja única inscrição era um K no centro. Acelerou pela estrada particular, onde algumas folhas rebeldes haviam desafiado os desejos do jardineiro e caído ao chão apenas para ganhar vida quando o carro passou em velocidade. A copa de árvores forneceria sombra mais tarde, mas, naquele momento, o ângulo baixo do sol nascente lançava manchas alternadas de luz e escuridão sobre o carro enquanto passava pelos troncos e o tom laranja da manhã. Sabia que a casa propriamente dita estava a cerca de um quilômetro e meio à frente. Thomas esticou a mão e desligou o rádio, deixando que o motor rompesse o silêncio da manhã. Ele seguira por aquela estrada muitas vezes antes e, verdade seja dita, levara Martha para casa em estados similares anteriormente. Eles eram muito diferentes, mas unidos de formas estranhas. Ambos eram ricos e ambos carregavam essa riqueza nas costas como versões modernas de Héracles, obrigado pelo destino. Ambos reagiam a esse fardo com suas próprias maneiras de rebeldia. Thomas dando as costas aos negócios do pai para se tornar médico, e Martha gastando o máximo possível do dinheiro dos pais, fosse mergulhando em suas obras de caridade ou buscando o fundo de uma garrafa com amigos tão dispostos quanto ela a gastar seu dinheiro. Ela era famosa por ter tanta probabilidade de aparecer no relatório policial matinal quanto nas páginas sociais em algum baile de gala. Tendia a ser uma bêbada barulhenta e tinha o dom de atrair problemas. Ele sempre a achara bonita, embora nem tanto após um grande porre, e Thomas descobriu sua mente vagando para o que poderia ser encontrado sob as linhas sugestivas do suéter cardigã e o jeans apertado. Thomas voltou a atenção para a estrada. O carro desviara para a direita, e dois pneus estavam raspando na grama além da trilha de cascalho. Agarrou o volante e recolocou o carro na estrada com a mão firme. Martha podia falar com ele, pensou Thomas, mas nunca o veria como alguém além do
garoto boquiaberto da casa ao lado que era um bom amigo para ter por perto quando todos os outros a tivessem abandonado, tal como vampiros ao nascer do sol, quando ela tivesse vomitado o jantar caro na parede do beco e nos sapatos e precisasse de alguém para levá-la em casa. Ele era Tommy, o garoto que sempre seria um amigo e nada mais. Thomas franziu o cenho, pensando em por que diabos isso devia incomodá-lo. O túnel de árvores terminava no limite do gramado da mansão. A Casa Kane se erguia como um monumento à arquitetura georgiana exagerada, tão opulenta que poderia fazer Carnegie enrubescer. Tinha duas enormes alas que se projetavam da casa principal, se estendendo como um Versalhes americano. Ele seguiu a curva da estrada na direção do pátio por algum tempo, mas saiu antes da casa, seguindo pela estrada de serviço que levava aos fundos. Estacionou perto do grande salão de baile, que se projetava da casa como uma catedral, suas altas janelas escuras refletindo o sol nascente. O enorme gramado dos fundos estava coberto por uma fina camada de névoa. Thomas desligou o carro, deu um pulo para se erguer no banco e, com as duas mãos na beira das janelas de acrílico, na frente e atrás, passou os pés pela lateral e saltou no chão. O cascalho fez um leve chiado quando pousou. – E um quatro do jurado russo – murmurou consigo mesmo enquanto se empertigava, ajeitava a gravata-borboleta e descia rapidamente a escada de serviço até a porta que levava ao porão. Thomas bateu com vigor cinco vezes rapidamente e esperou. O som distante da cotovia respondeu. Algumas batidas adicionais foram respondidas por um som de passos além da porta, a pancada e o guincho de uma mesa seguidos por um xingamento abafado. Thomas esperou. A porta foi entreaberta, parando no final da corrente. – Sim? – Bertie, sou eu... Thomas – disse, a voz soando alta na manhã parada. – Senhor Wayne? – disse a voz, parecendo confusa por um momento. – Novamente? – Temo que sim, Bertie – confessou Thomas. – Devo levá-la para dentro? – Não é sempre assim? – retrucou Bertie. A porta se fechou num instante e Thomas ouviu a tranca ser deslizada para fora do encaixe. A porta se abriu para revelar o rosto encovado e os cabelos brancos desgrenhados do velho criado, em pé, de roupão, pijamas listrados e chinelas, que na pressa calçara com os pés trocados. – Leve-a para o quarto de Mary. Está fora cuidando da mãe, ninguém a incomodará lá. – Ou me verá – acrescentou Thomas. O velho mordomo deu um risinho. – A equipe sabe manter silêncio, mas se o Sr. Kane o vir saindo do quarto da senhorita Martha não haverá muito que possamos fazer por você. Suspeito que há terreno suficiente ao redor da casa para esconder um Wayne morto tão facilmente quanto um pobre coitado morto. – Alegre como sempre – disse Thomas, balançando a cabeça. Ele se virou e subiu os degraus de cimento rapidamente na direção do carro. Thomas abriu a porta do carona, parte dele esperando que Martha escorresse por ali, mas ela permaneceu obedientemente no banco. Ele a arrumou o melhor que pôde, e então, se curvando, apoiou o ombro no estômago dela e jogou seus braços e sua cabeça às costas.
Inclinou-se para trás cuidadosamente, recuperando o equilíbrio, e finalmente, com algum esforço e usando a carroceria do carro como apoio, conseguiu se levantar com Martha jogada sobre os ombros. Estava bastante consciente do corpo dela tocando o seu, o leve cheiro de perfume misturado a vômito vindo do suéter, e de seus braços sobre as coxas dela. Thomas respirou fundo e contornou o carro depressa. Ele conhecia bastante bem o caminho. Desceu a escada de serviço, passou pela cozinha e as salas dos empregados até os fundos, depois subiu a escada de serviço para o quarto andar e os quartos dos empregados. Era uma subida árdua por uma escadaria metálica em zigue-zague, e teve de parar duas vezes para tomar fôlego antes de chegar ao corredor superior. Os empregados ainda não haviam acordado, embora Thomas suspeitasse de que o cozinheiro logo chegaria. Felizmente o quarto de Mary era o mais perto da escada, ele abriu a porta rapidamente e, ajeitando Martha no ombro mais uma vez, entrou no aposento. A cama era simples no quarto pouco mobiliado. Thomas se agachou ao lado da cama, tirou Martha do ombro com cuidado e a colocou no leito, que guinchou levemente. Colocou pernas e braços em posição mais confortável enquanto ela gemia um pouco. Ajoelhou junto à cama e tirou os cabelos do rosto dela. Pensou em despi-la. Levantou apressado. – Você é um médico, droga – murmurou para si mesmo. Vira corpos nus antes, vivos ou não. Masculinos ou femininos, todos tendiam a parecer impressionantemente iguais deitados em uma mesa no laboratório. As roupas dela fediam, e teria sido uma gentileza sua levá-las a Bertie para que fossem lavadas antes que ela voltasse a si e tivesse de encarar a ressaca e seu próprio fedor. Todas essas racionalizações disparavam por sua mente, mas ele não conseguiu se mover para tocá-la. Não conseguiu porque queria desesperadamente tocá-la, sentir a textura de seu pescoço, a firmeza redonda de seus seios, a curva de suas costas e o contorno de suas pernas. Ansiava por tomá-la nos braços, vestida ou não, sentir seu coração bater junto ao próprio peito e saber que nenhum deles, sofrendo em suas enormes vidas vazias, estava realmente só. Queria que os olhos dela se abrissem – realmente se abrissem – e o vissem como se pela primeira vez, não como o garoto desajeitado que ficava silencioso e distante diante da agressão sem sentido de um pai obcecado, mas como um homem que ansiava por uma intimidade que havia sido negada a ele a vida inteira. Thomas olhou para Martha enquanto ela se esticava diante dele na cama, ignorando-o como homem, como sempre fizera. Como podia saber que mais que tudo ele queria ser visto, ter sua existência reconhecida – ter importância – e ser o ponto focal de um par de grandes e lânguidos olhos castanhos? Ele se deu conta de que ali, no silêncio da manhã, com a casa adormecida, podia tocá-la. Estava ao alcance de seu braço. Podia esticar as duas mãos, deslizá-las sob o cardigã e encontrar o calor de sua pele. Ele havia sido o camarada dela, o garoto da casa ao lado que ela poderia deixar olhar, mas nunca, jamais tocá-la dessa forma. Ninguém saberia... Nem mesmo Martha se lembraria, considerando como estava apagada da bebedeira da noite anterior.
Um arrepio percorreu Thomas. Martha não saberia... Ela sequer o veria. Thomas saiu do quarto em disparada e desceu as escadas correndo. Passou por Bertie, que disse algo a ele, mas não ouviu as palavras por causa do zumbido em seus ouvidos. Saiu pela porta de serviço e subiu os degraus de dois em dois. A porta teimou para abrir e ele conseguiu, com alguma frustração, sentar no banco do motorista. Ligou o motor do carro. Ele rugiu duas vezes e morreu. Thomas socou o volante em fúria, bombeou o acelerador duas vezes para injetar gasolina e tentou novamente. O motor gemeu uma vez... E então pegou, roncando para acordar. Os pneus levantaram cascalho enquanto ele dava a volta, contornando a casa e seguindo pela estrada margeada por árvores de volta para Beaker’s Point. Quando chegou à frente da Mansão Wayne as lágrimas haviam secado, mas o rosto ainda estava afogueado. Ele saltou, batendo a porta do carro enquanto Jarvis Pennyworth saía pela porta da frente. – Jovem Tom – disse Jarvis, com um sotaque britânico que parecia transmitir serenidade e preocupação ao mesmo tempo. – Estávamos preocupados. Acredito que sua noite tenha sido boa, senhor. – Tive uma bela noite, Jarvis – mentiu Thomas. – É sempre uma delícia estar na companhia da Srta. Martha Kane. Meu pai está em casa? – Não, senhor, ele saiu há cerca de uma hora. Negócios urgentes no centro. – Bom – retrucou Thomas, soltando o nó da gravata-borboleta. – Você sabe como ele adora negócios urgentes. Este pode ser um recorde para ele; não estou há nem um dia em casa e ele já descobriu algum negócio urgente para mantê-lo longe. – Sim, jovem Tom – disse Jarvis, se curvando levemente enquanto Thomas seguia rumo à porta principal da mansão. – Mas ele deixou instruções de que você fosse ao escritório dele às 11h30, após seu encontro com o Dr. Horowitz no Hospital Universitário de Gotham. – Horowitz? – disse Thomas, parando. – Ele é o chefe de pessoal. O que ele quer com um residente? – Eu não saberia, senhor – respondeu Jarvis com relutância. Thomas respirou fundo, cansado. – Certo, Jarvis. Vou subir para tentar arrancar um futuro médico refrescado deste refugo de uma noite na cidade. Poderia cuidar para que o carro seja guardado? Irei para Gotham no Buick. Meu pai disse quando deveria me reunir com o Dr. Horowitz? – Ele disse ter marcado o encontro com o Dr. Horowitz para 10 horas da manhã e que você não deve se atrasar. – Certo – disse Thomas, tirando a gravata. – Mais alguma coisa? – Sim, jovem Thomas – continuou Jarvis. – O escritório do Dr. Horowitz telefonou para confirmar o encontro e desejam que mantenha sua agenda limpa para esta tarde. O Dr. Horowitz quer que conheça um cavalheiro chamado Dr. Richter. – Ernst Richter? – disse Thomas, franzindo o cenho enquanto pensava. – Sim, senhor, acredito que tenha sido o nome que o cavalheiro deu – disse Jarvis em seu
tom britânico neutro. Thomas jogou as caudas do paletó para trás e enfiou as mãos na calça do smoking. – Richter é um pesquisador de química trabalhando em projetos especiais. Tem fama de excêntrico, mas seu trabalho foi discutido em nosso último ano. Algo realmente incrível sobre mutação de vírus, se bem me lembro. Fico pensando em por que Horowitz iria querer que eu o conhecesse. – Mais uma vez, senhor, eu não saberia.
Mansão Wayne / Bristol / 6h29 / Hoje “...foi, claro, a primeira manhã em que nos conhecemos no Hospital Universitário de Gotham. Eu só havia conhecido Denholm Sinclair na noite anterior. Como poderia saber que com três meses de nosso...” Bruce Wayne estava sentado à mesa da cozinha e virou a página. Havia chegado à última das páginas encontradas no púlpito. Obviamente faltavam mais. Esperou pacientemente, folheando os papéis mais uma vez enquanto o velho relógio de pêndulo tiquetaqueava na parede. Eram quase 16h. Ele é uma criatura de hábitos. Estará aqui. A porta da cozinha se abriu. – Alfred? O velho ficou visivelmente assustado, quase derrubando um saco de compras. – Você sempre cozinha aos domingos – disse Bruce de onde estava sentado, ainda olhando para os papéis amarelados em suas mãos, mas sem vê-los. – Poderia mandar trazer o jantar de qualquer restaurante da cidade e ter contratado e demitido mais cozinheiros do que eu posso me lembrar, mas você sempre, sempre insistiu em preparar meu jantar aos domingos às 16h horas. Eu costumava ajustar meu relógio por isso. – Velhos hábitos são os mais difíceis de romper, Sr. Wayne – disse Alfred, de pé no umbral, olhando para Bruce. – Sempre foi um prazer cozinhar para os Wayne. – Os Pennyworth servem a esta casa por muito tempo – disse Bruce, ainda folheando os papéis ressecados e amarelados. – Não é mesmo, Alfred? – Meu avô foi o primeiro a servir a esta casa, sim, senhor – respondeu Alfred, caminhando até o balcão e pousando o saco com cuidado. – Mas seu pai serviu ao meu, não? Alfred estava tirando legumes frescos do saco de papel, de costas para Bruce. – Por algum tempo, senhor. Ele serviu à família de 1946 até eu assumir seu posto em 1967. – Então você tinha dez anos de idade em 1957 – continuou Bruce, folheando os papéis de frente para trás, examinando cada página. – Lembra muito daquela época, Alfred? Você se lembra do meu pai? Alfred interrompeu o trabalho, apoiando as duas mãos no balcão, as costas ainda para Bruce. – Ele era um grande homem, jovem Wayne. – Então agora estou de novo de calças curtas, hein? – disse Bruce, sem sorrir. – Bem, Alfred, diga-me se sabe algo sobre este Dr. Richter.
Bruce observou o homem mais velho com um olhar atento. Alfred não moveu um músculo por um instante, depois falou. – Não me lembro do nome, senhor. – Está aqui – disse Bruce, a voz seca. – Correspondência entre meu pai e este Dr. Richter. Parece ser sobre o começo da vida de meu pai. Estava pensando que se pudesse encontrar esse Richter... – Ele está morto, jovem Bruce – disse Alfred abruptamente. – Lembro agora que ele fez algum trabalho com seu pai, mas morreu quando eu era novo. Isso foi há muito tempo, jovem Bruce, e se posso sugerir, não há nada a ganhar investigando isso. – Acha que devo deixar para lá? – O passado é o passado, e temos problemas suficientes em nossa própria época. Seu pai ficou aborrecido com o falecimento de um amigo, se a memória não me trai, e isso foi quase tudo. – Ah, isso explica – disse Bruce, dobrando os papéis e os enfiando no bolso do paletó ao se levantar. – Obrigado, Alfred. – Lamento, simplesmente não me lembro de muito mais do que isso – disse Alfred, se virando com um sorriso. Bruce anuiu e saiu, sabendo que ambos haviam encerrado com uma mentira.

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