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sábado, 30 de janeiro de 2016

SD 48

4 de julho de 1789

É doloroso para o Sr. Weatherall caminhar tanto. Não só isso, mas a região da Maison Royale onde eles moravam, bem distante da escola e proibida às alunas, não era exatamente a mais bem-cuidada; era difícil para ele usar muletas ali. Todavia, ele adorava caminhar quando eu o visitava. Só eu e ele. E eu me perguntava se era porque víamos um ou outro cervo juntos, observando-nos das árvores, ou se talvez porque chegávamos a uma clareira banhada pelo sol com um tronco de árvore para se sentar, fato que nos fazia recordar dos anos que passamos treinando. Seguimos até lá nesta manhã, e o Sr. Weatherall sentou-se com um suspiro agradecido enquanto aliviava o peso do pé saudável e, com toda certeza, senti uma onda de nostalgia por minha antiga vida, quando meus dias eram ocupados com luta de espada com ele e brincadeiras com Arno. Quando mamãe ainda estava viva. Eu sentia falta deles. Sentia muita saudade deles. —Arno deve ter entregado a carta, não? —perguntou ele depois de um tempo. —Não. Ele devia ter dado a meu pai. Olivier o viu com uma carta. —Então ele devia e não o fez. E como você se sente em relação a isso? Minha voz saiu baixa: —Traída. —Acredita que a carta poderia ter salvado seu pai? —Creio que sim. —E por isso ficou tão calada sobre a pequena questão de seu namorado atualmente residir na Bastilha? Eu não disse palavra. Não havia o que dizer. OSr. Weatherall passou um instante com o rosto virado para um facho de luz do sol que rompia o dossel das árvores — a luz dançando por seus bigodes e pelas dobras de pele dos olhos fechados —, absorvendo o dia com um sorriso quase beatífico. Depois, com um breve meneio de cabeça, agradecendo a mim por permitir-lhe o silêncio, ele estendeu a mão. —Deixe-me ver a carta de novo. Procurei em meu colete e lhe entreguei. —Quem você imagina ser este “L”? OSr. Weatherall arqueou uma sobrancelha ao me devolver a carta. —Quem você pensa ser “L”? — O único “L” em quem consigo pensar é nosso amigo Monsieur Chretien Lafrenière. —Mas ele é um Corvo. —E isto não satisfaz a teoria de que os Corvos conspiravam contra sua mãe e seu pai? Segui a linha de raciocínio dele. —Não, só pode significar que alguns deles conspiravam contra minha mãe e meu pai. Ele riu, coçou a barba. — Tem razão. “Um indivíduo”, segundo a carta. Mas, pelo que sabemos, ninguém propôs um novo Grão-Mestre ainda. —Não —falei baixinho. —Bem, eis a questão... Agora você é a Grã-Mestre, Élise. —Eles sabem disso. — Sabem? Então você me enganou. Diga-me, quantas reuniões teve com seus conselheiros? Eu o fitei com olhos semicerrados. —Mereço meu período de luto. — Ninguém está afirmando o contrário. Mas já faz dois meses, Élise. Dois meses e você não conduziu um só assunto dos Templários. Nem um. A Ordem sabe que você é Grã-Mestre no título, mas você não fez nada para tranquilizá-los de que a direção está em mãos seguras. Se houver um golpe... Se outro cavaleiro avançar e se declarar Grão-Mestre, bem, não encontrará muita contestação de sua parte, não é mesmo? “Uma coisa é o luto por seu pai, porém você precisa honrá-lo. Você é a última na linhagem dos De la Serre. A primeira Grã-Mestre da França. Precisa sair daqui e provar que é digna deles, em vez de ficar zanzando aparvalhada por seu château. — Mas meu pai foi assassinado. Que exemplo eu daria se deixasse seu assassinato impune? Ele soltou uma risada breve. —Ora, corrija-me se eu estiver enganado, mas você não está exatamente fazendo nem uma coisa nem outra no momento, está? Omelhor curso de ação: você assume o controle da Ordem e ajuda a orientá-la durante os tempos difíceis à espera. O segundo melhor curso de ação: você mostra um pouco do espírito dos De la Serre e torna público que persegue o assassino de seu pai... e talvez ajude a desentocar este “indivíduo”. O pior curso de ação: você permanece sentada lastimando pela morte de seu pai e de sua mãe. Assenti. —Oque devo fazer então? —Primeiro, deve entrar em contato com Lafrenière. Não mencione a carta, mas diga que está ávida para assumir o comando da Ordem. Se ele for leal à família, estenderá a mão. Em segundo lugar, encontrarei um lugar-tenente para você. Alguém que eu saiba merecer nossa confiança. Terceiro, você deve pensar também em visitar Arno. Deve se lembrar de que não foi ele quem matou seu pai. A pessoa que matou seu pai foi aquela que literalmente matou seu pai. 

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