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sábado, 30 de janeiro de 2016

SD 39

9 de abril de 1788

— Preciso de sua ajuda. Chovia. O tipo de chuva que parece faca na pele; que esmurra as pálpebras e soca as costas. Meu cabelo estava grudado à cabeça e, quando eu falava, a água brotava de minha boca, mas pelo menos disfarçava as lágrimas e o muco enquanto eu estava na escada da Maison Royale em Saint-Cyr, esforçando-me para não desabar de pura exaustão, e via o rosto de Madame Levene pálido do choque ao se deparar com minha presença, como se eu fosse um fantasma que surgira na escada da escola na calada da noite. E de pé ali, com a carruagem às minhas costas — dentro dela o Sr. Weatherall dormindo ou inconsciente, e Hélène olhando ansiosamente pela janela, boquiaberta através da chuva torrencial —, eu me perguntava se estava fazendo a coisa certa. Por um segundo, enquanto Madame Levene me observava, pensei que ela podia simplesmente mandar-me ao inferno por todos os problemas que criei e bater a porta na minha cara. E se assim o fizesse, quem poderia culpá-la? —Não tenho mais para onde ir —falei. —Por favor, ajude-me. Ela não bateu a porta na minha cara. Disse: —Minha querida, é claro. E eu caí em seus braços, quase morta de cansaço.

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