9 de abril de 1788
— Preciso de sua ajuda.
Chovia. O tipo de chuva que parece faca na pele; que esmurra as pálpebras e soca as
costas. Meu cabelo estava grudado à cabeça e, quando eu falava, a água brotava de minha
boca, mas pelo menos disfarçava as lágrimas e o muco enquanto eu estava na escada da
Maison Royale em Saint-Cyr, esforçando-me para não desabar de pura exaustão, e via o
rosto de Madame Levene pálido do choque ao se deparar com minha presença, como se
eu fosse um fantasma que surgira na escada da escola na calada da noite.
E de pé ali, com a carruagem às minhas costas — dentro dela o Sr. Weatherall
dormindo ou inconsciente, e Hélène olhando ansiosamente pela janela, boquiaberta
através da chuva torrencial —, eu me perguntava se estava fazendo a coisa certa.
Por um segundo, enquanto Madame Levene me observava, pensei que ela podia
simplesmente mandar-me ao inferno por todos os problemas que criei e bater a porta na
minha cara. E se assim o fizesse, quem poderia culpá-la?
—Não tenho mais para onde ir —falei. —Por favor, ajude-me.
Ela não bateu a porta na minha cara. Disse:
—Minha querida, é claro.
E eu caí em seus braços, quase morta de cansaço.

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