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domingo, 28 de maio de 2017

SD 932 : WAYNE DE GOTHAN

CAPÍTULO DEZOITO

DESAFIO

Plataforma M42 Sessenta e Um / Gotham / 22h27 / Hoje – Saia, saia, de onde quer que esteja – cantou suavemente o Coringa em um falsete esganiçado enquanto descia as escadas, uma imitação pobre de Billie Burke em O mágico de Oz –, e conheça o jovem Batman que me deu esta cicatriz. Bruce ficou parado com o outro policial palhaço no vagão aberto junto ao batmóvel. A máscara de látex de palhaço grudava na pele suada do rosto. A salvação estava perturbadoramente próxima. O batmóvel estava sob as pontas dos seus dedos, mas o painel de acesso de segurança, escondido sob a pele maleável do veículo, ficava fora de alcance à direita. Ele teria de localizar o painel, digitar a senha e mergulhar pela portinhola antes que os policiais palhaços do Coringa conseguissem impedi-lo. Palhaço Nervoso estava no caminho, e ele não conseguiria fazer nada sem chamar a atenção do Coringa e sua sentinela de capangas armados. Ele podia lidar com o Coringa – mas não como Bruce Wayne... Não com apenas aquela máscara fina. – Ele veio de longe para me dar uma cicatriz gigante – continuou a cantar enquanto pulava até a base da escada, agitando o revólver acima da cabeça –, e Batman, ele diz, quer recuperar seu carro tão elegante. Batman, ele diz, tem um fetiche extravagante. Bruce espiou Palhaço Musculoso à sua esquerda. Sua postura era relaxada. O timing teria de ser perfeito... E tempo era o problema. Ele estava desesperado para voltar à mansão, e cada momento que permanecia ali significava dar a Alfred – ou quem quer que estivesse envolvido – mais tempo para apagar os rastros. Bruce lentamente deslocou o peso do corpo para o pé direito. – Vejam, na verdade é muito simples – disse o Coringa, no que se passava por um tom de voz racional, desmentido pelo fato de ele apontar a Magnum .44 aleatoriamente para dar ênfase. – Há no salão 115 dos melhores uniformes policiais de Gotham que o dinheiro pode comprar, mas apenas 114 transmissores-receptores de identificação. Agora, se eu estivesse fazendo as contas no talão de cheques, poderia sentir a tentação de simplesmente ignorar pequenas discrepâncias – falou, a voz de repente se tornando raivosa –, mas estou tentando comandar um NEGÓCIO aqui! E embora eu saiba... Eu SABIA que vocês não apreciam o gesto, estou tentando realmente impedir nosso amigo obcecado por morcegos de fazer um mal terrível a si mesmo E a mim. Então, digo que é hora de um pouco de honestidade entre amigos. Eu digo que TODOS devemos ser especiais hoje. Agora que o bando todo está aqui, eu digo que devemos encerrar a farsa, tirar nossas máscaras e permitir que nosso convidado misterioso, por favor, se apresente! Eu visto máscara para aterrorizar os outros. Como é estranho que a falta de uma
máscara me aterrorize. Apoiando as mãos no batmóvel, Bruce deu um chute rápido atrás do joelho do Palhaço Musculoso à sua esquerda. As pernas do capanga se curvaram para frente, desequilibrando Palhaço Musculoso. Instintivamente, o Palhaço ao lado de Bruce tentou se recuperar, mas não havia espaço suficiente no vagão lotado. Com um pequeno grito, Palhaço Musculoso tropeçou na beirada do vagão aberto, caindo de costas entre os trilhos e as paredes do túnel, o ar sendo expulso dos pulmões pelo impacto. O Coringa saltou para a frente enquanto a maioria dos policiais palhaços do salão sacava as armas. – Não o matem! Isso é trabalho meu! Saiam do caminho! Os policiais palhaços abriram espaço à frente do Coringa, que investia de forma brusca. Dois deles não conseguiram sair do caminho suficientemente rápido. Coringa baixou a arma, atirando nas costas de um deles. O recuo lançou sua arma para trás, mas ele continuou a avançar. – Aviso dado – gritou o Coringa enquanto saltava sobre o corpo do homem baleado, que sangrava sobre o chão de cimento pintado. Os outros policiais palhaços no vagão voltaram suas armas para o Palhaço Musculoso caído que tentava se levantar. Vários que estavam perto dele no vagão saltaram sobre Palhaço Musculoso, prendendo-o ao chão. Com a distração completa, Bruce deslizou ligeiramente para a direita, passou a mão sobre o painel da portinhola e digitou a senha rapidamente. – Mantenham-no preso! – gritou o Coringa enquanto pulava da Plataforma Sessenta e Um. Ele pousou nos trilhos diante do vagão e foi para o outro lado, onde Palhaço Musculoso estava sendo contido por seus capangas. – Já estava na hora de termos uma conversinha cara a cara! O Coringa ajoelhou-se e arrancou a máscara de Palhaço Musculoso. Um som sibilante soou atrás dele. O Coringa se virou para ver uma porta asa de gaivota se abrir entre as correntes que prendiam o batmóvel... E um de seus policiais palhaços mergulhando pela abertura. – Hahahahaha! – exclamou o Coringa, erguendo a Magnum .44. – Como eu adoro iniciativa! A porta asa de gaivota se fechou, se fundindo perfeitamente ao corpo reluzente. – Novo jogo! Novo jogo! – berrou o Coringa, fazendo uma estranha dança arrastada junto aos trilhos. – Chutar a lata! Eu forneço o chute e Batman está na lata! – Como o tiramos dali, chefe? – perguntou Palhaço Musculoso, engasgando entre inspirações dolorosas, ainda preso por seus companheiros. – Tirar? – zombou o Coringa. – Eu não quero tirá-lo! Quero que sua carne em conserva continue dentro daquela lata! Quero que ele se sente em seu carro de brinquedo até que a festa termine! As correntes sobre o veículo começaram a gemer. Coringa ergueu as sobrancelhas. Bruce arrancou a máscara de palhaço do rosto, jogando-a com força por sobre o encosto do
assento de comando até o compartimento de passageiros atrás. Estava escarrapachado desajeitadamente no espaço, tendo saltado de cabeça na cabine enquanto fechava a portinhola. Sabia que a blindagem reativa do veículo tinha características passivas, mas Bruce ficou pensando em por que não conseguia ouvir o som dos projéteis atingindo a carroceria. Tentou se ajeitar, mas se deu conta de que deixara a bat-roupa jogada sobre o assento no qual estava agora tentando se acomodar. A bat-roupa se movia abaixo dele, embolando em certos pontos, e o cinto de utilidades tornava impossível que se sentasse corretamente no espaço. O que mais pode dar errado? – Kronos: Ativar! – disse Bruce, se remexendo enquanto tentava tirar o cinto de utilidades do banco. O sistema de segurança não respondeu. A bat-roupa estava presente no veículo – uma medida de segurança necessária –, mas a biometria não o estava identificando corretamente fora da bat-roupa. – Kronos: Ativar! – repetiu. – Ativado – disse o console dessa vez, mas Bruce se deu conta de que o som era indistinto e abafado, como se viesse de sob ele. – Sistemas conectados. Nível da carga principal em 69 por cento. O capuz... O som está saindo pelo capuz. – Kronos: áudio no painel e visão externa no painel – rosnou Bruce. As telas seriam bidimensionais sem o capuz, e ele teria consciência tática limitada. O veículo estava acorrentado ao vagão, de modo que as rodas seriam inúteis. O tempo estava se esgotando para Bruce Wayne. As telas ao nível do olho se acenderam instantaneamente. Bruce podia ver os policiais palhaços circulando ao redor do carro com armas em punho, mas nenhum deles disparava. O Coringa estava de pé junto aos trilhos apontando para ele e fazendo uma dancinha. Tenho de sair daqui. Tenho de saber quem está por trás disto tudo. – Kronos: aumentar perfil físico em 25 por cento – disse, puxando os cintos de segurança. Conseguiu encontrar e posicioná-los, embora precisassem de ajustes para se encaixar nele sem o volume da bat-roupa, que ainda estava logo abaixo. O veículo reagiu ao seu comando. A carroceria externa, carregada com uma corrente elétrica, se expandiu para fora, aumentando o tamanho contra as correntes que a prendiam e que rangeram e gemeram sob a pressão, mas resistiram. – Resistência externa se aproximando do limite de tensão – disse o carro. – Combustível estável em 86 por cento. Reservas de energia caindo para 53 por cento. – Kronos: reajustar perfil físico – disse Bruce. Tenho de me mover! Não há tempo... – Já pensou em quanto tempo um morcego resiste? – perguntou o Coringa ao Palhaço Nervoso, a arma pousada sobre o ombro trêmulo do capanga. – Quero dizer, sem refrigeração. Normalmente eu nunca defenderia deixar um morcego dentro de um carro,
digamos, em um dia quente enquanto se vai a uma mercearia ou embarca em um cruzeiro prolongado. Contudo, agora temos uma oportunidade de... Pequenas chamas saíram de portinholas que surgiram de repente na carroceria do carro, sacudindo o vagão de um lado para o outro. Os policiais palhaços saltaram do vagão, fugindo do alcance do jato. – Ah, me perdoe! – exclamou o Coringa. – Fui eu? Subitamente quatro colunas de chamas de fumaça apareceram da traseira do batmóvel acorrentado, os vapores se fundindo em um só. O ronco tomou o espaço enorme com um som que jogou muitos dos policiais palhaços de joelhos, as mãos apertando os ouvidos. O vagão gemeu... E então começou a rolar pelos trilhos. – NÃO! – berrou o Coringa, as palavras engolidas pelo som ensurdecedor do motor de foguete. – Você vai estragar tudo! O vagão e sua raivosa carga acorrentada rolaram juntos pelos trilhos cada vez mais rápido, ganhando velocidade ao desaparecer no túnel do metrô sob a cidade. – Detenham-no, idiotas! Prendam-no! – berrou o Coringa. – O que aconteceu à lei e à ordem nesta cidade? Tragam-no de volta! Os policiais palhaços entraram em ação. Aqueles que estavam nos trilhos correram de volta para o túnel e pegaram um túnel secundário de manutenção. Logo surgiram em duplas montados em quadriciclos, os pilotos curvados sobre os guidons enquanto os passageiros preparavam armas que variavam de fuzis de assalto a lança-granadas-foguete. Eles se lançaram em perseguição ao vagão que saiu em disparada, o ruído agudo de seus motores se transformando em um eco enquanto seguiam a trilha de fumaça pelo túnel do metrô. O Coringa subiu rapidamente para a Plataforma Sessenta e Um, a fumaça do motor de foguete ainda sufocando o salão. – Bem, as coisas poderiam ter sido melhores – fungou o Coringa, subindo as escadas de volta para o trono. – Mas vocês sabem, quando eu fico desanimado ou acho que a vida não está sendo boa comigo, tem uma coisa que sempre me alegra. Ele se sentou, pegando um laptop. Um cabo de Ethernet o ligava a um encaixe em um dos roteadores instalados na parede. Ele abriu o laptop. A tela ganhou vida, exibindo “Serviço de Trânsito Ferroviário de Gotham”. – Eu relaxo brincando com meus trens – disse o Coringa, estalando os dedos antes de apertar as teclas. As telas davam a Bruce uma clara visão noturna do túnel que passava por ele a uma velocidade crescente. Um contador digital no canto continuava a subtrair os segundos para o desligamento dos quatro foguetes PAM. Vinte e cinco... Vinte e quatro... Vinte e três... Não pode acontecer cedo demais. Os PAMs eram alimentados por combustível sólido. Era um combustível eficiente e relativamente estável, mas uma vez disparado, não podia ser interrompido – tinha de queimar até o fim. Em condições normais, cada um sozinho teria bastado para impelir o batmóvel para frente de forma significativa, mas o enorme peso do vagão poderia ter
retardado sua partida o suficiente para que o Coringa e seus capangas jogassem algo grande no caminho e bloqueassem sua fuga. Por isso ele disparara os quatro ao mesmo tempo. Ainda assim, apenas chutara a massa e a resistência do velho vagão e, por um momento, temeu que o impulso não fosse adequado. Então o vagão começou a deslizar pelos trilhos impelido pelo veículo, que pressionava contra as correntes que o prendiam, deixando para trás a plataforma e o salão de controle subterrâneo. Bruce agora via que saltara da frigideira do Coringa para um outro fogo; a transformação do vagão em um trenó a jato. A velocidade podia não ser grande comparada com os limites de operação usuais do batmóvel nesses túneis, mas, para um vagão comum preso aos trilhos apenas por seu peso e a força de suas rodas abertas, a velocidade era mais que perigosa. Eles eram um trenó a jato com centro de gravidade alto. E estavam se aproximando rapidamente de uma curva nos trilhos. – Kronos: localize a linha à frente e exiba! – disse Bruce rapidamente. – Trezentos metros para interseção com a linha de Diamond District. Bruce olhou outra vez para a contagem regressiva de desligamento dos foguetes. Quinze segundos. A esta velocidade, a curva está a quatro segundos. – Kronos! – disse Bruce, o estresse que sentia se refletindo na voz. – Sistema de controle de reação para manual. Situação? – SCR manual e conectado. Bruce agarrou os controles dos dois lados do banco do piloto, respirando fundo enquanto o vagão fazia a curva à esquerda. O vagão forçou para a direita com a forma inercial, se inclinando precariamente. Bruce virou o controle lateral com força para a esquerda. Os motores-foguete de reação dispararam à frente e atrás, empurrando a massa inclinada. Ele manteve o impulso constante, vendo os indicadores de calor nos propelentes subindo perigosamente, mas sabendo que a alternativa a derreter era uma colisão descontrolada. Os propelentes seguraram o vagão durante a curva, e as rodas esquerdas pousaram com um guincho quando o túnel se esticou diante deles. Bruce balançou de um lado para o outro nos cintos ainda folgados demais, suor brotando na testa. A curva reduzira um pouco da velocidade, mas a queima constante dos motores PAM estava mais uma vez aumentando a aceleração. – Kronos: onda verde para linha de Diamond District! – comandou Bruce. – Onda verde – respondeu o computador. A Wayne Enterprises havia computadorizado o sistema de controle do metrô em 2004. Bruce se preocupara em conhecer o acesso secreto ao sistema exatamente com esse objetivo: poder manipular o tráfego subterrâneo e permitir que essa versão do batmóvel circulasse sob a cidade. Normalmente era um sistema sofisticado que atrasava ou adiantava sutilmente os trens do metrô de tal modo que os passageiros nunca sabiam que o Cruzado Encapuzado se deslocava pelos mesmos túneis que eles usavam para ir trabalhar e voltar para casa. Agora não é hora de sutileza. A luz vermelha na linha ficou verde, os pontos à frente tendo sido trocados. De repente a luz ficou vermelha de novo. Coringa! Ele está usando meu próprio sistema contra mim! – Kronos: onda verde para a linha do Diamond District! – gritou Bruce, embora soubesse
que a única diferença que isso faria para o conversor de áudio seria confundi-lo. – Onda verde – respondeu o computador, com a luz ficando verde de novo. Foi em cima da hora. O vagão atingiu os pontos do trilho com força em outra curva à esquerda para a linha subterrânea principal. Bruce mais uma vez jogou todo o controle de translação para a esquerda, disparando os propelentes laterais com toda força. Ele podia sentir a estrutura abaixo estremecer sob as forças opostas. O vagão aberto novamente caiu com força nos trilhos, mas agora na principal linha de passageiros que percorria a cidade. Bruce sabia que agora estavam indo rumo oeste no circuito sul – uma viagem direta de pelo menos um quilômetro e meio antes de virar rumo norte. Ele olhou para a direita enquanto os foguetes continuavam a grudá-lo no assento. A estação de Geilla Park passou em um borrão brilhante, a plataforma tomada pelos rostos boquiabertos dos passageiros antes que o trenó a jato e sua carga de batmóvel acorrentado mergulhassem novamente na escuridão. Então ele viu uma luz à sua frente. O farol de um trem vindo em sua direção. Isso é impossível. Os trens nesta rota sempre percorrem a cidade no sentido horário. – Kronos: ampliar à frente cinquenta vezes por dois segundos. A imagem do trem do metrô à sua frente saltou de repente. Vazio! Qual o problema do Coringa? Não conseguiu encontrar um trem lotado a tempo? – Desligamento do PAM em três segundos – anunciou o painel. – Kronos: iniciar impulso principal – disse Bruce, apertando o cinto ao máximo. O motor começou a roncar. Ele podia sentir o tremor através do banco. – Kronos: preparar para executar ao meu comando – continuou Bruce, colocando as mãos sobre os controles de direção e impulso, os pés em uma posição desajeitada por causa da bat-roupa ainda abaixo dele. – Minimizar perfil. A postos? – Pronto – confirmou o painel. – Desligamento do PAM em três... O trem estava se aproximando rapidamente do vagão a jato. – Dois... Bruce pressionou a embreagem, acelerando o motor antecipadamente. – Um... Desligado. Bruce sentiu o corte da pressão de aceleração dos foguetes. – Executar! – gritou, enquanto soltava a embreagem. A carroceria blindada reativa do veículo de repente se encolheu, apertando até o tamanho mínimo e suavizando. As correntes que a haviam prendido subitamente ficaram frouxas. Elas ainda raspariam no carro e possivelmente danificariam a blindagem adaptativa, mas Bruce esperava que fosse o suficiente para escapar do aprisionamento. As rodas do batmóvel guincharam na superfície áspera do vagão aberto. O batmóvel se lançou de ré. As correntes rasparam no carro, mas com o exterior do batmóvel reduzido elas não conseguiam encontrar apoio na superfície lisa. O batmóvel de repente se libertou das correntes, as rodas empurrando o vagão de sob ele enquanto disparava para trás. Bruce empurrou a embreagem de volta, pisando no freio ao mesmo tempo. O batmóvel pousou sobre um dos trilhos, derrapando antes de parar. O vagão aberto, lançado na direção do trem que avançava, o descarrilou ao se enfiar sob
as rodas da frente. O trem do metrô começou a se empilhar no túnel, dobrando-se sobre si mesmo em uma carcaça sinuosa que ocupou a passagem adiante antes de parar. Bruce engrenou a marcha à frente, fazendo o batmóvel derrapar nos trilhos e o direcionando de volta à estação Geilla Park. – Kronos: traçar rota para casa, então exibir... Uma explosão sacudiu o batmóvel. – Modo de combate! – gritou Bruce enquanto apertava o acelerador e soltava a embreagem. As telas dentro da cabine do batmóvel de repente mudaram. Sistemas de armas surgiam on-line na tela do canto direito, enquanto a tela da esquerda mostrava o exterior do carro mudando de otimização de transporte para blindagem adaptativa. Head-up displays de alvo e manobra brotaram diante dele, embora sem a bat-roupa ele perdesse um pouco da imagem dimensional. – Não é perfeito... Mas terá de bastar. O batmóvel disparou para frente sobre os trilhos. Bruce agora podia ver os quadriciclos da Polícia Palhaça investindo contra ele no túnel. Armas pequenas e lança-granadas-foguete. Eles vieram brincar. Na tela de visão noturna, ele viu o brilho causado pela ignição de uma granada da traseira de um dos veículos. Bruce reagiu instintivamente, virando o batmóvel na direção do veículo que atirara contra ele. A granada passou deslizando pelo batmóvel, explodindo contra a parede e jogando o carro de Bruce de lado. Bruce continuou dirigindo. O motorista do quadriciclo vacilou por um momento, incerto se deveria ir para a parede ou cruzar na frente do batmóvel. Foi hesitação suficiente para Bruce. Ele acertou a dianteira do veículo, derrubando os dois ocupantes no túnel. Depois se colocou um pouco mais ao centro sobre os trilhos e acelerou. Boliche de palhaços. Bruce sorriu consigo mesmo. O batmóvel se lançou por entre os quadriciclos nos trilhos, esmagando dois deles sob as rodas. Quatro ricochetearam na blindagem reativa, batendo em outros e derrubando todos violentamente sobre os trilhos e contra as paredes do túnel fechado. Os quadriciclos restantes saíram do caminho do batmóvel conforme ele passava, virando o mais rápido possível para continuar a perseguição. Bruce então viu a plataforma da estação Geilla Park à esquerda, ainda cheia de passageiros. Conseguia ver seus rostos atônitos enquanto observavam o batmóvel passar rugindo por eles uma segunda vez, agora livre do vagão, perseguido pelo que pareciam ser guardas de trânsito em quadriciclos e máscaras de palhaço. Com aquele trem bloqueando o túnel para oeste, eles terão uma longa viagem de volta para casa. Será que alguém vai acreditar nas suas histórias? O batmóvel rugiu pelo túnel, suas rodas montadas nos trilhos. O túnel se curvava pelas entranhas de Gotham, coleando à direita e então fazendo uma curva fechada para o norte. Fashion District a seguir. Aquela linha corre paralela às linhas City, Financial e Sommerset Express sob a velha Cotton Station. Outra explosão sacudiu o veículo, momentaneamente erguendo a parte de trás. As rodas quicaram quando o chassi desabou de volta sobre os trilhos, derrapando levemente. Bruce olhou para a tela traseira. Os quadriciclos restantes continuavam atrás dele, embora
estivessem ficando para trás. Ele podia ver claramente a área brilhante das plataformas da Cotton Station pela tela de visão noturna... E o farol brilhante do trem programado se aproximando bem à sua frente. O trem normal de Diamond District. Faz uma parada aqui. Vou passar para a outra via antes de chegarmos à plataforma, e levar esses palhaços para a linha abandonada de Harbor. Bruce arregalou os olhos. O trem de Diamond não estava desacelerando para parar na estação. Ele podia ver o engenheiro em pânico tentando freneticamente operar os controles que, de repente, mostravam-se inoperantes. Bruce acelerou o máximo que pôde. O batmóvel reagiu imediatamente, se lançando pela pista na direção do trem que se aproximava rapidamente. A Cotton Station tinha plataformas dos dois lados da pista, mas apenas uma delas estava em uso. Só haveria passageiros na plataforma oeste, pensou Bruce. A plataforma leste estaria deserta. Ele esperava que estivesse deserta. Nunca veja quem pisca primeiro com um trem. O batmóvel saiu do túnel instantes antes do trem. Bruce apertou os propelentes de novo, dessa vez para a direita, tirando o batmóvel dos trilhos e o lançando para a plataforma leste. A traseira do batmóvel quebrou azulejos que cobriam a parede do metrô. Bruce enfiou o pé no freio. Os pneus do batmóvel guincharam no cimento da plataforma. A parede de concreto na extremidade norte crescia à sua frente. À esquerda, o trem de Diamond District ainda passava pela estação, os vagões enchendo o túnel na extremidade norte da estação, não deixando nenhum espaço para ele. O batmóvel continuou a deslizar contra a parede direita, o final um tanto sólido da estação avançando na direção de Bruce. Como pode esse trem ser tão grande? De repente o último carro saiu do túnel e Bruce empurrou os propelentes para a esquerda. O batmóvel respondeu, jogado pelos propelentes de volta aos trilhos recém-liberados e mergulhando novamente na escuridão do túnel subterrâneo. – Agora, isso é o que eu chamo de ferromodelismo! – uivou o Coringa. – Acho que é hora de desfrutarmos de um pouco de tráfego pesado. Um trem vazio parou na Plataforma Sessenta e Um, as portas se abrindo. Era possível ouvir outros trens se aproximando. Os Policiais Palhaços pegaram suas armas, entrando nos vagões abertos do metrô. – Todos a bordo! – gritou o Coringa. – É dia de promoção e todos aproveitam a viagem! Bruce engoliu em seco. Os equipamentos óticos externos haviam sido atingidos e a clareza diminuíra. Algumas das imagens estavam borradas à direita do carro. Mas, através do borrado, ele podia ver algo claramente: outro trem, paralelo a ele em uma segunda pista, as portas abertas e cheio de policiais palhaços fortemente armados.
Bruce deu ré de repente. O trem na linha paralela continuou a avançar, os freios guinchando em reação. O Trem dos Palhaços não conseguiu frear suficientemente rápido. Bruce levou o batmóvel para o final do trem, se colocando atrás do último vagão. Podia ver pelas câmeras borradas que os policiais palhaços estavam se reunindo rapidamente no vagão traseiro, lutando para abrir a porta de acesso de modo a poder disparar granadas. O impulso do trem continuou a levá-los para dentro do túnel da velha linha Harbor. Espere... Espere... O trem freando balançou levemente ao cruzar o ponto de transferência para a velha linha Coventry e entrou à direita. Bruce virou o volante para a esquerda. O batmóvel desapareceu no túnel esquecido para Coventry enquanto o trem dos palhaços parava no túnel lateral. Havia um trem imóvel no cruzamento à frente dele. Outro rugia na sua direção por trás. As luzes de controle vermelhas brilhavam em alertas ignorados. Bruce jogou o batmóvel abruptamente por um túnel de acesso, o som da colisão dos trens desaparecendo enquanto o batmóvel saía na linha da Westside University, logo abaixo. Todo o sistema do metrô se tornara um desafio mortal. Hora deste rato sair do labirinto. Ele passou rugindo pela University Station, subindo para a linha de Coventry apenas para encontrar mais dois trens – ambos lotados com policiais palhaços – convergindo com a linha norte e entrando atrás dele novamente. O velho trem do metrô avançou em sua cola. O fogo das armas leves dos palhaços acertava as paredes e a blindagem reativa da carroceria. Bruce conduziu o carro da linha principal de Coventry para um túnel abandonado. Logo atrás, os desvios da ferrovia mudaram de repente, e os trens em perseguição entraram no túnel abandonado atrás dele. Ele me pegou. O Coringa sabe que entrei em um beco sem saída, e está certo de que venceu. Os marcadores de combustível estavam perto do zero e as reservas de energia haviam caído para oito por cento. Quando acabassem, a blindagem seria ineficaz e tudo iria desmoronar. À frente ele podia ver a barricada no final da linha. Além dali, o túnel terminava em uma abertura sob a ponte Westside. – Kronos: emergir – disse Bruce, a voz cansada. O trem estava quase nele, os lança-granadas-foguete sem dúvida a postos. Perto do fim da pista, duas rampas de aço caíram sobre os trilhos. O batmóvel subiu a rampa pouco antes de chegar à barricada no final da linha. O trem do metrô cheio de policiais palhaços não fez o mesmo. Dirigindo sob a ponte Westside, Bruce fechou os olhos. O Coringa tentara detê-lo. Bruce perguntou-se se algo muito mais sinistro o aguardava em casa.

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