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sábado, 20 de fevereiro de 2016

SD 91

C A P Í T U L O 24

 BUCK passou o sábado escondido no escritório vazio da sucursal de Chicago, preparando seu artigo sobre as teorias a respeito dos desaparecimentos. Sua mente era um redemoinho contıń uo, forçando-o a pensar em Carpathia e no que diria nesta matéria que traçaria um paralelo entre aquele homem e a profecia bıb́ lica. Felizmente, ele podia esperar encerrar a redação depois do grande dia — segunda-feira — para concluir a matéria. Por volta da hora do almoço, Buck localizou Steve Plank no Hotel Plaza, em Nova York. — Estarei aí na segunda de manhã — disse -, mas não vou convidar Hattie Durham. — Por que não? É um pequeno pedido, de amigo para amigo. — De você para mim? — De Nick para você. — Ah! Agora então é Nick, hein? Bem, ele e eu não somos ıń timos o bastante para tal familiaridade, e não vou arranjar uma companhia feminina nem mesmo para meus amigos. — Nem mesmo para mim? — Se eu soubesse que você a trataria com respeito, Steve, eu o aproximaria dela. — Você não vai realmente fazer isso por Carpathia? — Não. Estou "desconvidado"? — Não vou dizer a ele. — Que explicação você vai dar quando ela não aparecer? — Vou pedir diretamente a ela, Buck, seu melindroso. Buck não disse que alertaria Hattie para não ir. Ele perguntou a Steve se podia ter mais uma entrevista exclusiva com Carpathia antes de começar sua reportagem de capa sobre ele. — Vou ver o que posso fazer. Além de vocênão fazer um pequeno favor, ainda quer outra oportunidade? — Ele gosta de mim, você disse. Você sabe que vou fazer a matéria completa sobre ele. Ele precisa disso. — Se você viu a TV ontem, sabe que ele não precisa de nada. Nós precisamos dele. — Precisamos? Vocêjá encontrou pessoas que ϐizeram uma ligação entre ele e os eventos dos últimos dias na Bíblia? Steve não respondeu. — Steve? — Estou ouvindo. — Bem, você encontrou? Alguém que pensa que ele seja um dos vilões do Apocalipse? Steve nada disse. — Alô, Steve. — Continuo ouvindo. — Vamos lá, amigo velho. Você é o assessor de imprensa. Você sabe tudo. Como Carpathia vai responder se eu tocar nesse ponto? Steve continuava em silêncio. — Não faça isso comigo, Steve. Não estou dizendo que acredito nessa idéia nem que exista alguém que esteja por dentro de tudo ou pense desse modo. Estou preparando a matéria sobre o que há por trás dos desaparecimentos, e você sabe que isso me leva forçosamente a pesquisar todos os tipos de religião. Alguém já traçou um paralelo sobre isso? Desta vez, quando Steve permaneceu calado, Buck meramente olhou o relógio, determinado a esperar a manifestação dele. Cerca de vinte segundos depois de um silêncio sepulcral, Steve falou maciamente. — Buck, tenho uma resposta de duas palavras para você. Está preparado? — Estou. — Staten Island. — Você está dizendo que...? — Não mencione o nome, Buck! Nunca se sabe quem está ouvindo. — Então você está me ameaçando com... — Não estou ameaçando. Estou lhe dando uma alerta. Tome cuidado. — Lembre-se, Steve, de que não gosto de alertas. Você se recorda de que tempos atrás, quando trabalhávamos juntos, você achava que eu era o mais obstinado perdigueiro que você conhecia na busca de uma reportagem? — Simplesmente não vá farejar o arbusto cheio de espinhos, Buck. — Então deixe-me fazer uma pergunta, Steve. — Cuidado, por favor. — Você quer falar comigo em outra linha? — Não, Buck, desejo apenas que seja cauteloso sobre o que diz, pois isso me atinge também. Buck começou a rabiscar furiosamente sobre urn bloco de papel amarelo. — Combinado — disse ele, escrevendo Carpathia ou Stonagal resp. por Eric Miller? — O que quero saber é o seguinte: Vocêacha que eu devo ϐicar do lado de fora da balsa por causa de quem está ao volante ou por causa de quem fornece o combustível? — Do último — disse Steve, sem hesitar. Buck fez um círculo em torno de Stonagal. — Então você acha que o cara ao volante não está ciente do que o fornecedor de combustível faz em lugar dele. — Correto. — Portanto, se alguém chegasse perto do piloto, este poderia ser protegido e nem mesmo saberia disso. — Correto. — Mas, e se ele descobrisse? — Ele cuidaria do problema. — É o que espero ver logo. — Não posso comentar sobre isso. — Você pode me dizer para quem você realmente trabalha? — Eu trabalho para quem você acha que eu trabalho. O que signiϐicava isso, meu Deus? Carpathia ou Stonagal? Como podia Buck obter uma resposta de Steve por telefone, dentro do Hotel Plaza, que podia estar sendo interceptada e gravada? — Você trabalha para o homem de negócios romeno? — Certamente. Buck quase se esmurrou. Podia ser Carpathia ou Stonagal. — Você trabalha? — disse ele, esperando por mais informações. — Meu chefe move montanhas, não acha? — disse Steve. — Sem dúvida — disse Buck, fazendo um cıŕ culo no nome Carpathia desta vez. — Você deve estar contente com todas as coisas que estão acontecendo nestes dias. — Estou. Buck rabiscou Carpathia. Últimos tempos. Anticristo? — E você está me dizendo pura e simplesmente que a outra questão que mencionei é perigosa, mas também uma podridão. — É uma sujeira total. — E não devo sequer puxar o assunto com ele, por eu ser um jornalista que cobre todos os aspectos e formula as perguntas mais indigestas? — Se eu soubesse que vocêiria mencionar isso, não o incentivaria a fazer a entrevista ou reportagem. — Rapaz, não foi preciso muito tempo para que você se tornasse urn empresário. Após a reunião do núcleo dirigente, Rayford Steele conversou particularmente com Bruce Barnes e foi inteirado do encontro com Buck. — Não posso mencionar os pontos conϐidenciais — disse o pastor -, mas somente uma coisa me falta para ϐicar convencido de que esse Carpathia é o anticristo. Não posso por ora enquadrá-lo geograϐicamente. Quase todos os autores que respeito e que escreveram sobre os últimos dias acreditam que o anticristo virá da Europa Ocidental, talvez Grécia ou Itália ou Turquia. Rayford não sabia o que pensar. — Você notou que Carpathia não se parece com um romeno. Eles não são na maioria de pele morena? — Sim. Deixe-me telefonar para o Sr. Williams. Ele me deu um número. Não sei o que mais ele sabe sobre Carpathia. Bruce discou e ligou o viva-voz. — Rayford Steele está aqui ao meu lado. — Ei, capitão — saudou Buck. — Estamos neste momento fazendo algum estudo aqui -disse Bruce — e deparamos com uma dúvida. Bruce disse a Buck o que tinham encontrado e solicitou mais informações. — Bem, ele vem de uma cidade onde existe uma das maiores universidades, chamada Cluj, e... — Oh! ele é de lá? Eu supunha que ele procedesse de uma região montanhosa, você sabe, por causa do nome dele. — Do nome dele? — Buck repetiu, rabiscando rapidamente em seu bloco tamanho ofício. — Você sabe que o nome provém dos montes cárpatos. Ou esse nome signiϐica alguma outra coisa naquela região? Buck sentou-se, empertigou-se na cadeira e teve um estalo na mente. Steve tinha tentado dizer-lhe que trabalhava para Stonagal e não para Carpathia. E naturalmente todos os novos delegados da ONU eram devedores a Stonagal, porque foi ele quem os apresentou a Carpathia. Talvez Stonagal fosse o anticristo! Onde estava a origem de sua linhagem? — Bem — disse Buck, tentando se concentrar -, talvez ele tenha recebido o nome desses montes, mas ele nasceu em Cluj, e seus ancestrais eram romanos. Eis a razão por que ele tem cabelos loiros e olhos azuis. Bruce agradeceu-lhe e perguntou se o veria na igreja no dia seguinte. Rayford achou que Buck estava desatento e reservado. — Não descarto essa possibilidade — disse Buck. Sim, pensou Buck, desligando. Estarei lá, é claro. Ele pretendia absorver cada partıć ula de informação antes de chegar a Nova York para escrever a reportagem que poderia custar-lhe a carreira e talvez a vida. Não sabia a verdade, mas nunca desistiu de buscá-la, e não seria agora que iria mudar sua posição. Ele telefonou para Hattie Durham. — Hattie, você vai receber um telefonema convidando-a a ir a Nova York. — Já recebi. — Eles queriam que eu pedisse a você, mas solicitei-lhes que eles mesmos ϐizessem o convite. — E eles fizeram. — Eles querem que você veja Carpathia novamente, faça-lhe companhia na próxima semana, se você estiver livre. — Eu sei, estou e vou. — Aconselho você a não fazer isso. Ela riu. — Muito bem, vou declinar um convite do homem mais poderoso do mundo? Acho que não. — Meu conselho é para você não ir. — Por que razão? — Porque você não parece ser esse tipo de garota. — Primeiro, não sou uma garota. Tenho quase a sua idade, e não preciso de um pai ou de um tutor. — Estou falando como amigo. — Vocênão é meu amigo, Buck. Ficou claro que vocênem mesmo gosta de mim. Tentei empurrar vocêpara a garotinha de Rayford Steele e não estou certa nem mesmo se vocêteve a inteligência de se acertar com ela. — Hattie, talvez eu não conheça você. Mas não a vejo como o tipo de pessoa que se permite ser usada por um estranho. — Você é quase um estranho e está tentando me dizer o que fazer. — Bem, você é esse tipo de pessoa? Por não ter dado o recado a você, eu a estava protegendo de alguma coisa que você poderia desfrutar? — É melhor acreditar que sim. — Não posso dissuadi-la dessa idéia? — Você não pode nem mesmo tentar — disse ela e desligou. Buck balançou a cabeça e inclinou-se para trás na cadeira, segurando o bloco de papel amarelo diante dos olhos. Meu chefe move montanhas, Steve havia dito. Carpathia é uma montanha. Stonagal é quem move e agita por trás dele. Steve acha que está realmente com as mãos e os pés amarrados. Ele não é apenas o assessor do homem que Hattie Durham corretamente chama de o mais poderoso do mundo, mas, por trás, Steve também está pactuando com o homem. Buck pensava no que Rayford e Chloe fariam se soubessem que Hattie tinha sido convidada a ir a Nova York para fazer companhia a Carpathia por alguns dias. Por ϐim, ele achou que isso não era da conta dele nem deles. Na manhã seguinte, Rayford e Chloe aguardaram a chegada de Buck até o último momento, mas não puderam mais reservar um lugar para ele sentar-se depois que a nave e as galerias do templo ϐicaram tomadas. Quando Bruce iniciou sua mensagem, Chloe cutucou seu pai e apontou para o aglomerado de pessoas na calçada em frente à porta principal. Ali, no meio do grupo, ouvindo por um alto-falante externo, estava Buck. Rayford ergueu o punho em sinal de celebração e sussurrou ao ouvido de Chloe: — Já sei qual vai ser sua oração nesta manhã. Bruce projetou o videoteipe do antigo pastor, contou novamente sua história, falou brevemente sobre profecia, convidou os presentes a aceitarem Cristo e depois permitiu que usassem o microfone para seus relatos e experiências pessoais. Como havia sucedido nas duas últimas semanas, as pessoas levantaram-se e formaram ϐila até além de uma hora da tarde, ansiosas por testemunhar que agora, finalmente, confiavam em Cristo. Chloe disse a seu pai que gostaria de ser a primeira da ϐila, como ele tinha sido, mas, por causa do tempo que ela levou para deixar a última ϐileira de bancos da galeria e descer até a nave, acabou sendo uma das últimas. Ela contou sua história, aϐirmando que o sinal de que ela acreditava em Deus tinha-lhe sido dado na forma de um amigo que se sentara ao lado dela num vôo de retorno a sua casa. Rayford sabia que ela não podia ver Buck no meio da multidão. Rayford também não podia. Quando do encerramento da reunião, Rayford e Chloe saıŕ am do templo para procurar Buck, mas ele já tinha ido embora. Foram almoçar com Bruce. Chegando em casa, Chloe encontrou um recado de Buck na porta da frente. Não pense que eu não quis dizer adeus. A verdade é que não pude. Estarei de volta para tratar de negócios na sucursal e talvez apenas para vê-la, se me for permitido. Tenho uma porção de coisas para resolver imediatamente, como você sabe, e francamente não quero que nosso relacionamento ϐique prejudicado por meus afazeres. Você é uma pessoa maravilhosa, Chloe, e confesso que cheguei às lágrimas ao ouvir sua história. Você me havia contado antes, mas ouvir naquele lugar e naquela circunstância nesta manhãfoi lindo. Você poderia fazer por mim algo que nunca antes pedi a ninguém? Orar por mim? Vou telefonar ou vê-la em breve. Prometo. Buck. Buck sentia-se mais solitário do que nunca no vôo de volta a Nova York. Ele viajou na classe econômica com o avião lotado, mas não conhecia ninguém. Leu várias passagens na Bıb́ lia que lhe foi presenteada por Bruce e que tinham sido previamente marcadas, o que motivou uma senhora a seu lado a fazer-lhe perguntas. Buck respondeu de tal modo que ela pôde perceber que ele não estava disposto a conversar. Não queria parecer rude, mas não desejava, na verdade, confundir alguém em razão de seu limitado conhecimento. O sono não foi mais fácil naquela noite, embora ele se recusasse a ϐicar andando no quarto. Deveria ter um encontro pela manhã, do qual tinha sido aconselhado a manter-se afastado. Bruce Barnes tinha sido convincente no sentido de que, se Nicolae Carpathia fosse o anticristo, Buck corria o perigo de ser perturbado mentalmente, sofrer uma lavagem cerebral, ser hipnotizado, ou pior. Ainda exausto, e enquanto tomava banho e se vestia na manhã de segunda-feira, Buck concluiu que tinha percorrido um longo caminho desde o tempo em que achava que a religião estava ultrapassada. Viu pessoas atordoadas e perplexas imaginando que seus entes queridos haviam voado para o céu, e agora acreditava que grande parte do que estava acontecendo tinha sido profetizado na Bıb́ lia. Ele não estava mais se questionando ou duvidando, disse a si mesmo. Não havia outra explicação para as duas testemunhas em Jerusalém. Nem para os desaparecimentos. E, por ϐim, o mais intrigante de tudo — essa história de urn anticristo que engana tanta gente... bem, na mente de Buck já não havia o problema de saber se os fatos eram literais ou verdadeiros. Esta era uma etapa vencida. Ele já havia progredido o suϐiciente para tentar saber quem era o anticristo: Carpathia ou Stonagal. Buck ainda se inclinava por Stonagal. Ele passou a alça da maleta por cima do ombro e foi tentado a pegar o revólver no criadomudo, porém não o pegou, mesmo sabendo que não passaria por detectores de metal. De qualquer modo, compreendia que este não era o tipo de proteção de que precisava. O importante para ele era proteger sua mente e seu espírito. Por toda a extensão do caminho até a ONU, ele sentia-se angustiado. Oro? perguntava-se. "Faço oração", como tantas daquelas pessoas ϔizeram na manhã de ontem? Deveria fazer isso apenas para proteger-me da feitiçaria ou do medo? Ele concluiu que tornar-se crente não consistia em usar urn talismãpara ter boa sorte. Isso desvalorizaria a crença. Certamente Deus não agia desse modo. E, se Bruce Barnes pudesse merecer crédito, agora, durante este perıó do, os crentes não teriam mais proteção do que qualquer outra pessoa. Quantidades colossais de pessoas deveriam morrer nos próximos sete anos, fossem ou não cristãs. A questão era saber: onde estariam elas depois? Havia somente uma razão para esta mudança, pensou Buck — se ele verdadeiramente acreditasse que podia ser perdoado e passasse a fazer parte do povo de Deus. Deus tinha se tornado mais do que uma força da natureza ou mesmo um operador de milagres para Buck, como tinha sido naquela noite nos céus de Israel. Aquilo o fez sentir que, se Deus criou as pessoas, Ele desejaria comunicar-se com elas, ligar-se a elas. Buck entrou na ONU, passando por um exército de repórteres já se instalando para a entrevista à imprensa. Limusines descarregavam passageiros importantes, e multidões esperavam atrás das barreiras policiais. Buck viu Stanton Bailey num ajuntamento perto da porta. — O que o senhor está fazendo aqui? — perguntou Buck, observando que em cinco anos no Semanário ele nunca tinha visto Bailey fora do edifício-sede. — Apenas tirando vantagem de minha posição para assistir à entrevista. Estou orgulhoso porque você vai comparecer à reunião preliminar. Esteja certo de se lembrar de cada detalhe. Obrigado por ter-me passado seu primeiro rascunho da matéria sobre as teorias. Sei que você tem uma boa parte ainda em preparo, mas o começo foi espetacular. A reportagem vai ser premiada. — Obrigado — disse Buck, e Bailey fez o gesto dos dois polegares para cima. Buck imaginou que, se aquilo tivesse acontecido um mês antes, ele teria de abafar o riso diante do ultrapassado e idoso cavalheiro e teria dito a seus colegas que aquele homem para quem trabalhava não passava de um idiota. Agora ele se sentia estranhamente lisonjeado pelo incentivo. Bailey não tinha a menor idéia do que Buck andava planejando. Chloe Steele falou com seu pai sobre seu plano de procurar uma faculdade naquela segunda-feira. — Eu estava pensando — disse — em encontrar-me com Hattie para um almoço. — Pensei que você não tivesse interesse por ela — disse Rayford. — Não tenho, mas isso não é motivo para não procurá-la. Ela nem mesmo sabe o que aconteceu comigo. Não está respondendo às ligações que ϐiz. Você tem alguma idéia da programação de vôos dela? — Não, mas tenho de checar a minha. Vou ver se ela está voando hoje. Rayford foi informado de que Hattie não estava escalada naquele dia e que havia requerido uma licença de 30 dias. — Isso é estranho — disse ele a Chloe. — Talvez ela esteja com problemas na famıĺia no extremo oeste. — Talvez ela tenha apenas resolvido descansar um pouco -aventou Chloe. — Vou ligar para ela mais tarde antes de sair. O que você vai fazer hoje? — Prometi a Bruce que iria até lá para ver a entrevista à imprensa de Carpathia hoje de manhã. — A que hora vai ser? — Dez horas em nosso horário, imagino. — Bem, se Hattie não estiver por perto para o almoço, talvez eu vá até lá. — De qualquer modo, ligue para nós, querida, e aguardaremos por você. As credenciais de Buck estavam à disposição dele numa mesa de informações no saguão da ONU. Ele foi levado a uma sala de conferência privada, fora da suıt́ e de escritórios, onde Nicolae Carpathia já tinha se instalado. Buck estava pelo menos 20 minutos adiantado, mas, quando saiu do elevador, sentiu-se solitário no meio de uma multidão. Não conseguiu reconhecer ninguém quando começou o longo caminho por um corredor de vidro e aço que levava à sala onde deveria se reunir a Steve, aos dez embaixadores designados representando os membros permanentes do novo Conselho de Segurança, a vários assessores e conselheiros do novo secretário-geral (incluindo Rosenzweig, Stonagal e diversos ı|́ outros membros de sua confraria internacional de peritos em finanças) e, naturalmente, ao próprio Carpathia. Buck sempre tinha sido ativo e conϐiante. Outros haviam notado seu progresso e determinação no cumprimento de suas tarefas. Agora seu modo de andar era vagaroso e inseguro, e, a cada passo, seu temor aumentava. As luzes pareciam diminuir de intensidade, sua pulsação aumentava, e ele tinha um mau pressentimento. O medo sufocante lembrava-lhe Israel, quando acreditou que ia morrer. Estava ele ameaçado de morte? Ele não podia imaginar perigo físico, no entanto as pessoas que cruzaram o caminho de Carpathia, ou o caminho dos planos de Stonagal para Carpathia, agora estavam mortas. Seria ele mais um na ϐila dos opositores aos planos de Carpathia, a qual se iniciara anos antes na Romênia, passando por Dirk Burton e Alan Tompkins até chegar a Eric Miller? Não, ele sabia que não corria o risco de ser morto. Pelo menos não agora, não naquele lugar. Quanto mais perto chegava da sala de conferência, mais ele queria afastar-se dali por sentir a presença de uma força maligna, como se ela estivesse personiϐicada naquele ambiente. Quase sem refletir, Buck se viu orando silenciosamente — Deus, fica comigo. Protege-me. Mas ele não sentiu nenhum alıv́ io. Ao contrário, seus pensamentos dirigidos a Deus tornaram-no mais sensıv́ el à forte presença do mal. Ele parou a três metros da porta aberta e, embora ouvisse risadas e brincadeiras, estava quase paralisado pela atmosfera pesada. Ele queria estar em qualquer lugar, menos ali, e, no entanto, sabia que não podia recuar. Essa era a sala em que os novos lıd́ eres do mundo se congregavam. Qualquer pessoa sensata daria tudo para estar ali. Buck compenetrou-se de que o que realmente queria era já ter estado lá. Ele desejou que já tivesse terminado, que ele já tivesse visto a recepção e o breve discurso de posse ao novo pessoal, e que já estivesse escrevendo a reportagem. Com os pensamentos confusos, ele fez um esforço para caminhar até a porta. Novamente, clamou a Deus, e sentiu-se um covarde — exatamente como todos os outros — orando na trincheira do inimigo. Ele havia ignorado Deus a maior parte de sua vida, e, agora, ao sentir uma angústia devastadora em sua alma, via-se simbolicamente de joelhos. Entretanto, ele não pertencia a Deus. Ainda não. Estava consciente disso. Deus havia respondido à oração de Chloe quando ela pediu um sinal antes mesmo de tomar uma decisão espiritual. Por que não podia Ele responder ao apelo de Buck desejoso de serenidade e paz? Buck não saiu do lugar até o momento em que Steve Plank notou sua presença ali fora. — Buck! Estamos quase prontos para começar. Entre. Mas Buck sentia-se horrível, em pânico. — Steve, preciso ir ao banheiro. Tenho um minuto? Steve olhou para o relógio. — Dou-lhe cinco minutos — disse ele. — E, quando você voltar, ficará naquele lugar. Steve indicou uma cadeira a um canto de um quadrilátero de mesas justapostas. O jornalista que havia em Buck gostou do lugar. O ponto estratégico perfeito. Seus olhos moveram-se rapidamente, abrangendo todo o ambiente e detendo-se nas placas indicadoras dos nomes colocadas em cada lugar. Ele ϐicaria de frente para a mesa principal, onde Carpathia tinha se colocado ao lado de Stonagal... ou Stonagal seria o titular daquela posição? Perto de Carpathia, do outro lado, estava uma placa manuscrita às pressas com o tıt́ ulo "Assistente Pessoal". — É você? — perguntou Buck. — Não — disse Steve, apontando para um canto oposto ao da cadeira de Buck. — Todd-Cothran está aqui? — perguntou Buck. — Lógico. Bem ali, de terno cinza-claro. O britânico parecia bastante insigniϐicante. Um pouco mais adiante, estavam tanto Stonagal, em costume cinza-escuro, como Carpathia, perfeito em seu terno preto, camisa branca, gravata azul-celeste, com botão de ouro pouco abaixo do nó. Buck estremeceu ao vê-lo, mas Carpathia lançou-lhe um sorriso e acenou-lhe. Buck fez o sinal de que voltaria em seguida. — Agora você tem somente quatro minutos — disse Steve. -Apresse-se. Buck pôs sua maleta num canto perto de um guarda de segurança musculoso e grisalho, acenou para seu velho amigo Chaim Rosenzweig e deu uma corrida até o banheiro. Ele pôs para fora da cabina um balde do faxineiro e fechou a porta. Buck apoiou suas costas contra a porta, enϐiou as mãos nos bolsos e inclinou o queixo até tocar o peito, lembrando-se do conselho de Bruce de que podia falar com Deus do mesmo modo como se fala com um amigo. "Deus", disse, "preciso de ti, e não apenas nesta reunião". Ele orava com fé. A oração não era nenhum ensaio ou uma tentativa sem emoção. Ele não estava tão-somente esperando ou tentando fazer um teste. Buck sabia que estava falando com o próprio Deus. Admitiu sua necessidade de Deus, que sabia que estava perdido e era um pecador como qualquer outro. Buck não fez especiϐicamente a oração que tinha ouvido de outros, mas, quando terminou, tinha abrangido os mesmos pontos, e a ligação com Deus estava feita. Ele não era do tipo que se lança a qualquer coisa timidamente. Uma vez comprometido com algo, ele sabia que não havia retorno. Buck voltou em seguida para a sala de conferência, mais depressa dessa vez, mas estranhamente sem ganhar mais conϐiança. Ele não tinha orado por coragem ou paz dessa vez. Aquela oração tinha sido por sua alma. Ele não sabia o que ia sentir, mas queria livrar-se daquela contínua sensação de pavor. Entretanto, ele não hesitou. Quando entrou na sala, todos estavam em seus lugares — Carpathia, Stonagal, Todd-Cothran, Rosenzweig, Steve e os poderosos das ϐinanças e embaixadores. E uma pessoa que nunca esperava ver ali -Hattie Durham. Ele olhava aturdido ao vê-la ocupando o lugar de assistente pessoal de Nicolae Carpathia. Hattie piscou para ele, mas Buck não lhe retribuiu. Ele foi atrás de sua maleta, fez um gesto de agradecimento ao guarda armado e levou unicamente um caderno de apontamentos para sua mesa. Embora não percebesse nenhum sentimento especial após sua decisão espiritual, ele tinha uma forte sensação de que alguma coisa estava por acontecer ali. Não havia dúvida em sua mente de que o anticristo da Bıb́ lia estava naquela sala. E, a despeito de tudo o que sabia de Stonagal e de suas maquinações na Inglaterra, e a despeito do mal-estar que se apossava dele enquanto observava sua presunção, Buck divisou o mais verdadeiro, o mais profundo, o mais escuro espıŕ ito do mal ao ver Carpathia tomar seu lugar. Nicolae esperou até que todos tomassem assento e, em seguida, ergueu-se com sua pseudodignidade. — Senhores... e senhorita — iniciou ele — este é um momento importante. Em poucos minutos, vamos acolher os representantes da imprensa e apresentar-lhes aqueles dentre os senhores que estão incumbidos de liderar a nova ordem mundial nesta fase dourada da História. A aldeia global torna-se unida, e temos diante de nós a maior das tarefas e a maior oportunidade jamais concedida ao gênero humano.

C A P Í T U L O 25

 NICOLAE Carpathia deixou seu lugar à mesa e cumprimentou os presentes individualmente. Mencionou o nome de cada um pedindo que se levantasse, apertando-lhe a mão e beijando-o em ambas as faces. Ele omitiu Hattie e dirigiu-se ao novo embaixador britânico. — Sr. Todd-Cothran — disse ele -, o senhor está sendo apresentado como embaixador dos Grandes Estados Britânicos, que compreendem agora a Europa Ocidental e Oriental. Convido-o a integrar a equipe e conϐiro-lhe todos os direitos e privilégios inerentes a seu novo cargo. Que o senhor possa demonstrar-me e àqueles em seu ofıć io a ϐirmeza e sabedoria que o trouxeram a esta posição. — Obrigado, senhor — disse Todd-Cothran, sentando-se enquanto Carpathia dirigia-se à mesa seguinte. Todd-Cothran parecia atônito, como pareceram os outros presentes, quando Nicolae repetiu as mesmas palavras, inclusive precisamente o mesmo tıt́ ulo — embaixador dos Grandes Estados Britânicos — ao ϐinancista inglês sentado a seu lado. Todd-Cothran sorriu com indulgência. Obviamente, Carpathia tinha meramente cometido uma falha e deveria ter-se referido ao homem como seu consultor ϐinanceiro. Até então, Buck nunca tinha visto Carpathia cometer tal deslize. Ao redor do quadrilátero de mesas justapostas, Carpathia repetiu o mesmo ato, indo de um em um, dizendo exatamente as mesmas palavras a cada embaixador, variando um pouco apenas ao citar o nome e tıt́ ulo correspondentes. As palavras mudavam ligeiramente quando se referia a seus assistentes e conselheiros. Quando Carpathia aproximou-se de Buck, pareceu hesitante. Buck foi pego de surpresa, como se estivesse em dúvida se seria incluıd́ o naquela série de apresentações. Um sorriso amistoso de Carpathia sugeriu que se levantasse. Buck ϐicou um tanto desnorteado, tentando segurar a caneta e o bloco com uma das mãos ao mesmo tempo que estendia a outra para o dramático Carpathia. O aperto de mão de Carpathia foi ϐirme e forte e persistiu enquanto proferia sua ladainha. Olhou diretamente nos olhos de Buck e falou com tranqüila e segura autoridade. — Sr. Williams — disse -, convido-o a integrar a equipe e conϐiro-lhe todos os direitos e privilégios inerentes a seu novo cargo... O que signiϐicava aquilo? Não era o que Buck esperava, mas foi categórico e lisonjeiro. Ele não fazia parte de equipe alguma, nem direitos ou privilégios deveriam ser conferidos a ele! Balançou a cabeça levemente, indicando que Carpathia estava novamente confuso, que havia tomado Buck por outra pessoa. Mas Nicolae fez um leve movimento com a cabeça e abriu mais o sorriso, olhando fundo nos olhos de Buck. Ele sabia o que estava fazendo. — Que o senhor possa demonstrar-me e àqueles em seu ofıć io a ϐirmeza e sabedoria que o trouxeram a esta posição. Buck desejou empertigar-se, agradecer a seu mentor, seu lıd́ er, o propiciador dessa honra. Mas não! Isso não estava certo! Ele não trabalhava para Carpathia. Era um jornalista independente, não um simpatizante, não um seguidor, e muito menos um empregado. Seu espírito resistiu à tentação de dizer "Obrigado, senhor", como todos os demais ϐizeram. Ele sentia e lia os olhos daquele homem possuıd́ o da sanha do mal, o que o impediu de apontar para ele e acusá-lo de ser o anticristo. Quase podia ouvir sua voz gritando essa acusação a Carpathia. Carpathia ainda olhava ϐixo, ainda sorria, ainda apertava sua mão. Depois de um desconfortável silêncio, Buck ouviu risadas, e Carpathia disse: — O senhor é muitíssimo bem-vindo, meu amigo tímido e sem fala. Todos riram e aplaudiram quando Carpathia o beijou, mas Buck não sorriu. Nem mesmo agradeceu ao secretário-geral. Sentiu um gosto amargo na boca. Enquanto Carpathia prosseguia as apresentações, Buck teve noção do quanto suportou aquele momento. Se ele não pertencesse a Deus, teria sido apanhado na teia daquele homem enganador. Ele podia ver a expressão estampada nos rostos dos demais. Sentiam-se honrados ao extremo ao ser guindados à escala do poder e da conϐiança, entre eles o próprio Chaim Rosenzweig. Hattie parecia derreter-se na presença de Carpathia. Bruce Barnes lhe havia rogado que não participasse desse encontro, e agora Buck sabia por quê. Se tivesse entrado ali despreparado, se Bruce e Chloe — e provavelmente o capitão Steele — não tivessem orado por ele, talvez Buck não tivesse se decidido por Cristo a tempo de conseguir reunir forças para resistir ao engodo de aceitar uma posição de poder. Carpathia terminou essa parte da cerimônia com Steve, que transbordava de orgulho. Em seguida, cumprimentou todos os convidados na sala, exceto o guarda de segurança, Hattie e Jonathan Stonagal. Retornou a sua mesa e voltou-se primeiro para Hattie. — Srta. Durham — disse ele, tomando ambas as mãos dela nas suas -, a senhorita está sendo apresentada como minha assistente pessoal, depois de ter renunciado a uma carreira brilhante numa companhia de aviação. Convido-a a integrar a equipe e conϐiro-lhe todos os direitos e privilégios inerentes a seu novo cargo. Que a senhorita possa demonstrar-me e àqueles em seu ofício a firmeza e sabedoria que a trouxeram a esta posição. Buck tentou cruzar olhares com Hattie e balançar negativamente a cabeça, mas ela estava concentrada em seu novo chefe. A culpa seria de Buck? Ele a havia apresentado a Carpathia logo no inıć io. Haveria possibilidade de acesso a ela? Buck passou os olhos ao redor da sala. Todos sorriram extasiados quando Hattie sussurrou seus sinceros agradecimentos e voltou a sentar-se. Carpathia virou-se dramaticamente para Jonathan Stonagal. Este exibiu um sorriso estudado e levantou-se majestosamente. — Por onde começar, meu amigo Jonathan? — disse-lhe Carpathia. Stonagal baixou a cabeça em sinal de agradecimento, e os outros murmuraram quase em unıś sono que este, sem dúvida, era o homem mais importante da sala. Carpathia tomou a mão de Stonagal e começou formalmente: — Sr. Stonagal, o senhor signiϐica para mim mais do que qualquer pessoa na terra. — Stonagal aprumou a cabeça e sorriu, olhando-se ambos atentamente. — Convido-o a integrar a equipe — prosseguiu Carpathia — e conϐiro-lhe todos os direitos e privilégios inerentes a seu novo cargo. Stonagal vacilou, demonstrando claramente que não tinha interesse em tornar-se parte da equipe, ser recebido pelo próprio homem que manobrara para colocar na presidência da Romênia e agora para ser o secretário-geral da ONU. Seu sorriso congelou e, depois, desapareceu quando Carpathia continuou: — Que o senhor possa demonstrar-me e àqueles em seu ofıć io a ϐirmeza e sabedoria que o trouxeram a esta posição. Em lugar de aceitar a honraria e agradecer a Carpathia, Stonagal recolheu sua mão e olhou agressivamente para o jovem líder. Carpathia continuou com os olhos fixos nos dele e falou em tom mais brando e amistoso: — Sr. Stonagal, pode sentar-se. — Não! — replicou Stonagal. — Tomei a liberdade de fazer uma pequena brincadeira com o senhor porque sei que compreenderia. Stonagal ficou vermelho, nitidamente desapontado por ter-se excedido. — Peço-lhe desculpas, Nicolae — disse ele por ϐim, forçando um sorriso, mas claramente insultado por ver-se forçado a se expor daquela forma. — Por favor, meu amigo — solicitou Carpathia. — Por favor, sente-se. Senhores e senhorita, temos somente uns poucos minutos antes da entrevista com a mídia. Os olhos de Buck continuavam pregados em Stonagal, que parecia agitado, espumando de raiva. — Gostaria de apresentar a todos uma pequena lição prática de liderança, partidarismo e, posso dizer, cadeia de comando. Sr. Scott M. Otterness, poderia vir até aqui, por favor? O guarda de segurança, postado num dos cantos da sala, caminhou apressadamente, revelando surpresa, e apresentou-se a Carpathia. — Uma das minhas técnicas de liderança é meu poder de observação, combinado com uma memória prodigiosa — disse Carpathia. Buck continuava de olhos pregados em Stonagal, que parecia estar arquitetando um ato de desagravo por ter sido ridicularizado. Ele parecia pronto para levantar-se a qualquer momento e colocar Carpathia em seu devido lugar. — O Sr. Otterness está surpreso porque não fomos apresentados, fomos, senhor? — Não, Sr. Carpathia, não fomos. — E, apesar disso, eu sabia seu nome. O idoso guarda sorriu e meneou a cabeça. — Sei também qual é o nome do fabricante, modelo e calibre da arma que o senhor carrega em seu coldre. Não vou ϐicar olhando enquanto o senhor exibe sua arma a todos os presentes. Buck viu horrorizado quando o Sr. Otterness desabotoou a tira de couro que prendia o enorme revólver no coldre. Ele sacou a arma e levantou-a com ambas as mãos, mostrando-a a todos os circunstantes, exceto Carpathia, que havia desviado o rosto para o lado contrário. Stonagal, ainda com o rosto avermelhado, parecia ofegante. — Notei que o senhor está portando urn revólver especial da polıć ia, calibre 38, com um tambor de dez centímetros, carregado de balas de alta velocidade e cartucho côncavo. — O senhor está certo — disse Otterness alegremente. — Posso segurá-lo, por favor? — Certamente, senhor. — Obrigado. Pode retornar a seu posto e continue a vigiar a maleta do Sr. Williams, a qual contém um gravador, um telefone celular e um laptop. Estou certo, Cameron? Buck olhou-o ϐixamente, recusando-se a responder. Ele ouviu Stonagal rosnar qualquer coisa sobre "brincadeira de adivinhação". Carpathia continuou olhando para Buck. Nenhum deles falou. — O que signiϐica isto? — murmurou Stonagal. — Você está-se portando como uma criança. — Gostaria de dizer o que os senhores estão prestes a ver -disse Carpathia, e Buck sentiu novamente a presença de uma onda do mal na sala. Ele queria mais do que nunca livrar-se do arrepio em seus braços e sair correndo para salvar sua vida. Mas ele estava congelado na cadeira. Os outros pareciam pasmos mas não perturbados, como estavam ele e Stonagal. — Vou pedir ao Sr. Stonagal que se levante mais uma vez -disse Carpathia, tendo a grande e assustadora arma a seu lado. — Jonathan, queira levantar-se. Stonagal permaneceu sentado olhando fixamente para ele. Carpathia sorriu. — Jonathan, você sabe que pode conϐiar em mim. Gosto de vocêpor tudo o que tem sido para mim e, humildemente, peço que me ajude nesta demonstração. Vejo parte de minha função como a de um professor. Você mesmo disse isso e tem sido meu professor por anos. Stonagal ergueu-se, precavido e empertigado. — E agora vou pedir-lhe que troquemos de lugar. Stonagal praguejou. — O que significa isto? — interpelou ele. — Tudo ficará muito claro rapidamente, e não vou mais precisar de sua ajuda. Para os outros, Buck deduziu, aparentemente Carpathia queria dizer que não precisaria mais da ajuda de Stonagal para a demonstração que faria a seguir. Pelo fato de Carpathia ter mandado o guarda desarmado de volta ao seu posto, todos imaginariam que ele agradeceria a Stonagal, permitindo em seguida que ele retornasse a seu lugar. Stonagal, visivelmente contrariado e franzindo a testa, trocou de lugar com Carpathia. Isto colocava Carpathia à direita de Stonagal. AƱ esquerda de Stonagal, estava Hattie, e, logo a seguir, o Sr. Todd-Cothran. — E agora peço-lhe que se ajoelhe, Jonathan — disse Carpathia, com o semblante sério e tom de voz áspero. Para Buck, parecia que todos os presentes tomaram fôlego e pararam de respirar. — Não vou fazer isso — disse Stonagal. — Sim, você vai — disse Carpathia, polida mas autoritariamente. — Ajoelhe-se. — Não, de jeito nenhum. Você perdeu a cabeça? Não vou ser humilhado. Se você pensa que galgou uma posição superior à minha, está enganado. Carpathia levantou o revólver 38, destravou o gatilho e encostou o cano no ouvido direito de Stonagal. O homem num repente afastou a cabeça, mas Carpathia disse: — Mova-se outra vez e será um homem morto. Vários entre os presentes se levantaram, inclusive Rosenzweig, que clamava entre agoniado e lamentoso. — Nicolae! — Sentem-se todos, por favor — disse Carpathia, voltando ao seu tom calmo. — Jonathan, ponha-se de joelhos. Penosamente, o homem curvou-se, usando como apoio a cadeira de Hattie. Ele não ϐicou de frente para Carpathia nem olhou para ele. A arma continuava encostada em seu ouvido. Hattie estava pálida e estática. — Minha cara — disse Carpathia, inclinando-se em direção a ela por sobre a cabeça de Stonagal -, queira, por favor, afastar sua cadeira um metro atrás, a fim de não sujar sua roupa. Ela não se moveu. Stonagal começou a soluçar. — Nicolae, por que você está fazendo isso? Sou seu amigo! Não sou nenhuma ameaça! — Implorar não combina com você, Jonathan. Por favor, ϐique em silêncio. Hattie — continuou ele, ϐixando-se agora diretamente nos olhos dela -, levante-se e empurre sua cadeira para trás e ϐique sentada. Cabelo, pele, pedaços do crânio e resıd́ uos do cérebro atingirão o Sr. Todd-Cothran e outros que estejam perto. Não quero que nada atinja você. Hattie empurrou sua cadeira para trás. Seus dedos tremiam. Stonagal implorava angustiado: — Não, Nicolae, não! Carpathia não tinha pressa. — Vou matar o Sr. Stonagal com um tiro indolor em seu cérebro, que ele não ouvirá nem sentirá. Os senhores ouvirão um som de campainha. Isto será uma advertência para todos. Os senhores ϐicarão cientes de que estou no comando, que não tenho medo de ninguém e que ninguém pode se opor a mim. O Sr. Otterness levou a mão à testa, como se tivesse uma vertigem, e caiu sobre urn dos joelhos. Buck pensou na hipótese de dar um pulo suicida por sobre a mesa e alcançar a arma, mas sabia que outros poderiam morrer nesse gesto tresloucado. Ele olhou para Steve, que estava sentado imóvel como os demais. O Sr. Todd-Cothran fechou os olhos e contorceu os músculos do rosto, como se estivesse esperando o estampido a qualquer instante. — Quando o Sr. Stonagal estiver morto, vou dizer-lhes o que devem lembrar. E, se acaso alguém achar que não estou sendo justo, devo acrescentar que não serão só respingos de sangue que atingirão a roupa do Sr. Todd-Cothran. Uma bala de alta velocidade a esta distância também o matará, o que, como o senhor sabe, Sr. Williams, é algo que lhe prometi que trataria no devido tempo. Todd-Cothran abriu os olhos ao ouvir esta notıć ia, e Buck gritou interiormente "Não!" quando Carpathia puxou o gatilho. A explosão ribombou por toda a sala, estremecendo até a porta e as janelas. A cabeça de Stonagal ϐicou despedaçada, e o impacto atingiu mortalmente Todd-Cothran, caindo ambos de bruços ao chão. Várias cadeiras tombaram enquanto seus ocupantes cobriam a cabeça horrorizados. Buck olhava desatinado, a boca aberta, enquanto Carpathia friamente punha o revólver na mão direita de Stonagal, tendo o cuidado de colocar o dedo indicador do morto em volta do gatilho. Hattie tiritava em sua cadeira e tentou emitir um grito que ϐicou entalado na garganta. Carpathia assumiu a tribuna novamente. — O que acabamos de testemunhar aqui — disse ele paternalmente, como se estivesse falando a crianças — foi um ϐinal horrendo e trágico de duas vidas antes prodigiosamente produtivas. Estes homens foram dois dos que respeitei e admirei mais do que quaisquer outros no mundo. O que compeliu o Sr. Stonagal a correr até o guarda, tirar-lhe a arma, atentar contra a própria vida e a de seu colega britânico, não sei e jamais entenderei completamente. Buck lutava consigo mesmo para manter-se lúcido, para manter a mente clara — como seu chefe lhe tinha dito ao se encontrarem na entrada do prédio — "lembrar-se de cada detalhe". Carpathia continuou, com os olhos lacrimejantes. — Tudo o que posso dizer-lhes é que Jonathan Stonagal me disse hoje, durante o café da manhã, que se sentia pessoalmente responsável por duas recentes mortes violentas na Inglaterra e que não mais conseguia conviver com essa culpa. Honestamente, pensei que ele estivesse prestes a tornar-se uma das autoridades internacionais ainda hoje. Mas como ele renunciou a esta possibilidade, é meu dever substituı-́ lo. Não tenho idéia de como ele conspirou com o Sr. Todd-Cothran, ocasionando aquelas mortes na Inglaterra. Mas, se ele foi responsável, lamentavelmente, fez-se justiça hoje nesta casa. — Estamos todos horrorizados e traumatizados por testemunhar esta cena. E quem não estaria? Meu primeiro ato como secretário-geral será fechar a ONU pelo restante deste dia, manifestar publicamente nosso pesar e agradecer e abençoar as vidas destes dois velhos amigos. Conϐio que os senhores serão capazes de suportar esta nefasta ocorrência, e que isto não venha jamais a obstruir a capacidade de cada um de desempenhar a contento suas funções estatégicas. Obrigado, cavalheiros. Enquanto a Srta. Durham telefona para a segurança, vou fazer um rápido levantamento das opiniões sobre o que sucedeu nesta sala. Hattie correu ao telefone e mal podia fazer-se compreendida por causa de sua histeria. — Venha depressa! Houve um suicídio, e dois homens estão mortos! Foi horrível. Corra! — Sr. Plank? — disse Carpathia e esperou sua versão. — Foi inacreditável — disse Steve, e Buck sabia que ele estava profundamente sério. — Quando o Sr. Stonagal empunhou o revólver, pensei que ele nos mataria a todos! Carpathia quis ouvir o embaixador dos Estados Unidos. — Puxa, eu conhecia Jonathan há anos — disse. — Quem podia imaginar que ele ϐizesse uma coisa dessa? — Estou muito contente de ver que o senhor está bem, Sr. Secretário-Geral — disse Chaim Rosenzweig. — Eu não estou bem — disse Carpathia. — E não estarei por muito tempo. Aϐinal, eram meus amigos! E assim foi ele inquirindo os presentes sobre o ponto de vista de cada um. O corpo de Buck parecia de chumbo, sabendo que Carpathia poderia eventualmente querer ouvi-lo, ele que era justamente o único naquela sala que não estava sob o poder hipnótico de Nicolae. Mas o que aconteceria se ele dissesse o que viu? Seria o próximo assassinado? Claro que seria! E tinha de ser. Podia mentir? Devia mentir? Ele orou desesperadamente enquanto Carpathia ia de mesa em mesa, certiϐicando-se de que todos tinham visto o que ele desejava que tivesse acontecido e que todos estivessem sinceramente convictos disso. Silêncio, era o que Deus inculcava no coração de Buck. Nenhuma palavra! Buck estava tão agradecido por sentir a presença de Deus no meio dessa malignidade e violência que chegou às lágrimas. Quando Carpathia aproximou-se, as faces de Buck estavam banhadas de lágrimas, e ele não conseguia dizer uma só palavra. Apenas sacudiu a cabeça e ergueu a mão. — Terrível, não foi, Cameron? O suicídio que levou também o Sr. Todd-Cothran com ele? Buck não podia falar e, se pudesse, não o faria. — Você os apreciava e os respeitava, Cameron, porque não estava ciente de que eles tentaram matá-lo em Londres. Carpathia chegou ao guarda de segurança. — Por que você não evitou que ele tomasse seu revólver, Scott? O velho policial ergueuse. — Aconteceu tão depressa! Eu sabia quem ele era, um homem importante e rico, e, quando ele correu em minha direção, não sabia o que queria. Ele abriu o coldre e puxou o revólver antes que eu pudesse reagir, e, logo em seguida, se matou. — Sim, sim — disse Carpathia, enquanto a equipe de segurança do edifício entrava na sala. Todos falavam ao mesmo tempo. Carpathia se retirou a um canto, soluçando em sinal de pesar pela perda de seus amigos. Um policial à paisana fazia perguntas. Buck desvencilhou-se dele. — O senhor tem um número suϐiciente de testemunhas aqui. Permita-me deixar-lhe meu cartão. Se o senhor precisar de mim, telefone-me. O policial trocou cartão com ele, e Buck teve permissão para retirar-se. Buck agarrou sua maleta e correu para pegar um táxi, apressando-se em direção ao escritório. Ele se fechou em sua sala e começou furiosamente a digitar cada detalhe da história. Já havia preenchido várias páginas quando recebeu um telefonema de Stanton Bailey. O velho chefe mal podia respirar entre uma pergunta e outra, não dando oportunidade a Buck de responder. — Por onde você andou? Por que não estava na entrevista à imprensa? Você viu quando Stonagal se matou e levou o britânico com ele? Vocêdevia ter comparecido. Sua presença seria uma questão de prestıǵ io para nós. Como você vai convencer alguém de que estava lá, se não apareceu na entrevista coletiva à imprensa. Cameron, o que se passa com você? — Vim depressa para cá para incluir a reportagem no sistema. — Vocênão tem uma entrevista exclusiva com Carpathia agora? Buck tinha esquecido, e Plank não conϐirmara. O que devia ele fazer neste caso? Ele orou, mas não sentiu nenhuma orientação. Como precisava falar com Bruce ou Chloe ou mesmo com o capitão Steele! — Vou telefonar para Steve — disse ele. Buck sabia que não podia esperar muito tempo para fazer a ligação, mas estava desesperado sem saber o que fazer. Deveria ele permitir-se ϐicar numa sala sozinho com Carpathia? E, se o fizesse, deveria fingir estar sob o controle da mente dele como todos os outros pareciam estar? Se ele não tivesse visto aquilo com os próprios olhos, não acreditaria. Seria ele sempre capaz de resistir a tal influência sem a ajuda de Deus? Ele não sabia. Ele ligou para o pager de Steve, e a resposta veio dois minutos depois. — Estou muito ocupado, Buck. O que há de novo? — Eu queria saber se ainda tenho aquela entrevista exclusiva com Carpathia. — Você está brincando, certo? Você ouviu o que aconteceu antes da entrevista à imprensa e ainda quer uma exclusiva? — Ouvi? Eu estive aí, Steve. — Bem, se você esteve aqui, então provavelmente sabe o que aconteceu antes da entrevista à imprensa. — Steve! Vi isso com meus próprios olhos. — Vocênão está me entendendo, Buck. Estou dizendo que, se você estivesse aqui para a entrevista à imprensa, teria ouvido sobre o suicıd́ io de Stonagal no encontro preliminar, aquele em que você deveria estar. Buck não sabia o que dizer. — Você me viu lá, Steve. — Nem mesmo vi você na entrevista à imprensa. — Não estive na entrevista à imprensa, Steve, mas estava na sala quando Stonagal e Todd-Cothran morreram. — Não tenho tempo para isto, Buck. Não estou brincando. Você devia estar lá, e não esteve. Lamento isso, Carpathia está ofendido, e não haverá nenhuma entrevista exclusiva. — Tenho as credenciais! Eu as apresentei lá embaixo! — Então por que não as usou? — Usei! Steve bateu o telefone na cara de Buck. Marge avisou pelo interfone que o chefe estava na linha de novo. — O que houve com você que nem mesmo foi àquele encontro? — perguntou Bailey. — Estive lá! O senhor me viu entrando! — Sim, eu vi. Você estava por lá. O que você fez? Achou alguma coisa mais importante para fazer? Envolveu-se em alguma conversa fiada, Cameron? — Estou-lhe dizendo que estive lá! Vou mostrar-lhe minhas credenciais. — Acabo de verificar a lista de credenciais, e você não aparece na lista. — Claro que estou na lista. Vou mostrar minhas credenciais ao senhor. — Seu nome está lá, estou dizendo, mas não foi registrada sua presença. — Sr. Bailey, estou olhando agora para minhas credenciais. Elas estão em minhas mãos. — Suas credenciais não signiϐicam coisa alguma se você não as usar, Cameron. Agora, onde você estava? — Leia minha matéria — disse Buck. — O senhor saberá exatamente onde eu estava. — Acabo de falar com três ou quatro pessoas que estiveram lá, incluindo um guarda da ONU e a assistente pessoal de Carpathia, sem mencionar Plank. Nenhum deles viu você; você não esteve lá. — Um policial me viu! Nós trocamos cartões! — Estou voltando ao escritório, Williams. Se você não estiver aı́quando eu chegar, está despedido. — Estarei aqui. Buck tirou do bolso o cartão do policial e ligou para o número do telefone. — Distrito Policial — disse uma voz. Buck leu o nome no cartão: — Detetive sargento Billy Cenni, por favor. — Queira repetir o nome. — Cenni, ou talvez a pronúncia seja Kenny. — Não reconheço esse nome. Vocêligou para o distrito certo? Buck repetiu o número que constava no cartão. — O número está certo, mas essa pessoa não trabalha aqui. — Como eu poderia localizá-la? — Estou ocupado, companheiro. Telefone para outra seção da cidade. — É importante. Você não tem uma lista telefônica do departamento? — Ouça, temos milhares de policiais. — Apenas procure C-E-N-N-I para mim, pode ser? — Espere um minuto. O atendente voltou logo em seguida. — Nada, ouviu? — Ele poderia ser novo aí? — Ele poderia ser sua irmã pelo que sei. — Para onde posso ligar? Ele deu a Buck o número da sede da polıć ia. Buck repetiu a mesma conversa, mas, desta vez, tinha contatado uma jovem atenciosa. — Vou checar mais uma coisa para o senhor — disse ela. -Vou ligar para o departamento do pessoal porque em geral eles não dão informações, a menos que você seja um oϐicial uniformizado. Ele ouvia enquanto ela soletrava o nome para o departamento do pessoal. — Hã-hã-ã-ã-hã— disse ela. — Muito bem. Vou passar esta informação a ele. Senhor? O departamento do pessoal diz que não há ninguém no Departamento Policial de Nova York chamado Cenni, e nunca houve. Se alguém estiver falsiϐicando cartão da polıć ia, eles gostariam de apanhá-lo. Tudo o que Buck podia fazer agora era tentar convencer Stanton Bailey. Rayford Steele, Chloe e Bruce Barnes assistiam à entrevista à imprensa na ONU, atentos, procurando localizar Buck. — Onde está ele? — perguntou Chloe. — Ele tem de estar em algum lugar. Todo o pessoal do encontro preliminar está lá. Quem é a jovem? Rayford levantou-se logo que a viu e silenciosamente apontou para a tela. — Papai — disse Chloe. — Você não está pensando o que estou pensando? — Claro, parece-se muito com ela — disse Rayford. — Psiu — fez Bruce -, ele está apresentando um por um. "E minha nova assistente pessoal, depois de ter renunciado a uma carreira brilhante numa companhia de aviação..." Rayford deixou-se cair pesadamente numa cadeira. — Espero que Buck não esteja por trás disso. — Eu também — disse Bruce. — Isso signiϐicaria que ele poderia ter sido envolvido também. A notıć ia do suicıd́ io de Stonagal e a morte acidental de Todd-Cothran deixaram os três atordoados. — Talvez Buck tenha aceito meu conselho e não compareceu — disse Bruce. — Sinceramente, espero que sim. — Não parece ser do feitio dele — disse Chloe. — Não, não parece — disse Rayford. — Eu sei — disse Bruce -, mas preϐiro esperar. Não quero descobrir que ele aderiu à perfıd́ ia, à traição. Quem sabe o que aconteceu por lá, e ele dependendo somente de nossas orações? — Gostaria de pensar que isto seria suficiente — disse Chloe. — Não — disse Bruce. — Ele precisava da proteção direta do próprio Deus. Quando Stanton Bailey entrou atropeladamente na sala de Buck, uma hora depois, Buck percebeu que estava diante de uma força com a qual não podia competir. O registro de sua participação no encontro preliminar tinha sido apagado, tanto quanto da memória de cada participante. Ele sabia que Steve não estava ϐingindo. Ele acreditava honestamente que Buck não tinha estado lá. O poder que Carpathia exercia sobre aquelas pessoas não conhecia limites. Se Buck tinha necessidade de alguma prova de que sua fé foi real e que Deus estava agora em sua vida, ele a teve. Se ele não houvesse recebido Cristo antes de entrar naquela sala, com certeza seria apenas mais um dentre os fantoches de Carpathia. Bailey não estava com disposição de discutir, por isso Buck deixou que o velho homem falasse, sem tentar defender-se. — Não quero ouvir mais nada sobre esse absurdo da sua presença naquele encontro. Sei que vocêesteve no edifıć io e vi suas credenciais, mas vocêsabe e eu sei e todos os que estavam lá sabem que vocênão compareceu. Não sei o que achou que seria mais importante, mas você estava errado. Isto é inaceitável e imperdoável, Cameron. Não posso ter você como meu editorexecutivo. — Com prazer voltarei a ser redator — disse Buck. — Você não pode assumir essa função tampouco, camarada Quero você fora de Nova York. Vou colocá-lo na sucursal de Chicago. — Ficarei feliz em dirigir aquela sucursal para o senhor. Bailey balançou a cabeça. — Você não vai querer isso, vai, Cameron? Não conϐio em você. Devia demiti-lo. Mas sei que você vai acabar trabalhando em outro lugar. — Não quero conversa com quem quer que seja. — Faz bem, porque, se tentar passar para um concorrente, vou ter de dizer a eles sobre essa demonstração de irresponsabilidade. Você vai ser um redator interno em Chicago, trabalhando para a mulher que foi a assistente de Lucinda. Vou telefonar para ela hoje dando-lhe a notıć ia. Isso vai signiϐicar um apreciável corte nos seus vencimentos, especialmente se considerarmos o que vocêiria ganhar com : a promoção. Tire alguns dias de folga, coloque suas coisas em ordem aqui, alugue o seu apartamento e procure um lugar em Chicago. Algum dia, desejo que vocêϐique limpo comigo, ϐilho. Esta foi a mais lamentável desculpa já vista na busca de notícia, e justamente partindo de um dos melhores no jornalismo. O Sr. Bailey saiu batendo a porta. Buck não via a hora de poder falar com seus amigos em Illinois, mas não queria telefonar do escritório ou de seu apartamento, e ele não sabia com certeza se o telefone celular era seguro. Ele reuniu suas coisas e tomou um táxi até o aeroporto, pedindo ao motorista que parasse em frente de uma cabina telefônica de serviço pré-pago um quilômetro e meio antes do terminal. Como o telefone tocava e ninguém atendia, resolveu ligar para a igreja. Bruce atendeu e disse-lhe que Chloe e Rayford estavam lá. — Coloque-os no viva-voz — disse ele. — Vou tomar o vôo das três horas da American Airlines para 0'Hare. Mas antes deixem-me dizer-lhes isto: Carpathia é o homem, sem dúvida. Ele se encaixa em todos os detalhes. Senti suas orações no encontro. Deus me protegeu. Estou me mudando para Chicago e quero ser membro do, como é que você chama isso, Bruce? — Comando Tribulação? — É isso aí! — Isto significa que...? — começou Chloe a dizer. — Você sabe exatamente o que significa — disse Buck. — Conte comigo. — O que aconteceu, Buck? — perguntou Chloe. — Preϐiro falar sobre isso pessoalmente — disse ele. — Mas tenho uma história para vocês! E vocês serão as únicas pessoas que conheço capazes de acreditar nela. Quando seu avião ϐinalmente aterrissou, Buck saiu apressado para atravessar o túnel retrátil de acesso ao portão, onde foi jubilosamente cumprimentado por Chloe, Bruce e Rayford Steele. Eles o abraçaram, inclusive o circunspecto capitão. Quando se reuniram a um canto, Bruce orou agradecendo a Deus seu novo irmão e a proteção que lhe foi concedida. Atravessando o terminal, foram em direção ao estacionamento, caminhando a passos largos, lado a lado, braços nos ombros um do outro, unidos num propósito comum. Rayford Steele, Chloe Steele, Buck Williams e Bruce Barnes enfrentariam os perigos mais graves que alguém poderia enfrentar, e sabiam bem qual era sua missão. A tarefa do Comando Tribulação era clara, e sua meta nada menos do que permanecerem ϐirmes e lutarem contra os inimigos de Deus durante os sete anos mais caóticos que o planeta viveria.


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